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Coluna de Cesar Fonseca
Escravo da antiética do dinheiro
DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL, É VENDAVAL…. A consciência humana, nesse vale de lágrimas onde desenvolve a civilização capitalista, egoista, gananciosa, orgulhosa, vaidosa, corrupta etc, agora, em bancarrota financeira global, é, totalmente, subordinada e escravizada pelo deus dinheiro, poder sobre coisas e pessoas.

De posse dele, o injusto vira justo, o culpado, inocente, o vicioso, virtuoso etc. Graças aos profissionais do direito, sabidamente, competentes, que têm diante de si um manancial de leis articuladas pelos seres humanos, intrinsecamente, imperfeitos, tudo pode acontecer sob uma superestrutura jurídica que determina o perfil de um Estado em que os códigos, como, por exemplo, o penal, se orientam por um jogo de procrastinação de decisões em escalada infinita cujo desfecho, quanto mais dinheiro na jogada, é, invariavelmente, a prescrição dos julgamentos e das penas.

Se tem dinheiro, muito dinheiro, no circuito, as manobras protelatórias, ancoradas na legislação, articulada pelos poderosos que determinam os intereses financeiros, garantem a impunidade eterna. Os exemplos se estendem nos países cujo poder tem em sua cúpula elites subordinadas ao capital externo, como é, historicamente, o caso brasileiro, em que as cabeças internas são orientadas pelas cabeças externas, ou seja, os mais poderosos ditam as regras aos seus sócios menores etc.

E internamanete, o círculo se repete, na escalada das prioridades submetidas aos critérios estabelecidos por esse valor maior, dado pelo capital. Assim, não importa qual o crime sob julgamento e o seu autor.

Se há dinheiro suficiente para irrigar os canais da intermediação dos interesses em jogo, a probabilidade de salvação é sempre maior.

Marcio Thomaz Bastos, EX-MINISTRO DA JUSTIÇA, um dos mais prestigiados advogados do Brasil, está, nesse momento, a serviço de um conhecido contraventor, o Carlinhos Cachoeira, abastecedor da classe política - à direita e à esquerda, governo e oposição etc - para eleger fichas sujas que, quando chegam ao poder, obrigam-se a servi-lo, como demonstram os fatos relativamente ao comportamento do senador Demóstenes Torres, falso moralista que enganou o Brasil por um certo tempo.

Bastos, com sua sabedoria jurídica, cravou, durante a semana, sua primeira vitória, na audiência da CPMI, em que lançou mão dos instrumentos jurídicos para que o meliante ficasse calado diante dos representantes do povo. Os congressistas foram os bobos da corte diante dos sorrisos irônicos e sarcásticos de Cachoeira e Thomaz. Uma ópera bufa deprimente.

Pergunta inocente: Marcio Thomaz Bastos, famoso advogado, ex-ministro da Justiça do Governo Lula, responsavel por recomendar ao ex-presidente a indicação de cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal, estaria defendendo Carlinhos Cachoeira, se este fosse um pobre pé de chinelo?
Teria outro contraventor na praça, que não seja tão famoso quanto Cachoeira, merecendo a assistência do Thomaz?

Se tivesse, a gente saberia.

Fala-se, nos bastidores, que Cachoeira teria contratado o famoso advogado ex-ministro por 15 milhões de dólares.

Verdade?

Mentira?

Com que grana Cachoeira vai pagar o Bastos?

Com o dinheiro suado do seu trabalho na contravenção?

E como se sentirá um ex-ministro da Justiça do Brasil se abastecendo, empanturrando seu cofre com dinheiro ilegal da contravenção, contrária às leis vigentes no País, em troca da defesa do contraventor?

Estaria correto um ex-ministro embolsar o dinheiro da contravenção como pagamento pelos seus serviços?

O serviço que é remunerado pelo dinheiro do roubo representa trabalho honesto?
Como um pretenso homem honesto pode se remunerar na defesa de um desonesto que rouba para lhe pagar, assim como faz para eleger os fichas sujas que ocuparão os cargos no poder para serem colocados a serviço de quem os elegeu?

Ou não é roubado o dinheiro acumulado de Cachoeira?

Não teria sido mais conveniente para Thomaz Bastos saber antes a origem do dinheiro que lhe remunerará – se roubado ou não – antes de aceitar defender a causa de um bastante provável eminente ladrão?

