Brasília - Sábado , 25 de Maio de 2013 Página Inicial | Indique aos amigos
Coluna de Mario Augusto Jakobskind
Uma democracia de mentira
Enquanto sobe o tom da voz rouca nas ruas da Tunísia, do Egito, do Iêmen, da Argélia, do Marrocos e da Jordânia, em Israel, o país considerado pelo senso comum com uma democracia, nestes dias ocorreu a criação de uma comissão especial para investigar as atividades de cidadãos e grupos de esquerda.

No mais puro macarthismo, a extrema direita israelense, estimulada pelo Ministro do Exterior Avigdor Lieberman, uma figura nefasta e fascista, está vomitando ódio não apenas contra os palestinos, mas também contra israelenses de esquerda que, envergonhados, denunciam uma série de violações dos direitos humanos cometidas contra os palestinos. Os extremistas guiados por Lieberman acusam de “financiados por terroristas” os grupos progressistas israelenses que denunciam a ação do Exército nos territórios palestinos.

A mesma extrema direita israelense mais uma vez utilizou-se do Holocausto, lembrado no Dia 27 de janeiro, para aparecer como vítima. De fato são seis milhões de judeus assassinados pelo nazismo na II Guerra, juntamente com outros segmentos como ciganos, eslavos, comunistas, socialistas, homossexuais, seres humanos com problemas mentais etc.

Realmente, o Holocausto ser lembrado por extremistas como Lieberman, Benyamin Netanyahu e outros do gênero, é não apenas uma hipocrisia, como até mesmo ofensivo às próprias vítimas da bestialidade nazifascista do século passado. Exatamente porque, segundo denúncias dos próprios israelenses, estão vestindo a camisa do opressor de ontem, os nazistas.

Quem imaginava que isso pertencia ao passado, engana-se. Lieberman e Netanyahu são exemplos concretos de que o ideário extremista continua vivo. O Ministro do Exterior de Israel, egresso da extinta União Soviética, pregou em várias ocasiões uma solução final contra os palestinos e manifesta claramente ódio aos árabes. .

Quem veste a camisa do racismo não tem condições morais de falar em Holocausto, no caso de Lieberman & Netanyahu, aproveitando o sentimento de repulsa da humanidade pela barbárie da II Guerra Mundial para usá-la em proveito de uma ideologia que prega também o ódio e a exclusão do outro.

Imbuída pelo sentimento de repulsa pelo que o governo Netanyahu continua a fazer com os palestinos, inclusive os residentes no território israelense, considerados pelas autoridades sionistas na prática como cidadãos de segunda classe, a esquerda israelense não se cala, exatamente para mostrar ao mundo que há repúdio interno em relação às atrocidades contra os palestinos.

A resposta foi dada pelo Parlamento, onde a direita tem maioria e, como afirma o jornalista israelense Gideon Levy, do jornal Haaretz, “o que este governo está fazendo ruborizaria até (Joseph) McCarthy”, o senador estadunidense que promoveu uma caça às bruxas nos anos 50.

Como temas desta natureza dificilmente são apresentados nos jornalões e telejornalões, não só do Brasil como pelo mundo afora, é necessário que a opinião pública seja informada do que está acontecendo em Israel e nos territórios palestinos, isso para evitar que o atual governo extremista de Netanyahu &Lieberman e outros do gênero continue levando adiante na prática a eliminação do outro, ou seja, do povo palestino. O jornal Brasil de Fato foi o único por estas bandas a informar a vergonhosa caça às bruxas.

Por sinal, mais dois países da América Latina, o Paraguai e o Peru, acabaram de reconhecer o país Palestina com as fronteiras de 1967, somando-se ao Brasil, Argentina, Uruguai, Equador, Bolívia etc. Os respectivos governos, alguns não de esquerda, não se dobraram as pressões do lobby sionista.

Enquanto isso, depois dos tunisinos terem mandado para o lixo o ditador-ladrão Ben Ali, os egípcios estão dando o claro recado de que não suportam mais Hosny Mubarak e o seu regime corrupto e autoritário, que além de governar o país com mão de ferro há mais de 30 anos é o principal responsável pelo arrocho salarial, pobreza e desemprego, para não falar da subserviência aos Estados Unidos, que banca o governo com uma polpuda mesada de 1,3 bilhões de dólares anuais para se alinhar a Washington.

A voz rouca das ruas no Egito e Tunísia é clara: chega de ditaduras, de submissão ao Fundo Monetário Internacional, que em 2007, juntamente com o Fórum Econômico Mundial para a África, considerava o país do ex-ditador Ben Ali o mais competitivo do continente, mais inclusive do que a África do Sul. E tudo isso com a chancela dos sucessivos governos estadunidenses nos últimos 30 anos.

Embora os povos tenham perdido o medor da violenta repressão há também o perigo dos ditadores abandonarem o cargo, mas o regime continuar o mesmo, havendo apenas uma troca do seis pelo meia dúzia. Daí Mubarak nomear pela primeira vez em 32 anos um vice, o chefe da inteligência, Omar Suleiman. Pode ser até que esteja preparando o terreno para cair fora e deixar em seu lugar alguém que mantenha o mesmo esquema de dominação que levou os jovens a ir para as ruas protestar e pedir o fim do regime chancelado pelo Ocidente.

Quando este artigo estava sendo elaborado veio a informação do Cairo sobre a proibição do canal da Al Jazeera de atuar no Egito. Coisas de uma ditadura. Resta saber se as entidades internacionais que se consideram defensoras da liberdade de imprensa vão protestar. E o que dirão os governos ocidentais?

Postado em 02/02/2011 ás 13:48

[ Imprimir ]

Veja Também
» Vingança não leva a nada
» Hora de se conhecer a verdade
» A suspeita doença de Chávez
» Uma grande perda para a América Latina
» O mal nosso de cada dia
» Jornalismo da mentira
» O Globo: exemplo de manipulação
» Suspense na Venezuela
» Educação sim, mas com qual projeto?
» Um cartola que o passado condena
» Amazônia continua ameaçada
» Mecanismo do pensamento único
» Uma vitória que incomoda muita gente
» Recado para a Comissão da Verdade
» Sem provas contra Assange
» Sem provas contra Assange
» É preciso aprofundar as verdades
» Onde andam os corruptores?
» Para não esquecer jamais
» Mundo conflagrado
» Um caso emblemático
» Ustra cai em contradição
» Os brasiguaios no golpe do Paraguai
» Argentinos dizem não aos EUA
» Veja como se faz baixo jornalismo
» Teoria dos dois demônios
» Mentiras em nome da liberdade
» Eles continuam os mesmos
» As várias facetas da corrupção
» Um assassino confesso
» A mídia que torce pela morte de Chávez
» A culpa não é do SUS
» Os marqueteiros de Cabral e Capriles
» Uruguai pedirá desculpas, e o Brasil?
» Jornalismo parcial e manipulador
» Malvinas são mesmo argentinas
» Silêncio constrangedor sobre a Líbia
» Cuba 2012
» Livro deixa tucanato desesperado
» Em tempo de crimes imprescritíveis
» Em tempo de crimes imprescritíveis
» Primavera já virou outono
» A Comissão da Verdade e a Tortura
» Um pregador de golpes de Estado
» Receita para derrubar ministro
» Kadafi executado. Otan e mídia vibram
» Até tu, Miriam Leitão!
» Verdades ainda ocultas
» Novo governo líbio abre o jogo
» Protetorado colonial da OTAN
» A nova velha Libia
» Jovens repelem modelo econômico
» Código de Ética de quem não tem ética
» Na hora da verdade
» Neoliberalismo no cobre e na mídia
» Reflexos da privataria
» Silêncio sobre a Líbia
» Humala e Cabral, dois extremos
» Vergonha que vem do Chile
» A máscara de Cabral
» O lado oculto dos fatos
» Socialista no campo do FMI
» Mesma conversa de sempre
» Em tempo de Febeapá
» Verdades debaixo do tapete
» Um continente que se move
» Mais realistas do que o rei
» Parados no tempo
» Da Ficha Limpa à sujeira do Ocidente
» W.O. na direita
» Risco de retrocesso na ABL
» Na luta pelos direitos humanos
» Recado à presidenta Dilma
» Uma democracia de mentira
» O Rio virou Haiti
» Quem não quer a Voz do Brasil?
» Manipulação jornalística criminosa
» EUA dão carta branca a Israel
» Do Alemão ao WikiLeaks
» O Alemão e o show midiático
» A fúria da mídia contra os Kirchner
» Parece que foi ontem
» Ouro de Washington continua
» Palco de farsa midiática
» O medo da mídia golpista: uma gritaria para manter o monopólio
» O flagrante
» Direita uruguaia tenta manipular eleitores com arsenal de armas
» Getúlio Vargas: 55 anos depois
» Fundação Ford pensa que engana
» Lula deveria demitir Nelson Jobim
» Como a mídia torna desconhecida a América Latina
» A mídia comprometida, no Brasil e na América do Sul
» Crimes contra a humanidade não podem continuar impunes
» Mídia baba na gravata
» Comunicação, uma batalha de todos
[ Ver todas as publicações da coluna ]

 

Buscar Conteúdo
Colunistas

Fatal error: Cannot redeclare foto_existe() (previously declared in /home/patria/public_html/colunaconteudo.php:16) in /home/patria/public_html/lado_colunistas.php on line 13