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Postado em 19/06/2017 12:58

DISPUTANDO UM PEPINAÇO – A CRISE CHEGOU

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Pedro Augusto Pinho*
A “Marcha para Jesus”, em São Paulo, sob a orientação ou direção dos milionários pastores de designações pentecostais, defendeu Temer e orou pela “Reforma da Previdência”, entre outras manifestações, que reuniu milhares de pessoas.
Pode parecer ilógico, surpreendente, escravos pedindo mais chibatadas, pois a quase totalidade das pessoas ali reunida era, economicamente, de classe média baixa para rendas ainda menores. Mas os pedidos dos pastores se justificava. Eles pertencem à nova classe rentista do Brasil, com aplicações financeiras aqui e no exterior. E, como muito bem assinalou e com a precisão factual, o jornalista André Araújo – Meta de inflação e a política dos credores, GGN, 17/06/2017 – o objetivo deste governo golpista é elevar a dívida e manter o pagamento da banca (sistema financeiro internacional).
Recordemos, em breve episódios, a trajetória deste poder que coloniza o mundo desde 1990. Inicialmente, para precisar seus passos, é preciso conhecer seus objetivos e o principal instrumento de ação.
São objetivos da banca: a transferência para o sistema financeiro de todo o ganho de quaisquer origem (lucro industrial, renda de tráficos, resultado comercial etc) e a permanente concentração de renda (inclusive entre os membros da banca). Seu principal instrumento é a dívida.
Mas a banca também especula para elevar os ganhos acima descritos. E, nesta especulação, vem emitindo títulos sem lastro. Isto é o mesmo que vender seu único carro, simultaneamente, para duas ou mais pessoas. É crime, diria meu prezado leitor, ninguém compraria. Mas a banca é mais sutil, ela emite títulos que somam valores milhares de vezes superiores aos que se obteria com a venda dos produtos que os lastreiam. Assim, para o valor de um barril de petróleo se vendem milhares ou mesmo milhões de barris. Estes títulos, repassados pelos bancos e instituições financeiras, terminam em sua compra de um Certificado de Depósito Bancário (CDB) ou de um fundo de investimentos, um Fundo Exclusivo  Multimercado, por exemplo.
As origens da banca remontam, na economia capitalista como a conhecemos hoje, ao período denominado mercantilismo. Mas a forma atual de atuação é mais recente. Quando a nobreza europeia, atingida pela ação de Napoleão, descobriu que a propriedade fundiária não era tão segura quanto parecia, passou a valorizar a dívida. E a dívida, até então circunscrita a poucos negócios, passou a crescer e dominar as contabilidades nacionais. Uma corrida pelas contas nacionais, o que as estatísticas internacionais lhes permitem, mostrará que todas as grandes economias são devedoras. São poucas as credoras.
E a banca, desde o liberou geral da dupla Thatcher-Reagan, nos anos 1980, passou a adotar, como método de empoderamento e de crescimento (vide objetivos), as crises. A cada crise, governos e setores da economia transferiam valores para a banca. Vejamos somente os Estados Unidos da América (EUA) na crise de 2008, crise do subprime.
Pelo “Troubled Asset Relief Program” (TARP) foram autorizados US$ 700 bilhões dos contribuintes para cobrir o buraco da banca. Em 2012, o Congressional Budget Office (CBO) declarou terem sido utilizados, ao todo, US$ 455 bilhões, e, posteriormente, o relatório de 2014 do Tesouro (US Treasury) reconheceu o uso de US$ 426,4 bilhões. Por aí já se descortina a confusão, que diferentes órgãos do Governo dos EUA provoca, para que a discussão se concentre nos procedimentos e valores, ao invés do fato criminoso: o uso dos tributos, o dinheiro dos contribuintes para a melhor e maior prestação de serviços pelo Estado, ser usado para o enriquecimento da mínima parcela dos detentores da maior riqueza no planeta – a banca.
Comparada a 2008, denominada pelo Presidente Lula: uma marolinha, o verdadeiro tsunami ocorrerá agora, até 2018. Alguns analistas apontam o golpe de 2016 como a preparação do Brasil para a transferência de seus recursos para a banca. Pode ser e faz sentido. As orações dos renovados patos amarelos, em São Paulo, neste 15 de junho, bem mostra que se procura desfigurar a nova crise como consequência da corrupção. Mas os verdadeiros corruptos estavam  nos palcos e eram os destinatários das preces.
Pedir simplesmente Fora Temer, que deve realmente ocupar outro lugar público, e Diretas Já pode se transformar num enorme problema. Neste ano de ação antinacional, os golpistas elevaram a dívida do Brasil; claro pois a dívida é a arma da banca. Deixaram também diversas armadilhas para redução de receitas públicas e despesas passíveis de cobrança judicial. Portanto um reforço para as consequências da crise programada pela banca.
Ao lado da destituição dos golpistas, suas punições pelo crime de traição nacional, é necessário que haja a denúncia da ação da banca, o esclarecimento da crise que será provocada, para que os pastores rentistas não reúnam novos pobres e ingênuos cristãos. A Igreja Católica, mais antiga e sábia, não caiu nesta, como demonstram as palavras do papa Francisco e os comunicados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

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