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África

Postado em 11/04/2019 6:40

A honra de ajudar Moçambique

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OS danos causados pelo furacão Idai em Moçambique mobilizaram novamente a solidariedade cubana, que rapidamente ativou a 48ª Brigada do contingente Henry Reeve, especializado em situações de desastres e epidemias graves, para auxiliar na cidade da Beira, província de Sofala.
O evento meteorológico matou 468 pessoas nesse território africano, enquanto outras 259 morreram no Zimbabué e pelo menos 56 em Malawi. Cerca de três milhões de pessoas foram afetadas pelos efeitos do ciclone, catalogado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, como um dos piores desastres ligados ao clima na história desse continente.
Os 40 membros do grupo viajaram com um hospital de campanha doado por Cuba, que tem consulta, salas de operação, laboratório clínico e microbiológico, equipamentos de imagenologia, além de 20 leitos hospitalares. Eles são graduados da especialidade de Medicina Geral Integral (MGI), Cirurgia, Medicina Interna, Pediatria, Ginecologia, Ortopedia, Epidemiologia e Tecnologia da Saúde e se juntarão aos mais de 270 colaboradores da brigada médica cubana radicada naquele país desde 1975 em que a independência foi declarada.
O doutor de Pinar del Río Miguel Zorrilla Quiñones, especialista em MGI, disse o Granma Internacional que quando soube da tragédia causada em Moçambique, em 14 de março, nos dias seguintes o governo de Cuba propôs o envio da ajuda solidária e imediatamente começaram a se preparar para sair, recebendo informações sobre o local e a situação epidemiológica.
Ele tem a experiência de ter trabalhado anteriormente em outros países: no estado de Lara, na Venezuela 2001-2006; após seu retorno, ele foi membro da brigada do Paquistão que ajudou após o terremoto acontecido em 2006, prestou colaboração em Angola (2006-2009) e no Brasil (2015-2018). «Em Moçambique espero encontrar famílias com necessidades de cuidados de saúde e faremos todos os esforços para resolver o mais rápido possível todas as dificuldades sentidas pelo povo».
Critério semelhante sustentou o médico Ralfys Armando Carbó Sánchez, ginecologista-obstetra do hospital Pedro Betancourt, em Jovellanos, Matanzas, que serviu na cidade de Ebebellín, na Guiné Equatorial de 2008 a 2010 e curou pessoas com doenças raras em Cuba.

«Eu era o único em Ginecologia e Obstetrícia. Lá também trabalhava um cirurgião e um pediatra, com dois MGI. Organizamos o plantão em Medicina Geral e cada um de nós enfrentava todas as doenças da população que chegava ao serviço de emergência. Se uma situação específica ocorria, o especialista era chamado, por isso ficávamos 24 horas por dia», disse o médico.
Enfrentou a malária, o HIV/Aids e a febre tifoide, pelo qual foi para o trabalho de prevenção e promoção da saúde em aldeias periféricas e remotas, para explicar as medidas sanitárias que poderiam mitigar as patologias da população. Durante essas visitas às comunidades levava medicamentos para tratar doenças crônicas não transmissíveis e diagnosticar possíveis condições epidemiológicas. Participou do programa nacional existente chamado Crescendo sem malária, por isso oferecia palestras educativas para influenciar as medidas a serem tomadas para reduzir a propagação da doença.
«Eu tenho várias histórias para contar, mas estou tocado pelo caso de uma grávida que chegou muito grave porque estava no quinto dia de trabalho de parto, com a pressão arterial muito alta. Recebi-a com convulsões e sem muitos recursos materiais ao meu alcance, consegui salvar a sua vida. Não morreu nem o bebê. Então a paciente veio me visitar várias vezes e me agradeceu pelo meu esforço », salienta Carbó Sánchez.
Também experimentou a experiência de receber mulheres, que realizaram abortos em condições sanitárias inadequadas e apresentavam infecções devido a procedimentos inseguros. Nesses casos, utilizou todo o seu conhecimento para revivê-las e curá-las. Sente-se orgulhoso em dizer que nos dois anos de serviço não houve mortes maternas e a taxa de mortalidade infantil diminuiu.
Para ir a Moçambique recebeu informação atualizada e participou de debates acadêmicos relacionados com a cólera e a malária, porque são duas condições que podem desencadear epidemias após a ocorrência de enchentes. «Nós discutimos a prevenção e a profilaxia que devemos realizar, principalmente transmitindo palestras higiênico-sanitárias».
Além disso, realizaram-lhe exames médicos para medir seus parâmetros de saúde e vacinaram-no para evitar a contração de uma doença endêmica do local e erradicada em Cuba. Disseram-lhe sobre as medidas a tomar para não adoecer e carrega um prontuário médico com a descrição dessas avaliações clínicas.
Por seu lado, o licenciado em Enfermagem de Villa Clara, Serguei León Alonso e graduado em Anestesiologia, chegou recentemente da Guatemala onde serviu na sala de cirurgia do hospital na cidade de Ixchiguan, província de San Marcos. «Em Moçambique vou enfrentar uma situação epidemiológica difícil. Eu vou ver a população com muita tristeza e dor, depois de testemunhar uma grande catástrofe», asseverou o jovem.

Disse que estava orgulhoso de ser selecionado para trabalhar nestas circunstâncias, porque poderá mostrar o sentido humanista de sua profissão, algo aprendido com os anos de estudo da carreira, legado de vida e pensamento do líder Fidel Castro, que nos incutiu o sentido de ajudar os mais necessitados, mesmo que vivam em aldeias remotas e de difícil acesso. «Todo profissional de saúde deve estar no lugar onde o dever chama», disse León Alonso.
Entretanto, o licenciado em Psicologia Yoanky Valdés Baullosa, 33 anos, trabalhador da policlínica Pedro Borrás de Pinar del Río, tem a experiência de trabalhar com os povos indígenas da área rural e montanhosa próxima da cidade de Cajigal e Cariacó, no estado venezuelano de Sucre, de 2016 a 2018.
Ressalta que os profissionais cubanos têm o preparo acadêmico suficiente para se adaptar rapidamente às mudanças e encontrar soluções para seus problemas e os de outras pessoas. Ele providenciará terapia clínica à população africana e aos seus próprios colegas, que viverão momentos difíceis devido à complexa situação que irão enfrentar em Moçambique. «Para mim, será cumprir um dever e poder deixar um legado, isto é, fazer uma marca na história da medicina cubana».

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