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Coluna de Mario Augusto Jakobskind
W.O. na direita
Não tenho o hábito de escrever na primeira pessoa, mas desta vez terei que fugir à regra para relatar um fato que tem muito a ver com o jornalismo e especialmente com a questão do pensamento único.

A história é a seguinte: fui convidado para participar de uma mesa de debate sobre Jornalismo Político na semana de calouros organizada pelo diretório acadêmico da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ. Comigo tinham sido chamados também os jornalistas Merval Pereira e Ricardo Noblat (na foto acima), ambos de O Globo, bem como o cartunista Carlos Latuff.

Uma das organizadoras da atividade, a jovem estudante Carol explicou que o objetivo do debate era apresentar aos estudantes que estão entrando na ECO os dois lados do jornalismo. Merval e Noblat, a mídia convencional, este jornalista e Latuff como contrapontos. O objetivo, portanto, era dos mais nobres, ou seja, ouvir os dois lados. Só compareceram e deram o recado durante cerca de três horas este jornalista e Latuff.

As 7,30 da manhã do dia do debate, a última quinta-feira (17) , Carol recebeu um telefonema de Merval Pereira dizendo textualmente que “é impossível debater com Mário Augusto Jakobskind”. Na verdade, o fujão tentou personalizar a ocorrência, para esconder a verdade segundo a qual o colunista de O Globo estava fugindo do debate porque está habituado ao esquema do pensamento único.

Noblat também se recusou a comparecer, e isso depois do diretório acadêmico ter feito um esforço em comprar passagem aérea para ele viajar de Brasília ao Rio de Janeiro. Noblat, portanto, além do prejuízo financeiro também fugiu ao debate, desrespeitando os futuros jornalistas, relações públicas ou publicitários. Os “figurões” de O Globo só participam de debates quando sabem que não correm o risco de questionamentos. Daí pode-se concluir que democracia eles defendem.

Estes jornalistas de O Globo ditam regras em suas colunas e até denunciam países onde, segundo eles, há restrições à liberdade de imprensa, quando muitas vezes acontece exatamente ao contrário. Eles estão acostumados a misturar alhos com bugalhos. Defendem a liberdade de empresa, dos seus patrões, sob o pretexto de defenderem a liberdade de imprensa. Manipulam grosseiramente. São adeptos, vale sempre repetir, do jornalismo do tipo pensamento único.

Tinha me preparado para expor pontos de vista sobre o jornalismo independente, tentar modestamente mostrar aos futuros jornalistas que um outro jornalismo é possível além do de mercado de Merval Pereira e Ricardo Noblat. Apresentei fatos aos estudantes, que só acabaram ouvindo o lado do contraponto. Pena, porque se ouvissem o outro lado poderiam ter mais elementos para fazer a síntese.

Já tinha engatilhado pelo menos uma pergunta ao fujão Merval Pereira: como ele explica ter sido citado no site Wikileaks por ter informado a um diplomata estadunidense aqui no Brasil que uma candidatura do PSDB tinha grandes chances de suceder, em 2010, o então Presidente Lula? O colunista bem informado e analista diário se equivocou redondamente.

Na verdade, tanto Merval Pereira como Ricardo Noblat estão acostumados a analisar a política pequena, com p minúsculo, do tipo se o tal prefeito de São Paulo, o caricato Kassab vai ou não fundar um partido e assim sucessivamente. E de quebra criticar quem não reza por suas respectivas cartilhas e de jornalismo.

O esquema Organizações Globo, o grupo midiático que engordou na estufa da ditadura e hoje se apresenta como democrata, quer fazer Merval Pereira integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL), como foi dito na semana passada aqui neste espaço. É bom que os atuais acadêmicos sejam informados que o pleiteante foge ao debate democrático organizado por jovens, porque, na verdade teme o contraponto.

Mário Augusto Jakobskind foi apenas um pretexto débil que Merval Pereira apresentou para fugir ao debate sobre jornalismo político, tema que automaticamente deriva para a discussão sobre a questão da democratização dos meios de comunicação.

Merval, Noblat e outros do gênero se alinham com o Instituto Millennium, que reúne empresários, jornalistas de mercado e intelectuais, também de mercado, que são convocados sob o pretexto de defenderem a liberdade de imprensa. Mentira. O jornalismo que eles defendem e praticam é do mesmo tipo do realizado nos anos 60 através do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), criado naquele período para dar suporte aos golpistas de abril de 64 e que levaram o Brasil a uma longa noite de trevas.

Os tempos hoje são outros. Não há mais Golberys do Couto e Silva, mas outros personagens, civis ou militares, circulam na área e na mídia de mercado com o objetivo de convencer setores da opinião pública para uma suposta defesa de valores democráticos. Claro, uma democracia que não resiste ao contraditório.

Cá entre nós, que cobertura provinciana e sabuja dos meios de mercado brasileiros sobre a visita de Barack Obama! Poderia até ser feito um concurso do tipo quem mais ficou deslumbrado com o Presidente dos Estados Unidos e a primeira-dama.

Nenhuma linha sobre a subserviência total e absoluta do Governador Sergio Cabral e do Prefeito Eduardo Paes aos agentes de segurança estadunidenses, que na prática intervieram na área de segurança do Rio. E ainda mais pelo fato que por mais que quisessem agradar aos “invasores” estes não davam a mínima confiança aos brasileiros, impedidos até de se aproximar de Obama. Foram acionados apenas para reprimir eventuais manifestações contra a visita do Presidente dos EUA, como fizeram, e olhe lá, .

E, mais grave ainda, Obama escolheu o Brasil para anunciar ter autorizado o bombardeio à Líbia sob o pretexto (engana que eu gosto) de estar defendendo a população civil líbia. Na verdade, Obama trocou os termos de interesse pelo petróleo por população civil. O Presidente dos EUA de alguma forma constrangeu a anfitriã Dilma Roussef, porque o Brasil se absteve na votação no Conselho de Segurança que deu o sinal verde à zona de exclusão aérea. Dilma Rousseff automaticamente teria de condenar a ação militar, porque, segundo foi dito na ONU pela representante brasileira, o custo humano da intervenção vai ser alto.

Ah sim, a entrada de tropas sauditas no Bahrein nem uma palavra de Obama. O que teriam a dizer disso tudo os fujões Merval Pereira e Ricardo Noblat?

(*) o título deste artigo é de autoria da estudante Patrícia, uma das editoras do jornal do diretório acadêmico da ECO.

Postado em 23/03/2011 ás 08:32

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