Brasília, 24 de novembro de 2017 às 04:01
Selecione o Idioma:

Colunistas

Postado em 17/10/2017 12:02

Combater a corrupção é necessário, mas não é suficiente para criar um país justo

.

Share Button

É mais que evidente que o combate a corrupção, de forma isolada, não reduz a desigualdade social que campeia o Brasil desde a sua formação. De acordo com o que aponta estudos  sobre evasão fiscal com base nos dados revelados nos documentos do Panama Paper e vazamentos relativos ao banco HSBC Swiss Private mostram que os considerados super-ricos, ou seja, pessoas com mais de 31 milhões de libras em ativos, sonegam 30% de seus impostos em média.

De acordo com levantamento e  publicação recente do jornal britânico The Guardian. O documento intitulado Evasão e desigualdade fiscal descobriu que eles evadiram mais de 10 vezes os impostos devidos do que a população em geral, que em média evadiu 2%. Os economistas apontam no documento que “a probabilidade de esconder ativos aumenta muito com a riqueza”.

O que já é do conhecimento de todos nós brasileiros é que  a maior parte do patrimônio fruto de impostos evadidos se encontra  em contas no exterior e concentradas nas mãos de uma expressiva minoria, minoria esta que  poderia pagar contadores, advogados e banqueiros para aconselhá-los.

O material foi coordenado  por pesquisadores da Universidade Norueguesa das Ciências da Vida e da Universidade de Copenhague. Ele apenas analisa a riqueza de pessoas na Noruega, Suécia e Dinamarca, onde registros detalhados de riqueza pessoal estão disponíveis.

Até mesmo em países escandinavos considerados como modelo pelos seus elevados Índices de Desenvolvimento Humano,  40% dos mais ricos, ou seja, 0,1% das famílias locais, esconderam em média cerca de 50% de seus ativos no exterior.

O que podemos constatar é que  a maioria das economias latino-americanas, asiáticas e europeias possuem muito mais riqueza do que a Noruega, os resultados encontrados na Noruega provavelmente serão inferiores aos da maioria dos países do mundo”, conclui o documento.  Parafraseando Vittorio Buttafava: “ O absurdo da avareza está no fato de o avaro viver como pobre e morrer como rico”.

Sérgio Jones, Jornalista ( sergiojones@live.com)

Comentários: