A percepção aqui nos EUA (onde faço um curso de inglês) é que o Brasil continuará, na visão do novo governo e do Departamento de Estado, sendo o principal interlocutor para o país na América Latina e particularmente na América do Sul. eles vêem nossa política externa é vista como autônoma e com estratégia própria.
Em outras palavras, estamos no caminho certo, encontrando nossas próprias soluções, conduzindo nossas próprias negociações e construindo com as nações sul e latino-americanas nossas próprias políticas e instituições como o bloco econômico Mercosul, a União das Nações da América do Sul (UNASUL), o Conselho de Defesa Sul-Americano e a OEA latino-americana e do caribe.
Constituem prova disso as parcerias do Brasil com venezuelanos, colombianos, e nossas estratégias de desenvolvimento, como o Banco do Sul e as obras comuns de energia e transporte.
Brasil terá que assumir papel cada vez maior na integração
Cada vez mais o Brasil terá que assumir seu papel integrador e de lideranca na América Latina. Dos EUA, envolvidos na sua pior crise econômica e em duas guerras - Iraque e Afeganistão - e mais, com a agressão israelense aos palestinos, não devemos esperar outra coisa além desses discursos tipo os de Hillary (nota acima).
Finalmente, cumpre-me observar que essa minha análise não significa considerar que a partir de agora, no governo Barack Obama, os EUA estarão ausentes do continente. Pelo contrário, estarão sempre agindo quando seus interesses estratégicos estiverem ameacados ou em jogo.
No nosso caso concreto, precisamos impulsionar nossas relações comerciais e políticas com o novo governo, seja na área energética - com prioridade para o etanol - seja na das rodadas de negociações de Doha, da nova regulação do sistema financeiro e das reformas nas instituições internacionais.
Previdência: cai o mito alardeado pela oposição
Um mito e um grande engodo que sempre serviu ao discurso privatizante da previdência cai, com os dados do déficit da previdência publicados pelo Ministério da Previdência Social. Os números demonstram que 82% do chamado déficit previdenciário tem como origem a aposentadoria rural por idade, sem contribuição, uma justa e necessária medida tomada na Constituição de 88, um direito do trabalhador rural brasileiro, custeado, não pelo Tesouro como deveria ser, mas pelo orçamento da previdência que depende exclusivamente das contribuições previdenciárias das empresas e dos trabalhadores que pagam os benefícios que recebem num sistema de partição.
O sistema rural corresponde a 19,7% da despesa total de R$ 182,5 bilhões da previdência no ano, mas é o maior responsável pelo déficit do sistema geral. Como sabemos, a medida que o emprego cresceu e a formalização avançou, o déficit da previdência diminuiu. Se levarmos em conta essa informação veremos que praticamente não há déficit na previdência. Ainda bem que no Brasil resistimos e não permitimos a privatização da previdência como aconteceu na Argentina e na Bolívia, ou mesmo no
Chile. Nesses países os governos reestatizaram a previdência depois que as contribuições dos trabalhadores administradas por fundos privados viraram pó na atual crise financeira, como, aliás, aconteceu também nos Estados Unidos, onde os aposentados viram seus benefícios que não são definidos caírem assustadoramente.
Tivessem os tucanos e pefelistas privatizado a previdência, nem teríamos os fundos de pensão públicos e nem os aposentados brasileiros teriam suas rendas garantidas. Nunca é demais lembrar ao Brasil os riscos que corremos no passado quando os tucanos nos governavam, para que não voltem mais.
| Postado em 11/01/2009 ás 23:02 |