Brasília - Domingo , 19 de Maio de 2013 Página Inicial | Indique aos amigos
Coluna de Cesar Fonseca

PMDB impõe novo jogo político ao Planalto
DEPUTADO EDUARDO CUNHA(PMDB-RJ),NOVO LÍDER POLÍTICO NA CENA LEGISLATIVA NACIONAL. Desde que, nesse ano, o PMDB conquistou as duas Casas do Congresso – Senado e Câmara – os líderes peemedebistas, senador Renan Calheiros(AL) e deputado Henrique Eduardo Alves(RN) mandaram recado forte ao Palácio do Planalto: não aceitariam mais contingenciamentos de recursos orçamentários sobre as emendas parlamentares, no ambiente do orçamento não financeiro da União, para que sejam atendidos os interesses dos banqueiros, no âmbito do orçamento financeiro. Articulam, para tanto, o chamado orçamento impositivo, que prometem aprovar até final de junho, conforme se comprometeu com o plenário lotado essa semana o deputado Alves sob aplausos gerais.

O PT, que tem sido tremenda vaca de presépio na sua relação subordinativa excessiva ao Planalto, mostrou-se satisfeito quando o deputado Garotinho(PR-RJ), da base governista, colocou sob suspeição a proposta de emenda aglutinativa que o deputado Eduardo Cunha(PMDB-RJ) incorporou, com apoio dos seus liderados peemedebistas, ao projeto aprovado no Senado da MP 595 – nova lei dos portos -, relatada pelo senador Eduardo Braga(PMDB-AM). Garotinho deixou no ar que Cunha estava a serviço de interesses poderosos no ambiente do negócio portuário, tentando influenciar a favor de empresários instalados em portos organizados, insatisfeitos com as condições anti-isonômicas que passariam a favorecer os empresários privados, investidores em novos portos, sob condições de competitividade mais vantajosas. Foi um grande bafafá que, ao final, não deu em nada, porque o governo acabou concordando com os argumentos de Cunha.

Transformou-o no grande vencedor da batalha que deu força ao PMDB, na Câmara e no Senado, por meio dos seus presidentes Alves e Renan, para colocar novas pré-condições quanto ao tratamento das medidas provisórias pelos congressistas, mais racionais e razoáveis, em detrimento da arrogância do poder executivo. Essencialmente, o jogo do PMDB atrapalha os interesses dos banqueiros, que, ao longo das últimas duas décadas, têm feito o Congresso de gato e sapato, para manter incólume os recursos do orçamento financeiro, que garante pagamento dos juros sobre serviços da dívida, impedindo qualquer contingenciamento sobre eles, enquanto, em cima do orçamento não-financeiro, que diz respeito aos interesses da sociedade em matéria de saúde, educação, segurança, infraestrutura, os recursos sociais são sistematicamente contingenciados, a exemplo do que acontece, também, com as emendas parlamentares.

Tudo isso, no jogo bruto do poder financeiro nacional, para favorecer formação de elevados superavit primários – economia orçamentária forçada – para garantir a boa vida dos especuladores em detrimento dos trabalhadores, que ficam sem recursos necessários para sustentar o consumo nacional e o volume de arrecadação necessário aos investimentos públicos. Em grande medida, apesar das controvérsias, a presidenta Dilma Rousseff sai favorecida com a posição de maior independência legislativa estabelecida pelo PMDB, na apreciação das MPs, porque passa a dispor de ancora de segurança, para diminuir a formação de superavit primários, para que possa dispor de mais recursos orçamentários ao seu amplo programa de investimentos público-privados.

Redondamente equivocados, portanto, estão os colunistas políticos e econômicos da grande mídia conservadora que estão dizendo que Dilma está fazendo superavit primário não para realizar mais investimento, mas para distribuir mais recursos às famílias, aumentando seus rendimentos. Para onde vão, então, esses maiores rendimentos, senão para o consumo que movimenta a produção, o emprego, a arrecadação e, igualmente, os investimentos?

O jogo dialético da distribuição da renda ainda não está sendo percebido pelo poder midiático anti-nacionalista, reacionário. Nesse contexto, Dilma Rousseff ganharia maior sonoridade política, se, em vez de continuar se desgastando, na tentativa de governar, a ferro e fogo, com medidas provisórias, promovesse, a partir de agora, a governabilidade por meio de projetos de lei, encaminhados em regime de urgência, fortalecendo a posição da sua base governista, no Congresso, tapando, consequentemente, a boca dos oposicionistas, que alardeiam ser ela uma neoditadora republicana, um Napoleão de saia. A posição do PMDB, liderado por Eduardo Cunha, representa uma grande contribuição nesse sentido. Surge, portanto, um novo líder na cena política legislativa. OU DILMA VAI VETAR OS ACORDOS QUE OS SEUS COMANDADOS NO CONGRESSO ACERTARAM PARA VER A MP 595 APROVADA?


Governar é correlacionar as forças políticas no ambiente da coalizão governamental no jogo democrático.

O que ocorreu essa semana no Congresso foi uma alteração substancial nessa correlação dentro das forças governistas.

O PMDB demonstrou força e impôs novo jogo político ao Planalto, ao longo da votação da medida provisória 595 que cria nova política para os portos no Brasil.

O principal personagem nessa história foi o líder peemedebista, na Câmara, deputado Eduardo Cunha.

Ele ousou fazer alterações no projeto aprovado no Senado sob rígida orientação do Planalto.

Pagou um preço alto.

Mas, levou, ao final, a vitória.

Foi taxado de tudo, mas, ao conseguir, manter ao seu lado unida a base peemedebista dos deputados, obrigou o governo a descer do seu pedestal e negociar.

Esse é o fato absolutamente novo no Congresso que tem se subordinado à governabilidade provisória determinada pelo poder Executivo.

Cunha, inteligente, ousado e destemido, algo que falta no cenário político nacional, sentiu que não apenas os seus pares do PMDB, mas, igualmente, todos os integrantes da base governista, já estavam de saco cheio com a arrogância do Planalto.

Capitalizou essa insatisifação generalizada.

Propôs uma emenda aglutinativa ao projeto do relator senador Eduardo Braga(PMDB-AM), aprovado no Senado, assinada por integrantes do PMDB, do PT, do PDT, PTB etc.

Obteve simpatia ampla, também, da oposição.

Ou seja, uniu uma força em torno de si e deu voz de comando a ela, para ser firme.

O governo irritou-se barbaramente, com a alteração de conceitos, negociações em torno de prazos, acordos, procedimentos instutucionais.

Cunha, enfim, questionou e incomodou e sua tática agradou.

As sessões legislativas nas duas últimas semanas viraram ringue de disputas e acusações vergonhosas contra Cunha, a partir da própria base aliada, mas Cunha segurou o leme do barco.

E, em meio ao mar revolto, conseguiu chegar são e salvo à praia, depois de muitas tempestades e negociações.

Na reta final da disputa, o governo, que mobilizou aliados para atacar Cunha, colocando-o sob suspeição, assinou em baixo nas suas propostas.

Rendição planaltina espetacular.

Caso contrário, diante da disposição dos peemedebistas em apoiar seu destemido líder, daria xabu para o Planalto.

O jogo de Cunha, essencialmente, foi o de levar o governo a flexibilizar posições intransigentes relativamente a prazos nos contratos, depois da mudança contida na proposta em que portos públicos, funcionando sob concessão aos setores privados, se compatibilizem com portos privados, com direito a trabalhar não apenas cargas próprias, mas, também, de terceiros, sob autorização governamental.

Foi explosiva a entrevista de Cunha ao jornal Valor Econômico criticando a arrogância e o espírito burocrático do Planalto.

Pintou clima de guerra: a Presidenta Dilma Rousseff e sua operadora a ministra da Casa Civil, ministra Gleisi Hoffman, sairiam nos tapas contra Cunha.

No final, acomodaram-se as posições.

Acordos, também, se realizaram relativamente à administração de portos sob orientação de governos estaduais, que se subordinam, relativamente, à orientação do poder executivo, com espaço para liberdade de procedimentos conjuntos, coordenados pela Agência Nacional – Antac.

Se não fosse o viés da arrogância que tem orientado a atuação do Executivo em relação ao Legislativo quanto à apreciação e votação de medidas provisórias, sempre intermediadas por negociações entre os dois poderes, de modo a acomodar subordinação dos parlamentares ao Planalto, conforme suas conveniências, não teria havido nada de mais, no processo de negociação, responsável por suscitar denúncias escandalosas de lado a lado, ao longo de 41 horas de sessões legislativas, um recorde histórico.

Dores do aprendizado democrático, que está demorando, excessivamente, no ambiente da governabilidade eternamente provisória sob governo de coalizao, que sempre descamba para casos de corrupção.

Os detalhes sórdidos expressos nos discursos de baixo nível que vieram ao ar não importam, agora.

O fato relevante é que o PMDB, sob orientação de um líder com posições firmes, sobrepôs-se ao comportamento governista submisso do PT, seu maior aliado, no Congresso, para formar a base forte do Governo Dilma, e passa a dar as cartas no plano político governamental.

Os peemedebistas podem ter chegado àquela condição que reclamam a seu favor no ambiente da coalizão governamental: a de não, apenas, ESTAR, mas a de SER governo.

Talvez ainda os peemedebistas não tenham conquistado força para impedir novas edições de medidas provisórias, por parte do governo, a fim de tocar a governabilidade, sob argumento da necessidade de celeridade para resolução de assuntos capitais.

Mas, uma coisa ficou estabelecida: o Congresso, comandado pelo PMDB, estabelece novo jogo de correlação de forças no governo coalizão.

O rítmo da governabilidade passa a ser determinado de forma conjunta e não unilateral.

O unilateralismo planaltino dá lugar ao multilateralismo congressista.

O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, sob pressão, tanto dos oposicionistas, como dos governistas, destacou que o Senado não apreciará mais medidas provisorias aprovadas na Câmara, em regime de revisão, antes de sete dias de prazo para apreciar as matérias.

Certamente, ainda, pode ser prazo exíguo, mas muito maior do que o de poucas horas disponíveis para conclusões de trabalhos complexos, como aconteceu com a medida provisória 595 e demais que têm sido submetidas às pressas sob vontade imperial do Planalto.

Postado em 19/05/2013 ás 13:32

BNDES começa a pensar em financiar mídia de democratização

Cesar Fonseca, “Independência Sul-americana”
http://independenciasulamericana.com.br/2013/04/bndes-financia-democratizacao-midiatica/

A deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ), presidenta da Comissão de Cultura da Câmara, comanda o início de uma grande revolução no Brasil, abrindo o debate sobre a democratização midiática nacional, a partir do dia 7 de maio, terça feira, 14 horas, no Congresso Nacional. O tema central é o financiamento pelo BNDES para as mídias comunitárias.

O grande banco estatal brasileiro, que até hoje assistiu apenas os grandes grupos midiáticos, que atuam, oligopolizadamente, alienando o povo, agora, sob orientação da presidenta Dilma Rousseff, abre as portas para os pequenos.

Com certeza, o oligopólio midiático brasileiro, formado por meia dúzia de plutocratas, vai chiar brabo.

A democratização midiática começará a ser alavancada pelo poder dilmista por meio de financiamento do BNDES às “micro e pequenas empresas de comunicação nas diversas plataformas”. Abre-se um mundo de novas oportunidades que balançará e renovará a cultura nacional. Isso significa que os empresários de pequeno porte, bem como associações comunitárias, terão oportunidade de explorar o setor de comunicação no Brasil, levando informações variadas, sintonizadas com os interesses da comunidade, a mais prejudicada pelo massacre midiático oligopolizado, que vende à população o pensamento único neoliberal, tanto no plano da política, como da economia e, também, da cultura.

O país está, praticamente, estagnado em termos culturais, sem movimento de renovação. A oligopolização midiática, sintonizada com o pensamento único neoliberal, não interessa por essa questão fundamental para formação da nacionalidade soberana. Ela está, unicamente, interessada em servir aos seus verdadeiros patrões, os grandes bancos, cuja missão tem sido, apenas, a de especular financeiramente com a moeda nacional, empobrecendo o povo, no processo de desorganização e fragilização da economia, sustentando, consequentemente, a colonização cultural. Os grandes financistas, cujo discurso básico é o de atacar a orientação nacionalista imprimida pela presidenta Dilma à economia, odiarão, certamente, mais essa ação do BNDES. Participantes dos conselhos de administração dos principais veículos de comunicação do país, porque os financiam e, dessa forma, orientam sua linha editorial, voltada ao anti-nacionalismo, os representantes da bancocracia rearmarão suas baterias para os novos ataques.

No momento em que o mundo vive crise econômica global, detonada , justamente, pelo pensamento único neoliberal, não interessa ao oligopólio midiático discutir com a sociedade a orientação econômica que os grandes grupos financeiros imprimem como verdade absoluta, incontestável. Afinal, esse oligopólio é parte dessa “verdade”. Não há no Brasil, hoje, uma discussão livre sobre o que o imperialismo monetário, colocado em prática pelos Estados Unidos, sob orientação dos grandes bancos privados, que mandam no Banco Central americano, produz de prejuízos intensos para as economias dos países emergentes, em forma de exportação da inflação especulativa.

O jogo, que jamais é discutido, a fundo, pelo poder midiático tupiniquim, se assenta na ação americana de jogar moeda desvalorizada, sem limites, na praça mundial, encharcando o meio circulante, ao mesmo tempo em que são mantidas taxas de juros na casa dos zero ou negativo, para dar calote na dívida que vai se ampliando. Enquanto isso, esse dinheirão que tende a apodrecer, por não dispor de lastro real, é exportado para o Brasil, Argentina, Venezuela, Paraguai, Colômbia, Chile, Equador, ou seja, para toda a América do Sul e outros continentes, em nome da salvação do capitalismo, expresso na figura dos EUA. Os americanos se especializam em exportar sucata monetária como produto acabado do monetarismo ortodoxo que praticaram até levar o mundo à maior crise da história, superior, em muitos graus, ao crash de 29. Quando esse dinheirão podre entra nas fronteiras nacionais valoriza artificialmente a moeda brasileira e a de outros países, desorganizando suas economias, elevando importações, aumentando dívidas, juros, afetando salários, promovendo desemprego, quedas de arrecadação e investimentos públicos e comprometendo perigosamente as contas nacionais por meio do avanço da inflação.

Enquanto isso, o poder das empresas-imprensa, a serviço desse capital volátil, desestabilizador das instituições democráticas, anunciador de violentas crises políticas, fica pondo no tomate e no chuchu a culpa pelas pressões inflacionárias, desviando atenção da sociedade. Aposta na alienação e na mentira.

Chegou a hora de esclarecimentos verdadeiros, que somente poderão acontecer, se houver uma ampla democratização das comunicações, para que as verdades falsas sejam desmascaradas e a consciência política, social e econômica avance celeremente, para o fortalecimento da democracia, a partir das organizações comunitárias.

Serão estas, mediante liberdade ampla para discutir os problemas nacionais por meio de mídia alternativa, comprometida com os interesses comunicatários, as únicas capazes de mudar o sistema político-eleitoral, dominado pelas elites que comungam com o poder midiático colonizador.

A América do Sul, em meio à crise global, está sob pressão de uma outra forma de recolonização. O grande império financeiro americano e europeu em crise de realização do capital sobreacumulado, tendente à deflação destrutiva do capitalismo, pretende estender o seu domínio por meio da moeda desvalorizada impressa pelos seus bancos centrais. Inflacionando as moedas dos outros e, com isso, fragilizando e desestabilizando suas economias, suas fontes de riqueza e de pensamento naturais, ampliam e renovam o velho domínio que exercem, salvo se essa farsa fantástica for desmascarada pelo debate livre. A conquista de uma mídia independente torna-se, portanto, fator de segurança nacional.

O BNDES, impulsionado pela presidenta Dilma, vai nessa linha de promover a libertação das consciências. É por isso que esse grande banco estatal está sob violento ataque do poder midiático oligopolizado, antinacional. Junto com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, evitaram colapso econômico financeiro das empresas brasileiras, no momento em que estourou a crise mundial, em 2007-2008. Eles socorreram a produção e o consumo, garantindo os empregos, cujas taxas atuais são as mais elevadas no mundo, enquanto os governos das nações ricas, que enfrentam o oposto, ou seja, taxas elevadas de desemprego, lamentam não possuirem instrumendo de dinamização da economia nesse porte. O BNDES sofre os ataques violentos da oligarquia midiática porque promove não apenas o desenvolvimentismo nacional, mas, igualmente, o sul-americano, afastando os perigos da crise internacional. O banco estatal brasileiro está, nesse momento, a serviço da expansão de grandes empresas brasileiras em todo o território sul-americano, alavancando obras de infraestrutura, ao lado de governos nacionalistas, na Argentina, na Bolívia, na Venezuela, no Equador, em Cuba, Colômbia etc.

É o grande banco de desenvolvimento sul-americano, enquanto o Banco do Sul não é criado por força de pressões internacionais. Desloca, com sua ação desevolvimentista continental, os grandes bancos estrangeiros e mesmo o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, comandados por Washington, dominada pela bancocracia, irritada com esse estado de coisas.

Agora, o BNDES se volta para o avanço da consciência social latino-americana, para apoiar financeiramente a democratização midiática, colocando-se a serviço da superação das mentes colonizadas. Isso é um crime, para a bancocracia e seus serviçais da grande mídia.

O debate que a deputada Jandira Feghali abre no Congresso é histórico e começará a balançar as estruturas do poder midiático consevador antinacional a serviço do capital internacional.

Postado em 01/05/2013 ás 02:04

CPI para a bancocracia,urgente
Cesar Fonseca

Quem disse que o Judiciário somente age quando provocado? O ministro do Supremo Tribunal Federal e o Procurador Geral da República desmentiram essa assertiva. Sem que ninguém os provocasse, o mais alto representante da justiça e o encarregado do Estado para os assuntos jurídicos e institucionais abriram o verbo contra aqueles que metem medo em todo o mundo, especialmente, nos representantes do poder legislativo e na grande mídia. Nos representantes do povo, porque são eles, os banqueiros, que financiam os seus mandatos, no ambiente da legislação eleitoral elitista, para formar o presidencialismo de coalizaão, ancorado, como a história tem demonstrado, em pura corrupção. E na grande mídia, porque são eles os maiores anunciantes dela. Será que o poder midiátio irá investigar as denuncias que o ministro Joaquim Barbosa e o Procurador Roberto Gurgel acabam de fazer, indo fundo no assunto, de modo a criarem subsídios capazes de fomentar convocação de Comissão Parlamentar de Inquérico no Congresso? Ou tais denúncias acabarão no fundo das gavetas, no esquecimento eterno, para não ferirem interesses tão podersos, embora esteja em jogo o dinheiro do contribuinte que não é respeitado pelo poder bancocrático, pelo contrário, é dele roubado por meio de juros de pura agiotagem?

Já está passando da hora de a sociedade brasileira, por intermédio dos seus representantes, no Congresso, dar um basta nos banqueiros agiotas, que burlam as leis e impõem a escravidão jurista sobre todos os brasileiros, sangrando seus bolsos, fazendo e desfazendo, na manipulação do dinheiro, tanto dentro do país, como de dentro para fora dele, promovendo especulações, adoidado, nos paraísos fiscais.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, e o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, botaram a boca no trombone contra a bancocracia tupiniquim, uma das mais bárbaras do mundo, empregadora de ex-ministros nos seu conselhos de administração que aplicaram as terapias neoliberais, responsáveis maiores para promover desestruturações no sistema produtivo nacional, tornando-o incompetitivo em termos globais, excessivamente, martirizador para cima do consumidor, esse Cristo crucificado dos novos tempos no altar da agiotagem.

Barbosa disse que os bancos são excessivamente lenientes em relação à lavagem de dinheiro e Gurgel destacou que os banqueiros atrasam informações solicitadas e dificultam investigações.

Fazem-se, por isso, necessários ajustes mais drásticos em cima desse pessoal: ação fiscalizadora e punições legais mais intensas em cima de quem age como meliantes de gravata de seda que frequentam os ambientes requintados, embora sejam assaltantes descarados da bolsa popular.

Será que a grande mídia pegará esses comentários das duas maiores autoridades do Judiciário brasileiro para ir adiante em investigações jornalisticas, capazes de produzir informações suficientes ao Legislativo, de modo a estimulá-lo a ir adiante na convocação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, ou vai sentar em cima dos mesmos, abafando-os, para não ferir os interesses daqueles que são os maiores anunciantes do poder midiático, serviçal das teses bancocráticas, nas análises da politica econômica brasileira?

Repetirão esses meios de comunicação rendidos ao discurso do capital neoliberal, especulativo, a campanha sistemática que fizeram em relação ao mensalão, considerando-o o maior foco de corrupção da história, por movimentar recursos que não alcançaram os 100 milhões de dólares, para compra de votos no Congresso, ou vão deixar passar as denúncias desses dois personagens importantes da República quanto ao que poderia ser um foco de corrupção mil vezes maior do que o tráfico de influência financeira que rolou no parlamento brasileiro na Era Lula, a partir de 2005/2007?

Existe boca rica maior do que a mamata dos juros altos que o Estado para aos bancos, verdadeira bolsa banqueiro?

Estarão livres os jornalistas de economia, reconhecidamente, competentes para investigar os assuntos econômicos, para irem adiante nessa escalada investigativa contra os banqueiros brasileiros, lenientes com a lavagem de dinheiro, como destacaram Barbosa e Gurgel, ou ficarão imobilizados por não disporem da liberdade suficiente para tal, dadas as barreiras que interporiam entre eles e a notícia?

A grande mídia é muito valente para ir ao encalço dos políticos, dos Cachoeiras etc; são pródigos os repórteres para esmiuçarem as vidas dos Renan, dos Maluf, dos Dirceu, dos Delúbio etc

Mas, serão capazes de fazer o mesmo com os poderosos do mercado financeiro, cujas teses dominam o noticiário da economia, produzindo especulações, a torto e a direito, manipulando informações e colocando a taxa de câmbio e a taxa de juro onde querem, para fazer subir ou baixar ações, ganhando milhões na alta e na baixa, sem trabalhar, mas, tão somente, influindo no noticiário, a partir, como diz Delfim Netto, de jogadas abstratas em torno de “expectativas racionais”, saídas das cabeças coroadas dos que se julgam capazes de fazer e acontecer na economia, com as premissas falsas e arbitrárias favoráveis aos interesses da bancocracia?

O ex-ministro e ex-deputado, em sua coluna semanal, no Valor Econômico, nessa terça feira, esmiuca as razões obscuras que levaram os economistas neoliberais a estabelecerem verdades a partir de meras suposições, construídas a partir do momento em que a economia mundial, nos anos de 1980 em diante, deixou de promover a reprodução ampliada do capital nas atividades produtivas, bloqueadas pela sobreacumulação de capital, levando o capitalismo à pura especulação no ambiente da economia monetaria, em que as emissões de dinheiro, na economia mais poderosa do mundo, a americana, deixaram de se ancorar em lastros seguros, reais, para fincarem alicerces inseguros na pura ficção, tornando o sistema econômico global prisioneiro de modelos abstratos, construídos no exterior da realidade objetiva.

Nesse ambiente em que dinheiro pare dinheiro, especulativamente, o capitalismo acabou em bancarrota a partir de 2007-2008, desmomorando em escala global.

Os atores principais desse processo de intermediação do dinheiro, os banqueiros, transformaram-se nos agentes econômicos mais importantes, responsáveis por criarem expectativas a partir das quais ditavam verdades adequadas aos interesses da reprodução ampliada de capital sem correspondência nas atividades reais etc.

Os governos, emissores do dinheiro, que irrigam a oferta monetária, e dos títulos públicos, que enxugam parte da meio circulante, para evitar enchentes inflacionárias, acabaram perdendo o controle da sua própria administração, quanto mais se endividaram, até perder a capacidade de ser o agente de equilíbrio do sistema econômico, abrindo mão dessa prerrogativa, fundamental, para sustentar as correlações de forças políticas no ambiente de antagonismo de classe, em nome do interesse da bancocracia.

A banca, sob o livre mercado desregulamentado, que virou Deus, de acordo com a pregação bancocrática, tornou-se o poder absoluto no reinado das expectativas racionais erguidas pelos teóricos que produziu para espalhar a sua verdade abstrata sem pé no chão.

A desregulamentação do mercado financeiro, patrocinada pelos governos, dependentes dos bancos, para as compras dos seus papéis, alcançou o auge até que tudo foi para os ares na bancarrota capitalista de 2007-2008.

A leniência dos bancos, denunciada por Joaquim Barbosa, é isso aí, tem correspondência direta com todo esse status quo sobre o qual, como diz Gurgel, faz-se necessária ação urgente por parte do Judiciário e do Legislativo.

Barbosa e Gurgel levantam moinhos de vento.

O legislativo brasileiro – cujos integrantes, dependem dos banqueiros, para financiarem seus mandatos, de modo a construir, por meio dos partidos, abastardados por legislação eleitoral elitista, um presidencialismo de coalizão, ancorado em corrupção – teria condições de investigar os fatos que Barbosa e Gurgel levantam?

Postado em 16/03/2013 ás 12:00

Burrice: Aécio ataca JK prá rachar PT-PMDB!
TUCANO QUEIMA O CARRO NA LARGADA ELEITORAL.

Fantástica mancada política produzida pelo candidato do PSDB, senador Aécio Neves, na sua arrancada eleitoral rumo ao Planalto, na tentativa de esvaziar a presidenta Dilma Rousseff, aclamada pelos petistas como sua candidata à reeleição de 2014. Inacreditavelmente, o mineirinho pouco esperto produziu, simultaneamente, duas barbaridades que vão miná-lo, politicamente, primeiro, entre os próprios mineiros, depois, junto a todos os brasileiros, enquanto tentou uma jogada, aparentemente, impossivel.

Vamos por parte. Primeira barbeirada: denegriu a Era JK(1956-1961). Disse que o Brasil, com o PT, sob lulismo-dilmismo, voltou ao tempo de Juscelino Kubistchek, quando, apenas, exportava commodities, ou seja, vendia produtos primários ao exterior, importando produtos secundários.

Aditou a esse raciocinio que o governo petista patrocina a desindustrialização, numa tentativa esdrúxula de ligar JK à despreocupação com o processo de industrialização. Não entendeu nada o tucano deslumbrado com o entreguista FHC. JK promoveu a industrialização, justamente, para tirar o país da condição de exportador de commoditeis, apostando no desenvolvimentismo.

Se o dilmismo-lulismo-petismo-peemdebismo volta à Era JK é para fazer o que JK fez, acelerar o desenvolvimentismo, agora, com melhor distribuição da renda, na linha nacionalista distributivista-varguista.

JK, como Lula-Dilma, apostou no mercado interno, iniciou o processo de promoção do crédito direto ao consumidor, combateu juros altos, ampliou demanda para as indústrias, alargou as fronteiras econômicas nacionais, construindo Brasilia, tornando-a epicentro do pais e da América do Sul, abrindo-se à integração continental e, principalmente, melhorou o padrão de vida, a partir da sustentação da política salarial, que Getúlio Vargas havia alavancado, junto com a legislação trabalhista.

Lutou pelo modernização do capitalismo brasileiro, criando as bases para que saísse da sua fase de ser meramente apêndice dos países colonialistas do primeiro mundo. Seu jogo foi o oposto do que diz Aécio. JK apostou todas as suas fichas no Plano de Metas, desenhado e implementado pelo economista Celso Furtado, autêntico nacionalista desenvolvimentista.

O que dirá Minas Gerais a Aécio, depois dessa barbaridade política produzida na tribuna do Senado? Incrível tamanha burrice histórica. A aposta juscelinista no potencial brasileiro visou justamente eliminar o Brasil da condição de colônia exportadora, tornando o País industrializado, a partir da base da conquista da principal matéria prima, o petróleo, nacionalizado por Vargas. Tancredo Neves, aliado de Getúlio, deve estar puto nas calças com esse neto politicamente desastrado-alienado.

Lula-Dilma foi na linha de um misto Vargas-Tancredo-JK, aprofundando, em plena crise global(2007-2008), produzida pelo neoliberalismo do Consenso de Washington, o nacionalismo desenvolvimentista distributivista. Para tanto, jogou politicamente na linha desses mestres políticos gaúcho-mineiros. Vargas havia unido o PSD, os homens do capital nacional, com o PTB, os homens do trabalho. Capital-Trabalho em compromisso histórico, que os entreguistas da UDN, de Carlos Lacerda, aliado de Washington, buscaram, sempre, detonar.

O que fez Lula: uniu os trabalhadores aos peemdebistas, para ter poder no Congresso, a fim de sobrepor-se aos entreguistas do patrimonio público, no Parlamento, os tucanos, como foram os udenistas, no tempo de Getúlio e JK. Segunda barbeirada do Aecinho: nos treze pontos de crítica ao PT, não menciona o PMDB.

Tenta, com isso, fazer alguma graça aos peemedebistas, para atraí-los, rachando a aliança PT-PMDB. Mas, o mineirinho que deixa Minas envergonhada, danificando a imagem de JK, conseguiria, como eventual presidente da República, bancar a façanha que o PMDB, no comando do Congresso, está tentando promover, ou seja, incomodar os banqueiros, que dão sustentação ao barco furado tucano aecista?

O que fazem Renan e Henrique Eduardo Alves, comando peemedebista no parlamento, nesse instante? Resistem aos interesses dos aliados de Aécio, os banqueiros, que, no domínio do poder nacional, na era neoliberal, impuseram ao poder executivo ordem de vetar as decisões dos congressistas. Por que? Simples. Elas implicam em maiores gastos públicos com saúde, educação, transporte, infraestrutura.

