Brasília, 21 de abril de 2019 às 23:16
Selecione o Idioma:

Oriente Médio

Postado em 04/02/2019 8:55

Hannibal Kadhafi: fui preso apenas porque sou filho de Muammar Kadhafi

.

© Sputnik / Andrei Stenin

A profanação da bandeira líbia em Beirute e a recusa da Líbia em participar da cúpula da Liga Árabe no Líbano provocaram uma crise nas relações entre os dois países.

O partido libanês xiita Amal não quer a presença de representantes oficiais da Líbia em Beirute até obter informações confiáveis sobre o paradeiro de seu líder Musa al-Sadr e de seus dois companheiros, que desapareceram décadas atrás em Trípoli, capital líbia.

O conflito entre os dois países chamou a atenção para a situação de Hannibal Kadhafi, que está cumprindo pena em uma prisão libanesa desde 2015. Ele é acusado de ocultar informações sobre o desaparecimento de Musa al-Sadr.Segundo Kadhafi, ele foi sequestrado na Síria por uma gangue armada em 6 de dezembro de 2015 e levado ilegalmente  para o Líbano, para a região de Bekaa.

“Fiquei lá por uma semana, fui torturado fisica e psicologicamente com o objetivo de me forçarem a revelar informações sobre o desaparecimento de Musa al-Sadr e de seus dois companheiros, o xeque Muhammad Yaacoub – foi seu filho que preparou a operação do meu sequestro — e Abbas Badreddine em 1978”, disse.

Respondendo à pergunta sobre se está sendo feita alguma investigação quanto à acusação de ocultar informações sobre o caso de Musa al-Sadr, Kadhafi observou que ele foi preso apenas porque é filho de Muammar Kadhafi

“Em 1982, o caso de seu desaparecimento foi encaminhado ao Conselho Judicial Libanês. No entanto, neste caso eu não […] era nem suspeito, nem testemunha, nem acusado. Ou seja, acontece que o motivo da minha prisão não tem nada a ver com este processo, fui preso apenas porque sou filho de Muammar Kadhafi”, frisou.

“O fato é que, quando esses eventos ocorreram em 1978, eu tinha apenas dois anos de idade”, disse.

Hannibal Kadhafi observou que as condições da prisão não são satisfatórias. Além disso, ele não consegue entrar em contato com a família, nem com a mídia, e aqueles que o visitam são proibidos de entrar no Líbano.Questionado sobre a possibilidade de participar da vida política depois de ser libertado, ele ressaltou que “é muito cedo para falar sobre isso agora” e que nunca ocupou cargos nos serviços de segurança, sendo apenas um consultor na área do transporte marítimo.

“Contamos com o grande papel da Rússia, como um grande país, em tais casos de injustiça. Agradeço-lhe pelos esforços que está fazendo pela minha libertação”, concluiu.

Sputnik

Comentários: