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Postado em 11/06/2017 11:37

Inimigos da humanidade querem dar a Trump tratamento JFK

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Golpe-de-estado nos EUA, quando aconteceu e hoje

Anton Chaitkin,* The Vineyard of the Saker (1/2)
A oligarquia anglo-norte-americana iniciou um golpe contra o presidente Donald Trump imediatamente depois do resultado surpreendente que o pôs na Casa Branca. Entraram em pânico para bloquear os projetos dele, anunciados, de parceria com a Rússia, de pôr fim à guerra permanente, de derrubar o Livre Comércio predatório, e de fazer voltar a lei Glass Steagall para quebrar o poder de Wall Street.

O pânico virou frenesi na questão russa, quando se soube que Trump trabalhou com conselheiros estrategistas dispostos a devolver os EUA à posição tradicional de apoiar a soberania nacional e esquecer para sempre a insanidade da ‘troca-de-regime’, obsessão dos presidentes Bush e Obama.

Já vimos antes esse tipo de golpe de estado, aplicado contra o mais importante presidente nacionalista dos EUA na segunda metade do século 20, John F. Kennedy. Desde então, vivemos à sombra daquele golpe.

Lançar alguma luz nova sobre aqueles eventos e, mais importante, sobre o que o próprio Kennedy compreendeu daquele processo, pode ajudar-nos a ver mais claramente a trilha que pode nos levar à sanidade e à sobrevivência.

Nesse documento, focamos dois principais inimigos mortais de JFK, Allen Dulles e Lyman Lemnitzer, o primeiro no mundo da espionagem; o outro, no mundo militar. Embora fossem norte-americanos, nós os situaremos como eles próprios se viam, internacionalmente: foram homens da estrutura de poder, centrada em Londres, que comandou a Guerra Fria contra o plano de paz e de pôr fim à 2ª Guerra Mundial do presidente Franklin Roosevelt; que fez guerra contra o presidente Kennedy; e que agora empurra o mundo para outra guerra mundial.

1. Dulles e Lemnitzer traem o presidente Roosevelt

Em novembro de 1942, Allen Dulles instalou sua base em Berna, capital da Suíça, em colaboração com o chefe do serviço secreto de inteligência britânico naquela cidade, Frederick Vanden Heuvel.

Allen Dulles era o mais conhecido advogado norte-americano a serviço dos interesses financeiros e políticos de Morgan, Rockefeller e Harriman, interesses intimamente aliados à Coroa Britânica e à City londrina. Nominalmente, era alto funcionário do Gabinete de Serviços Estratégicos do presidente Roosevelt [ing. Office of Strategic Services (OSS)], organização de inteligência. Mas Dulles e o presidente eram inimigos figadais.

Um mês antes de Dulles chegar a Berna, o governo Roosevelt usara a Lei sobre Comércio com o Inimigo [ing.Trading with the Enemy Act] para confiscar ações num aparelho de fachada dos nazistas (“Union Banking Corporation”) dirigido pelos escritórios de New York de um dos principais clientes de Allen e do seu irmão John Foster Dulles, Brown Brothers Harriman.[1]** Harriman, a empresa-mãe, era um dos maiores bancos privados de investimentos do mundo, intimamente conectado ao Banco da Inglaterra. Os advogados do Banco Harriman, os irmãos Dulles, durante muito tempo atuaram como intermediários entre aquele banco e o governo de Hitler.

Em Berna, Dulles e Vanden Heuvel começaram a discutir com seus contatos nazistas o modo como as forças alemãs seriam realocadas contra a União Soviética, aliada dos EUA contra Hitler, depois de Grã-Bretanha e EUA terem concluído o que eles esperavam que seria um acordo de paz em separado com os nazistas.

O estrategista da inteligência britânica Van den Heuvel e Dulles encontraram-se em fevereiro de 1943 com um representante da SS – setor do regime alemão então encarregado de exterminar os judeus. O porta-voz da SS era um príncipe alemão da Tchecoslováquia, Max Egon Hohenlohe,[2] amigo de Dulles há 20 anos.

Em relato daquelas discussões de 1943 em Berna, Hohenlohe disse que Dulles o informara de que os arranjos pós-guerra teriam de permitir “a existência de uma ‘Alemanha Expandida’ [ing. ‘Greater Alemanha‘] que incluiria a Áustria e uma parte da Tchecoslováquia (…), que seria parte de um ‘cordão sanitário contra o bolchevismo e o pan-eslavismo, que (…) seria a ‘melhor salvaguarda da ordem e do progresso na Europa Central e Oriental.'” [3]

Entrementes, o presidente D. Roosevelt conferenciava com o primeiro-ministro britânico Winston Churchill em Casablanca, Marrocos, em janeiro de 1943. Roosevelt declarou que a firme política dos Aliados tinha de ser “rendição incondicional” dos nazistas. FDR, usando a terminologia do general Ulysses S. Grant, na Guerra Civil Norte-americana, enfatizou que o poder de guerra alemão tinha de ser completamente extinto, ideia absolutamente oposta aos planos de Londres, a qual queria redirecionar a Alemanha para fazer guerra à Rússia. A posição de Roosevelt chocou Churchill o qual, embora não tenha reagido, jamais aceitou essa posição.

A Rússia há muito tempo era um dos alvos das guerras geopolíticas britânicas. O Império Britânico sempre teve horror de qualquer potencial crescimento na Eurásia de potências nacionais industriais que pudessem vir a desafiar a hegemonia global dos britânicos, que era baseada em livre comércio, controle dos fluxos financeiros e supremacia nos mares. Temia-se sobretudo qualquer aliança entre Rússia e os EUA, duas nações transcontinentais cujos melhores pensadores haviam passado a se verem como aliados naturais – relacionamento que tomou forma mediante o acurado estudo de Alexander Hamilton, da economia de construção nacional da Rússia no início do século 19; da participação dos norte-americanos na construção das primeiras ferrovias russas nos anos 1830s; do grande apoio popular que os norte-americanos deram à Rússia quando o país for atacado pelos britânicos na Guerra da Crimeia dos anos 1850s; do apoio militar que o Czar Alexandre II deu ao presidente Abraham Lincoln; da União contra a Confederação patrocinada por Londres; e do rápido avanço no final do século 19 da indústria russa sob comando do ministro de Finanças Conde Sergei Witte, dedicado praticante da economia Hamiltoniana do “Sistema Americano”.

Durante essa longa caminhada no final do século 19, para impedir que o Sistema Americano se disseminasse na Europa, mediante especialmente o expediente de jogar Alemanha e Rússia uma contra a outra, a Grã-Bretanha patrocinou a guerra de 1905 do seu aliado Japão, que desestabilizou a Rússia e levou, em 1917, a levantes que Londres tentou controlar.

Mas os britânicos não conseguiram controlar a Revolução Bolchevique, nem as subsequentes políticas de Lênin e Stálin na União Soviética; e quando a Rússia não pôde ser controlada por agentes e aliados internos, a Grã-Bretanha recorreu a uma sua prática tradicional para enfraquecê-la: a guerra.

Britânicos interessados e respectivos parceiros em Wall Street haviam apoiado a ascensão de Hitler, em boa medida a partir da lógica de que Hitler faria guerra à Rússia. A Grã-Bretanha só começou a fazer real oposição a Hitler quando ele virou seus canhões na direção dela, em 1940.

Depois que EUA uniram-se à guerra contra Alemanha, a Itália fascista e o Japão, no final de 1941, Churchill trabalhou para prolongar o conflito, enquanto os russos morriam aos milhões resistindo contra os nazistas, que haviam invadido a Rússia em junho daquele ano. Até 1944, Churchill impediu que qualquer invasão ocidental direta pela França atingisse a Alemanha. Os principais aliados da facção de Churchill nessa tática de bloqueio eram o general Bernard Montgomery, comandante do 8º Exército Britânico, e o oficial superior de Montgomery, general Harold Alexander, comandante britânico no Mediterrâneo, da alta aristocracia inglesa e íntimo da Família Real.

O presidente Roosevelt sabia bem da perfídia de britânicos e de Wall Street. Quando retornou de Casablanca, Roosevelt explicou ao povo norte-americano a doutrina da rendição incondicional:

“A menos que a paz que venha depois [dessa guerra] reconheça que o mundo é um só espaço e faça justiça a toda a raça humana, os germens de outra guerra mundial permanecerão como ameaça constante à humanidade (…)

No esforço para afastar o inevitável desastre que os espera, os propagandistas do Eixo tentam agora todos os seus velhos truques, para dividir as Nações Unidas. Buscam criar a ideia de que, se nós vencermos essa guerra, Rússia e Inglaterra e China e os EUA, nos meteremos numa briga de cão e gato.

Nesse esforço final para pôr uma nação contra a outra, na vã esperança de que podem se acertar com um ou dos de cada vez – e de que muitos de nós somos tão simplórios e tão dispostos a tudo perdoar, a ponto de sermos arrastados a fazer ‘negócios’ à custa de nossos aliados.

A essas tentativas de pânico – e a melhor palavra é essa, “de pânico” – para escapar às consequências de seus crimes, nós dizemos – todas as Nações Unidas dizem – que os únicos termos pelos quais podemos negociar com qualquer governo do Eixo ou qualquer facção do Eixo são os termos proclamados em Casablanca: “rendição incondicional.” Nós sabemos e o povo comum dos países nossos inimigos também virá a saber, que em nossa política sem concessões não temos intenção de causar qualquer mal aos povos das nações do Eixo. Mas, sim, castigaremos, e faremos pagar por todas as suas culpas, os líderes bárbaros daqueles países.

Os nazistas devem estar em frenesi – não só em pânico, mas já em frenesi descontrolado, se creem que possam inventar propaganda que ponha contra a Rússia os governos britânico e norte-americano e chinês e respectivos povos – ou a Rússia contra o resto de nós.

A gigantesca coragem, a imensa capacidade de resistência e de luta do povo russo, na defesa contra o invasor e para expulsá-lo da Rússia –, o gênio do Sr. Stálin e de seus comandantes militares, que dirigiram e comandaram os exércitos russos – tudo isso fala por si.[4]

As táticas de Londres conseguiram desviar a força militar anglo-norte-americana para o norte da África e pela Itália, começando pela invasão da Sicília. Décadas de falsificações e mentiras geopolíticas seriam construídas e distribuídas a partir da posição britânica na Itália.

As relações entre os aliados EUA e Grã-Bretanha já eram de profunda desconfiança em Julho de 1943, quando começaram a entrar na Sicília. Sob a ideia de que as tropas dos EUA seriam inferiores em qualidade de combate às britânicas, o general Alexander ordenou inicialmente que o general George Patton dos EUA mantivesse suas forças sempre atrás das do general Montgomery, durante grande trecho do deslocamento pela ilha. O oficial norte-americano de ligação no gabinete de Alexander, general Clarence Huebner, enfureceu o general Alexander, ao manobrar para ajudar Patton a romper o bloqueio britânico e praticamente atropelar Montgomery na corrida rumo à vitória na Sicília.

Huebner, exageradamente ianque, foi expulso da entourage de Alexander.

Entra em cena Lyman Lemnitzer

O general Lyman Lemnitzer substituiu Huebner (25/7/1943) como ligação dos EUA com o comandante britânico no Mediterrâneo. Lemnitzer, norte-americano de nascimento modesto e muito ambicioso, via a aristocracia britânica e a Alta Sociedade, como senhores dos grandes e importantes assuntos do mundo. Lemnitzer tinha “paixão por manter-se longe da ribalta”, “raramente lia algum livro” e “não falava outros idiomas”.[5]

Mas fez de Harold Alexander seu reverenciado mentor[6] e sob o patrocínio desse general britânico, durante toda sua carreira subsequente, Lemnitzer ascendeu aos mais altos escalões militares.

Lemnitzer tinha atitude de patética reverência ante todos os oligarcas e seus segredos, que ele via como mágicos. Seu biógrafo autorizado sugere que essa atitude mental transparecia no grande orgulho que o general sentia por ter ascendido aos graus mais altos da Maçonaria.[7]

O general Harold Alexander era filho do Duque da Caledônia, e auxiliar-de-campo do rei Jorge 6º. O general fora alto oficial da Grande Loja Maçônica da Inglaterra, corpo que comandava toda a maçonaria do Império Britânico, da qual tradicionalmente os príncipes da Família Real eram grão-mestres.

Lord Alexander era mestre da Loja Maçônica Athlumney, cujos iniciados eram, na maioria, membros do White’s [literalmente: “do branco”] – legendário clube masculino de Londres, em cujo bar o diretor do MI6 Stewart Menzies comandava “grande parte dos negócios informais” do Serviço Secreto de Inteligência (MI6) durante e depois da 2ª Guerra Mundial.[8]

Durante os dois últimos anos da guerra, 1943-1945, o general Lemnitzer organizou encontros para o general Alexander com o rei Jorge 6º, Winston Churchill, Harold MacMillan e outros líderes britânicos, viajando como leva e traz, entre o quartel-general do general Alexander num vasto palácio em Caserta, Itália, e os palácios reais em Londres.

