Irã anuncia abertura de novo reator nuclear em setembro
Teerã (Prensa Latina) Irã anunciou hoje que inaugurará em setembro sua primeira planta elétrica nuclear na sulista localidade de Bushehr, enquanto disse confiar em que a União Europeia (UE) retifique a postura com respeito ao programa atômico nacional.
O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (OEAI), Ali Akbar Salehi, afirmou que a instalação situada na cidade portuária passou nesta quarta-feira por "uma das provas finais e mais importantes" antes de entrar em pleno funcionamento dentro de dois meses.
Salehi referiu-se à superação exitosa das provas de água quente na mencionada planta, e elogiou que após 37 anos, "os terrenos foram preparados para a abertura".
De acordo com o máximo responsável pela atividade nuclear no país persa, os trabalhos atingiram "um ponto sem volta" e nada poderá obstaculizar o início dos trabalhos na instalação que se começou a construir em 1984 com a colaboração da Rússia.
Ao reproduzir a informação, a agência oficial IRNA recordou que a inauguração da central nuclear de Bushehr estava planejado originalmente para finais de 1999, mas sofreu sucessivos adiamentos por vários motivos logísticos e de coordenação.
O anúncio da República Islâmica ocorreu no meio de um ambiente de incerteza e especulações sobre uma possível agressão militar estadunidense e israelense, precisamente para tentar frear o programa atômico que Teerã assegura que tem fins pacíficos.
De fato, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Saeed Jalili, mostrou ontem disposição de retomar as conversas estancadas com várias potências ocidentais sobre esse tema, mas só a partir de setembro deste ano e sob certas condições.
Jalili urgiu a UE a retificar seus "constantes erros" com respeito ao programa nuclear persa, em particular abandonar as políticas de dupla moral, segundo o conteúdo de uma carta de resposta à chefe da política exterior europeia, Catherine Ashton.
Na mensagem, deixou claro que com a aprovação de um quarto pacote de sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU, sob forte pressão dos Estados Unidos, a direção europeia "precisa mais que nunca ganhar a confiança do povo iraniano".
"Resulta muito curioso que, pese os esforços dos chanceleres brasileiro e turco para retomar as conversas, vocês têm estado renuentes nos últimos três meses, mas imediatamente depois aprovam a resolução 1229 da ONU", observou.