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Postado em 04/09/2017 9:02

Como acabar com o terrorismo – 10 receitas fáceis de aplicar

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por Purificación González de la Blanca

1º- RESPEITEM A LEGALIDADE INTERNACIONAL e o direito dos povos a decidir o sistema político e organizativo que considerem mais adequado. A Carta das Nações Unidas é clara e contundente: a não ingerência e a solução dos conflitos por meios pacíficos são o cimento da paz e da convivência entre os povos. O Estado que não respeite estes princípios deveria ser expulso da ONU.

Os mandatários das intervenções e desastres do Afeganistão, do Iraque, da Líbia, da Síria, da Ucrânia, do Iémen, da Somália… e de tantos outros países espalhados pelo mundo, devem responder pelos seus crimes. Da mesma forma que os de Israel devem responder pelos crimes cometidos permanentemente contra o povo palestino. Não crêem que é chegada a hora de sanear a ONU?

2º- SUPRIMAM A OTAN. Foi criada contra a URSS. Desaparecida esta a OTAN deveria ter sido dissolvida.

Porém as estruturas tendem a perpetuar-se e esta superestrutura cheia de altos cargos que gozam de todo tipo de prebendas não podia ser menos. O seu custo é cada vez mais gravoso para os países que a sustentam, mas além disto está ao serviço dos EUA. Urge a sua dissolução quanto antes, já que está sendo utilizada para provocar e orquestrar guerras que justifiquem a sua injustificável existência, tendo-se convertido numa organização terrorista. Sempre o foi, mas agora superou-se a si própria. O recente “suicídio” do auditor da OTAN, Eves Chandelon, depois de descobrir um buraco de 250 mil milhões de euros, no muito reservado orçamento da OTAN, que tinham sido desviados para o Estado Islâmico, o que a situa ao nível mais elevado do crime organizado.

3º- INVESTIGUEM A CRIAÇÃO DO “ESTADO ISLÂMICO” NO IRAQUE E NO MÉDIO ORIENTE, também chamado Daesh. A informação disponível assinala a CIA, a Mossad e o MI6 como seus fundadores, e a Arábia Saudita e Qatar como seus financiadores, embora seja conhecida a contínua entrega de armas a estes bandos armados por parte da CIA. A ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, admitiu que esta milícia tinha sido criada pela Casa Branca… e que se lhe escapou das suas mãos. “Fracassamos em criar uma guerrilha anti-Assad credível… O fracasso deste projeto levou ao horror a que assistimos hoje” (entrevista concedida ao media digital The Atlantic, embora ela não seja alheia a outros múltiplos horrores, como o assassinato do líder líbio, Muammar Khadafi).

Por outro lado, o comandante paquistanês do Estado Islâmico, Eousaf al Salafi, confessou ter recebido fundos através de EUA (diário Daily Express). Os EUA não conseguiam ter os resultados que queriam na Síria, apesar das suas múltiplas tentativas, porque o povo sírio está unido ao seu governo. Para derrota-lo recorreu à criação do chamado “Estado islâmico do Iraque e Médio Oriente”, ISIS, ou Daesh (uma espécie de “vespeiro”, como o denominaram os seus criadores, dotado de milhares de mercenários, muitos deles marines) que lançaram contra a Síria. Depois pediram ajuda a outros países para combater o seu próprio monstro, que ao mesmo tempo vinham alimentando. O inimigo perfeito. É a sua estratégia de sempre. Tudo isto deve ser investigado e seus responsáveis levados perante o TPI (já é tempo que funcione).

4º- DEIXEM DE DEDICAR-SE À GUERRA SUJA E À CONSPIRAÇÃO

Deixem de ingerir-se nos assuntos internos de outros países, com convocatórias de encontros, conferências, cimeiras, “ajudas económicas”, diretamente ou através de empresas e fundações neoliberais. É o caso das cimeiras que foram convocadas em Madrid e Córdoba, contra o legítimo governo da Síria, pelo então ministro de Assuntos Exteriores de Espanha, García Margallo. E a “ajuda” económica que entregou à “oposição síria”, ou seja ao grupo terrorista “Frente Al-Nusra”, ou “Jabhat al-Nusra”, através do Programa Masar da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.

É o mesmo tipo de apoio que o governo espanhol vem dando à chamada “oposição” da Venezuela, convertida num autêntico bando armado que faz rebentar bombas contra a polícia; que despe, humilha, tortura e queima vivos os que etiqueta de chavistas (pelo menos 23 pessoas foram queimadas vivas desde abril a 19 de julho deste ano em atos de protesto organizados pela oposição venezuelana); e que dispara contra aqueles que exercem o seu legítimo direito de votar. Isto é trabalhar a favor das guerras e do terrorismo.

