Brasília - Domingo , 19 de Maio de 2013 Página Inicial | Indique aos amigos
Coluna de Cesar Fonseca
Capitalismo estatal-social distancia do falido neoliberalismo e do irrealizado socialismo
A confusão é geral. Cuba recua do socialismo e China opta pelo socialismo enquanto pratica capitalismo predatório. E o capitalismo estatal social dimilsta vai pra onde? Depois de uma semana de debates sobre o futuro do capitalismo, que parece mais preto do que a asa da graúna, realizados em Davos e Porto Alegre, evidenciou o óbvio: os governos dos países ricos, em crise total, ensaiam providências políticas que ficam mais perto de uma proposta socialista, a partir de maior fortalecimento do capitalismo estatal, do que do neoliberalismo radical, que jogou a humanidade na bancarrota geral. O debate está aberto.

O livre mercado entrou de vez em parafuso, diante da impossibilidade de o governo keynesiano continuar gastando para segurar as forças produtivas privadas frente às relações sociais da produção radicalizadas, não podendo mais garantir a reprodução ampliada de capital na especulação geradora de bolhas, cujos estouros colocaram a humanidade em polvorosa, propensa a ir às ruas protestar.

Por enquanto, os financistas estão impondo seu jogo, tentado anular a democracia, mas os candidatos ao poder, na Europa, como Sarkozy, e nos Estados Unidos, Obama, falam em providências que cercam a ação dos banqueiros e dos mais ricos, para que a sociedade possa dispor de mecanismos efetivos para conter a ganância bancocrácia que, no limite, leva ao fascismo e ao nazismo.

A guerra cambial capitalista demonstra o colapso das moedas cujo desfecho, como destacou Lenin, impulsiona o movimento socialista internacional, como reação automática da sociedade à sensação de perda do seu poder de compra, que a empobrece. Os espertalhões se aproveitam desse momento para espalhar o medo que produz os hitleres e os mussolinis, mas a conjuntura histórica, agora, é outra: os governos fascistas não têm mais fôlego financeiro para expandir a dívida pública de modo a financiar a economia de guerra.

Os limites estão dados. Poderia se dizer que o fascismo e o nazismo perderam a guerra, mas ganharam a paz, depois de 1945, porque a estrutura produtiva e ocupacional que continuou sustentando a reprodução ampliada de capital permaneceu a mesma, expressa, principalmente, no poderoso estado industrial militar norte-americano, fascista, agora, cercado pelo perigo tanto da inflação como da deflação.

Os emergentes que se transformam em salvação do sistema se animam a seguir adiante não sob neoliberalismo falido, mas sob estado capitalista ancorado em avanço dos movimentos sociais. A aproximação do capitalismo estatal social petista do socialismo cubano cercado pelo bloqueio militar americano neoliberal abre um novo tempo que merece a grande discussão política na América do Sul. Ns Europa, onde a visão neoliberal já era, o debate vai quente. A grande mídia brasileira, porém, teme avançar nesse rumo porque, como os neoliberais, sendo expressão acabada deles, está mais perdida que cego em tiroteio.

Não esta afastada a possibilidade de o capitalismo estatal-social petista pilotado pela presidenta Dilma Rousseff ganhar crescente competitividade em relação ao capitalismo chinês nos próximos anos. Por que? A vantagem é a democracia social que avança, cujas consequências são aumento relativo do salário médio real que eleva o consumo interno, a arrecadação do governo e consequentemente o investimento público-privado.

As razões econômicas do avanço da competitividade brasileira, que precisa melhorar em muitos pontos(juros e impostos elevados que precisam diminuir), se daria da seguinte forma em comparação com a competitividade chinesa: a China quer aumentar seu potencial de consumo interno para compensar diminuição da demanda internacional, afetada pela crise global, certo?

O governo chinês, certamente, terá que aumentar os salários dos trabalhadores para proporcionar maior volume de renda disponível para o consumo. Essa necessidade, igualmente, impulsiona os desembolsos com direitos trabalhistas que crescem com maior valorização dos salários, seguindo a filosofia capitalista praticada em todo o mundo.

Esse movimento lógico do processo econômico, dependente do aumento do consumo, que só pode ser dado pelo impulso do poder de compra dos salários, produz o oposto do que vigora, hoje, na China. Avançarão os custos de produção das empresas, diminuindo sua margem de lucro, se o governo partir para controle heterodoxo da inflação sob capitalismo de estado.

Aparentemente, trata-se de fato negativo para o investidor que optou pela China, por lá inexistir pressões salariais e vigorar salários bem baixos, altamente, competitivos, na comparação com os países capitalistas desenvolvidos e outros emergentes, como o Brasil. Essencialmente, no entanto, na medida em que a demanda externa pelos produtos chineses cai e torna-se necessária a compensação a ser dada pelo avanço do mercado interno, o aumento dos salários, para sustentar essa nova dinâmica de acumulação capitalista chinesa, representa, diretamente, pelo viés do aumento do consumo, o aumento, também, dos investimentos públicos, devido ao aumento da arrecadação governamental.

Os custos de produção na China subirão com essa nova mudança estrutural do capitalismo chinês que permitirá aos seus concorrentes, no novo cenário internacional, maior poder de competitividade, mas, as empresas não migrarão de lá para outros lugares, porque a nova situação criará condições de aumento dos investimentos público-privados.

Ou seja, o aumento dos salários será saudado pelos empresários porque ele vira o motor do desenvolvimento; afinal, sem ele não haverá como avançar o crédito direto ao consumidor, a exigir, claro, juro baixo. Por sua vez, a estratégia da China, para evitar pressões altistas inflacionárias, exigiria aquilo que os Estados Unidos pregam seja seguida pelos chineses, ou seja, a valorização relativa do câmbio para importar mais barato.

No ambiente global em que cresce a guerra cambial, propiciada pela política monetária expansionista americana, que dá calote na dívida pública interna, jogando os juros para zero ou negativo, crescerá a motivação chinesa para a valorização do salário, para a economia chinesa se tornar sustentável no ambiente de acirramento da competitividade internacional.


Ataque eleitoral aos ricos e poderosos
O grande teste político do ano capaz de dar novo rumo à economia mundial sem dúvida serão as eleições presidencias nos Estados Unidos e na França. Sarkozy e Obama se obrigam a aprofundar o discurso social. Ambos erguem a bandeira da melhor distribuição da renda por meio de maior taxação dos ricos.

Sarkozy abraça a tese de maior sacrificio para os banqueiros, impondo-lhes a CPMF, que, no Brasil, o PSDB detonou, e Obama transforma a proposta do bilionário Warren Buffett em tema maior da campanha. Buffet defendeu aumento de impostos para os muito ricos.

Ou seja, num caso e noutro, o que está em cena é o avanço do capitalismo estatal social que os ricos procuram, agora, praticar, depois que embalaram o capitalismo neoliberal especulativo até que tudo fosse para os ares. Evidentemente, se o viés social ganhar a eleição, o que pode acontecer, muito provavelmente, no compasso da falta de expectativas gerais dos povos , relativamente, ao modelo capitalista em colapso, tende a crescer e não a diminuir a distância da proposta capitalista social de um projeto socialista.

Na Europa, onde se verifica a impossibilidade de isoladamente cada país conseguir sair satisfatoriamente das suas dificuldades, impõe-se a necessidade de um governo europeu cujo perfil, logicamente, será dado pelos resultados das eleições na França, a mãe histórica de todas as revoluções no compasso do desenvolvimento do capitalismo. O individualismo se esgota. A solução mais consensual, coletiva, vai ganhando terrreno. Enquanto isso, no Brasil, somente a direita sem rumo tem acesso à grande mídia para dizer que a saída é mais choque de capitalistamo. Ela quer eletrocutar a sociedade numa pancada só. PQP!

Aumentar os salários, portanto, vai se tornando movimento dialético indispensável à reprodução do capital. Nesse sentido, a economia brasileira, como demonstram as opiniões dos empresários, expressas no jornal Valor Econômico, nesta quarta feira, vai no rumo certo, a partir do momento em que o capitalismo estatal-social petista decidiu, contrariamente, às pressões neoliberais, valorizar o salário mínimo.

Para a classe produtiva, no contexto da guerra cambial global, que dificulta as exportações brasileiras, afetadas pelo elevado custo de produção, dado pela conjugação de impostos e juros extorsivos, o aumento do salário mínimo é uma benção.

A indústria, como demonstram os números de dezembro e janeiro, já reage, positivamente. Ao mesmo tempo em que essa valorização do poder de compra produz encadeamento ascensional relativo nos salários das categorias sociais que vão dando novo perfil à classe média brasileira, mais o governo, diante do consumo que aumenta, arrecada para garantir os investimentos no PAC.

O espírito democrático da classe média, nesse novo contexto, avança, evidentemente, para exigir a reforma política, que assusta os jornais conservadores, como O Globo, que, em editorial, condena a proposta do deputado Miro Teixeira(PDT-RJ), favorável ao plebiscito para que tais reformas avancem, consolidando democracua direta avançada. Apostando na ignorância do povo, o jornal carioca diz que não haveria suficiente compreensão popular relativamente ao tema.

Eis o pensamento da elite de desprezo pelo povo. O conservadorismo congênito de O Globo não alcança que o avanço democrático, fruto do processo de melhor distribuição da renda, não apenas serve como antídoto à crise, mas, igualmente, possibilita o avanço relativo da competitividade econômica brasileira.

Ora, a China, a mais competitiva das nações do mundo, na atualidade, se vê, agora, diante da necessidade de trilhar os passos da democracia, já trilhados pelo Brasil, para consolidar o mercado interno, cuja dinâmica é dada pelo aumento dos salários, que favorece os investimentos públicos no capitalismo estatal social.

A China, na nova etapa histórica do seu desenvolvimento econômico, em plena crise global, terá, portanto, de avançar em direção ao objetivo no qual o Brasil já se adiantou, ou seja, na democracia, que impulsiona os salários, que exigem mais democracia, dialeticamente, e por aí vai.

Como o capitalismo neoliberal especulativo jogou as economias capitalistas ricas no abismo das incertezas gerais, abrindo-lhes perspectivas sombrias para os próximos dez anos, evidencia-se a vantagem relativa quantitativa-qualitativa do capitalismo estatal social em relação ao neoliberalismo suicida. Na prática, a história acabou sim, mas foi para o capitalismo neoliberal, ao contrário do que prognosticou Fukuiama, depois da queda do Muro de Berlim.

Prospera, em contrapartida, o capitalismo estatal-social, que fica muito mais perto do socialismo, que se pretendeu extinguir-se da consciência humana pela força imperialistas do bloqueio econômico. Ou não parece com socialismo o que se discute na crise européia, isto é, a necessidade de governo global, taxa adicional sobre a especulação financeira, maior planejamento em lugar do voluntarismo característico do livre mercado, tudo aquilo do qual, apavorada, a humanidade foge?

Postado em 05/02/2012 ás 22:19

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