Se a oposição republicana já estava perguntando porque o presidente Obama vai às ruas em cidades de outros países mas não nos EUA, teve a resposta ontem. Ele deu uma escapada da Casa Branca, com o vice Joe Biden a tiracolo, e foi comer hamburger no botequim – ou melhor, numa lanchonete pequena, independente, aquilo que os americanos chamam de mom ‘n dad. (Clique acima para ver toda a cena, tal como registrada pelas câmeras da CNN)
Na certa foi escolhida a dedo. Tais lojas “papai-mamãe” existem em toda parte. Estão fora do esquemão das franchise, dos McDonalds, BurgerKing & KFC. Há simpatia natural em pequenas cidades por esses e outros negócios que sobrevivem sob a ameaça das cadeias, cujo símbolo maior é a gigante varejista Wal-Mart.
Quando é anunciada a instalação de uma Wal-Mart, como se sabe, comunidades num raio de uns 20 km protestam, num esforço frequentemente inútil para impedir que isso aconteça – pois leva à falência as lojas mom ‘n dad. Daí os logotipos satíricos e irados contra a Wal-Mart, que se multiplicam pelo país. (Veja alguns exemplos ao final deste post – e saiba mais AQUI)
À mesa, como dois americanos comuns?
Entende-se, assim, porque Obama – ou seus assessores – optou pela pequena lanchonete Ray’s Hell Burger, localizada em Arlington, subúrbio da Virgínia na área metropolitana de Washington (foto acima, de Roger L. Wollenberg / Getty). Mais importante ali foi como a dupla se conduziu. Obama e Biden entraram na fila como todo mundo. Cada um fez seu pedido. O presidente lamentou não haver batata frita (as french fries foram boicotadas no governo Bush, devido a campanha liderada pela Fox News, por causa da oposição francesa à guerra do Iraque).
Quando o presidente pegou o dinheiro para pagar sua conta e perguntou aos jornalistas se também queriam hamburger, o vendedor disse que o lanche dos dois era por conta da casa. Mas Obama discordou. “Nada disso. Faço questão de pagar. Senão esse pessoal (da imprensa) vai dizer que filamos a bóia”. (Leia a excelente cobertura do Washington Post AQUI, nas páginas locais; o breve relato do blog da CNN, Political Ticker, AQUI; e a versão de um blog do New York Times, assinado por David Stout, AQUI)
Será preciso dar um tempo para avaliar o efeito real de iniciativas como essa para a imagem de Obama junto à população. Uma coisa é certa. A palavra “populismo”, exorcizada pelos intelectuais fernandistas do Cebrap e da USP, obcecados em por fim à era Vargas, não tem nos EUA a conotação negativa que a mídia golpista do Brasil adotou – em especial na campanha ensandecida contra o Bolsa Família. (Post atualizado às 14:20)
| Postado em 09/05/2009 ás 22:50 |