Brasília - Quarta , 22 de Maio de 2013 Página Inicial | Indique aos amigos
Coluna de Fidel Castro
O Prêmio Nobel da Paz
QUASE não falarei do povo cubano, que um dia apagou de sua pátria o domínio dos Estados Unidos, quando o sistema imperialista tinha alcançado o ponto culminante de seu poder. Homens e mulheres das mais diversas idades desfilaram no 1º de maio pelas praças mais simbólicas de todas as províncias do país.

Nossa Revolução surgiu no lugar menos esperado pelo império, em um hemisfério onde atuava como dono absoluto.

Cuba passou a ser o último país a livrar-se do jugo colonial espanhol e o primeiro a sacudir a odiosa tutela imperialista.

Penso hoje fundamentalmente na irmã República Bolivariana da Venezuela e sua luta heróica contra o saque desapiedado dos recursos com que a natureza dotou esse nobre e abnegado povo, que um dia levou seus soldados aos rincões afastados deste continente para pôr de joelhos o poderio militar espanhol.

Cuba não necessita explicar por que temos sido solidários, não só com todos os países deste hemisfério, mas também com muitos da África e outras regiões do mundo.

A Revolução Bolivariana tem sido também solidária com nossa pátria, e seu apoio a nosso país se converteu em um fato de grande importância nos anos do Período Especial. Essa cooperação, contudo, não foi fruto de nenhuma solicitação por parte de Cuba, como tampouco estabelecemos nenhuma condição aos povos que requeriam nossos serviços educacionais ou médicos. Em qualquer circunstância, teríamos oferecido a máxima ajuda à Venezuela.

Cooperar com outros povos explorados e pobres sempre foi para os revolucionários cubanos um princípio político e um dever com a humanidade.

Fico enormemente satisfeito ao observar, como observei ontem, através da Venezuelana de Televisão e da Telesul, o profundo impacto que produziu no povo irmão da Venezuela a Lei Orgânica do Trabalho, promulgada pelo líder bolivariano, o presidente da República, Hugo Chávez Frias. Jamais vi nada parecido no cenário político de nosso hemisfério.

Prestei atenção à enorme multidão que se reuniu em praças e avenidas de Caracas e, em especial, às palavras espontâneas dos cidadãos entrevistados. Poucas vezes vi, e talvez nunca, o nível de emoção e esperança que estes colocavam em suas declarações. Podia-se observar com clareza que a imensa maioria da população é constituída por trabalhadores humildes. Uma verdadeira batalha de ideias está sendo travada com força.

Rafael Correa, presidente do Equador, declarou valentemente que mais do que uma época de mudança estamos vivendo uma mudança de época. Ambos, Rafael Correa e Hugo Chávez, são cristãos. Obama, porém, é o quê? Em que acredita?

Ao completar-se o primeiro aniversário do assassinato de Bin Laden, Obama concorre com seu rival Mitt Romney na justificação daquele ato perpetrado em uma instalação próxima à Academia Militar do Paquistão, país islâmico aliado dos Estados Unidos.

Marx e Engels nunca falaram em assassinar os burgueses. No velho conceito burguês os juízes julgavam, os verdugos executavam.

Não há dúvidas de que Obama era cristão; em uma das vertentes dessa religião aprendeu o ofício de transmitir suas ideias, uma arte que significou muito para ele em sua acelerada ascensão dentro da hierarquia de seu partido.

Na declaração de princípios da Filadélfia, em julho de 1776, afirmava-se que todos os homens nasciam livres e iguais e a todos seu criador concedia determinados direitos. Pelo que se conhece, três quartos de século depois da independência, os escravos negros continuavam sendo vendidos nas praças públicas com suas mulheres e filhos, e quase dois séculos depois, Martin Luther King, prêmio Nobel da Paz, teve um sonho mas foi assassinado.

O júri de Oslo obsequiou seu prêmio e Obama tinha-se convertido quase em uma lenda. Não obstante, milhões de pessoas devem ter visto as cenas. O Prêmio Nobel Barack Obama viajou aceleradamente ao Afeganistão, como se o mundo ignorasse os assassinatos em massa, a queima de livros sagrados para os muçulmanos e os ultrajes dos cadáveres das pessoas assassinadas.

Nenhuma pessoa honesta jamais estará de acordo com os atos terroristas, mas por acaso o presidente dos Estados Unidos tem o direito de julgar e de matar; de converter-se em tribunal e ao mesmo tempo em carrasco e levar a cabo tais crimes, em um país e contra um povo situado no lado oposto do planeta?

Vimos o presidente dos Estados Unidos subindo a trote os degraus de uma empinada escada, em mangas de camisa, avançar a passos acelerados por um corredor e depois parar para impingir um discurso a um numeroso contingente de militares que aplaudiam com relutância as palavras do ilustre presidente. Nem todos aqueles homens nasceram cidadãos norte-americanos. Eu pensava nos colossais gastos que isso implica e que o mundo paga, pois quem se responsabiliza por esse enorme gasto que já ultrapassa os US$ 15 trilhões? É isso que o ilustre Prêmio Nobel da Paz oferece à humanidade.

Fidel Castro Ruz

3 de maio de 2012

19h50

Postado em 08/05/2012 ás 07:29

[ Imprimir ]

Veja Também
» O dever de evitar uma guerra na Coreia
» Allende
» Condutas que não se esquecem
» Dias insólitos
» Un esclarecimiento honesto
» Os horrores que o Império nos oferece
» O 67º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo
» O Prêmio Nobel da Paz
» O que Obama sabe
» Um erro de Obama pode ocasionar um rio de sangue
» A Cúpula das guayaberas
» Os tempos difíceis da humanidade
» Os caminhos que conduzem ao desastre
» A genialidade de Chávez
» A paz mundial pende de um fio
» A paz mundial pende de um fio
» A marcha rumo ao abismo
» Cinismo genocida
» O papel genocida da OTAN (Terceira parte)
» O papel genocida da OTAN (Primeira parte)
» As duas Venezuela
» A Vergonha Supervisionada de Obama
» O Norte revolto e brutal
» A insustentável posição do império
» Mentiras e incógnitas sobre a morte de Bin Laden
» Um fogo que pode queimar a todos
» Um fogo que pode queimar a todos
» Os debates do Congresso
» Entre a emigração e o crime
» Certidão de boa conduta
» Os dois terremotos
» A inevitável guerra da Otan
» Dança macabra de cinismo
» A rebelião revolucionária no Egito
» O Estado da União
» É hora de fazer alguma coisa
» O discurso de Obama no Arizona
» O que diria Einstein?
» As mentiras de Clinton
» O império no banco dos réus
» A Minustah e a epidemia
» O discurso de Hugo Chávez
» A Otan, gendarme mundial
» O império e o direito à vida dos seres humanos
» A infinita hipocrisia do Ocidente
» Estamos em um momento excepcional da história humana
» 238 razões para estar preocupado
» O inverno nuclear
» O governo mundial
» A vitória estratégica
» A outra tragédia (a do meio ambiente)
» A origem das guerras
» Eu bem gostaria de estar enganado
» O império e a mentira
» O império e a droga
» A importância histórica da morte de Martí
» A tiranía odiosa imposta ao mundo
» As loucuras de nossa época
» Reflexões de Fidel
» Reflexões de Fidel
» A reforma sanitária dos Estados Unidos
» O último encontro com Lula
» A Revolução Bolivariana e as Antilhas
» Enviamos médicos e não soldados
» O Haiti coloca à prova o espírito de cooperação
» A verdade sobre o corrido na Cúpula
» Uma história de ficção científica
» Os sinos dobram pelo dólar
» Pittsburgh e a Cúpula de Margarita
» O fim não justifica os meios
» O império e os robôs
» Um prêmio Nobel para a senhora Clinton
» O que deve ser demandado dos Estados Unidos
» Um erro suicida
» Um gesto que não será esquecido
» No es tarea fácil la de Obama
» O discurso de Obama no Cairo
» Os aplausos e os silêncios
» Nada pode ser improvisado no Haiti
» Os sinais inequívocos
» O único ex-presidente norte-americano que conheci
» O dia dos pobres do mundo
» Militareas com critérios acertados
» Notícias de Chávez e de Evo
» Os sete congressistas que nos visitam
» Com os pés na terra
» China nas notícias internacionais
» O Prelúdio
» Mais notícias sobre as angústias do capitalismo.
» Encontro com a presidenta do Chile, Michelle Bachelet
» Rahm Emanuel
» A destruição injustificável do meio ambiente
» 'Conversaremos com Obama onde ele desejar
» O encontro com Hu Jintao
» Um banho de água fria
» O terceiro furacão
» As eleições de 4 de novembro
» A pior variante
» A Igreja Ortodoxa Russa
» O fantasma da Casa Branca
» A lei da selva
» Somos e devemos ser socialistas
» O socialismo democrático
» O verdadeiro e o falso
» Os vícios e as virtudes
» Duas vezes a mesma mentira
» A estratégia de Maquiavel
» A sinceridade e o valor de sermos humildes
» A paz romana
» Os direitos humanos, o esporte e a paz
» As idéias imortais de Martí
» Política cínica do império
» Dois lobos famintos e um Chapeuzinho vermelho
» Resposta hemisférica ianque: A 4ª Frota de intervenção
» Paz e prosperidade
» Não fazer concessões à ideologia inimiga
[ Ver todas as publicações da coluna ]

 

Buscar Conteúdo
Colunistas

Fatal error: Cannot redeclare foto_existe() (previously declared in /home/patria/public_html/colunaconteudo.php:16) in /home/patria/public_html/lado_colunistas.php on line 13