Brasília, 16 de dezembro de 2017 às 11:55
Selecione o Idioma:

Internacional

Postado em 01/12/2017 10:46

Coquetel Molotov, a arma finlandesa batizada em homenagem a um ministro soviético

.

Share Button
Guerra de Inverno terminou em 13 de março de 1940.

Guerra de Inverno terminou em 13 de março de 1940.

Scherl/Global Look Press

Quando eclodiu, há exatos 78 anos, a guerra entre União Soviética e Finlândia poderia ter mudado o rumo da história mundial e colocado a URSS contra a Grã Bretanha. No aniversário do início do evento, o Russia Beyond compila uma lista dos fatos mais curiosos acerca dele.

Primeiro uso massivo de submetralhadoras

Tropas do Exército Vermelho Soviético invadem fortaleza em floresta finlandesa.

A Guerra de Inverno foi o primeiro conflito com uso amplo de submetralhadoras e ganhou grande popularidade. Tropas de esquiadores finlandeses surgiram dos bosques, varrendo as colunas inimigas com fogo devastador de suas submetralhadoras Suomi KP/-31 e desaparecendo instantaneamente.

Desconcertada pela eficiência dos finlandeses, os líderes soviéticos começaram a armas ativamente suas tropas com a primeira submetralhadora soviética, a PPD-40 com tambor de 71 rotações.

Mas o posicionamento quanto a esta mudou bastante, e a submetralhadora já foi considerada pelos soviéticos como uma arma auxiliar ou para uso apenas em operações policiais.

As origens do Coquetel Molotov

Soldado finlandês carrega Coquetel Molotov.

Domínio Público

A famosa arma incendiária improvisada conhecida como Coquetel Molotov foi usada eficientemente pelos finlandeses contra tanques, mantendo sua utilidade em conflitos posteriores e movimentos de protesto.

Reza a lenda que o ministro soviético das Relações Internacionais, Viatchesláv Môlotov, costumava afirmar em seus discursos que as Forças Aéreas Soviéticas não tinham bombardeado Helsinki, e sim jogado alimentos aos famintos finlandeses.

Os finlandeses começaram a chamar a bomba soviética RRAB-3 de “cesta de alimentos Molotov”, já que ela continha 60 pequenas bombas incendiárias. Por analogia, o Exército Finlandês começou a chamar suas garrafas com líquido incendiário de “Coquetéis Molotov”.

De acordo com outra versão, a arma teria sido chamada inicialmente de “Coquetel para Molotov”, já que o ministro Soviético declarou, no primeiro dia de guerra, que almoçaria em Helsinki no dia seguinte.

Triunfo dos atiradores de elite

Maior franco-atirador da história, o finlandês Simo Häyhä posa para foto após ser premiado com um rifle honorário M/28 Pystykorva.

Apesar de os atiradores de elite terem sido usados amplamente durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Civil Espanhola, a Guerra de Inverno tornou-se o verdadeiro campo de glória deles.

Os franco-atiradores finlandeses causaram uma verdadeira tragédia para as tropas soviéticas. Eles eram especialmente eficientes quando as tropas finlandesas usavam a tática Motti, que envolvia emboscada e divisão numérica de colunas inimigas superiores e aniquilamento sistemático de destacamentos isolados das tropas soviéticas.

Neutralizando oficiais, motoristas e sinaleiros, os atiradores finlandeses impediam as colunas e faziam delas presa fácil. Os chamados “cuckoos”, atiradores disfarçados entre as árvores, eram especialmente perigosos.

O maior atirador de elite de então, Simo Häyhä, tem 259 mortes confirmadas e 505 não confirmadas.

Aliados poderiam ter guerreado contra URSS

O bombardeiro leve britânico Bristol Blenheim pousou em 25 de fevereiro de 1940 no lago congelado de Jukajärvi, próximo à aldeia de Juva.

O bombardeiro leve britânico Bristol Blenheim pousou em 25 de fevereiro de 1940 no lago congelado de Jukajärvi, próximo à aldeia de Juva. / Domínio público

Antes de a Operação Barbarossa ser lançada, em 1941, a Grã Bretanha e a França consideravam a URSS como um potencial aliado da Alemanha nazista, e pensavam que uma guerra com a União Soviética era inevitável.

Durante a Guerra de Inverno, os países ajudaram a Finlândia com munições, armas e voluntários.

Quando o exército soviético rompeu a resistência do finlandês no final de fevereiro, os Aliados começaram a se preparar para a guerra contra a URSS.

Em 5 de fevereiro de3 1940, os Aliados decidiram pedir à Suécia e à Noruega que essas permitissem que forças expedicionárias passassem por seu território. Apesar de estarem sob pressão, os países escandinavos se recusaram.

O primeiro-ministro francês, Eduard Daladier, anunciou em 2 março que o país estava pronto a enviar 50 mil soldados e 100 bombardeiros à Finlândia.

A Grã Bretanha concordou em enviar 50 bombardeiros. Mas o Tratado de Paz de Moscou foi finalizado em 12 de março, e os planos não foram postos em prática.

Erro fatal do Führer

Comandante de batalhão instrui soldados antes de batalha no Ítsmo da Carélia, em fevereiro de 1940.

A vitória sobre a Finlândia não foi fácil como esperava a liderança soviética e toda a Europa. Três meses de combates ferozes e grandes baixas (mais de 126 mil soviéticos e quase 25 mil finlandeses), além do fracasso em levar o socialismo à Finlândia prejudicaram gravemente o prestígio militar soviético.

O exército soviético passou a ser considerado fraco desde então, e não conseguiu superar as tropas finlandesas, inferiores em número. Hitler o chamava de “colosso de argila sem cabeça”.

A fraca performance soviética durante a Guerra de Inverno foi um dos motivos por que ele decidiu lançar a Operação Barbarossa, em 1941.

Mas a liderança soviética já havia aprendido então algumas difíceis lições. Muitos anos depois da invasão alemã, as tropas soviéticas haviam sido modernizadas, em termos de interação entre os diferentes tipos de tropas, eficiência dos suprimentos, organização, logística etc.

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.

https://br.rbth.com/historia/79552-coquetel-molotov-arma-finlandesa

Comentários: