São ideológicas e preconceituosas as razões que levaram a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados a votar contra o projeto que facilita a validação do diploma de médicos brasileiros que estudaram medicina em Cuba conforme lhes possibilitava acordo internacional assinado há cinco anos.
Por 17 votos a 14, a Comissão acatou o relatório do deputado Welington (Lelo) Coimbra (PMDB-ES), pela rejeição do reconhecimento dos diplomas cubanos. O Brasil tem um total de 277 médicos formados em Cuba e outros 400 bolsistas brasileiros estudam naquele país.
Em entrevista exclusiva ao meu blog, o deputado petista Carlos Abicalil (MT) apontou as duas razões para a rejeição e reforçou: "O voto do relator é eivado de conteúdo ideológico, anticubano, contra os movimentos sociais e quase que criminaliza o fato de que alguns dos bolsistas receberam o aval de indicações partidárias, como se isso fosse um crime".
Abicalil detalhou que, pelo acordo, Cuba oferece bolsas de estudos gratuitas aos estudantes brasileiros vinculados à movimentos sociais que vêm de famílias de baixa renda e comunidades distantes, ou por indicação político-partidária. Em troca, os universitários assumem o compromisso de, quando formados, retornarem às suas comunidades de origem ou atuarem em localidades remotas sem presença de assistência médica.
O objetivo do projeto - já aprovado nas comissões de Relações Exteriores e de Constituição e Justiça (CCJ) - era facilitar a validação do diploma quando os médicos, formados, voltam ao Brasil. Hoje o processo é muito difícil e burocrático. Fora isso, como a validação só pode ser feita em universidades públicas, as instituições concedem menos de três vagas anualmente para esses casos e só com documentos, as despesas podem chegar a R$ 6 mil.
Chávez ganha de novo a maioria da Venezuela
Pode-se falar de tudo, o que quiser, sobre as eleições...
Pode-se falar de tudo, o que quiser, sobre as eleições regionais na Venezuela, mas a verdade é que após a derrota no referendo de 2007, o presidente Hugo Chávez e seu partido conquistaram de novo a maioria do país. Apesar da derrota em Caracas, Maracaíbo, e da mais simbólica delas, em Sucre, bairro da Capital onde está localizada Petare, a mais famosa favela do país, onde vivem 1,5 milhão de venezuelanos.
Quanto a derrota em 5 Estados, Zulia e Nova Esparta já eram governadas pela oposição e Miranda - onde fica Caracas - Carabobo e Tachira, é realmente significativa. A lista de onde o presidente não ganhou inclui os dois principais Estados do país, Zulia e Miranda, que concentram 70% da atividade econômica e 12 milhões (44%) dos 28 milhões de venezuelanos.
Chávez e seu partido conquistaram 5,5 milhões de votos e a oposição 4,2 milhões. Resumindo podemos dizer com segurança que o resultado aponta para uma vitória eleitoral que susta o crescimento da oposição e dos setores da direita, que após a vitória do "não" no plebiscito, pretendiam paralisar e desestabilizar o governo Chavez.
Mas a recuperação da maioria do eleitorado nacional é insuficiente para Chávez abrir um novo ciclo de avanços no processo bolivariano. Há uma situação de equilíbrio político. A oposição venceu em estados importantes e poderosos.
Mídia brasileira força "derrota" quando houve vitória
Isso obrigará as forças progressistas lideradas pelo presidente a acumular forças em estado defensivo, tendo como principal objetivo a vitória nas eleições parlamentares do próximo ano.
Então, buscar um terceiro mandato, reforma constitucional e referendo, num quadro de crise econômica e queda dos preços do petróleo, não é um bom caminho, particularmente quando as urnas indicam que a maioria esta com Chávez, mas quer uma resposta para os problemas de desabastecimento, violência e desemprego.
Assim, mesmo apoiando o presidente e sua revolução, uma parcela do eleitorado votou na oposição exigindo do chavismo mais competência e capacidade de resposta nos governos locais e regionais aos problemas do dia a dia do povo.
Agora, é inacreditável nossa mídia hein! Chávez fez a maioria dos votos (52% contra 48%, na apuração final), governará a maioria dos estados (17 entre 22) e a maioria dos eleitores está em províncias nas quais os candidatos do presidente venceram (56% contra 44%), mas tanto a Folha como o Estadão chamam para manchete de capa a avaliação de “derrota eleitoral” de Chávez.
| Postado em 25/11/2008 ás 22:58 |