Operation Sunrise [Operação Alvorada]

Em março de 1945, com os aliados já finalmente correndo pela Alemanha para pôr fim à guerra contra Hitler, o presidente Roosevelt relatou ao Congresso o encontro, recém encerrado com o premiê soviético Josef Stálin e Churchill em Ialta, na Península da Crimeia na União Soviética.

Roosevelt reiterou que a rendição incondicional dos nazistas significava cooperação EUA-Soviéticos no pós-guerra, na condução dos assuntos dos dois lados, da Europa Ocidental e da Europa Oriental; que “os problemas políticos e econômicos de qualquer área libertada da ocupação nazista são de responsabilidade conjunta dos três governos – EUA, Grã-Bretanha e URSS. Insistiu em que a paz vindoura deveria ser o fim do sistema fracassado de “alianças exclusivas, de esferas de influência, de equilíbrios de poder” – quer dizer: do velho sistema britânico de dividir-para-governar.

Mas naquele momento, Dulles já iniciara negociações secretas em Berna com o general alemão Karl Wolff,[9]comandante das forças SS na Itália, para que Grã-Bretanha e os EUA assinassem em separado uma paz com a Alemanha, que permitisse o redeslocamento de forças alemãs contra a Rússia. Dia 13 de março, o comandante britânico Harold Alexander envio o general norte-americano Lemnitzer (acompanhado pelo general britânico Terence Airey, oficial de inteligência do gabinete de Alexander) à Suíça, para dar continuidade àquelas negociações. Dulles, Lemnitzer, Airey e Wolff encontraram-se então repetidas vezes em Lugano, Suíça.

Aquelas conversações viriam a ser conhecidas como Operação Alvorada [ing. Operation Sunrise]. Dulles e Lemnitzer ganhariam fama e muitos aplausos em Londres, pelo grande feito de trair o próprio Comandante-em-chefe.

Roosevelt só soube o que Dulles e os britânicos queriam que soubesse – que as conversas com o general Wolff haviam sido meramente preliminares, para conseguir um encontro com o general Alexander no quartel-general de Caserta para negociar uma rendição.

O ministro soviético de Relações Exteriores Vyacheslav Molotov escreveu uma carta ao embaixador dos EUA em Moscou, Averell Harriman, dia 22 de março, protestando contra a evidência de que as reuniões Dulles/British aconteciam já há duas semanas pelas costas dos soviéticos. Da resposta de Roosevelt,[10] vê-se que o presidente não sabia que já havia negociações em curso, regidas pelo interesse dos britânicos em perpetuar a Guerra Mundial, indefinidamente – então já contra a Rússia.

O mundo pós-colonial

O presidente dos EUA acabava, naquele momento, de declarar, muito publicamente, a visão anticolonial que tinha, para o mundo pós-guerra, em contradição com os planos de seus contrapartes londrinos. Roosevelt disse, na conferência de imprensa que fez dia 23/2/1945, a bordo do U.S. Quincy, de volta aos EUA, saído de Ialta:

“Estou terrivelmente preocupado com a Indochina [Vietnã e países vizinhos]. Falei com [chinês, generalíssimo] Chiang Kai-shek no Cairo, Stálin em Teerã. Ambos concordam comigo. Os franceses estão lá há algumas centenas de anos (…).

[Chiang] disse que [a Indochina] não deve voltar a pertencer aos franceses, que estiveram lá por mais de 100 anos e nada fizeram para educar aquele povo, que para cada dólar que puseram lá, tiraram dez (…).

Com os indochineses, há um sentimento de que têm de ser independentes, mas ainda não estão prontos. Na ocasião, sugeri que a Indochina sob governo colegiado – um francês, um ou dois indochineses, um chinês e um russo, porque estão na costa, e talvez um filipino e um norte-americano – para educá-los para o autogoverno (…).

Stálin gosta da ideia. Chiang gosta da ideia. Os britânicos não gostam. Pode explodir o império deles, porque se os indochineses trabalham juntos e eventualmente chegam à independência, os de Burma podem querer fazer o mesmo à Inglaterra (…).

[Pergunta de um repórter:] É a ideia de Churchill, para todo o território lá, que tudo volte a ser exatamente como era antes?

Presidente: Sim, ele é meio vitoriano nesse tipo de coisa.

[Pergunta de um repórter:] O senhor lembra-se daquele discurso do primeiro-ministro, quando disse que não era primeiro-ministro da Grande Grã-Bretanha para ver o império cair aos pedaços?

Presidente: Isso, o caro velho Winston jamais aprenderá. Fez carreira e ganhou notoriedade repetindo precisamente esse ponto…” [11]

O presidente Roosevelt morreu dia 12 de abril. Uma rendição das forças militares nazistas na Itália foi afinal assinada no quartel-general de Alexander em Caserta, dia 29 de abril, apenas oito dias da rendição total dos alemães na Europa. Mas quantidade considerável de mal já havia sido posta em movimento nas conversações suíças.

A morte de Roosevelt antes de ter podido formular e garantir a paz foi uma catástrofe para os EUA e para o mundo.

Os que FDR chamara de “Tories” correram a se firmar no controle sobre toda a estratégia dos EUA. Por tradição de família e pelas próprias instituições, aqueles nobres de Londres/Wall Street jamais aceitaram os princípios da Revolução Norte-americana. Haviam adquirido poder sobre os negócios dos EUA na alvorada do século 20, depois do assassinato do presidente William McKinley em 1901 e da ascensão de figuras como os presidentes Theodore Roosevelt e Woodrow Wilson. Mas o crash daqueles maus governos dos anos 1930s permitiram a FDR, com seu New Deal e desenvolvimento de infraestrutura, trazer de volta a devoção norte-americana ao progresso, que inspirara os nacionalistas e modernizadores do mundo todo. Com FDR já fora do baralho, a facção anglo-norte-americana passou a enfatizar seus objetivos financeiros-imperiais, sob o tema de “liberdade” versus “comunismo.”

Os britânicos excluíram os soviéticos das negociações Wolff sob o argumento de que os soviéticos não podiam participar de arranjos do pós-guerra na Itália nem em outros países da Europa Ocidental, ao mesmo tempo em que os britânicos tampouco queriam que os aliados participassem dos arranjos nos países da Europa Oriental a serem ocupados por forças soviéticas. Assim começou a divisão do mundo que viria a ser conhecida como a Guerra Fria.[12]

Allen Dulles e o MI6 britânico ajudaram muitos criminosos de guerra da alta hierarquia do governo nazista, além de Karl Wolff, a escapar do julgamento pelos tribunais de Nuremberg de crimes de guerra. Escaparam pelas “linhas-de-rato” na Europa, no Oriente Médio e na América Latina, para promover ditadores e comandar exércitos clandestinos. Entre esses, estava Klaus Barbie (o SS assassino de massa na França); Reinhard Gehlen (oficial da inteligência nazista que se tornou chefe do serviço de inteligência alemão pós-guerra, sob direta supervisão da CIA e do MI6); Otto Skorzeny (chefe das unidades especiais de SS, mestre em criar exércitos clandestinos e esquadrões da morte na Europa, África e América do Sul); e Hjalmar Schacht (sogro de Skorzeny, banqueiro, protegido do presidente do Banco da Inglaterra Montagu Norman e de John Foster Dulles). Schacht coordenara a arrecadação de fundos para instalar Hitler como ditador da Alemanha e supervisionara a construção da máquina de guerra nazista.[13]

A 14ª Divisão Waffen SS de Granadeiros (1ª galiciana), de 8 mil soldados ucranianos sob comando nazista, inclusive guardas de campos de concentração, rendeu-se ao general Alexander. Em vez de ser mandada de volta à URSS para ser desmobilizada, foi distribuída para Grã-Bretanha, Canadá e por toda a Europa, para que os soldados fossem usados em exércitos secretos clandestinos sob comando da OTAN. Herdeiros dessas e de outras alas da Organização de Nacionalista Ucranianos [ing. Organization of Ukrainian Nationalists (OUN)] de fascistas ucranianos, até hoje celebram a guerra de Hitler contra a Rússia. Ainda têm considerável influência na OTAN e nos corredores do poder de Washington, que lhes garantiu o apoio dos EUA para o golpe anglo-norte-americano de fevereiro de 2014, que pôs no poder na Ucrânia o governo que lá está até hoje.[14]

2. Kennedy encara a tragédia do pós-guerra

Em abril de 1945, quando a guerra mundial rumava para seu final incerto e desgraçado, John F. Kennedy[15]começou a trabalhar como correspondente especial da empresa de jornais Hearst [ing. Hearst Newspapers]. Kennedy cobriu a tensa conferência (17/7 a 2/8/1945) em Potsdam, perto de Berlin, entre Churchill, Stálin e Harry Truman, sucessor de Roosevelt.

Por trás das cortinas em Berlim, os britânicos continuaram a seguir a lógica da Operação Alvorada [ing. OperationSunrise]. Com Roosevelt morto, Churchill encomendara um plano militar top secret, Operação Impensável [ing.Operation Unthinkable],[16] na qual os exércitos alemães, em vez de serem desmobilizados, seriam postos novamente em ação ao lado de divisões norte-americanas e britânicas para a guerra sem trégua contra a União Soviética. O relatório final Impensável chegou às mãos de Churchill dia 11 de julho.

Dia 16 de julho, um dia antes de a Conferência de Potsdam ser inaugurada, os EUA testaram com sucesso a primeira bomba atômica (no Novo México). Churchill estava informado da operação secreta, o que dá implicações ainda mais graves à Operação Impensável. Churchill comentou que Truman, então já nuclear, estava nas nuvens e não perdia ocasião de ‘dar ordens’ a Stálin.

Na metade da Conferência, dia 26 de julho, o líder do Partido Trabalhista Clement foi declarado vencedor da eleição britânica e substituiu Churchill como primeiro-ministro. A Operação Impensável foi para a prateleira – mas os soviéticos não esqueceram o projeto do establishment britânico.

Quando Truman navegava de volta da Europa para casa, dia 6/8, Hiroshima, Japão, foi destruída por uma bomba atômica.[17]

Uma sombra de medo logo cobriria a Terra; em 1953, os EUA e os Soviéticos já teriam desenvolvido bombas de hidrogênio capazes de pôr fim à vida sobre a Terra.

Anos depois, John Kennedy sugeriu que, em 1946, quando pela primeira vez concorreu a uma vaga no Congresso, já acompanhava com amargura o mundo tenebroso que sua geração herdara. Lutou para compreender o que saíra tão errado. Como a política de paz de Roosevelt foi destruída? Acreditava que o Comunismo Soviético distorcera a história e violara a natureza humana; mas que a própria missão dos EUA de elevar a humanidade estava sendo soterrada na divisão do mundo que se aprofundava rapidamente.

JFK foi eleito deputado pela primeira vez em 1946. Na família, estava assumindo o papel político de liderança que se esperava fosse de seu irmão Joseph, que morreu na guerra; e na mente de Kennedy crescia a ideia de que ele mesmo teria de liderar a saída para fora do desastre político nacional dos EUA.

O problema que Kennedy teria de enfrentar foi que o sistema imperial centrado em Londres que FDR procurara abolir havia sobrevivido à morte do presidente dos EUA sob a forma de um aparelho financeiro global de saqueio, que controlava continentes mesmo sem a formalidade de governos coloniais. A preservação e expansão desse sistema constituíam a base das atividades das agências secretas de inteligência anglo-norte-americanas e a estrutura da aliança militar atlântica depois da 2ª Guerra Mundial.

O Executivo de Operações Especiais, EOE

Podem-se observar as realidades dessa criptogovernança na origem dos exércitos político-militares clandestinos “de retaguarda” que os britânicos, com a ajuda de Dulles, Lemnitzer e alguns velhos nazistas, distribuíram em torno da Europa.

O Executivo de Operações Especiais, EOE [ing. Special Operations Executive (SOE)] fora formado em 1940, como agência da Grã-Bretanha para tempo de guerra, para espionagem, sabotagem e assassinato em áreas ocupadas por nazistas. O EOE era dirigido por dois homens, principalmente: o Comandante do EOE Roundell Palmer, e o Diretor do EOE Charles Hambro. Figuras de grande destaque no centro financeiro da City de Londres e no aparato imperial associado.

Roundell Cecil Palmer, 3º Conde de Selborne, nasceu para o poder imperial, como filho do Alto Comissário da África do Sul,[18] sobrinho e protegido de Lord Robert Cecil, e neto de Lord Salisbury (Robert Arthur Talbot Gascoyne-Cecil),que fora três vezes primeiro-ministro do Reino Unido entre 1885 e 1902. Os Palmers eram uma das famílias do “Bloco Cecil,” a grande conexão de poder, influência e privilégio controlada pela família Cecil” que “permeava toda a vida britânica desde 1886.”[19]

Roundell Palmer e seus ancestrais Palmer também eram a família líder na hierarquia da Most Worshipful Company of Mercers [port. Venerável Companhia de Mercadores] – o mais alto escalão das “sociedades secretas ‘de libré'” [ing. “livery” companies] que comandam a Corporação City of London. Esses grupos de libré são o núcleo de um aparelho que existe há séculos para gestão de fundos, interligando a Família Real, os bancos de Londres e suas empresas coloniais. Roundell Palmer era diretor da corporação Union Minière du Haut Katanga no Congo, em associação com as holdings centro-africanas de propriedade da Família Real.

