Brasília - Quinta , 23 de Maio de 2013 Página Inicial | Indique aos amigos
Coluna de Cesar Fonseca
Obama acelera privatização dilmista
A presidente Dilma Rousseff tornou-se prisioneira da armadilha do dólar lançada pelo presidente Barack Obama. Ao expandir a oferta de moeda americana mediante juro zero ou negativo, o governo de Washington apronta com os empresários e o governo brasileiros. As atividades produtivas, com o real que se sobrevaloriza quanto mais o juro alto brasileiro atrai dólares sobredesvalorizados, perde competitivdade internacional, enquanto o governo tem sua dívida alavancada em ritmo crescente, impulsionando o deficit que afeta as contas nacionais, impedindo a sustentação do ritmo adequado das obras públicas. Isso obriga o governo a acelerar as privatizações, já que o endividamento em expansão decreta o fim do gás financeiro governamental para tocar satisfatoriamente o PAC dilmista, de agora em diante.

A jogada monetária imperialista americana derruba o discurso petista anti-privatista e o iguala ao discurso tucano, enquanto avança a desnacionalização por meio da qual se tenta combater a inflação mediante juro alto que enforca financeiramente o Estado nacional, dificultando materialização do discurso oficial de promover o desenvolvimento com simultâneo combate à alta dos preços. Xeque mate obamista em cima da política dilmista.

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, está acabando com o discurso anti-privatização dos petistas, igualando-os, consequentemente, aos tucanos, os quais demonizaram nas três últimas campanhas eleitorais, sob o epíteto de privatistas, promotores da privataria escandalosa etc, a fim de alcançarem o poder e nele, se possível como destacou outro dia o ex-presidente Lula, permanecerem por vinte anos.

A jogada obamiana de desvalorizar o dólar, mediante oferta expansionista de moeda na circulação global, sob juro zero, em nome da defesa do aquecimento da economia americana, eleva o deficit público brasileiro, por conta dos juros altos mantidos pelo BC, responsáveis por atrair a poupança externa especulativa que foge dos países ricos, onde está vigorando a eutanásia do rentista.

Ao inundar a praça brasileira de dólares sobredesvaloizados, favorecidos pela política monetária tupiniquim, de elevar o custo do dinheiro como arma de combate à inflação, Obama não apenas dificulta a tarefa do produto brasileiro em competir no mercado internacional, graças à sobrevalorização do real, sinalizando desindustrialização inevitável, especialmente, diante da concorrência chinesa.

Fundamentalmente, a jogada cambial imperialista americana eleva, com força, o endividamento governamental brasileiro.

O aumento da dívida pública, por sua vez, fragiliza as contas públicas, com o avanço do. deficit em contas correntes.

Com isso, prejudica a estratégia do Governo Dilma de tocar as obras públicas no ritmo em que gostaria de implementá-las, mediante ampliação dos gastos governamentais. Não tem como desmentir o relatório do Ipea, que falou a verdade sobre a impossibilidade de tocar as obras a tempo para atender os cronogramas oficiais. Sem outra alternativa, o jeito está sendo o de recorrer aos empresários, acelerando o processo de privatização.

Como os investores brasileiros poderão estar sem bala para tocar os grandes projetos, visto que a política cambial destroi seu poder competitivo, o campo ficará, naturalmente, aberto ao capital internacional produtivo e especulativo, atuando, conjuntamente, para ampliar sua participação na economia brasileira.

Nesse sentido, a política monetária americana não apenas desindustrializa o Brasil, em ritmo forte, como reclamam os empresários industriais, mas, sobretudo, desloca o capital nacional para aproveitar as oportunidades que a privatização forçada por Obama proporciona.

Os capitalistas estrangeiros – cheios de dólares em processo de ampla sobredesvalorização – poderão participar com grandes vantagens comparativas não apenas da ocupação dos aeroportos, cuja administração esteve a cargo do governo, até agora, mas, igualmente, das grandes obras públicas.

Como o capital nacional tem sido beneficiado pelos gastos públicos em expansão em toda a Era Lula para construir as obras destacadas pelos plantos governamentais, as possibilidades que tal estratégia continue vão diminuindo gradativamente no compasso da política cambial que desestrutura o nacionalismo econômico pretendido pela presidente Dilma.

O avanço das empresas multinacionais, de agora em diante, estará, ainda mais, amplamente aberto, quanto mais os dólares estiverem entrando na circulação nacional aos borbotões, favorecidos pelo real sobrevalorizado para combater a alta dos preços. A política antiinflacionaria tocada pelo Banco Central se transforma na alavanda da privatização nacional, jogando por terra o discurso do PT, no compasso da sua crescente semelhança com o PSDB, considerado pelos petistas entreguista e anti-nacionalista. O que vai se constatando, no calor da crise global, é que, realmente, a guerra monetária em curso acelerado comprova que a moeda, sob financeirização econômica global, é instrumento de dominação internacional, por parte do equivalente monetário global , desempenhado pelo dólar como promotor das relações de troca, e não apenas meio de troca.

O jogo é bruto e não corresponde à fantasia neoliberal. Os ajustes econômicos produzidos pelo governo americano são fatores decisivos para o avanço da privatização governamental dilmista, desmontando o discurso de campanha eleitoral da titular do Palácio do Planalto.

Comprova a política monetária americana que está em prática jogada imperialista que não apenas prejudica a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional, mas, da mesma forma, força a desnacionalização da economia, quanto mais o dólar desvalorizado eleva o endividamento interno, tornando deficit público insuportável e, consequentemente, obrigando o governo a cortar seus gastos, sob pressão incontrolável dos credores. As carências dos capitalistas nacionais, que crescem com a sobrevalorização do real, tendem, portanto, a ampliar as oportunidades dos capitalistas internacionais.

Poderá, evidentemente, ser ampliada a fusão dos dois lados, quanto mais o governo precisar acelerar as obras públicas, de modo a cumprir os cronogramas compromissados, especialmente, quanto à preparação da copa do mundo em 2014 e das olimpíadas em 2016.

Os chineses, por exemplo, que estão deslocando 200 bilhões de dólares de suas reservas estimadas em 3 trilhões de dólares para fundo soberano, a fim de elevar as participações dos empresários da China nos bons negócios pelo mundo afora, estarão com o campo aberto para ampliar seus interesses no processo de privatização que o governo petista inicia, como alternativa capaz de superar a impossibilidade de expandir os gastos públicos, devido ao bloqueio estabelecido pela política cambial que combate à inflação enquanto desnacionaliza a economia em ritmo que tende a ser crescente.

Nesse contexto, em que a China desfaz-se das suas reservas, desovando-as para adqurir ativos reais na América do Sul e na África, continuar mantendo e ampliando reservas em dólares sobredesvalorizados, como faz o Banco Central, pode ser um ataque à inteligência e ao senso comum. Não seria economicídio?

Postado em 30/04/2011 ás 19:38

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