Isso representaria, naturalmente, menos recursos públicos para pagar extorsivos juros da dívida pública interna, engordando os lucros dos agiotas. A nova ordem no Congresso sob o PMDB-PT é diminuir os recursos públicos destinados a produzir superavits primários(receitas menos despesas, exclusive pagtos de juros), para cumprir com exagerados serviços da dívida.

Resistem, portanto, os congressistas aos sacrifícios impostos pela bancocracia à sociedade. Será que Aécio esqueceu o mandamento de Tancredo segundo o qual não aceitaria, como presidente, pagar a dívida com a fome dos brasileiros? Lula e Dilma, certamente, estão seguindo, paulatinamente, esse mandamento tancredista-varguista, de reduzir o pagamento dos juros a fim de diminuir a fatia de recursos do orçamento aos banqueiros, capando o superativt primário.

Ainda hoje o Valor Econômico informa em matéria do repórter Ribamar Oliveira que serão destinados recursos dos depósitos compulsórios para gastar em infraestrutura e não mais para serem liberados aos bancos em forma de superavit primários sobreacumulados, como antes, neoliberalisticamente.

Eis mais um lance nacionalista distributivista do PT-PMDB que incomoda os banqueiros, os maiores aliados do mineirinho. “Ah, netinho…”, estaria dizendo Tancredo, hoje, em relação a esse produto político da tucanagem entreguista. Nos treze pontos que lista para condenar o PT, sem mencionar o PMDB, como se os dois partidos fossem estranhos, e não unha e carne, no momento político nacional, o netinho esconjurado de Tancredo não fala, em nenhum instante, que os descaminhos da economia decorrem da opção que os tucanos fizeram pelo superavit primário elevado, produtor da escassez de recursos públicos para sustentar a oferta satisfatória de saúde, educação, transporte, infraestrutura etc, enquanto serviu, apenas, para encher barriga da agiotagem bancocrática.

O baixo crescimento econômico atual tem correspondência direta com o entreguismo tucano que se tenta resgatar por intermédio de nacionalismo distributivista em plena crise global, quando os ricos tentam exportar suas bancarrotas para os outros, impondo-lhes dificuldades econômicas e desajustes macroeconômicos, como os enfrentados pelo governo Dilma. É o PMDB, sob Renan e Henrique, que comanda o ataque ao superavit primário, ao insistirem em votar os vetos que o Executivo impôs aos congressistas.

Não é contra o Governo Dilma que o PMDB, dominando o parlamento, atua, mas contra os banqueiros, que sustentam a caminhada política da tucanagem com Aécio à frente. O discurso de Aécio de lançamento de sua candidatura é o discurto de condenação a essa mesma candidatura. Bem que o competente economista político brizolista Paulo Timm alertou: “Aécio? Aquele marcado para perder, no sendeiro da Lei de Murphy?

Quando alguma coisa tem tudo para dar errado pode-se ter certeza de que vai dar errado. Aécio Murphy. Não vale a pena perder tempo com ele”. Seu discurso anti-juscelinista no Senado confirma a previsão de mestre Timm.

BURRICE II: TITE PROPÕE TROCAR TÍTULO CORINTIANO POR UMA VIDA.

Quarta feira geralmente é dia de assistir futebol com os amigos. Não importa qual jogo será e sim a reunião semanal para colocar a conversa em dia. No entanto, esta quarta, dia 20, depois de um dia exaustivo de 13 horas de trabalho, mal consegui colocar meu filho João para dormir e já estava fechando os olhos, às 20 horas.

Acordei atônito para ler as notícias do futebol, ato que realizo religiosamente todos os dias na internet. Infelizmente me deparei com duas notícias tristes, daquelas que carregamos durante dias na consciência e dificilmente conseguimos diluí-las, o acidente trágico envolvendo a torcida do Corinthians com morte de um menino boliviano de 14 anos e o infeliz comentário do técnico deste mesmo time.

Primeiramente vamos ao fato: durante o jogo entre o Corinthians x San José, na Bolívia, o bando de loucos imprudentes torcedores do time brasileiro, através de um artefato que se chama sinalizador, atingiram o rosto de um menino boliviano de apenas 14 anos, que não resistiu e faleceu no hospital. Em segundo lugar, após o jogo, na entrevista coletiva, o técnico Tite, do Corinthians, desabafou dizendo que trocaria o título mundial, conquistado em 2012, pela vida do garoto falecido.

Tal comparação me deixou indignado a ponto de sentar a frente do computador e relatar a minha indignação. Como se pode comparar uma taça de campeão com uma vida humana? Não pode. A lei de talião, contida no Código de Hamurabi, dizia ” olho por olho, dente por dente”, em analogia “vida por vida”. Mas, nunca, uma vida por um título. Esta foi uma comparação inapropriada do técnico Tite, que deve ter faltado às aulas de história durante seu período escolar.

Uma vida humana e, até animal, sempre será mais importante que qualquer conquista, sendo triste ver uma pessoa que representa uma torcida de 23 milhões de pessoas se expressar dessa maneira. Falo com toda propriedade: Tite, você perdeu a chance de ficar calado e apenas lamentar e orar por mais uma vida perdida nos campos de futebol.
Tite, retifique seu discurso e diga: “Trocaria minha vida pela vida do menino!

O Esporte Clube Corinthians não deve esperar uma decisão da Commebol sobre seu futuro na competição continental. Deve sim, se retirar em homenagem a essa criança que não tem culpa da ignorância, inconsciência e imprudência que faz parte não só desta torcida, mas de todas.

Desejo, como pai, muita força para a família desta criança.

