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Coluna de Cesar Fonseca
BRICs, nova moeda global
Os países emergentes cairam na real, ou no real?

Descobriram, no compasso da bancarrota financeira global, que as moedas dos países ricos estão apodrecendo, quanto mais os governos deles, para se salvarem dos incêndios monetários, jogam mais lenha na fogueira, ou seja, mais moeda em circulação.

Qualquer vendedor de banana, na feira, sabe da jogada.

Quanto mais banana e menos consumidor do produto, altamente, perecível, mais aumenta o risco do apodrecimento.

Segue a isso, claro, derrubadas violentas no preço da banana.

O mesmo está acontecendo com as moedas.

A China está abarrotada de moeda americana, porque acumulou muito saldo de exportações, enquanto deixou sua moeda amarrada às verdinhas de Tio Sam, sustentando câmbio desvalorizado, ao lado da política de atrair empresas americanas para território chinês a partir do qual os americanos passaram a exportar para os próprios americanos e, também, europeus.

Inteligentes esses chineses?

E se todos os demais povos fizessem o que os chineses fizeram, ou seja, amarrassem suas moedas às verdinhas podres de Tio Sam?

Bancarrota do mercado
O problema dos Estados Unidos, portanto, é a perda do mercado.
Como diz o empresário Sebastião Gomes, da Indústria de Adubos Fertivita, o empresário pode perder tudo, menos o mercado.

Perdeu dinheiro?

Ganha-se ele de novo.

Mas, mercado, perdeu, dançou.
Na crise, agora, para tentar reaver o mercado, no ambiente deflacionário global, em que as mercadorias caem de preço, junto com a oferta de emprego, configurando catástrofe, os países ricos, especialmente, Estados Unidos e Europa, jogam, adoidado, moeda na circulação, na tentativa de reanimar suas economias.

Essa reanimação, aparente e contraditoriamente, tem recuperado o valor relativo do dólar e do euro, mas, essencialmente, como avisam os economistas sérios, trata-se de algo, meramente, episódico.

Por que?

Jogo ideológico imperial
Os governos não podem enxugar parte da oferta monetária com juros positivos, a fim de evitar enchente inflacionária, porque sua capacidade de endividamento, como forma de sustentação da reprodução ampliada do capital especulativo, esgotou-se, completamente.

Tentam, então, bancar situação insustentável, exportando moeda podre para outros mercados.

Ora, essa exportação monetária é pura inflação ambulante da qual os emergentes estão fugindo desesperadamente, porque não suportarão engolir a crise dos outros, ou seja, dos ricos.

Tentarão, evidentemente, preservar suas moedas.

A forma de fazê-la, ao que tudo está indicando, é a de adotarem uma política de união monetária na periferia, como alternativa ao enfrentamento da destruição monetária em curso nos países capitalistas cêntricos.

Bancocracia quer destruir BNDES
Os banqueiros e os seus filhotes, ou seja, os economistas neoliberais, como se viu na entrevista no Globo News Painel, nesse domingo, comandado por William Waack, cuidam de dizer que não existe tsunami monetário, como disse a presidenta Dilma Rousseff, para caracterizar a questão central da crise mundial.

Para eles, que tomam partido do capital, claro, o negócio é o governo cortar gasto, para formar poupança interna, a fim de evitar as tensões decorrentes das pressões inflacionárias que os gastos governamentais provocam.

E que gastos são esses?

Alexandre Swartsmam – consultor da bancocracia – , ex- Itaú, ex- ABN Amro Real, ex-BC, ex-Santander, demitido deste por sustentar bate-boca com o ex-presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, deixou escapulir na Globo: são os R$ 300 bilhões que o tesouro nacional libera para o BNDES emprestar para os setores produtivos.

Deficit, que deficit?

Ora, os empréstimos à produção são deficit?

Não terão retorno, e tal retorno não se traduzirá em aumento da oferta que eleva emprego, renda, consumo, arrecadação e mais investimento?

Os banqueiros estão inconformadíssimos com a estratégia econômica nacionalista ora em prática no Brasil, desde o momento em que o presidente Lula decidiu colocar os bancos estatais para puxar a demanda global, em plena crise mundial, diante do fato de que os bancos privados recusaram a ajudar o país, naquela hora, preferindo jogar especulativamente nos títulos públicos, em vez de acreditarem na produção.

Agora, que a ação financeira estatal se mostra acertada, tornando o Brasil alvo dos investidores internacionais, os banqueiros e seus assessores que frequentam a grande mídia, com assiduidade impressionante, como se fossem os únicos a saberem das coisas, reclamam que o deficit público aumenta por conta do tesouro liberar recursos para os bancos estatais.

Mercado forte valoriza real
O real está valorizado porque, entre outras coisas, a política economica nacionalista fortaleceu o mercado interno, que se torna atrativo às moedas internacionais, ameaçadas pela taxa de juro negativa em vigor nos países ricos, como alternativa dos governos para calotearem suas dívidas internas impagáveis.

Certamente, o juro brasileiro, também, é muito alto, por conta de dominação política da bancocracia, no comando do estado nacional, desde o Consenso de Washington, no início da Nova República, responsável por criar um presidencialismo de coalizão que sustenta elites políticas conservadoras, resistentes às reformas econômicas e políticas destinadas a democratizar o poder nacional.

Se deixar por conta dos banqueiros, Dilma Rousseff ficaria de braços cruzados, sem reagir ao massacre cambial imperialista, para que a dívida pública implodisse e eles acabassem de vez tomando conta do tesouro nacional, bloqueando toda e qualquer possibilidade de transferência de recursos para as agências financeiras estatais, de modo a incrementar os investimentos na produção.

Ora, os servidores da bancocracia são mais realistas que o rei.

Tio Sam em pânico
O Banco Central dos Estados Unidos acaba de alertar o governo para o perigo da expansão monetária, sem limite, em curso, tanto na America, como na Europa, pois, evidentemente, a continuidade desse processo suicida leva à hiperinflação exponencial.
Mas, Schwartsman , como se não tivesse acontecendo nada, descarta que o tsunami monetário não existe, é uma ficção dilmista e que a jogada monetária de Washington está recuperando a força do dólar, bem como a enxurrada de euro, está recuperando a moeda européia.

Incrível!
Não apenas está havendo guerra monetária global, mas, igualmente, guerra ideológica global, com a tentativa dos neoliberais, alojados nos bancos, cuidando de criar argumentos favoráveis à continuidade das políticas imperialistas que visam, agora, dominar o resto do mundo com moeda podre.

Terceira guerra mundial

Por essa razão, certa está Dilma Rousseff e os líderes dos BRICs, dispostos a criar o Banco dos BRICs e, consequentemente, por meio dele, reciclar a moeda podre, de modo a financiar, com uma nova moeda – ou com as moedas dos países integrantes desse bloco – , as relações de trocas, escanteando o dólar e o euro, de forma paulatina.
O jogo é de poder global, minha gente.

A titular do Planalto bateu na mosca ao dizer que nem o Banco Mundial nem o BID, dominado pelos Estados Unidos, têm condições de exercitar o papel que desempenharam ao longo do período posterior à segunda guerra mundial.

Agora, esses dois bancos, certamente, cuidam de tentar desovar moeda podre americana na periferia do capitalismo, a fim de evitar maiores estragos na economia americana, abarrotada de dólar, candidato à hiperinflação.

Postado em 28/03/2012 ás 09:27

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