Brasília - Sexta , 24 de Maio de 2013 Página Inicial | Indique aos amigos
Coluna de James Petras

Bombas de Boston
Detonador para mobilizar o aparelho de segurança dos EUA
– Podem mudar o mundo para o pior!

A relação entre os suspeitos bombistas da Maratona de Boston e o Federal Bureau of Investigation (FBI), a Polícia Estadual de Massachusetts (MSP) e a Polícia de Boston (BP) é um ponto de discórdia e de controvérsia.

O FBI, a princípio, afirmava nada saber sobre os suspeitos das bombas mas depois foi forçado a reconhecer que tinha recebido pelo menos dois relatórios de informações, um de funcionários russos e outro da CIA, identificando um dos suspeitos bombistas, Tamerlan Tsarnaev, como possível ameaça para a segurança – ligado a uma organização terrorista chechena.

O depoimento dos pais de Tsarnaev indica que o FBI se empenhou em seguir, importunar e interrogar o suspeito antes das bombas. Apesar das directivas gerais dos Departamentos americanos da Justiça e da Segurança Nacional, que impõem que a segurança dos EUA persiga agressivamente 'terroristas islâmicos', o FBI afirma não ter feito qualquer tentativa para verificar os alertas da segurança russa e da CIA, especialmente depois de Tamerlan Tsarnaev ter regressado do estado russo do Daguestão no ano passado onde alegadamente se encontrou seis vezes com um conhecido terrorista checheno, Gadzhimurad Dolgatov, numa mesquita fundamentalista salafita.

As versões oficiais do governo e dos principais meios de comunicação afirmam que o FBI pode ter 'minimizado' o risco de segurança apresentado por Tsarnaev. Os críticos do Congresso argumentam que o FBI foi 'negligente' por não seguir as pistas fornecidas pelos russos e pela CIA. Uma explicação mais provável é que o FBI estivesse ativamente envolvido com Tsarnaev e tenha encorajado deliberadamente a conspiração com o fim de daí tirar proveito.

A hipótese mais simples é de que o FBI estava a usar Tsarnaev como um meio para se infiltrar e assegurar informações sobre outros possíveis 'terroristas'. Uma hipótese plausível é de que o gabinete do FBI de Boston tivesse montado uma operação com os dois irmãos a fim de reforçar as suas credenciais anti-terroristas – e que a 'operação' tenha fugido ao seu controlo – dado Tamarlan ter o seu próprio programa. A hipótese mais provável é de que o FBI facilitou as bombas a fim de avivar o destino enfraquecido da 'guerra contra o terrorismo' impingida a um público americano cansado da guerra e economicamente deprimido.

O FBI em Boston tem uma longa e conhecida história de trabalhar com certos líderes do crime organizado e de os proteger, em troca de informações sobre rivais escolhidos: O exemplo mais conhecido é a 'parceria' de 20 anos do FBI com um dos assassinos chefes de gang mais temidos de Boston, James 'Whitey' Bulger, em que o gangster gozava de proteção e de colaboração em troca das suas informações sobre uma família criminosa rival e sobre outros rivais. Em 2012, Bulger acabou por ser condenado por 19 assassínios, na sua maioria praticados sob a 'proteção' do FBI – embora um dos seus parceiros mais chegados afirme que ele assassinou 40 pessoas durante toda a vida.

As 'Bombas de Boston' serviram como detonador para mobilizar todo o aparelho de segurança dos EUA; levaram à suspensão das garantias constitucionais. Foram acompanhadas por uma intensa campanha de meios de comunicação que glorificaram as operações do estado policial e pela imposição de uma autêntica lei marcial na área metropolitana de Boston com mais de 4,5 milhões de habitantes. A operação militar policial e a campanha dos meios de comunicação desencadearam o medo e o terror entre o público. O psicodrama instantâneo produziu a adoração das massas pelos 'heroicos' polícias: foram retratados como tendo salvo o público de um número desconhecido de terroristas armados escondidos nos seus bairros.

A polícia, o FBI e todo o aparelho de segurança – foram 'homenageados' em espetáculos públicos, desportos e festas cívicas, elogiados como 'guardiões' e 'salvadores'. O papel sórdido do FBI na organização de operações armadilhadas nem sequer foi referido. As centenas de milhares de milhões desperdiçadas em fúteis 'guerras contra o terrorismo' esvaíram-se pelo buraco da memória. A oposição aos cortes de Washington nos programas sociais foi desviada quase de um dia para o outro para o apoio a um novo financiamento para a intervenção militar dos EUA na Síria e na Coreia do Norte, para um maior reforço de armamento em Israel e para a segurança interna.

As 'Bombas de Boston' coincidiram com a altura em que a Casa Branca impõe uma nova ronda de medidas estatais da polícia interna e o lançamento duma série de movimentos militares agressivos na Ásia, no Médio Oriente e na América latina. O Pentágono organizou os seus maiores e mais ameaçadores exercícios militares por ar, por mar e por terra mesmo junto às fronteiras da Coreia do Norte. A Casa Branca encorajou e fomentou a posição militar beligerante do Japão contra a China em relação às disputadas ilhas no Mar da China meridional. O secretário de Estado Kerry reforçou a ajuda militar aos terroristas sírios em pelo menos 130 milhões de dólares e enviou centenas de Forças Especiais para a Jordânia para treinar os mercenários jihadi contra o governo sírio. A Casa Branca engendrou acusações de que Damasco utilizou armas químicas contra os rebeldes, para justificar a intervenção militar direta dos EUA na Síria. Mais perto de casa, a Casa Branca deu apoio incondicional à violenta campanha pós-eleitoral da oposição venezuelana, destinada a provocar uma guerra civil – ao mesmo tempo que se recusou a reconhecer a vitória eleitoral certificada
internacionalmente do Presidente Maduro.

É muito claro que o regime de Obama deseja atrasar o relógio uma década para recriar o terrível clima político de 2001-2002. Procura fabricar a sensação de uma iminente ameaça terrorista baseada nas 'Bombas de Boston' a fim de relançar outra campanha militar global. Em vez do Iraque – a 'ameaça' agora é a Síria, o Irão e o Líbano. Atualmente, a ameaça é a Coreia do Norte – amanhã poderá ser a China. Hoje é a Venezuela – a seguir poderá ser a Argentina, a Bolívia e o Equador… e todo o edifício da integração regional latino-americana.

As baixas e mortes civis resultantes das 'Bombas de Boston', ligadas ao apoio e proteção dos EUA aos terroristas chechenos, são um preço baixo para Washington pagar se resultar na escalada de guerras globais e numa maior impunidade para o Estado Policial Nacional.

A maior prioridade é relançar uma nova e mais virulenta versão da construção do império global militarizado. Os países visados têm um significado global: a Venezuela e o Irão são gigantescos produtores de petróleo, a espinha dorsal da OPEP e adversários de Israel. A China é a segunda maior economia do mundo e o principal rival ao domínio económico dos EUA. Amedrontar e confundir milhões de americanos influenciáveis é uma forma de enfraquecer o principal obstáculo interno para cortes maiores e mais abrangentes aos programas sociais a fim de financiar as guerras globais.

Na verdade, as "'Bombas de Boston' têm maiores consequências políticas e económicas; criam as condições para uma nova ronda de guerras no exterior e mudanças regressivas (e repressivas) internamente.

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Postado em 13/05/2013 ás 16:10

As crises religiosas e sociais e suas consequências políticas
A longa década de abertura do século XXI (2000-2012) tem sido um período de repetidas e profundas crises económicas e sociais, de guerras em série e prolongadas e de queda dos níveis de vida para a grande maioria dos americanos. Como é que as pessoas reagiram a estas crises?

Não surgiu nenhum movimento em grande escala, de longa duração, para desafiar as classes dominantes bipartidárias. Durante um breve momento, o movimento "Occupy Wall Street" proporcionou uma plataforma para denunciar os 1% super-ricos mas depois desapareceu da memória.

Coloca-se a questão de se, no meio de prolongados tempos difíceis, as pessoas se viram para a religião como solução, como uma saída para a piedade espiritual. A questão que este artigo aborda é se a religião se tornou no 'ópio do povo' como Karl Marx sugeriu ou se as crenças e instituições religiosas também estão em crise, perdendo a sua atração espiritual perante a sua incapacidade de resolver as necessidades materiais quotidianas de uma legião crescente de trabalhadores empobrecidos, mal pagos, desempregados e eventuais e de uma classe média que se vai afundando. Por outras palavras, as principais religiões estão a crescer e a prosperar na nossa época de crise económica permanente e de guerras perpétuas ou estão num caminho descendente e partilham do declínio do Império dos EUA?

Segundo os últimos dados de 2008, [nos EUA] o maior grupo religioso é o cristianismo com 173,402 milhões de membros representando 76% da população adulta, seguido pelo judaísmo com 2,680 milhões representando 1,2% da população adulta; seguidos pelas religiões orientais com 1,961 milhões e representando 0,9% de muçulmanos, em que 1,349 milhões representam 0,6% de adultos. O segundo grupo mais populoso depois dos cristãos é o dos adultos que afirmam 'não terem religião', 34,169 milhões, ou seja, 15%.

As tendências dinâmicas ao longo do tempo mostram uma percentagem decrescente de adultos que são cristãos: entre 1990-2008 caíram de 86,2% para 76%: os judeus desceram de 1,8% da população adulta em 1990 para 1,2% em 2008 e as religiões orientais estão a aumentar de 0,4% da população adulta para 0,97% da população. Do mesmo modo, a percentagem de muçulmanos na população adulta aumentou de 0,3% em 1990 para 0,6% em 2008. A percentagem de população adulta não religiosa aumentou de 8,2% em 1990 para 15% em 2008.

Enquanto os praticantes do cristianismo e do judaísmo, em percentagem da população adulta, diminuíram, há uma profunda divergência em termos de mudança numérica; entre 1990 e 2008 o número de cristãos aumentou 2,218 milhões enquanto o número de judeus diminuiu 457 mil. O judaísmo é a única das religiões, mais importantes ou menos importantes, a diminuir em número absoluto.

O número conjunto de afiliados religiosos orientais e muçulmanos, ultrapassa agora o judaísmo em 630 mil crentes, cerca de 30%. Os judeus representam hoje apenas 1,2% da população adulta dos EUA em comparação com 1,5% de muçulmanos, budistas e hindus. O fosso entre adultos cristãos e não-religiosos nos EUA diminuiu nos últimos 20 anos: de 86,2% e 8,2% em 1990, para 76% e 15% em 2008. Entre os cristãos o maior declínio está entre as 'principais igrejas protestantes' (os metodistas, os luteranos, os presbiterianos, os episcopalianos/anglicanos e a Igreja Unida de Cristo) de 32,8 milhões em 1998 para 29,4 milhões em 2008; e entre "protestantes não especificados", de 17 milhões para 5,2 milhões. Os maiores aumentos são entre "cristãos não confessionais" passando de 194 mil para 8,03 milhões de crentes entre 1990-2008, entre cristãos não especificados de 8,2 milhões para 16,4 milhões e entre pentecostais de 5,7 milhões em 1990 para 7,9 milhões em 2008. Católicos e baptistas aumentaram de número mas praticamente mantêm a sua percentagem da população adulta.

Análise das tendências religiosas no contexto político-econômico

Contrariamente à maior parte dos observadores e analistas, a crise económica não levou a um ressurgimento da afiliação ou identificação religiosa – a procura de 'consolo espiritual' numa época de desespero económico. As principais igrejas e sinagogas não atraem, nem sequer mantêm, membros porque pouco lhes têm a oferecer como soluções materiais numa época de necessidade (penhoras por hipotecas, falências, desemprego, perda de poupanças, de pensões ou de acções). Contrariamente a alguns analistas, nem mesmo as igrejas mais sobrenaturais, mais apocalípticas, a de Pentecostes, a Carismática, a do Novo Nascimento, embora aumentando o seu número, conseguiram atrair uma percentagem maior da população adulta nos últimos 20 anos; em 1990 tinham 3,5% de adultos e em 2008, 4,4%, um aumento de 0,9%.

A década de crises tem tido diversos impactos importantes – enfraqueceu fortemente a identidade religiosa, qualquer que seja a sua denominação específica, aumentou a incerteza religiosa e aumentou fortemente o número e a percentagem de americanos adultos que deixaram de ser religiosos. Entre 1998 e 2008, a percentagem de adultos de ambas as categorias duplicou de 10,5% para 20,2%; os números aumentaram de 18,34 milhões para 46 milhões. Segundo parece, a maior parte dos 'não-religiosos' provém da maioria de cristãos e de judeus.

O aumento de adultos não religiosos entre 1990-2008 não pode ser relacionado com uma maior educação, urbanização e exposição ao pensamento racionalista que se manteve mais ou menos o mesmo durante as duas décadas. O que mudou é o descontentamento crescente em relação aos rendimentos decrescentes dos trabalhadores assalariados, os grandes aumentos de desigualdade, as guerras perpétuas e o descrédito público das principais instituições políticas e económicas – o Congresso é encarado negativamente por 78% dos americanos, tal como os bancos, em especial a Wall Street. As instituições religiosas e a fé religiosa são crescentemente encaradas no mínimo como irrelevantes, mas também como cúmplices na decadência dos níveis de vida e das condições de trabalho nos EUA. Apesar do aumento acentuado de americanos 'não religiosos', cerca de 75% continuam a afirmar-se como crentes de uma qualquer versão de cristianismo.

A crise no judaísmo é muito mais grave do que a das 'principais' igrejas cristãs. Nos últimos 20 anos o número de judeus adultos diminuiu em 15%, mais de 450 mil antigos judeus deixaram de se identificar como tal. Algumas das causas político-económicas para a fuga do judaísmo podem ser idênticas às dos cristãos. Outras podem ser mais específicas dos judeus: mais de 50% de judeus casam-se fora da sinagoga com não judeus, causa e consequência da "defecção'. Há quem se converta a outras religiões – orientais ou cristãs. Alguns rabis judeus e ideologias neo-conservadores, clamam contra a ameaça de 'assimilação' que comparam a um 'genocídio'. Muito provavelmente, a maior parte de antigos judeus tornaram-se 'não-judeus' ou seculares e as razões para isso podem variar. Para uns, as histórias sangrentas do Antigo Testamento e as regras talmúdicas não se encaixam no pensamento racional moderno. Considerações políticas também podem contribuir para o profundo declínio na identidade dos judeus: os elos cada vez mais fortes e a identidade de Israel com as instituições religiosas judaicas, a bandeira de Israel anunciando um apoio incondicional aos crimes de guerra israelenses, afastaram muitos antigos paroquianos que se retiram discretamente em vez de se envolverem numa luta pessoal, com custos espirituais, contra o formidável aparelho pro-Israel inserido nas redes religiosas-sionistas interligadas.