Postado em 23/02/2013 ás 19:10

Dilma acelera nacionalismo cambial e industrial
DILMA SEGUE A LINHA DE EVO MORALES.
A presidenta Dilma Rousseff, de luto pela tragédia de Santa Maria, que abalou o mundo, prepara-se para aprofundar o nacionalismo econômico, utilizando as mesmas armas que os países ricos adotam para proteger suas riquezas e embalar suas economias. Usa o BNDES para preservar as reservas de aço brasileiras nas mãos dos brasileiros(parceria publico-privada) e joga o Banco Central para atuar dirigidamente no câmbio para combater a inflação e sustentar o desenvolvimento em busca de um PIB maior em 2013. Segue na linha de Getúlio Vargas em oposição ao que fez FHC, quando facilitou a desnacionalização do setor siderúrgico nacional sob pressão do Consenso de Washington. Certamente, o tiroteio anti-nacionalista capitaneado pela grande mídia, comprometida com o capital especulativo nacional e internacional, vai chiar brabo. Se Dilma, para essa tarefa, dispuser do apoio popular, que está tendo em relação à decisão que tomou de diminuir os preços da energia elétrica para os consumidores e empresários, fortalece, ainda mais, sua candidatura à presidência da República, colocando em palpos de aranha a candidatura oposicionista do tucano Aécio Neves, que tem como principal guru o entreguista FHC.
Está em marcha combinação nacionalista como estratégia desenvolvimentista do governo dilmista-lulista-petista para promover a produção e o consumo e ao mesmo tempo controlar a inflação.

Diante da decisão de reduzir os juros para o produtor e o consumidor, algo que vai se aprofundar ainda mais, no compasso da crise mundial que derrubou a especulação financeira global, o Governo Dilma Rousseff está concluindo, acertadamente, que as empresas brasileiras passarão a dispor de melhores condições para produzir, reduzindo custos, de modo que obterão, nessa marcha batida, maior capacidade competitiva no plano interno e externo, especialmente, se for levado em consideração que o Brasil dispõe de insumos naturais e base industrial capaz de potencializar a sua competição internacional.

Como a titular do Planalto promete, ainda, reduzir a carga tributária para os produtores de riqueza em geral, a exemplo do que ocorre com a diminuição das tarifas de energia para empresas e consumidores, elevando, simultaneamente, o poder de compra dos salários, os lucros dos empresários e o volume de investimento público, como resultado dessa nova dialética desenvolvimentista, ficou evidenciada a abertura maior para o governo atuar firme no combate à inflação pelo lado cambial, como fez o Banco Central, nessa segunda, feira, intervindo no mercado do dólar, valorizando o real frente à moeda americana.

Dirão os céticos que isso vai prejudicar as exportações e acelerar a desindustrialização.

Será?

Para atuar nesse sentido, Dilma tomou as precausões necessárias, em forma de diminuição do custo de produção, com expectativas de novas quedas de preços dos fatores fundamentais, como juros, impostos e câmbio.

A indústria nacional, com o dólar relativamente mais fraco, exportaria menos, se os juros estivessem nas alturas em que se encontravam, no início do ano passado.

A realidade mudou.

Com a desoneração dos custos de produção das empresas, mais a queda do custo do dinheiro, haveria maior fôlego empresarial para as indústrias suportarem um câmbio mais equilibrado, em nome do combate à alta dos preços.

Ou não?

Dilma vai adotando o mais puro pragmatismo econômico diante das circunstâncias em cena, no plano nacional e internacional, se lixando para as teorias econômicas neoliberais, construídas em laboratórios, no exterior da realidade objetiva, que fracassaram redondamente.

Ainda sobra para a equipe econômica a tarefa de arbitrar importações.

Pode favorecer um câmbio para a produção de insumos industriais e manter relativamente desfavorecido um câmbio para importação de mercadorias acabadas, ou adotar medidas administrativas em nome do interesse nacional.

Certamente, se os grandes industriais do mundo desenvolvido chiarem, como, certamente, chiarão, diante do nacionalismo econômico dilmista-lulista-petista em marcha, o governo brasileiro poderá adotar a mesma posição que a China adotou há vinte anos, ou seja, estimular grandes empresas internacionais de bens de capital a se instalarem no Brasil, criando para elas uma politica desenvolvimentista suficientemente atrativa, por que não?

O que está em cena é um jogo de flexibilidade.

O nacionalismo econômico brasileiro deixou de dizer amém aos grandes do mundo.

Está fixando o seu jogo, com a vantagem de dispor de cacife para isso, pois como disse no início do século XX o grande empresário Matarazzo – que criou quase 400 indústrias em território nacional: o Brasil é mais do que suficientemente rico para não depender do mercado internacional, visto que pode produzir tudo, basta querer.

O que aconteceu, ao longo da história do século passado, é que as elites que comandaram o Estado Nacional, salvo aquela dirigida politicamente por Getúlio Vargas, não quiseram seguir o conselho do grande empreendedor ítalo-americano, belamente biografado por Costa Couto, ex-ministro de Tancredo Neves e ex-governador do Distrito Federal.

Lula e Dilma retomaram, nos últimos dez anos de poder petista, a linha getulista de governar, com a vantagem de acelerar o fortalecimento do mercado interno, via melhor distribuição da renda nacional, algo que os neoliberais, teleguiando a grande mídia nacional, não engolem.

O outro lance nacionalista que vem ao ar, nessa terça feira, pelas páginas do Valor Econômico, é a disposição dilmista de ampliar a nacionalização da indústria siderúrgica, para fortalecer, por meio do BNDES, grupo nacional(Companhia Siderúrgica Nacional(CSN), em sua disposição de adquirir ações de sócio alemão multinacional(ThyssenKrupp Steel Americas – TKSA), com negócios no Brasil, nos Estados Unidos e em Portugal.

Como se sabe o mercado siderúrgico no Brasil está praticamente dominado pelas multinacionais, depois da Era neoliberal FHC.

A Usiminas está nas mãos de grupo ítalo-argentino/japonês(Techint) e a antiga CST-Acesita(Mittal, que comprou do grupo francês Acelor).

Esses grandes do aço estão de olho para abocanhar a CSN, comprando a parte da ThyssenKrupp Steel Américas.

Desejam que tudo seja dominado por elas no plano do mercado mundial siderúrgico.

O BNDES, por orienação nacionalista dilmista, está entrando em campo para comprar os 30% da ThyssenKrupp na CSN, por R$ 4 bilhões, jogando, portanto, água gelada nas pretensões oligopolistas dos grupos multinacionais do aço em território nacional.

Certo ou errado?

