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Postado em 13/08/2017 8:54

EUA e Coreia do Norte já estão em conversações na ONU 

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11/8/2017, Alexander Mercouris, The Duran

Onde se aprende que os veículos da mídia-empresa ‘ocidental’ existem EXCLUSIVAMENTE para pautar para a discussão social só os temas que nada significam e levam a coisa alguma que não seja mais do (velho pervertido e corrupto) mesmo.

Para conhecer a posição do governo golpista do Brasil sobre a ‘questão’ da Coreia do Norte ver “Decreto de Michel Temer reforça medidas contra a Coréia do Norte – A Resolução 2.321”, Revista Sociedade Militar, 24/4/2017; e o discurso do deputado-bispo Marco Feliciano “Que se feche a representação diplomática da Coreia do Norte” (vídeo).
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Já estão operando canais diplomáticos entre diplomatas de segundo escalão de EUA e Coreia do Norte estabelecidos em New York, abrindo o caminho para uma recomposição nas relações, semelhante à que se realizou entre EUA e China, nos anos 1970s.

Por mais que pareça que a batalha retórica entre EUA e a Coreia do Norte ameace escapar de qualquer controle, matéria da Associated Press sugere que os diplomatas já começaram a conversar.

Ao que tudo indica, os contatos diplomáticos entre EUA e Coreia do Norte estão acontecendo nas instalações da ONU em New York, onde diplomatas de segundo escalão dos dois países iniciaram conversações já há alguns meses. Eis o que noticiou a agência Associated Press:

Os contatos têm acontecido regularmente entre Joseph Yun, enviado da ONU para temas da política da Coreia do Norte, e Pak Song Il, veterano diplomata norte coreano da representação do país na ONU, segundo funcionários dos EUA e outros consultados sobre o processo. Não estão autorizados a discutir os assuntos examinados, tratados como confidenciais, e falaram à AP sob a condição de que seus nomes não seriam divulgados.

Os funcionários referem-se àqueles contatos como “o canal New York”. Yun é o único diplomata dos EUA a manter contato com qualquer diplomata norte-coreano. As comunicações servem sobretudo para permitir troca de mensagens, de modo que Washington e Pyongyang recebam informação confiável.

Embora tudo sugira que esses contatos têm-se concentrado em conseguir a libertação de cidadãos norte-americanos detidos na Coreia do Norte, Yun e Pak também têm discutido o estado geral das relações EUA-Coreia do Norte.

Mais que isso, parece que embora tenha havido contatos diplomáticos esporádicos nesse nível entre EUA e Coreia do Norte, o diálogo tornou-se mais frequente e mais sustentado – agora praticamente já em nível de ‘canais diplomáticos internos’ – desde que o governo Trump assumiu a Casa Branca

“Trump, em certo sentido, tem sido mais flexível no modo de abordar a Coreia do Norte que o presidente Barack Obama. Embora diferentes formatos do canal New York tenham sido usados frequentemente por governos anteriores, não houve praticamente contato algum durante os últimos sete anos do governo Obama, depois que Pyongyang interrompeu todos os contatos em retaliação às sanções que os EUA impuseram ao presidente norte-coreano. Obama pouco se esforçou para reabrir essas linhas de comunicação.

Depois da posse de Trump, os contatos foram imediatamente reiniciados, dizem outras pessoas informadas sobre o andamento das discussões.

“Ao contrário do que sugerem o tom corrosivo de tudo que se publica atualmente, os norte-coreanos manifestaram disposição para reabrir o canal New York logo depois de eleito o presidente Trump, quando seu governo sinalizou uma abertura para iniciar ‘conversações sobre conversações’ – disse Keith Luse, diretor executivo do Comitê Nacional para Coreia do Norte, um grupo com sede nos EUA que promove a reaproximação entre os EUA e a República Popular Democrática da Coreia.

Não é difícil ver aí, por trás desses movimentos, a influência de Rex Tillerson – o realista secretário de Estado do governo Trump.

O diálogo Yun-Pak é por enquanto pouco além de troca de informações. Mas se se decidir a favor do início de conversações formais, aquele diálogo pode servir como veículo para dar andamento a elas.

Bom precedente seria o canal que Henry Kissinger abriu para a China, com a ajuda de diplomatas romenos e paquistaneses em 1971, e que levou à primeira viagem secreta de Kissinger à China para conversações com o primeiro-ministro Xu Enlai em julho de 1971. Aquela visita levou depois à surpreendente viagem do presidente Nixon dos EUA à China, em fevereiro de 1972.

Os contatos de Kissinger com a China em 1971 tiveram de ser iniciados e conduzidos sob absoluto sigilo, por causa da forte oposição que havia a qualquer normalização nas relações dos EUA com a China, e oposição ativa nos EUA, na China e também internacionalmente. Na verdade, as relações entre EUA e China naquele momento eram tão precárias que o primeiro sinal de um provável degelo diplomático entre os dois países foi uma visita à China, de uma equipe de jogadores de tênis-de-mesa norte-americanos, em abril de 1971.

Não se pode afirmar que nos anos 1950s e 1960s as relações entre EUA e China seriam realmente tão tensas quanto, hoje, as relações entre EUA e Coreia do Norte. Mas a retórica que EUA e China usavam uns contra os outros era exatamente tão dura quanto o que se ouve hoje dito entre EUA e Coreia do Norte.

Importante que, naquele momento, os EUA tentavam derrubar o regime chinês, para substituí-lo por um ‘governo chinês’ que teria sede em Taiwan – exatamente como, hoje, até recentemente ainda tentava derrubar o governo da Coreia do Norte, especialmente durante o governo de George W. Bush; e também fazia o possível para impor um bloqueio à China, exatamente como os EUA tentam hoje forçar bloqueio de todos os países contra a Coreia do Norte.

Quando o presidente Nixon foi à China, em visita que surpreendeu os norte-americanos, e reuniu-se em Pequim com Mao Tse Tung – tão extraordinariamente demonizado então, quanto Kim Jong-un hoje –, o que se viu foi a maior e mais espetacularmente bem-sucedida manobra diplomática dos EUA desde o final da 2ª Guerra Mundial.

Evidentemente, a Coreia do Norte não é tão importante hoje quanto a China dos anos 1970s, embora, com o rápido avanço de seu programa de armas atômicas, pode-se dizer que seja ainda mais perigosa que a China de então. Mas não há razão, hoje, para o sigilo ao qual Nixon e Kissinger foram obrigados pelas circunstâncias em 1971.

Todo o mundo – exceto alguns políticos recalcitrantes nos EUA [e o deputado pastor Marco Feliciano, além do governo golpista de Michel Temer do Brasil] –, inclusive os governos de China, Rússia, Coreia do Sul e Japão receberiam com entusiasmo quaisquer passos que os EUA deem para normalizar as relações com a Coreia do Norte.

Se o presidente Trump deseja garantir para si um lugar honrado na história, bem poderia copiar o exemplo de Kissinger e Nixon, e usar o canal diplomático já existente e acessível para ele em New York – e a ajuda que chineses e russos já lhe ofereceram – para conseguir que Pyongyang o convide para uma visita de paz.*****

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