Conclusão

As crises religiosas, o declínio na crença e na afiliação institucional, estão intimamente ligadas com a decadência moral nas instituições públicas dos EUA e o súbito declínio dos níveis de vida. Entre os cristãos, o declínio é crescente mas regular; entre os judeus é mais profundo e mais rápido. Não se perfila no horizonte nenhuma 'alternativa religiosa'. Os grupos cristãos mais fundamentalistas reagiram tornando-se mais envolvidos politicamente em movimentos extremistas como o Tea Party, demonizando as despesas públicas para melhorar as desigualdades sociais, ou aderiram a movimentos islamofóbicos pró-Israel – aumentando assim o número do afastamento de ex-judeus!

A população adulta secular ou não-religiosa ainda tem que organizar e articular um programa em contraste com os fundamentalistas, talvez porque sejam uma categoria social muito díspar – em termos de interesses socioeconómicos e de classe. 'Não religioso' diz-nos muito pouco quanto à alternativa. A percentagem em redução de crentes religiosos pode ter diversos resultados: nalguns casos pode levar ao endurecimento da doutrina e das estruturas organizativas, 'para manter em linha os fiéis'. Noutros levou a uma maior politização, na sua maioria na extrema-direita. Entre os cristãos significa insistir nas leituras literais da Bíblia e no anti-evolucionismo; entre os judeus, os números em redução estão a intensificar as fidelidades tribais e uma angariação de fundos mais agressiva, o aumento da pressão e do apoio incondicional a um "Estado Judeu", purgado de palestinos, e com uma punitiva caça à bruxas contra os críticos de Israel e do sionismo.

O que é necessário é um movimento que ligue a crescente massa de pessoas racionais não religiosas à grande maioria dos trabalhadores assalariados que estão a sofrer a deterioração do nível de vida e dos crescentes custos (materiais e espirituais) das guerras imperialistas. Alguns indivíduos e até confissões religiosas sentir-se-ão atraídos por esse movimento, outros atacá-lo-ão por razões sectárias e políticas. Mas, assim como a moral não-religiosa liga as crises individuais e políticas à acção social, também a comunidade politica cria as bases para uma nova sociedade construída sobre necessidades seculares e ética pública.

O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/?p=1925 . Tradução de Margarida Ferreira.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info

Postado em 28/12/2012 ás 08:44

Crime financeiro no "Paraíso dos Parasitas" de Londres, ou o melhor santuário que o dinheiro pode comprar
Sempre que os especuladores financeiros prosperam à custa dos investidores, ou um banco joga com as taxas de juro para lixar os seus competidores, ou os que fogem aos impostos, fogem de crises fiscais, ou monarquias petrolíferas que extorquem rendas reciclam lucros, ou oligarcas saqueiam economias e desviam milhões para o álcool, a droga e a miséria, encontram um santuário seguro adequado em Londres.

São aliciados e perseguidos por grandes agentes ansiosos por lhes vender propriedades de muitos milhões de dólares, propriedades troféu e mansões de prestígio.

Académicos britânicos, pomposos e pretensiosos convencem-nos a enviar a sua prole para escolas privadas de seis dígitos, prometendo-lhes que, quando se licenciarem, estarão a falar inglês pelas cavidades nasais, a rolar os r's e a dominar a arte da oratória, eloquente mas oca. Os governos britânicos, Laborais, Liberais e Conservadores, segundo as melhores e mais hipócritas tradições legais, afeiçoam os buracos legais para atrair os maiores e mais ricos parasitas do mundo.

Uma onda de crime varre a City de Londres

Uma verdadeira onda de crime [1] invadiu a City de Londres, onde os milionários banqueiros de investimento cozinham os livros para clientes multimilionários e vigarizam o Tesouro para pagar as multas deles e iludir a Lei. Os cursos sobre ética empresarial são obrigatórios em Oxford e Cambridge desde que se tornou vulgar o procedimento operacional dos mega-especuladores considerarem-se culpados, pagarem uma multa e evitarem a cadeia e prometerem solenemente nunca, nunca mais, violar a lei… até ao mega-negócio seguinte.

Londres tornou-se o centro do capital financeiro global envolvendo-se em colaboração activa de grande escala a longo prazo com cartéis de muitos milhares de milhões de libras de drogas, armamento, contrabando de pessoas e escravatura sexual. Os britânicos especializaram-se em lavagem de fundos dos narco-reis mexicanos, colombianos, peruanos, russos, polacos, checos e nigerianos. Os traficantes albaneses de escravos brancos têm os seus 'banqueiros privados' em prestigiados bancos da City com preferência por licenciados da Escola de Economia de Londres. Cleptocratas gregos bilingues, fulanos que fogem aos impostos num total de milhares de milhões de dólares, e que fogem da sua pátria saqueada, têm os seus correctores de imobiliário preferidos, que nunca se envolvem em qualquer tipo de 'devida diligência' iníqua que possa descobrir declarações de impostos mal feitas. Os Boys da City com uma iniciativa apaixonada e positiva, com a ajuda e a cumplicidade da política de porta aberta do hipercinético "Tony" Blair para os especuladores e santos de todas as cores e credos, receberam de bom grado todos os democratas-oligarcas-gangsters russos, principalmente aqueles que pagavam em dinheiro as propriedades de prestígio da 'Velha Inglaterra'.

O Santuário de Londres para os saqueadores e parasitas mais ricos do mundo oferece serviços sem precedentes, em especial protecção contra extradição e impunidade no local dos seus crimes. Funcionários britânicos imparciais, legais e judiciais, são especialistas em citar precedentes constitucionais que, em estrito respeito pela ordem legal instituída, defendem a negação de extradição, negando os sistemas jurídicos legais e de justiça de todos os países saqueados e o clamor de justiça dos irlandeses, russos, gregos e espanhóis empobrecidos.

Uma indignação real e fingida entre os extremamente moralistas Boys da City e sorrisos cínicos entre os parceiros experientes de topo, saúdam as vítimas desordeiras dos seus convidados multimilionários. As massas indisciplinadas exigem que os bancos credores britânicos assumam os pagamentos das dívidas das contas dos especuladores que receberam os empréstimos, passaram a sua dívida para o erário público e reciclaram os seus ganhos ilícitos nas suas contas britânicas.

Quando os especuladores aventureiros, vestidos à Saville, cruzam as espadas com os seus homólogos (como aconteceu quando o venerando e respeitável Barclays Bank fixou o Libor para lucrar com os diferenciais das taxas de juro, à custa dos outros bancos, e todos os banqueiros concordaram que a solução era pagar uma multa de 290 milhões de libras), reconhecem o crime e tentam salvar um sistema que "apenas" devia defraudar o erário público, os investidores a retalho e os 'não influentes no mercado'. O "crime" do Barclay foi, obviamente, envenenar o pote em que prosperam os seus pares e parceiros.

Os Boys do Barclay de ambos os sexos, ultrajados pelo dedo indecente apontado para os outros Boys da City, levantaram uma questão que ninguém pode negar: não estavam sozinhos. O HSBC, o Standard Charter, o Royal Bank of Scotland, o Lloyds de Londres e muitos outros banqueiros de activos iguais ou menores por todo o Atlântico, estavam envolvidos em empreendimentos pouco éticos semelhantes (diria mesmo, criminosos) ou, pelo menos, empreendimentos questionáveis. Também pagaram multas e foram devidamente castigados. Os funcionários de topo mais velhos e mais experientes da City enviaram memorandos internos para os seus imprudentes subalternos PR [Public Relations] para que parassem com aquela indecorosa lavagem de roupa suja em público; denúncias mútuas criaram a falsa imagem de que havia uma onda de crime a passar pelas suites da City de Londres.

Infelizmente, o sistema legal britânico não protege apenas os especuladores multimilionários do ultramar, também é acomodatício, extremamente vingativo e com a espinha dobrada quando se trata de pedidos de extradição do seu "Parceiro Especial" de Washington. Que apareça uma figura religiosa islâmica ou um denunciante australiano (Assange) e, a toda a pressa, com os papéis de extradição na mão, os "cachorrinhos" estão prontos para arrombar as portas de embaixadas para facilitar o seu cumprimento.

Londres: O Paraíso para Parasitas

A crise económica global é uma bênção para as empresas imobiliárias de alta gama, quando milionários e multimilionários do ultramar, fulanos que fogem aos impostos, assaltantes políticos do erário público, abandonam as economias saqueadas e despejam milhares de milhões em mansões e prédios de apartamentos. Senhorios monárquicos super-ricos dos estados déspotas do Golfo juntam-se a especuladores de produtos básicos e aos novos chineses ricos, proprietários de oficinas de exploração desenfreada para licitarem propriedades com códigos postais prestigiados em Belgravia (Ebury Street, Eton Place, e Eton Square) Knightbridge, Mayfair (Park Street). Corpulentos oligarcas russos e a piedosa realeza saudita refastelam-se em mansões na província em Hertfordshire, Herefordshire e Cheshire, com vista para os elegantes jardins ingleses e deliciam-se com o ronronar e as carícias dos seus cortesãos britânicos muito sofisticados, num ou noutro das suas duas dúzias de quartos. A tolerância do governo britânico e a atitude de abertura para com os oligarcas gangsters russos e albaneses, cujo acesso sangrento à riqueza rivaliza com qualquer padrinho siciliano, lubrificam as rodas para a escalada do que o Financial Times opta por chamar de 'indústria' do imobiliário, financiada pela 'comunidade' financeira e alinhada com os 'investidores' dos seguros.

Os predadores internacionais tomam o chá da tarde às 4 horas, o sherry às 6:30 da tarde. São entretidos pelos mexericos da Corte de Sua Majestade e pela Celebração do Aniversário da Rainha e dedicam-se à vida desportiva (equipas de futebol mais do que polo a cavalo). Cultivam o gosto pela cultura. Acompanhados por especialistas de Oxbridge compram artigos de "colecção" – pinturas no Ordovas em Saville Row, no Richard Nagy em Old Bond Street, no Frank Auerbach em Malborough, esculturas no Jean & Luc Baroni em St. James e vão a joalharias à procura de um Vacheron Constatin.

Os oligarcas do petróleo do Golfo, que extorquem rendas exorbitantes de energia aos países pobres africanos e asiáticos e os multimilionários chineses e indianos que exploram centenas de milhões de operárias asiáticas e negam aos imigrantes o direito de residência, de descanso e de seguro de saúde, gastaram 9 mil milhões de libras (14,4 mil milhões de dólares) em casas no centro de Londres em 2010-2011 [2] . Entre 2011 e meados de 2012, 60 por cento dos compradores no valorizado mercado do centro de Londres foram milionários e multimilionários estrangeiros [2] .

O regime de Cameron-Clegg exige sacrifícios, austeridade e o apertar do cinto na Grécia, condenando milhões à miséria, ao suicídio e à desolação, enquanto encoraja os 1% do topo dos cleptocratas gregos a "investir" e a residir nos refinados bairros do centro de Londres. Segundo o FMI há 56 mil plutocratas gregos que fogem aos impostos [3] . De acordo com um estudo americano sobre os seus rendimentos anuais, não são declarados 28 mil milhões de euros (36 mil milhões de dólares americanos) [3] . A maior parte dos quais é depositada em bancos de Londres ou "investido" em propriedades de luxo em Mayfair, Belgravia ou lá perto. Se as contas ilegais fossem sujeitas a imposto ou, melhor ainda, para pagar a dívida externa, isso obedeceria à lei grega, reduziria o défice e os cortes sociais e talvez vivificasse a economia. Mas respeitar as leis gregas significaria menos comissões para os magnatas do imobiliário em Savells, Marsh and Parsons, Knight Frank; menos contas privadas para o HSBC e para o Barclay's; menos vendas nas galerias de arte sofisticadas; menos utilizadores para as agências de 'acompanhamento' de ambos os sexos.

O crime compensa. O FIRE [4] rejubila. Os hospitais públicos encerram. As propinas sobem. As clínicas e escolas privadas dirigidas para os oligarcas do ultramar e para os seus parceiros britânicos florescem. Onde estão "as crises"? Não se encontram no centro de Londres, nem na City; nem no sistema legal; nem nas Forças Especiais. Os especuladores da banca florescem. A litigação judicial entre oligarcas compensa. As guerras sujas mercenárias no Afeganistão, na Líbia, na Síria e noutros locais fornecem contratos lucrativos ao coronel Blimps reformado – segundo as melhores tradições do império.

As crises? Isso é para a outra Inglaterra do lado de fora da City, que tem os códigos postais errados. Para os trabalhadores que se apinham em salas de urgências, para os pobres que aguardam o despejo do que outrora eram habitações sociais e para que aqueles que estudam e trabalham só possam antever dívidas e empregos sem saída.

Deus abençoe e amaldiçoe Londres, o Paraíso dos Parasitas!

11/Outubro/2012
Notas
1. Fight Racism! Fight Imperialism (October-November 2012) p. 1, 3.
2. Financial Times, "Global Prosperity Insight", Oct. 3, 2012, p. 5.
3. Financial Times, Oct. 6, 7, 2012, p. 4.
4. FIRE, sigla para a troika parasita Finance, Insurance and Real Estate (Finanças, Seguros e Imobiliário)

O original encontra-se em: www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira.

Postado em 27/10/2012 ás 13:17

Crime financeiro no "Paraíso dos Parasitas" de Londres, ou o melhor santuário que o dinheiro pode comprar
Sempre que os especuladores financeiros prosperam à custa dos investidores, ou um banco joga com as taxas de juro para lixar os seus competidores, ou os que fogem aos impostos, fogem de crises fiscais, ou monarquias petrolíferas que extorquem rendas reciclam lucros, ou oligarcas saqueiam economias e desviam milhões para o álcool, a droga e a miséria, encontram um santuário seguro adequado em Londres. São aliciados e perseguidos por grandes agentes ansiosos por lhes vender propriedades de muitos milhões de dólares, propriedades troféu e mansões de prestígio.

Académicos britânicos, pomposos e pretensiosos convencem-nos a enviar a sua prole para escolas privadas de seis dígitos, prometendo-lhes que, quando se licenciarem, estarão a falar inglês pelas cavidades nasais, a rolar os r's e a dominar a arte da oratória, eloquente mas oca. Os governos britânicos, Laborais, Liberais e Conservadores, segundo as melhores e mais hipócritas tradições legais, afeiçoam os buracos legais para atrair os maiores e mais ricos parasitas do mundo.

Uma verdadeira onda de crime [1] invadiu a City de Londres, onde os milionários banqueiros de investimento cozinham os livros para clientes multimilionários e vigarizam o Tesouro para pagar as multas deles e iludir a Lei. Os cursos sobre ética empresarial são obrigatórios em Oxford e Cambridge desde que se tornou vulgar o procedimento operacional dos mega-especuladores considerarem-se culpados, pagarem uma multa e evitarem a cadeia e prometerem solenemente nunca, nunca mais, violar a lei… até ao mega-negócio seguinte.

Londres tornou-se o centro do capital financeiro global envolvendo-se em colaboração activa de grande escala a longo prazo com cartéis de muitos milhares de milhões de libras de drogas, armamento, contrabando de pessoas e escravatura sexual. Os britânicos especializaram-se em lavagem de fundos dos narco-reis mexicanos, colombianos, peruanos, russos, polacos, checos e nigerianos. Os traficantes albaneses de escravos brancos têm os seus 'banqueiros privados' em prestigiados bancos da City com preferência por licenciados da Escola de Economia de Londres. Cleptocratas gregos bilingues, fulanos que fogem aos impostos num total de milhares de milhões de dólares, e que fogem da sua pátria saqueada, têm os seus corretores de imobiliário preferidos, que nunca se envolvem em qualquer tipo de 'devida diligência' iníqua que possa descobrir declarações de impostos mal feitas. Os Boys da City com uma iniciativa apaixonada e positiva, com a ajuda e a cumplicidade da política de porta aberta do hipercinético "Tony" Blair para os especuladores e santos de todas as cores e credos, receberam de bom grado todos os democratas-oligarcas-gangsters russos, principalmente aqueles que pagavam em dinheiro as propriedades de prestígio da 'Velha Inglaterra'.

O Santuário de Londres para os saqueadores e parasitas mais ricos do mundo oferece serviços sem precedentes, em especial proteção contra extradição e impunidade no local dos seus crimes. Funcionários britânicos imparciais, legais e judiciais, são especialistas em citar precedentes constitucionais que, em estrito respeito pela ordem legal instituída, defendem a negação de extradição, negando os sistemas jurídicos legais e de justiça de todos os países saqueados e o clamor de justiça dos irlandeses, russos, gregos e espanhóis empobrecidos.

Uma indignação real e fingida entre os extremamente moralistas Boys da City e sorrisos cínicos entre os parceiros experientes de topo, saúdam as vítimas desordeiras dos seus convidados multimilionários. As massas indisciplinadas exigem que os bancos credores britânicos assumam os pagamentos das dívidas das contas dos especuladores que receberam os empréstimos, passaram a sua dívida para o erário público e reciclaram os seus ganhos ilícitos nas suas contas britânicas.

Quando os especuladores aventureiros, vestidos à Saville, cruzam as espadas com os seus homólogos (como aconteceu quando o venerando e respeitável Barclays Bank fixou o Libor para lucrar com os diferenciais das taxas de juro, à custa dos outros bancos, e todos os banqueiros concordaram que a solução era pagar uma multa de 290 milhões de libras), reconhecem o crime e tentam salvar um sistema que "apenas" devia defraudar o erário público, os investidores a retalho e os 'não influentes no mercado'. O "crime" do Barclay foi, obviamente, envenenar o pote em que prosperam os seus pares e parceiros.

Os Boys do Barclay de ambos os sexos, ultrajados pelo dedo indecente apontado para os outros Boys da City, levantaram uma questão que ninguém pode negar: não estavam sozinhos. O HSBC, o Standard Charter, o Royal Bank of Scotland, o Lloyds de Londres e muitos outros banqueiros de tivos iguais ou menores por todo o Atlântico, estavam envolvidos em empreendimentos pouco éticos semelhantes (diria mesmo, criminosos) ou, pelo menos, empreendimentos questionáveis. Também pagaram multas e foram devidamente castigados. Os funcionários de topo mais velhos e mais experientes da City enviaram memorandos internos para os seus imprudentes subalternos PR [Public Relations] para que parassem com aquela indecorosa lavagem de roupa suja em público; denúncias mútuas criaram a falsa imagem de que havia uma onda de crime a passar pelas suites da City de Londres.

Infelizmente, o sistema legal britânico não protege apenas os especuladores multimilionários do ultramar, também é acomodatício, extremamente vingativo e com a espinha dobrada quando se trata de pedidos de extradição do seu "Parceiro Especial" de Washington. Que apareça uma figura religiosa islâmica ou um denunciante australiano (Assange) e, a toda a pressa, com os papéis de extradição na mão, os "cachorrinhos" estão prontos para arrombar as portas de embaixadas para facilitar o seu cumprimento.



Londres: O Paraíso para Parasitas

A crise económica global é uma bênção para as empresas imobiliárias de alta gama, quando milionários e multimilionários do ultramar, fulanos que fogem aos impostos, assaltantes políticos do erário público, abandonam as economias saqueadas e despejam milhares de milhões em mansões e prédios de apartamentos. Senhorios monárquicos super-ricos dos estados déspotas do Golfo juntam-se a especuladores de produtos básicos e aos novos chineses ricos, proprietários de oficinas de exploração desenfreada para licitarem propriedades com códigos postais prestigiados em Belgravia (Ebury Street, Eton Place, e Eton Square) Knightbridge, Mayfair (Park Street). Corpulentos oligarcas russos e a piedosa realeza saudita refastelam-se em mansões na província em Hertfordshire, Herefordshire e Cheshire, com vista para os elegantes jardins ingleses e deliciam-se com o ronronar e as carícias dos seus cortesãos britânicos muito sofisticados, num ou noutro das suas duas dúzias de quartos. A tolerância do governo britânico e a atitude de abertura para com os oligarcas gangsters russos e albaneses, cujo acesso sangrento à riqueza rivaliza com qualquer padrinho siciliano, lubrificam as rodas para a escalada do que o Financial Times opta por chamar de 'indústria' do imobiliário, financiada pela 'comunidade' financeira e alinhada com os 'investidores' dos seguros.

Os predadores internacionais tomam o chá da tarde às 4 horas, o sherry às 6:30 da tarde. São entretidos pelos mexericos da Corte de Sua Majestade e pela Celebração do Aniversário da Rainha e dedicam-se à vida desportiva (equipas de futebol mais do que polo a cavalo). Cultivam o gosto pela cultura. Acompanhados por especialistas de Oxbridge compram artigos de "coleção" – pinturas no Ordovas em Saville Row, no Richard Nagy em Old Bond Street, no Frank Auerbach em Malborough, esculturas no Jean & Luc Baroni em St. James e vão a joalharias à procura de um Vacheron Constatin.

Os oligarcas do petróleo do Golfo, que extorquem rendas exorbitantes de energia aos países pobres africanos e asiáticos e os multimilionários chineses e indianos que exploram centenas de milhões de operárias asiáticas e negam aos imigrantes o direito de residência, de descanso e de seguro de saúde, gastaram 9 mil milhões de libras (14,4 mil milhões de dólares) em casas no centro de Londres em 2010-2011 [2] . Entre 2011 e meados de 2012, 60 por cento dos compradores no valorizado mercado do centro de Londres foram milionários e multimilionários estrangeiros [2] .

O regime de Cameron-Clegg exige sacrifícios, austeridade e o apertar do cinto na Grécia, condenando milhões à miséria, ao suicídio e à desolação, enquanto encoraja os 1% do topo dos cleptocratas gregos a "investir" e a residir nos refinados bairros do centro de Londres. Segundo o FMI há 56 mil plutocratas gregos que fogem aos impostos [3] . De acordo com um estudo americano sobre os seus rendimentos anuais, não são declarados 28 mil milhões de euros (36 mil milhões de dólares americanos) [3] . A maior parte dos quais é depositada em bancos de Londres ou "investido" em propriedades de luxo em Mayfair, Belgravia ou lá perto. Se as contas ilegais fossem sujeitas a imposto ou, melhor ainda, para pagar a dívida externa, isso obedeceria à lei grega, reduziria o défice e os cortes sociais e talvez vivificasse a economia. Mas respeitar as leis gregas significaria menos comissões para os magnatas do imobiliário em Savells, Marsh and Parsons, Knight Frank; menos contas privadas para o HSBC e para o Barclay's; menos vendas nas galerias de arte sofisticadas; menos utilizadores para as agências de 'acompanhamento' de ambos os sexos.

