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Postado em 10/07/2017 9:59

Coreia do Norte não é a única Coreia que tem mísseis mortíferos

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© AP Photo/ Ministério da Defesa da Coreia do Sul
Enquanto os testes de mísseis realizados pela Coreia do Norte têm recebido muita cobertura midiática ao longo dos últimos dois anos, pouca atenção tem sido prestada às tentativas da Coreia do Sul de reforçar o seu arsenal de mísseis, escreve o colunista norte-americano Zachary Keck.

Em seu artigo para o portal The National Interest, o autor aponta que o interesse de Seul pelas tecnologias de mísseis remonta à década de 70. Além disso, esta intenção das autoridades do país era “uma fonte regular de atrito” com os EUA.

Não obstante, à medida que a ameaça nuclear norte-coreana vai crescendo, Washington “atenuou sua postura para com os mísseis sul-coreanos”, indica Keck. Assim, Seul aumentou seu arsenal bélico ao testar o seu míssil balístico mais avançado no fim de junho de 2017.

Mísseis balísticos

Nos anos 70, a Coreia do Sul se interessou pela primeira vez pelo desenvolvimento de mísseis balísticos, aspirando a ter um dia capacidade nuclear. Apesar de ter obrigado Seul a abandonar as ambições nucleares, os EUA não tiveram tanto sucesso em matéria de mísseis, aponta autor.

De fato, Washington permitiu a Seul produzir seu próprio míssil balístico superfície-superfície na base do míssil Nike Hercules norte-americano.

O míssil, batizado de NHK-1 ou Boekgom, é de combustível sólido, tem mais de 12 metros de altura, 0,8 metros de diâmetro e um alcance limitado a 180 quilômetros, com uma carga útil de 500 kg. A arma foi desenvolvida pela Agência de Desenvolvimento da Defesa e testada pela primeira vez em 1978.

Pouco depois, Seul começou a trabalhar em seu outro míssil balístico, o NHK-2, ou Hyonmu-1, também de combustível sólido e de proporções semelhantes ao seu antecessor, mas com mais versões. O NHK-2, aprovado em 1985, pode ser equipado com uma só ogiva de alto poder explosivo ou com munições de fragmentação, ou cluster.

A maior diferença entre os dois mísseis é que o alcance deste último pode ser facilmente estendido a mais de 250 quilômetros, mas Washington proibiu que Seul usasse esta capacidade máxima.

No entanto, prossegue Keck, “depois de algumas negociações polêmicas” que começaram em 1995, Washington cedeu e permitiu que Seul se juntasse ao Regime de Controle de Tecnologias de Mísseis (MTCR na sigla em inglês): um acordo político assinado em 1987, que controla a fabricação e a proliferação de mísseis capazes de transportar armas de destruição em massa.

Esta medida permitiu à Coreia do Sul desenvolver mísseis com carga útil de 500 kg e alcance de até 300 quilômetros, além de levantar as restrições do alcance de mísseis com cargas mais pequenas. Posteriormente, Seul criou uma nova variante do NHK-2 —o NHK-2 PIP, o Hyonmu 2-A, com um maior alcance.

“À medida que as capacidades norte-coreanas vão aumentando, os responsáveis sul-coreanos começaram a pressionar seus parceiros norte-americanos para aliviar algumas das restrições acordadas em 2001”, destaca o autor.

A persistência de Seul resultou na assinatura de um novo acordo, em 2012, que abriu as portas ao desenvolvimento pelo país de mísseis com alcance de até 800 quilômetros e uma carga útil de até meia tonelada. Além disso, o novo acordo permite à Coreia do Sul fabricar mísseis de menor alcance, mas com uma carga útil de até duas toneladas.

Desta forma, após o documento entrar em vigor, Seul começou a ampliar o alcance de seus mísseis Hyunmoo-2B, além de desenvolver o míssil Hyunmoo-2C, que foi testado em junho de 2017.

Mísseis de cruzeiro

“Em grande parte para evitar as limitações de alcance impostas pelo MTCR, a Coreia do Sul também tem desenvolvido uma série de mísseis de cruzeiro Hyunmoo-3”, continua Keck.

Essas armas têm um maior alcance do que o MTCR, mas carregam cargas que pesam menos de 500 quilogramas. Esses mísseis de alta precisão costumam ser comparados com os mísseis norte-americanos Tomawhawk em estrutura e orientação, mas seu alcance é mais curto, de acordo com um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

O míssil de cruzeiro Hyunmoo-3A se estreou pela primeira vez em 2006. Além disso, acredita-se que o seu alcance máximo é de 500 quilômetros, o que significa que este pode atingir Pequim, Tóquio e todo o território da Coreia do Norte.

Em 2010, Seul começou o desenvolvimento de mísseis Hyunmoo-3C, com um alcance de até 1.500 quilômetros. De acordo com vários relatórios da mídia sul-coreana, são capazes de levar uma ogiva de 250 kg de peso, seis metros de comprimento e entre 53 e 60 centímetros de diâmetro.

“Isso incluiu a Coreia do Sul em uma lista muito pequena de países que dispõem de mísseis de cruzeiro com um alcance de 1.500 km ou mais”, frisa Keck.

Além disso, Seul comprou em 2013 entre 170 e 180 mísseis de tipo ar-terra de longo alcance Taurus KEPD 350K, fabricados pela Alemanha. As armas foram entregues em 2016 e agora estão integrados no caça-bombardeiro F-15K Slam Eagle da Força Aérea da Coreia do Sul.

“Quando está armada com mísseis Taurus, a aeronave pode atacar a capital norte-coreana, Pyongyang, enquanto sobrevoa Daejeon, a 164 quilômetros ao sul de Seul”, de acordo com alguns militares citados pelo autor.

No entanto, Keck diz que este não é um guia completo das capacidades de mísseis da Coreia do Sul, já que não descreve os mísseis lançados de submarinos ou veículos de lançamento espacial.

“Não obstante, enquanto a Coreia do Norte está em todas as capas, a Coreia do Sul também não está parada”, conclui autor.

 Sputnik

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