Brasília - Quarta , 19 de Junho de 2013 Página Inicial | Indique aos amigos
Coluna de
Como é difícil revogar a Lei do Gérson
Corriam os anos 70, o país vivia sob um regime ditatorial tocado pelos militares. A propaganda de marcas de cigarro era intensa na mídia.
Fumar, na época, era chique.

A recém-lançada marca de cigarros Vila Rica empreende uma grande campanha publicitária. O garoto propaganda da campanha era o meia-armador Gérson, que havia conquistado junto com Pelé, Rivelino, Clodoaldo, Jairzinho e Carlos Alberto, entre outros, o tri-campeonato Mundial de Futebol.

O texto da propaganda de cigarros perguntava se as pessoas: “E quem não gosta de levar vantagem em tudo?”

O sucesso da campanha foi tanto, que a partir daí todos os atos de esperteza, de malandragem, de burla a lei para se dar bem passando por cima da coletividade passou a ser capitulado pela Lei do Gérson.

A Lei do Gerson, à época, sepultou a anterior “lei do murici, cada um trata de si”.

A maioria das leis aprovadas pelas Casas Legislativas não pegam, mas esta criada pela informalidade popular pegou e vai levar tempo para ser revogada.

É impressionante, mas quem mais levou a Lei do Gerson ao pé da letra foram às autoridades do país.

Eles estão diariamente preparados “para levar vantagem em tudo”.

De quando em vez um exagera é cai nas garras da polícia, mas são tão poucos, que cabem nos dez dedos das mãos. Para desgraça do país, nunca são punidos. Submergem um tempo e depois emergem para praticar novamente o que prega a Lei do Gerson.

Infelizmente, não há perspectiva de revogação da referida lei em curto prazo, ou a médio ou em longo prazo. Afinal, os que mais a utilizam, são os que têm o direito de revogá-la. Pelo visto, não o farão nunca.

Isso fica claro com os sucessivos escândalos.

Após a redemocratização do país em 1985, o país já conviveu com maracutaias nos governos Sarney, Collor, Fernando Henrique e Lula.

Em todos os escândalos, políticos levam vantagem a partir do roubo de recursos públicos. São tantos e sucessivos assaltos que a perversão se banalizou, pois a impunidade campeia nesses casos.

É uma praxe com raras exceções.

A sociedade em 1992 foi às ruas e apeou Collor e sua turma do poder. Muita gente achou que a Lei do Gerson havia sido revogada.

Qual nada, logo em seguia surgiram “os anões do Orçamento” e daí para frente um sem fim de escândalos.

O pior de tudo é que todos os infratores estão impunes e convivem numa boa com os governantes de plantão.

Hoje, estão todos sob as asas protetoras de Lula.

Portanto, tenham certeza. O propinoduto em cartaz na mídia terá o mesmo destino dos anteriores: a impunidade.

Afinal, a maioria das autoridades tem o rabo preso.

Postado em 02/12/2009 ás 20:42

[ Imprimir ]

Veja Também
» Os azarões e ímprobos nas eleições
» Coalizão de Dilma está em colisão
» E tome crédito
» O cavalo que saiu do poço
» Ainda existirá pedra no caminho de Capiberibe?
» Os milicos e Dilma
» Instrumento de corrupção
» Dinheiro, a saúde pública tem, o problema é a falta de combate à corrupção
» Sarney manobra contra decisão popular sobre fuso horário do Acre
» O bilau do Berlusconi
» Pobre Amapá
» Qual é a sua Barretão?
» Caso Capiberibe: a verdade veio à tona
» A vantagem da discrição de Wagner
» Chico Bruno: O fim é domingo. Até que enfim
» Ficha Limpa: decisão de Ayres Britto aumenta o impasse
» O povão quer manter o poder de compra
» Todo cuidado é pouco com o Twitter
» O sonho vira realidade
» Omissão da mídia ajuda os ladrões do dinheiro público
» Ata não desata a candidatura de Ciro
» Os envergonhados
» A impunidade no Amapá
» Como é difícil revogar a Lei do Gérson
» O que é bom para os EUA...
» A verdade sobre o domicílio de Ciro
» Lula não caiu, oscilou
» Nem uma bala perdida
» Façam as apostas. A tensão vai aumentar ou baixar no Senado
» O preço do PMDB
» Xô Sarney
» A CPI da Petrobras é uma incógnita
» Água mole em pedra dura tanto bate até que fura
» TSE usa dois pesos e duas medidas e absolve governador
» A noiva quer um bom dote
» A revolução da transparência
» Gabeira agiu certo, na hora certa
» Amin, Lago e Cássio não têm padrinho forte
» Medidas para mudar o Congresso Nacional
» Pesquisa revela que esforço de Lula é recompensado, mas não basta
» Um ponto de partida
» Dirceu não é burro
» O bundalelê entre Wagner e a TV Bahia
» Sarney é o principal culpado das mazelas do Senado
[ Ver todas as publicações da coluna ]

 

Buscar Conteúdo
Colunistas

Fatal error: Cannot redeclare foto_existe() (previously declared in /home/patria/public_html/colunaconteudo.php:16) in /home/patria/public_html/lado_colunistas.php on line 13