Deixem de fazer homenagens aos terroristas chamados “Capacetes Brancos”. Os governos espanhóis gostam da “Frente Al-Nusra”, o “Jabhat al-Nusra. Compreende-se. Mas sobretudo, deixem de voltar-se para esse sócio preferido que é a Arabia Saudita. Um país que é uma propriedade privada da família Saud, que não respeita os mais básicos direitos humanos e que carece até de uma Constituição. Por que romperam relações diplomáticas com a Síria e não o fizeram com a Arábia Saudita? Fazem-se de cegos sob os imperativos dos EUA. Não é uma vergonha? Restabeleçam relações com a Síria, um país cuja história se entrelaça com a nossa e que representa todos os valores da civilização. E rompam de uma vez por todas com a Arábia Saudita.

5º- MERCENÁRIOS E DESESTABILIZADORES NÃO DEVEM ANDAR PELOS GABINETES. Pelo menos pelos gabinetes de governantes que se intitulam “democráticos”, como é o caso de Rami Abdel Rahman (do chamado Observatório Sírio para os Direitos Humanos), assíduo do Foreign Office; dos irmãos Kouachi (“Charlie Hebdo”), pertencentes aos serviços secretos franceses, pelo menos um deles era habitual no gabinete de Nicolas Sarkozy nos seus tempos de presidente (ainda que a sua morte por parte da policia francesa já não permita aclarar estes extremos, da mesma forma que no caso de Mohamed Merah); deixa de ser surpreendente que todos os supostos terroristas dos últimos atentados em França e em Manchester estiveram vinculados aos serviços secretos franceses ou britânicos.

No caso de Manchester, a família de Abedi – autor do atentado, de origem líbia – estava na lista de pagamentos do governo britânico. E o pai do autor tinha recebido há uns anos um encargo peculiar por parte do “democrático” governo britânico: assassinar o líder líbio Muammar Khadafi. A contrapartida eram 100 mil libras esterlinas. Que dizer do títere opositor sírio Ussama Jandali, que ao que parece frequentava o gabinete do ministro de Assuntos Exteriores de Espanha, García Margallo, ou dos já mencionados Capacetes Brancos. O terrorismo mistura-se sistematicamente com os países chamados “democráticos”. Às vezes não se sabe onde acaba a administração e onde começam os bandos armados. Isto deve acabar JÀ.

6º- RETIREM-SE DE UM VEZ POR TODAS DE LÍBIA E DE TODOS OS CONFLITOS INTERNACIONAIS

Destruíram esse país e deverão responder por isso. Retirem também os seus bandos armados e deixem os líbios reorganizar-se. Já o estão fazendo. Não interfiram, não obstaculizem (não enviem Bernardino León de volta, que os deixou no maior ridículo). Já fizeram suficiente prejuízo. Deixem a Líbia em paz. Agora parecem estar preocupados porque “o paiol da Líbia ameaça a estabilidade da Europa”. Mas não era esse o objetivo de seu patrão, os EUA?

Retirem-se também de todos os conflitos em que a Espanha participa, como Iraque, Mali, Chade, Somália, Líbia, Bósnia, Congo, Macedónia, Moçambique, Sudão, Kosovo, Líbano… Em 15 de setembro de 2016 cumpriram-se dez anos do desembarque das tropas espanholas nas praias libanesas. Por esta missão já passaram mais de 23 mil militares. Que fazem os soldados espanhóis no Líbano? Já sabemos, estão a proteger os interesses de Israel. Estão os espanhóis de acordo com isto? Retirada JÁ. Retirem-se também dos Países Bálticos onde estão a fazer um papel ridículo, tratando de provocar a Rússia.

7º- O QUE FIZERAM COM A UCRÂNIA APONTA O NORTE DOS SEUS ARDENTES DESEJOS POLÍTICOS: voltar ao nazismo. Devem responder por isso. Para lá enviaram os seus eurodeputados e mesmo o Presidente da Comunidade de Múrcia, para oferecer todos os supostos benefícios de uma UE à deriva. Até lá foi Catherine Ashton [NT] , com um cheque para comprar o governo, foi um dos capítulos mais vergonhosos de toda a história da UE. Logo a seguir viria o golpe de Estado e o incêndio de um edifício sindical com 31 pessoas lá dentro. Ingerência, crime organizado, golpismo não devem voltar a produzir-se. Os governantes dos países que apoiaram estes crimes devem responder perante o TPI.

8º- ELIMINEM DE VEZ O CHAMADO “PROGRAMA MASAR” que sob a capa de “ajuda ao desenvolvimento” e dentro da Agencia Espanhola de Cooperação Internacional ao Desenvolvimento, está sendo utilizada para desestabilizar o mundo árabe, desde Marrocos ao Iraque com a finalidade de substituir Estados laicos por Estados confessionais/fundamentalistas (todo isto seguindo diretivas dos EUA). Para maior escárnio, entre as instituições colaboradoras do Masar figura a FAES, um laboratório de ideias neoliberais vinculado ao ex-presidente espanhol José María Aznar, um dos principais impulsores juntamente com George Bush e Tony Blair da guerra do Iraque. Mas também se encontram meios de comunicação espanhóis como o canal público Televisão Espanhola, a agência de notícias EFE e jornais como El Mundo, ABC e El País … E o Clube de Madrid, uma entidade financiada pelo Departamento de Estado dos EUA (Club de Madrid Foundation Inc.), o Banco Mundial, a Comissão Europeia e um conjunto de grandes empresas, como a construtora espanhola Acciona, a mexicana OHL ou o Rockefeller Brothers Fund.

Além disto, é uma perversão entender como desenvolvimento a ajuda à desestabilização e ao crime. Isto esclarece-nos, por outro lado, sobre a propaganda mediática dominante, que não informação, e o por quê de El País e El Mundo, terem colaboradores como o traficante de armas e de guerras Bernard-Henry Levy, e também o sionista Moisés Naim ou esse personagem chamado Raúl Rivero que em Cuba desfrutava de um alto nível de vida e aqui se declara perseguido político, dedicado a escrever enfadonhas colunas contra Cuba e a Venezuela. Isto para não falar da desaparição do jornalismo, convertido no maior meio de propaganda existente, tão perigoso como os mísseis.

9º- ACABEM COM A VENDA DE ARMAS.

Já tivemos um ministro da Defesa, Pedro Morenés, vinculado a três empresas de armamento, e inclusivamente “ressarcido” pelo governo perante a proibição internacional da venda de bombas de fragmentação. O sr. Morenés desempenha agora as funções de embaixador em Washington, o que ainda se torna mais preocupante.

A Espanha aumentou de forma alarmante a venda de armas, em geral, e concretamente a países como Arabia Saudita, que as usa para apoiar o Estado Islâmico e assassinar os iemenitas. Apenas do porto de Bilbao saíram para Arábia Saudita, nos últimos dez meses, 312 contentores com explosivos. Cada contentor pode levar até 28 toneladas, o que conduz a algo como 8 656 toneladas de explosivos, até 14 de julho de 2017, de acordo com a informação facilitada por Green-Peace, cujo porta-voz, Alberto Estévez, garante que a Espanha “poderia ser acusada de crimes de guerra”, salientando que é o “terceiro país que mais armas vende à Arábia Saudita”, vendas que aumentaram de forma muito significativa nos últimos anos, rondando os 4 000 milhões de euros apenas em 2016.

Agora (agosto 2017) que a Síria se liberta da invasão mercenária, o seu exército está a encontrar roupa e bandeiras sauditas nos quartéis da Al-Qaeda. Por imposição dos EUA, a Espanha rompeu relações diplomáticas com a Síria, país que representa a cultura e a civilização como nenhum outro, cuja história se entrelaça com a de Espanha através do Califado de Córdoba. Pelo contrário a Espanha voltou-se para a Arábia Saudita, berço do wahabismo, do terrorismo e da regressão civilizacional, que não respeita os mais elementares direitos humanos, e que carece de Constituição. Rompam de vez relações diplomáticas com Arábia Saudita. Armas e munições de fabricação espanhola estão a aparecer em quase todos os conflitos. Já sabemos que as armas são um grande negócio, mas são para matar, e podem acabar volvendo-se contra os seus vendedores. A venda de armas não é um negócio legítimo. Devem acabar com ela. JÁ.

10º- NÃO AO ACORDO DA ESPANHA PARA ENTREGAR AO PENTÁGONO A BASE DE MÓRON, NEM AS BASES MILITARES EM ESPANHA

O acordo do Conselho de Ministros de 17 de junho de 2015, em que se entregou a Base de Morón aos EUA como sede permanente do Pentágono é a última vileza cometida pelo Governo de Rajoy (do Partido Popular) contra Espanha e os espanhóis. “Isso permitirá aos EUA um aumento de tropas e aeronaves para responder com rapidez a crises em África, Europa e Médio Oriente”. Já se deslocaram para lá 2 200 militares, 500 civis e 36 aeronaves. Este acordo deve ser cancelado JÁ, porque não foi autorizado pelos espanhóis, que o desconhecem, e porque viola os compromissos assumidos pelo governo de Espanha no Referendo sobre a permanência de Espanha na NATO, realizado em 12 de março de 1986, e sobre a não ampliação das Bases estrangeiras e pessoal militar. É evidente que os EUA já estão a utilizá-la, como as restantes bases, para as suas guerras em África, na Ucrânia, na Líbia, na Síria, no Iraque… com a Argélia na mira, não esqueçamos este aspecto. As forças armadas apenas têm justificação quando servem para a defesa dos povos. Não aceitamos que Espanha seja cúmplice de invasões, guerras e matanças.

O surpreendente é que este governo fala de soberania nacional quando se refere ao “problema catalão”, e contudo cede territórios à soberania dos EUA. Contraditório, não é?

[NT] Catherine Margaret Ashton, baronesa Ashton de Upholland: política trabalhista britânica que actuou como Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e Comissária do Comércio Europeu.

Ver também:

Catalunya, agosto de 2017: En pie ante los crímenes y las mentiras sobre el atentado de Barcelona (“una operación de bandera falsa”)

Wikileaks califica de mentirosa la información de El Periódico sobre el atentado en Barcelona

O original encontra-se em www.lahaine.org/mundo.php/como-acabar-con-el-terrorismo . Tradução de DVC.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

02/Set/17

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