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Postado em 04/10/2017 1:49

Diplomata sofre represália ao se tornar colunista da Carta Capital

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Ele estreou a coluna no dia 27 de setembro

Via Carta Capital:

O vice-cônsul do Brasil em Nova York Julio de Oliveira Silva foi removido do cargo após criticar publicamente o governo de Michel Temer. Economista e no cargo há três anos – ao todo oito anos na carreira diplomática – no dia 27 de setembro o diplomata publicou em sua coluna de estreia em CartaCapital o texto Temer e o projeto de subdesenvolvimentoNo dia seguinte, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, assinou a portaria que afasta o diplomata de suas funções, publicada nesta terça-feira 3 no Diário Oficial da União.

No texto, Silva afirma, por exemplo, que “o compromisso das forças políticas atuais com o atraso, não apenas na economia, denota a intenção explícita em reverter o pacto social civilizatório duramente obtido em 1988”. Ou ainda que “Soja e minério de ferro se vendem sozinhos. Construir jatos comerciais (Embraer), vender serviços de TI (BRASSCOM), internacionalizar nossas montadoras (Marcopolo, Anfavea) e nossa indústria de máquinas e equipamentos (WEG), para citar apenas algumas das empresas participantes, requer esforço. Os governos do PT reconheciam a importância deste esforço.”

O diplomata conta que já havia feito críticas semelhantes em suas redes sociais, mas que nunca sofreu represálias internas. De acordo com Silva, a remoção foi uma surpresa para ele e para a equipe de Nova York, incluindo seus superiores, que só souberam da remoção via Diário Oficial. “Nada. E até agora soube (da remoção) apenas por amigos, pelo Diário Oficial e pelo boletim diário do MRE (Ministério das Relações Exteriores). Ninguém falou comigo e meus chefes estão surpresos também.”

Silva avalia que como seu nome não constava no plano de remoções de diplomatas e que houve coincidência de datas é “óbvio que é uma tentativa de punição”.

Um novo texto do diplomata foi publicado nesta terça-feira 3 com o título A Fazenda vem à cidade. Nele, afirma que “não é necessário doutorado em nada, apenas alguma história básica, para saber o que acontece quando a economia é deixada nas mãos dos bilionários. Fácil adivinhar. Ou alguém se torna bilionário por meio de políticas públicas inclusivas e populares?”. A crítica, porém, foi feita quando a represália já estava anunciada.

Procurado pela reportagem, o Ministério das Relações Exteriores não se posicionou até o fechamento deste texto.

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