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Coluna de Mario Augusto Jakobskind
Lula deveria demitir Nelson Jobim
Vergonha, o ministro queimou a imagem do Brasil com suas declarações. Daqui para frente ele será objeto de chacota por todos os lados

Mário Augusto Jakobskind/Brasil de Fato

O troféu Mico 2009 tem um concorrente forte e que dificilmente será superado. É o ministro da Defesa Nelson Jobim, por sua ânsia de aparecer na mídia hegemônica, sem entender absolutamente nada de coisa alguma em matéria de aviação. Como se fosse um professor – aliás, volta e meia ele posa de professor sobre qualquer matéria – Jobim convocou a imprensa para afirmar coisas que em poucas horas revelaram-se totalmente infundadas. Apontando para um mapa, em função do encontro de algumas peças do Airbus da Air France acidentado e do óleo encontrado no mar, o sabichão descartou a possibilidade de o aparelho ter se incendiado no ar ou mesmo sofrido algum atentado à bomba. Os especialistas no assunto preferiram a cautela, até porque mesmo aparecendo as fotos mostrando manchas de óleo ou algumas peças não se poderia afirmar nada. Mas Jobim quer sempre ser o primeiro em tudo, desta vez o foi até na mancada.
Algumas horas depois das precipitadas declarações de Jobim, a FAB informava que o óleo encontrado era de navio e as peças não pertenciam ao Airbus. Ou seja, tudo o que Jobim concluíra não tinha o mínimo fundamento. A mídia francesa não poupou o ministro da Defesa chamando-o de “falador”. Vergonha, o ministro queimou a imagem do Brasil com suas declarações.
Umas duas semanas antes do trágico acidente, o senador gaúcho Pedro Simon tinha lançado Jobim candidato do PMDB à Presidência do Brasil. Jobim não está mais credenciado, se é que algum dia esteve, para continuar à frente do Ministério da Defesa, que dirá para postular a Presidência da República. Ele gosta de aparecer, opina sobre tudo, mesmo não dominando o assunto. Não tem gabarito. Se o Brasil depender dele para se defender de alguma coisa, o país está perdido.
O procedimento de Jobim revela até que ponto chegou a mediocridade de homens públicos neste continente chamado Brasil. Restaria a Lula, se tivesse força política, dar uma canetada, ou seja, demitir Jobim do cargo. Daqui para frente ele será objeto de chacota por todos os lados, interna e externamente, no que os chargistas agradecem.
Aliás, não é de hoje que Jobim tem beirado o ridículo. Empolgado com a sua condição de ministro da Defesa, tal qual um personagem de algum filme de Glauber Rocha, Jobim chegou a se apresentar em público com roupa de campanha durante um exercício militar, o que, diga-se de passagem, é inconstitucional. Tudo ficou por isso mesmo. Ninguém cobrou nada e o ridículo possivelmente está documentado nos arquivos dos principais canais de televisão.
Como se não bastasse, Nelson Jobim se acha. Como relator de uma revisão constitucional, quando era deputado, colocou tópicos que nem sequer tinham sido aprovados. O próprio Jobim admitiu essa façanha. Nada aconteceu.
Depois de uma temporada como ministro do Supremo Tribunal Federal, nomeado nada mais nada menos que pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, podem imaginar porque cargas d`água, Jobim saiu do ostracismo se tornando ministro da Defesa do governo Lula, até chegar aos dias de hoje, quando voltou correndo do exterior para tomar a frente dos trabalhos referentes à mobilização da Marinha e Aeronáutica para tentar localizar o Airbus que caiu, ou se desintegrou, no Oceano Atlântico, ainda em espaço aéreo brasileiro.
Naturalmente o vexame do ministro Jobim bateu recorde em matéria de açodamento. Agora, para o bem da imagem do Brasil no exterior, só resta uma saída, vale repetir: o presidente demiti-lo ou ainda o ministro por iniciativa própria pedir o boné. Em outros países, por muito menos, ministros são demitidos ou, para evitar constrangimentos maiores, pedem o boné. Como possivelmente falta grandeza para Jobim tomar uma iniciativa desse porte, com a palavra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lamenta-se a perda de tantas vidas no acidente com o Airbus da Air France e continua uma grande expectativa para se saber o que realmente motivou a tragédia. Há um fato, que apesar do constrangimento, não pode passar em brancas nuvens: o que estava fazendo no vôo Marcelo Parente, chefe de gabinete do Prefeito do Rio de Janeiro? As primeiras informações eram de que o chefe de gabinete de Eduardo Paes estava em viagem particular, em seguida se informou que eram férias, isso depois de menos de seis meses ocupando o cargo. Convenhamos, numa cidade com os problemas do Rio de Janeiro, seis meses é muito pouco tempo para um chefe de gabinete do Executivo municipal tirar férias.
Algum funcionário da Prefeitura é autorizado a viajar para resolver problemas particulares ou tirar férias na Europa com seis meses de trabalho?

*Mário Augusto Jakobskind é jornalista.

Postado em 07/06/2009 ás 10:55

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