O crime compensa. O FIRE [4] rejubila. Os hospitais públicos encerram. As propinas sobem. As clínicas e escolas privadas dirigidas para os oligarcas do ultramar e para os seus parceiros britânicos florescem. Onde estão "as crises"? Não se encontram no centro de Londres, nem na City; nem no sistema legal; nem nas Forças Especiais. Os especuladores da banca florescem. A litigação judicial entre oligarcas compensa. As guerras sujas mercenárias no Afeganistão, na Líbia, na Síria e noutros locais fornecem contratos lucrativos ao coronel Blimps reformado – segundo as melhores tradições do império.

As crises? Isso é para a outra Inglaterra do lado de fora da City, que tem os códigos postais errados. Para os trabalhadores que se apinham em salas de urgências, para os pobres que aguardam o despejo do que outrora eram habitações sociais e para que aqueles que estudam e trabalham só possam antever dívidas e empregos sem saída.

Deus abençoe e amaldiçoe Londres, o Paraíso dos Parasitas!

11/Outubro/2012

Notas

1. Fight Racism! Fight Imperialism (October-November 2012) p. 1, 3.

2. Financial Times, "Global Prosperity Insight", Oct. 3, 2012, p. 5.

3. Financial Times, Oct. 6, 7, 2012, p. 4.

4. FIRE, sigla para a troika parasita Finance, Insurance and Real Estate (Finanças, Seguros e Imobiliário)

O original encontra-se em: www.globalresearch.ca/... . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Postado em 21/10/2012 ás 08:24

EUA: A ascensão do estado policial e a ausência de oposição em massa
por James Petras e Robin Eastman Abaya

Um dos mais significativos desenvolvimentos na história recente dos EUA tem sido a ascensão do estado policial, virtualmente indiscutível. Apesar da vasta expansão dos poderes policiais do Ramo Executivo do governo, o extraordinário crescimento de toda uma panóplia de agências repressivas, com centenas de milhares de pessoas e enormes orçamentos públicos e secretos bem como o vasto âmbito de vigilância do estado policial, incluindo a reconhecida monitoração de mais de 40 milhões de cidadãos dos EUA e residentes seus, não emergiu nenhum movimento de massa pró democracia para confrontar os seus poderes e prerrogativas ou mesmo protestar contra as investigações do estado policial.

No antigos anos cinquenta, quando os expurgos McCarthystas foram acompanhados por restrições à liberdade de palavra, juramentos obrigatórios de lealdade e investigações do Congresso para a "caça a feiticeiras" entre responsáveis públicos, figuras culturais, intelectuais, acadêmicos e sindicalistas, tais medidas de polícia de estado provocaram debate e protestos públicos generalizados e mesmo resistência institucional. No fim da década de 1950 foram feitas manifestações de massa nos locais das audiências pública do Comité de Actividade Anti-Americanas (Un-American Activities Committee, HUAC) em São Francisco (1960) e outros lugares e levantaram-se grandes movimentos por direitos civis para contestar o Sul segregado, o governo federal acomodatício e os esquadrões da morte dos terroristas racistas da Ku Klux Klan (KKK). O Movimento pró Liberdade de Expressão em Berkeley (1964) ateou manifestações de massa em escala nacional contra a governação em estilo autoritário das universidades.

O estado policial incubado durante os primeiros anos da Guerra-fria foi contestado por movimentos de massa comprometidos com a manutenção ou recuperação de liberdades democráticas e direitos civis.

A chave para entender a ascensão de movimento de massa por liberdades democráticas foi a sua fusão com movimentos sociais e culturais mais vastos: liberdades democráticas foram ligadas à luta pela igualdade racial; a liberdade de expressão foi necessária a fim de organizar um movimento de massa contra as guerras imperiais indo-chinesas e a segregação racial generalizada; o encerramento da "caça às feiticeiras" e dos expurgos promovidos pelo Congresso abriram a esfera cultural a vozes novas e críticas e revitalizaram os sindicatos e associações profissionais. Tudo era visto como crítico para proteger direitos dos trabalhadores e avanços sociais arduamente conquistados.

Face à oposição em massa, muitas das tácticas visíveis de polícia de estado da década de 1950 passaram a "subterrâneas" e foram substituídas por operações encobertas; violência de estado seletiva contra indivíduos substituiu os expurgos em massa. Os movimentos populares pró democracia fortaleceram a sociedade civil e as audiências públicas revelaram e enfraqueceram o aparelho de polícia de estado, mas não o eliminaram. Contudo, a partir do princípio da década de 1980 e até o presente, especialmente ao longo dos últimos 20 anos, a polícia de estado expandiu-se dramaticamente, penetrando todos os aspectos da sociedade civil se bem que não inspirando qualquer oposição em massa contínua ou mesmo esporádica.

A pergunta é: por que a polícia de estado cresceu e até ultrapassou as fronteiras de períodos anteriores de repressão e ainda não provocou qualquer oposição em massa firme? Isto está em contraste com os movimentos de base ampla em favor da democracia dos meados do século XX. Que existe um maciço e crescente aparelho de polícia de estado não há qualquer dúvida: basta simplesmente dar uma olhadela nos registros publicados de pessoal (tanto de agentes públicos como de empreiteiros privados), nos enormes orçamentos e grande número de agências envolvidas na espionagem internas de dezenas de milhões de cidadãos americanos e residentes. O âmbito e profundidade das medidas de estado policial adoptadas incluem detenção arbitrária e interrogatórios, montagem de armadilhas e de listas negras de centenas de milhares de cidadãos dos EUA e residentes, tribunais militares, campos de detenção e a penhora de propriedades privadas.

Mas estas brutais violações da ordem constitucional tiveram lugar e quando cada agência de polícia de estado desgasta ainda mais nossas liberdades democráticas, não tem havido movimentos maciços "anti-Homeland Security", nem "movimentos em favor da liberdade de expressão" nos campus universitários. Há apenas vozes isoladas e corajosas de ativistas e organizações especializados em "liberdades civis" e liberdades constitucionais, os quais falam abertamente e levantam desafios legais ao abuso, mas não têm virtualmente nenhuma base de base e nenhuma cobertura objetiva na mídia.

Para tratar desta questão da inatividade em massa diante da ascensão do estado policial, abordarmos o assunto a partir de dois ângulos.

Descreveremos como os organizadores e operacionais estruturam o estado policial e como têm neutralizado respostas em massa.

A seguir discutiremos o "significado" da não atividade, lançando várias hipóteses acerca dos motivos subjacentes e do comportamento da "massa passiva" de cidadãos.

Os círculos concêntricos do estado policial

Se bem que o alcance potencial das agências de polícia de estado cubra toda a população dos EUA, ela de fato opera na base de "círculos concêntricos". O estado policial é percebido e experimentado pela população dos EUA conforme o grau do seu envolvimento na oposição crítica a polícias de estado. Se bem que o estado policial teoricamente afete "todos", na prática ele opera através de uma série de círculos concêntricos. O "núcleo interno", de aproximadamente vários milhões de cidadãos, é o sector da população que experimenta o peso da perseguição do estado policial. Ele inclui os cidadãos mais críticos e ativos, especialmente aqueles identificados pelo estado policial como partilhando identidades étnicas e religiosas com inimigos estrangeiros declarados, críticos ou alegados "terroristas". Estes incluem imigrantes e cidadãos de descendência árabe, persa, paquistanesa, afegã e somali, bem como americanos convertidos ao Islã.

O "perfilamento" étnico e religioso é comum em todos os centros de transportes (aeroportos, estações de autocarros e comboios e nas auto-estradas). Mesquitas, obras de caridade e fundações islâmicas estão sob vigilância constante e sujeitas a rusgas, armadilhas, prisões e mesmo assassinatos "seletivos" estilo israelense.

O segundo grupo do núcleo, visado pela polícia de estado, inclui ativistas afro-americanos, hispânicos e de direitos de imigrantes (que se contam aos milhões). Eles são sujeitos a vasculhamentos arbitrários maciços, buscas e detenção ilimitada sem julgamento bem como deportações indiscriminadas em massa.

Após os "grupos do núcleo" está o "círculo interno" que inclui milhões de cidadãos e residentes nos EUA que escreveram ou falaram criticamente dos EUA e da política israelense no Médio Oriente, exprimiram solidariedade com o sofrimento do povo palestino, opuseram-se às invasões estado-unidenses do Iraque e do Afeganistão ou visitaram países ou regiões opostas à construção do império dos EUA (Venezuela, Irão, Sul do Líbano, Síria, a Cisjordânia e Gaza, etc). Centenas de milhares destes cidadãos têm as suas comunicações telefônicas, por email e internet sob vigilância; têm sido visados em aeroportos, tiveram passaportes recusado, foram sujeitos a "visitas" e a listas negras encobertas ou abertas nas suas escolas e lugares de trabalho.

Ativistas militando em grupos de liberdades civis, advogados e profissionais, gente de esquerda e suas publicações empenhadas em atividades anti-imperialistas, pró democracia e anti-estado policial estão no "ficheiro" no maciço labirinto da coleta de dados da polícia de estado sobre "terroristas políticos". Movimentos ambientalistas e seus ativistas têm sido tratados como terroristas potenciais – com membros das suas próprias famílias sujeitos a perturbação policial e "visitas" agourentas.

O "círculo externo" inclui líderes e ativistas da comunidade, cívicos, religiosos e sindicalistas que, no decorrer da sua atividade, entram em contacto ou mesmo exprimem apoio aos críticos e vítimas das violações da polícia de estado. O "círculo externo" representando uns poucos milhões de cidadãos estão "no ficheiro" como "pessoas de interesse", o que pode envolver monitorar seu email e "verificações" periódicas da sua assinatura de petições e recursos de defesa.

Estes "três círculos" são os alvos centrais da polícia de estado, quantificando-se em mais de 40 milhões de cidadãos estado-unidenses e imigrantes – que não cometeram qualquer crime. Por terem exercido seus direitos constitucionais, eles foram sujeitos a vários graus de repressão e perturbação por parte da polícia de estado.

A polícia de estado, contudo, tem "fronteiras fluidas" acerca de quem espiar, quem prender e quando – dependendo do que estimule a "suspeita" de apparatchiks ou o desejo de exercer poder ou agradar seus superiores em qualquer dado momento.

O essencial das operações da polícia de estado dos EUA no século XXI é reprimir cidadãos a favor da democracia e impedir qualquer movimento de massa sem minar o sistema eleitoral, o qual proporciona teatro político e legitimidade. É construída uma "fronteira" da polícia de estado para assegurar que os cidadãos tenham pouca opção exceto votar pelos dois partidos a favor da polícia de estado, por poderes legislativos e executivos sem qualquer referência com as condutas, condições e exigência do círculo de vítimas do núcleo, interno e externo, dos seus críticos e ativistas. Rusgas frequentes, duras punições "exemplares" públicas e estigmatização pelos meios de comunicação transmitem a mensagem à massa passiva de eleitores e não eleitores de que as vítimas da repressão "devem ter feito alguma coisa errada" ou do contrário não estariam sob a repressão da polícia de estado.

O essencial para a estratégia da polícia de estado é não permitir aos seus críticos ganharem uma base de massa, legitimidade popular ou aceitação pública. O estado e os media tocam constantemente a mensagem de que as "causas" dos ativistas não são "causas" americanas, patrióticas; que as "suas" atividades pró democracia impedem as "nossas" atividades eleitorais; que as suas vidas, visão e experiências nada têm a ver com os nossos lugares de trabalho, bairros, associações desportivas, religiosas e cívicas. No grau em que o estado policial "cercou" os círculos interno dos ativistas pró democracia, eles chegaram a uma liberdade de ação e alcance incontestado no aprofundamento e expansão das fronteiras do estado autoritário. Na medida em que a lógica ou a presença do estado policial tenha penetrado na consciência da massa da população estado-unidense é criada uma barreira poderosa à ligação do descontentamento privado com a ação pública.

Hipótese sobre cumplicidade em massa aquiescência à polícia de estado

Se o estado policial é agora a realidade dominante da vida politica dos EUA, por que não está no centro de preocupações da cidadania? Por que não movimentos populares em favor da democracia? Como o estado policial pode ter tanto êxito em "separar" os ativistas da vasta maioria de cidadãos dos EUA? Afinal de contas, outros países em outros tempos enfrentaram regimes ainda mais repressivos e ainda assim os cidadãos rebelaram-se. No passado, apesar da chamada "ameaça soviética", emergiram movimentos pró democracia nos EUA e fizeram mesmo retroceder uma florescente polícia de estado. Por que esta evocação de "ameaça terrorista islâmica" vinda de fora hoje parece incapacitar nossos cidadãos? Será que teve êxito?

Não há qualquer explicação simples e única para a passividade dos cidadãos estado-unidenses confrontados com uma ascensão omnipotente da polícia de estado. Seus motivos são complexos e cambiantes e é melhor examiná-los com algum pormenor.

Uma explicação para a passividade é que precisamente a força e a difusão da polícia de estado criaram medo profundo, especialmente entre pessoas com obrigações familiares, empregos vulneráveis e com comprometimentos moderados para com liberdades democráticas. Este grupo de cidadãos está consciente de casos em que poderes policiais afetaram outros cidadãos que estavam envolvidos em atividades críticas, provocando perdas de emprego e amplo sofrimento e não está desejoso de sacrificar a sua segurança e o bem-estar das suas famílias para o que acreditam ser uma "causa perdida" – um movimento carente de forte base popular e com pouco apoio institucional. Só quando o protesto contra o salvamento da Wall Street e os movimentos "Occupy Wall Street" contra os "1%" ganharam momento, este sector manifestou apoio transitório. Mas como o gabinete do presidente consumou o salvamento e o estado policial esmagou os acampamentos "Occupy", o medo e a cautela levaram muitos simpatizantes a retirarem-se timidamente para a passividade.

O segundo motivo para a "aquiescência" entre um público substancial é porque o mesmo tende a apoiar o estado policial, com base na sua aceitação da ideologia anti-terror e do seu virulento racismo anti-muçulmano-anti-árabe, conduzido em grande parte por sectores influentes dos formadores de opinião favoráveis a Israel. O medo e o ódio de muçulmanos, cultivado pelo estado policial e a mídia, foi central na instalação da Homeland Security após o 11/Set assim como as guerras em séries contra adversários de Israel, incluindo Iraque, Líbano, Líbia e agora a Síria com planos para o Irão. O apoio ativo ao estado policial atingiu o máximo durante os primeiros cinco anos após o 11/Set e a seguir declinou quando a crise econômica induzida pela Wall Street, a perda de empregos e os fracassos da política do governo empurraram preocupações acerca da economia muito à frente do apoio ao estado policial. No entanto, pelo menos um terço do eleitorado ainda apoia o estado policial, "certo ou errado". Eles acreditam firmemente que o estado policial protege a sua "segurança", que suspeitos, presos e outros sob observação "devem estar a fazer alguma coisa ilegal". Os mais ardentes apoiantes do estado policial são encontrados entre os raivosos grupos anti-imigrantes que apoiam buscas arbitrários, deportações em massa e a expansão de poderes policiais a expensas de garantias constitucionais.

O terceiro motivo possível para aquiescência no estado policial é ignorância: aqueles milhões de cidadãos americanos que não estão conscientes da dimensão, âmbito e atividades do estado policial. O seu comportamento prático recorre à noção de que "desde que eu não seja diretamente afetado isso não deve existir". Integrados na vida diária, ganhando o seu sustento e preocupados apenas com orçamentos domésticos... Esta massa está tão integrada no seu "micro-mundo" pessoal que as questões macroeconômicas e políticas criadas pelo estado policial como "distantes", fora da sua experiência ou interesse. "Não tenho tempo", "não sei bastante", "isso é tudo política" ... O apoliticismo generalizado do público estado-unidense leva-o a ignorar o monstro que cresceu no seu meio.

Paradoxalmente, na medida em que as preocupações e o descontentamento passivo popular sobre a economia têm crescido, tem diminuído o apoio ao estado policial assim como tem diminuído a oposição a ele. Por outras palavras, o estado policial floresce enquanto o descontentamento público está centrado mais nas instituições económicas do estado e da sociedade. Poucos, (se é que algum) líderes políticos contemporâneos educam as suas audiências conectando a ascensão do estado policial, as guerras imperiais e a Wall Street às questões econômicas de todo dia que afetam a maior parte dos cidadãos dos EUA. A fragmentação das questões, a separação entre o econômico e o político e o divórcio das preocupações políticas dos cidadãos individuais permite ao estado policial pairar "acima e fora" da consciência, preocupações e atividades populares.

A promoção do medo patrocinado pelo estado em benefício do estado policial é ampliada e popularizada diariamente pelos meios de comunicação através de "notícias" propagandísticas, programas de detective "anti-terroristas", décadas de grosseiros filmes anti-árabe e islamofóbicos de Hollywood. O retrato que a mídia fazem das violações de direitos democráticos por parte do estado policial apresentando-as como normais e necessárias num meio infiltrado por "terroristas muçulmanos", onde irresponsáveis "liberais" (defensores do devido processo e da Carta de Direitos) ameaçam a segurança nacional, tem sido eficaz.

Ideologicamente, o estado policial depende da identificação da expansão dos poderes da polícia com a "segurança nacional" da passiva maioria "silenciosa", mesmo quando isto cria profunda insegurança para uma minoria ativa e crítica. A identificação em causa própria da "nação" e da "bandeira" com o aparelho do estado policial é especialmente notável durante "espetáculos de massa" onde "rock", vulgaridades e "desporto" injetam entretenimento de massa com solenes Juramentos de Lealdade no sentido de defender e respeitar o estado policial e jovens de mamas avantajadas e com perucas balbuciam com voz nasal versões do hino nacional sob aplausos tonitruantes. "Guerreiros" feridos são exibidos e soldados rígidos nos seus uniformes de gala saúdam enormes bandeiras, e assim a mensagem transmitida é de que o estado policial interno trabalha de mãos dadas com os nossos "homens e mulheres em uniforme" lá fora. O estado policial é apresentado como uma extensão patriótica das guerras no exterior e como tal ambos impõem constrangimentos "necessários" à oposição cidadã, à crítica pública e a qualquer defesa sem rodeios da liberdade.

Conclusão: O que fazer?

A ascendência do estado policial foi beneficiada enormemente com a falsa despolitização bipartidária da legislação repressiva e com a fragmentação das lutas sócio-econômicas dos democratas que divergem. Os movimentos de massa anti-guerra do princípio da década de 1990 e de 2001-2003 foram minados (liquidados) pela deserção dos seus líderes para a máquina do Partido Democrata e a sua agenda eleitoral. O maciço movimento popular de imigração foi controlado e dizimado por oportunistas políticos mexicano-americanos do Partido Democrata enquanto o mesmo Partido Democrata, sob o presidente Barack Obama, escalava a repressão do estado policial contra imigrantes, expulsando milhões de trabalhadores imigrantes latinos e as suas famílias.

A experiência histórica ensina-nos que uma luta com êxito contra um estado policial emergente depende da ligação das lutas socio-econômicas que mobiliza a atenção das massas de cidadãos com os movimentos pró democracia, pró liberdades civis e "livre expressão" das classes médias. O aprofundamento da crise econômica, os cortes selvagens em padrões de vida e condições de trabalho e o combate para salvar programas sociais "sagrados" (como a Social Security e o Medicare) têm de ser amarrados à expansão do estado policial. Um movimento de massa por justiça social, que congregue milhares de anti-Wall Streeters, milhões de pró Medicare, Social Security e beneficiários do Medicaid com centenas de milhares de trabalhadores imigrantes inevitavelmente chocar-se-á com o inchado aparelho do estado policial. A liberdade é essencial para a luta pela justiça social e a luta de massa pela justiça social é a única base para fazer retroceder o estado policial. A esperança é de que o sofrimento econômico provoque a atividade de massa, a qual, por sua vez, tornará o povo consciente do perigoso crescimento do estado policial. Um entendimento em massa desta ligação será essencial para qualquer avanço no movimento pela democracia e bem-estar do povo internamente e pela paz fora do país.
25/Julho/2012

O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=32063

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Postado em 31/07/2012 ás 12:57

[ Imprimir ]

[ Ver todas as publicações da coluna ]

Veja Também
» A Grande Transformação: Do Estado previdência ao Estado polícial imperial
» A política da linguagem e a linguagem da regressão política
» A Síria não é uma luta entre democratas e autoritários
» Colômbia procura paz e justiça
» A inexorável crise econômica global: Uma visão apocalíptica de 2012
» Maria e José na Palestina
» Oposição social na era da Internet:
» Imperialismo e democracia: Casa Branca ou Liberty Square?
» Lições da América Latina para os EUA e a UE
» Chávez vs. Obama: Enfrentando as eleições presidenciais
» Pilhagem, esperança e paz
» Terrorismo político organizado
» EUA: A classe trabalhadora contra a classe média
» Líbia, Obama e a defesa da 'rebelião'
» Líbia: Obama e a defesa da 'rebelião'
» Egito: Movimentos sociais, a CIA e a Mossad
» Conto de Natal – Maria e José na Palestina em 2010
» A tendência à barbárie e as perspectivas do socialismo
» Estado de Terror em Nome da Paz
» O ópio dos intelectuais...
» O golpe em Honduras não poderia ter ocorrido sem a cumplicidade dos EUA"
» Iran: A mentira das "eleições roubadas"
» Iran: A mentira das "eleições roubadas"
» Guerras maiores e mais sangrentas igual à paz e justiça
» O declínio do império dos EUA
» A campanha israelense de extermínio
» A grande dádiva de terras: Neocolonialismo por convite
» A mídia e a política de massas
» Lições do colapso da Wall Street
» O "auto-confesso mentor do 11/Set"
» Homenagem a Manuel Marulanda
[ Ver todas as publicações da coluna ]

Buscar Conteúdo
Colunistas

Fatal error: Cannot redeclare foto_existe() (previously declared in /home/patria/public_html/colunas.php:13) in /home/patria/public_html/lado_colunistas.php on line 13