É mais um lance altamente político do Governo Dilma que vai levantar a ira da grande mídia anti-nacionalista, porta-voz das multis.

No momento em que Dilma vai à televisão para defender seu governo do que considera equívocos e má fé dos grupos que atacam suas decisões políticas voltadas ao interesse social, no caso da redução do preço da energia elétrica, produzindo, consequentemente, com tal ação sua imediata condição de candidata à presidência da República em 2014, mais esse lance político de grande impacto tende a colocar seu nome ainda mais em evidência.

Na prática, Dilma está dando uma de Evo Morales, quando o titular do poder boliviano nacionalizou empresas multinacionais atuando na Bolívia.

Postado em 30/01/2013 ás 17:59

[ Imprimir ]

[ Ver todas as publicações da coluna ]

Veja Também
» Oposição em perigo: desemprego pode desabar
» Dilma detonou agiota traficante jurista
» Sopro arrepiante de vida e morte no domingo
» Orfandade reacionária do herdeiro do Estadão
» Ulisses, liberal neorepublicano equivocado
» Burocracia vira arma da bancocracia para atrasar investimento e conter avanço do PIB
» Escravo da antiética do dinheiro
» Socialismo dobra burguesia financeira do G-8
» Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
» Vitória de Hollande fortalece Dilma
» JK manda construir a Brasília subterrânea
» CPI da agiotagem bancária, URGENTE!
» BRICs, nova moeda global
» Capitalismo estatal-social distancia do falido neoliberalismo e do irrealizado socialismo
» Coalizão presidencial entra em crise na gestão empresarial-neoliberal do capitalismo estatal
» Racismo sexual global
» Eike, candidato da Globo ao Planalto
» Crise abala economia de guerra capitalista
» Dilma – como Daniel – está na toca dos leões
» De bandida a heroína no JN
» Crise do euro acelera Estado Nacional Europeu
» Pré-sal leva PT a virar PSDB e acelerar desnacionalização industrial na Era Dilma
» Realidade em rítmo de ficção eletrizante
» Bancocracia substitui Democracia
» Dependência do Brasil
» Coalizão dilmista vira saco de gatos
» Oposição periga suicidar na crise global
» Dilma desarmou ou não golpe de direita?
» Real pode ir para o ralo
» Socialismo democrático, saída para Dilma
» FHC não suportou grande favor de Itamar
» Medo da revolução que impõe calote
» Dilma recua na política e avança na economia
» Sarney vira moda na Europa
» STF cria caos econômico federativo e acelera reforma tributária no Congresso Nacional
» Lula politiza Planalto despolitizado
» O poder corrompe absolutamente
» Obama joga Dilma contra Cristina
» Inflação alarma Dilma e anima Aécio
» Obama acelera privatização dilmista
» Tombini pode tombar economia
» Educação imoral produziu barbárie em Realengo
» Choque cambial contra juro e inflação à vista
» Economia sai do samba e cai na marchinha
» Revolução nega que salário gere inflação
» Democracia sucumbe-se à ditadura econômica
» Blá, blá, blá imperialista de Geithner
» Juventude acelera democracia direta
» Acordo espúrio PMDB-PSDB favorece Aécio
» Sindicalismo racha governo e atrai oposição
» Dilma torna BC independente… do mercado
» Mulheres garantiriam segundo mandato dilmista
» Ajuste fiscal...
» Nacionalismo dilmista segura Mantega no Governo
» Dólar forte vem aí para reeleger Obama, deixando pepino para quem suceder Lula
» É hora do Banco Sul-Americano
» Revolução ética nacional pressiona STF
» Fome industrial chinesa vira armadilha especulativa sob capitalismo de estado
» Sucessão põe social avalista do real
» Amorim entre Ahmadinejad e Sakineh
» Serra nega Serra
» Sucessão presidencial com emprego em alta
» Banqueiros dominam o Congresso
» Reserva cambial vira risco especulativo
» Serra avaliza Dilma ao elogiar Lula
» Metamorfose legislativa evita intervenção
» Crise detona independência do BC
» Dilma, ex-guerrilheira, incomoda militares
» Consumo reduz inflação e eleva poupança
» Copenhague expôs loucura capitalista alienada
» Brasil entra na dança de Dubai e do dólar
» FHC, candidato do PSDB contra Dilma
» Dólar bloqueia integração sul-americana
» Extroversão social-sexual pede paz e não guerra
» Zelaya veste Fidel, Ortega etc
» Privatização fracassa na educação
» Ópera bufa: Estadão versus Sarney
» China-EUA aplicam golpe do dólar podre para apossarem do petróleo sul-americano
» Moeda sul-americana:demorou
» Expropriação do quintal de Tio Sam
» Cadastro positivo é fetichismo legislativo
» Real desbanca dólar sob ataque especulativo
» Câncer combina razão e emoção na sucessão
» Bancarrota moral neorepublicana
» Mudança no BB é recado para Meirelles do BC
» Governo descarta comunidade
» Governo descarta comunidade
» Banqueiros manobram Obama e fragilizam dólar
» Estado usa inflação contra luta de classes
» Bolsa Família para aumentar arrecadação
» Coronelismo enterra Nova República
» CPI para PMDB corrupto que vira ARENA
» Moratória eleitoral antecipa sucessão
» Sapatada no Bradesco e na Febraban
» Desaceleração econômica detona Copom
» Crise neoliberal acirra mercado da fé
» Latinos ensaiam resistência aos EUA
» Globo investe contra soberania sul-americana
» O golpe do dólar a galope
» Campanha nacional: juro tabelado contra crise
» Obma: vitória do poder comunitário digital
» Show de incompetência sul-americana
» Lenin no comando do capitalismo em crise
» UNASUL desbanca OEA
» Democracia direta detona guerra civil na Bolívia
» Nasce moeda sul-americana
» Petróleo agita sucessão presidencial
» Produção da (des)informação fascista
[ Ver todas as publicações da coluna ]

Buscar Conteúdo
Colunistas

Fatal error: Cannot redeclare foto_existe() (previously declared in /home/patria/public_html/colunas.php:13) in /home/patria/public_html/lado_colunistas.php on line 13