Direto da Varanda
De todos os escândalos que surgiram até agora, o do Ministério das Cidades, em cartaz essa semana na mídia nacional, é o que exibe mais indícios desta colisão.
O raciocínio que será exposto a seguir pode até parecer, mas não é uma defesa do ministro das Cidades, Mario Negromonte (PP).
É a constatação da colisão na coalizão.
De repente, não mais que de repente, cai no colo do jornalista Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo, a estória de dois pareceres com a mesma numeração e data, um defendendo a implantação do BRT e outro do VLT em Cuiabá, num mesmo processo.
Claro que é um fato estranho.
Senão vejamos:
Por mais incompetente que fosse o corpo técnico do Ministério das Cidades, esse tipo de coisa é inadmissível de acontecer.
Principalmente, por que a ordem de troca da escolha do BRT pelo VLT como veiculo de mobilidade urbana em Cuiabá, veio do Palácio do Planalto, atendendo a um pleito do governo do Mato Grosso.
As justificativas são conhecidas e favorecem ao VLT, que tem um custo inicial maior, mas uma manutenção menor e uma durabilidade muito maior que o BRT.
Fato semelhante ocorreu em Salvador.
Num primeiro momento a escolha recaiu no BRT, mas depois de um estudo mais apurado, chegou-se a conclusão que uma linha de metrô seria mais adequada para a mobilidade urbana da capital baiana.
Até aí nada demais.
Tanto que a presidenta Dilma Rousseff concordou com as duas modificações e ordenou que o Ministério das Cidades refizesse os dois processos para a assinatura dos convênios que repassam recursos da União para as obras.
É aí que a porca entorta o rabo.
No processo do metrô baiano tudo bem, mas no do VLT de Cuiabá surge à duplicidade de pareceres com o mesmo número e data, assinados por técnicos diferentes.
Resumo da ópera.
Está na cara que o parecer anterior sobre o BRT foi plantado, pelos interessados pelo cargo de Negromonte, no processo para desgastá-lo e incriminá-lo.
É o tal do fogo amigo, que vem sendo praticado a larga na Esplanada dos Ministérios.
O raciocínio é simples.
Dois processos contemplavam um meio de transporte e depois foram trocados por outro.
Nada de criminoso na troca.
Vai daí a colocação do jabuti no processo. Feito isso, o vazamento para conturbar a situação de Negromonte.
Simples, como um e um é igual a dois, meu caro Watson.
| Postado em 27/11/2011 ás 20:18 |