Ou as ligações telefônicas apuradas pela Polícia Federal, mediante autorização judicial para investigar Cachoeira, não representariam provas suficientes de que o tráfico de influência exercitado pelo meliante tem como resultado roubo de dinheiro alheio?

E de onde origina esse dinheiro, senão do contribuinte, visto que as manobras elaboradas por Cachoeira e seus prováveis sócios da Construtora Delta são as propulsoras de ganhos por concorrências fraudadas em licitações obscuras para prestação de serviços públicos pagas com os recursos dos cofres do tesouro nacional?

O silêncio mantido por Cachoeira ancorado na legislação que lhe assegura tal direito não é motivo para se desconfiar dessa própria legislação muito bem manipulada pelo advogado de defesa para proteção contra evidências que foram escondidas da sociedade no palco em que se encontra os seus representantes, ou seja, no Congresso Nacional?
Não é, portanto, estranho, muito estranho, que Bastos, com os bolsos cheios de dinheiro da contravenção(Ou não seria da contravenção?

Ou não lhe importa a origem do dinheiro sujo do Cachoeira?), tenha se portado tão à vontade, até mesmo exibindo escárnio e ironia, frente aos congressistas, submetidos ao vexame imposto pelo código penal?

Conhecedor profundo das leis, Thomaz Bastos mostrou-se convencido e, por isso, expressou seu convencimento de que Carlinhos Cachoeira pode jamais confessar aos congressistas os seus previsíveis crimes, ancorados nas largas avenidas onde transitam os traficantes de influência.

De uma coisa, porém, Carlinhos não escapa, nem seu advogado, Thomaz, será capaz de negar: a sociedade brasileira está diante de um traficante de influência.
As gravações realizadas pela Polícia Federal não mentem.

Não seriam provas mais que suficientes para os congressistas concluirem pelo crime evidente, ou o tráfico de influência não é crime, capaz de configurar a condição de que se está diante de um sonegador de impostos intermitente, cujo lugar é na cadeia, a exemplo do que aconteceu com Al Capone?

Ou o dinheiro pode tudo?

No Brasil, onde o poder é dominado por oligarquias elitizadas, subordinadas ao capital estrangeiro, protetoras dos oligopólios, que elas mesmas praticam, tudo, evidentemente, pode acontecer.

Quem, certamente, está inconformado, em proporção maior do que se imagina em relação aos seus pares, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito(CPMI) que tenta investigar os crimes de Cachoeira, sem conseguir, até o momento, é o ex-presidente Fernando Collor.

Por que?

Simples.

Se ele tivesse sugerido ao famoso PC – Paulo César de Oliveira – , o caixa de sua campanha eleitoral corruptora, que contratasse para defendê-lo o advogado e ex-ministro de Lula, Thomaz Bastos, a história poderia ser outra, ou não?

O impeachment do ex-presidente poderia não ter acontecido, pois, ao final, ele foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo impichado.

Ancorado na legislação, sob recomendação do Thomaz, PC ficaria, naquela ocasião, como, agora, fica o Cachoeira, de bico calado.

Só falaria na justiça, seguindo o ritual da sequência das instâncias – primeira, segunda etc -, o ritual do processo judiciário, em obediência ao código penal, ou seja, um labirinto kafkaniano cujo fim jamais ocorre, dadas as possibilidades de protelações, patrocinadas, é claro, pela irrigação, ou melhor, pela cachoeira de dinheiro, que vai ajudando a comprar consciências a torto e a direito, até que o processo prescreva e tudo vire pizza.

Não é, por acaso, isso que está acontecendo - e pode acontecer – com o MENSALÃO?
Imagine se, orientado por Thomaz Bastos, Duda Mendonça, o gênio do marketing político das campanhas petistas, tivesse ficado calado nos depoimentos que prestou à CPI do MENSALÃO, utilizando a mesma técnica que fez Cachoeira manter-se em silêncio na CPMI, configurando o espetáculo do cinismo?

Bastos e o tal de Kakau, advogado do senador Demóstenes Torres, interlocutor de Cachoeira, falso moralista que enganou todo mundo, viraram artistas dos espetáculos das defesas dos acusados das maracutaias diversas.

Artistas e malabaristas no manuseio dos códigos, ambos estão colocando na roda os congressistas, fazendo-os de bobos, enquanto exibem aquilo que realmente importa: a capacidade do dinheiro de fazer e acontecer em favor de quem o possui.
São os escravos da antiética do capital.

Postado em 04/06/2012 ás 04:13

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