Como ministro de Guerra Econômica [ing. Minister of Economic Warfare], Palmer escolheu Hambro, seu colega na City, para dirigir as operações do EOE.

Sir Charles Hambro, de tradicional família de banqueiros britânicos/escandinavos, havia sido poderoso diretor do Banco da Inglaterra, trabalhando com Montagu Norman para instalar e alimentar o regime Hitler na Alemanha, e para fundar o Banco de Compensações Internacionais, BCI [ing. Bank for International Settlements, BIS] com sede na Suíça (e vários nazistas na diretoria), através do qual os saques feitos pelos nazistas e os fundos dos SSseriam usados para objetivos do pós-guerra.

O EOE foi oficialmente desmobilizado depois da rendição dos nazistas. Mas Roundell Palmer insistiu em que seu pessoal, suas capacidades para matar, ativos e arranjos de inteligência continuassem a operar clandestinamente na Europa Ocidental, já numa quase-guerra contra a União Soviética.

Essa nova “comunidade de inteligência” era gerenciada a partir do Privy Council [literalmente Conselho Privado], do aparelho do governo permanente que comandava o Gabinete e o Ministério de Relações Exteriores [ing. Foreign Office], do White’s Club e dos Mercadores e das salas de diretoria na City, indiferentes a eleições e partidos políticos eleitos. A própria existência do MI6, o Serviço Secreto de Inteligência Britânico, só foi oficialmente reconhecida em 1994.

O casamento dos EUA com a Grã-Bretanha imperial para a Guerra Fria levou à Lei de Segurança Nacional de 1947 [ing. 1947 National Security Act], que criou a CIA (Central Intelligence Agency) e o Departamento da Defesa. Como reação à ameaça feita pela Grã-Bretanha, de retirar da Grécia suas forças, os EUA declararam a “Doutrina Truman”, em março de 1947, pela qual os EUA comprometiam-se a construir uma presença antissoviéticos na Europa. O Plano Marshall, de financiamento para a reconstrução europeia pós-guerra foi parcialmente canalizado para a intriga geopolítica da Guerra Fria. E a União Soviética devastada pela guerra ficou excluída desse plano de ajuda.

União Europeia Ocidental, OTAN e a ascensão dos irmãos Dulles (Allen e John Foster)

A profunda conexão britânica do general Lyman Lemnitzer fez dele escolha natural para o Secretário da Defesa James Forrestal enviar a Londres em 1948 como observador dos EUA nas conversas secretas para estabelecer a União Europeia Ocidental, UEO [ing. Western European Union (WEU)], aliança militar de Grã-Bretanha, França, Bélgica, Luxemburgo e Países Baixos. Houve reuniões de planejamento no quartel-general do general britânico Montgomery, em Fontainebleau, França.

Ao logo do ano seguinte, uma Comissão Clandestina desse braço militar da UEO, a Organização de Defesa da União Ocidental, ODUO [ing. Western Union Defense Organization, WUDO], começou a operar sob a orientação do diretor do MI6 Stewart Menzies.[20]

A própria ODUO foi transformada em Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), resultado da estratégia britânica agindo sobre os EUA, como se vê a seguir.

A partir de 1948, o presidente Harry Truman teve como conselheiro o embaixador britânico, Sir Oliver Franks. Franks havia ajudado a enfiar goela abaixo do governo britânico a nova Aliança Atlântica, superando as objeções de soberania nacional dos políticos trabalhistas [ing. Labour politicians]. Franks fora mandado a Washington para superar as mesmas desconfianças e objeções nos EUA. O secretário de Estado anglófilo Dean Acheson vangloria-se em suas memórias de encontrar-se regularmente com Franks em segredo e de tê-lo convertido em virtual membro do Gabinete do presidente.

Sem demora Truman trouxe John Foster Dulles como conselheiro do Departamento de Estado e Allen Dulles como diretor de operações clandestinas da CIA. O subsecretário de Estado Robert A. Lovett (parceiro de Averell Harriman e cliente dos irmãos Dulles na promoção de Hitler) dirigiu as negociações dos EUA para a Aliança Atlântica. Sob pesada pressão britânica, o Congresso votou a favor de os EUA se integrarem à OTAN em 1949. Kim Philby, agente soviético que ainda trabalhava para os britânicos, veio então para Washington como primeiro-secretário do embaixador Franks e ligação do MI6 com a CIA. Philby nutriu a paranoia soviética com relatos de feitos horríveis dos norte-americanos, cimentando assim a aliança anglo-norte-americano da Guerra Fria. Sir Oliver Franks retornou a Londres, para ser presidente do Lloyds Bank.

A estrutura clandestina da Organização de Defesa da União Ocidental construída sob o comando de Sir Stewart Menzies persistiu sob os auspícios da OTAN. Administrava os exércitos secretos geridos por MI6/CIA com os velhos nazistas e fascistas italianos que o compunham, e que nas décadas seguintes viriam a infestar a Europa. O general Lemnitzer, correndo de lá para cá e de cá para lá entre Washington e a Europa no final dos anos 1940s, passou a controlar a logística dos suprimentos militares norte-americanos para o aparato da União Ocidental/OTAN.[21]

3. JFK inicia o ataque

Já como membro deputado no Congresso dos EUA, John F. Kennedy viajou pelo Oriente Médio e Ásia em 1951, acompanhado por seu irmão mais jovem, Robert. Kennedy não gostou de ver que os EUA estavam atropelando a própria herança revolucionária nacional, para apoiar os objetivos imperiais de britânicos e outros.

JFK visitou, dentre outros pontos, o Irã, onde o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh acabava de nacionalizar a Companhia de Petróleo Anglo-Iraniana, para pôr fim ao domínio britânico e ao empobrecimento sistemático de seu país. Oito anos antes, o presidente Roosevelt também visitara Teerã. FDR mandou preparar o Relatório Hurley [ing. Hurley Report], de apoio ao direito do Irã de usar seus próprios recursos, livre do imperialismo, como modelo de soberania nacional a ser buscada por outras ex-colônias.[22] Mas em 1951 Dean Acheson já coordenava, com SirOliver Franks e uma equipe conjunta CIAMI6, o planejamento de um golpe de estado contra Mossadegh,– cuja coragem já inspirava revoltas nacionalistas no Egito de Gamal Abdel Nasser e outros, por todo o norte da África.

Kennedy visitou Israel e países árabes, envolvidos no amargo conflito cevado durante o governo britânico naquela área.

Depois de Yalta, Roosevelt defendera o desenvolvimento econômico dos países muçulmanos desesperadamente pobres, baseado no uso soberano de seus recursos de petróleo como única via possível para a paz regional.[23] Mas quando da visita de JFK, massas de exilados palestinos sem qualquer futuro estavam cercados em campos, e a aliança anglo-norte-americana da Guerra Fria enterrara os planos de progresso de FDR.

No Vietnã, Kennedy deputado buscou suas próprias fontes norte-americanas, francesas e vietnamitas para ter acesso ao que se escondia por trás das explicações oficiais das políticas que, pouco depois, levariam os EUA ao desastre. FDR e seu aliado vietnamita Ho Chi Minh haviam reivindicado a independência do Vietnã. Mas em 1945 o exército britânico tomara o Vietnã do Japão, e entregara o controle do país de volta ao império francês. Quando Truman pôs-se ao lado dos impérios, Ho procurou apoio nos comunistas, e a guerra novamente devorou a região.

De volta aos EUA, Kennedy apresentou, pelo rádio, um relato candente dos vícios que estavam deteriorando a aliança dos EUA com seus adversários imperialistas. Seis anos depois da morte de seu Comandante-em-chefe, Kennedy fazia eco ao que dissera FDR, alertando os EUA contra os objetivos dos países imperialistas:

“[O mundo colonial do pós-guerra] é área na qual a pobreza e a doença são rampantes, no qual a injustiça e a desigualdade são crônicas e fundamente implantadas, e onde o fogo do nacionalista adormecido por tanto tempo agora acordou e arde novamente. É área de nosso mundo que por 100 anos e mais foi fonte de poder e império para a Europa Ocidental – para Inglaterra e França e Holanda (…)

Um Comando do Oriente Médio operando sem cooperação e apoio dos países do Oriente Médio (…) não só intensificará cada força antiocidental já hoje ativa na área, mas, também de um ponto de vista militar, estaria condenado ao fracasso. Até as areias do deserto se levantarão na resistência contra quem chegue para impor controle externo sobre o destino desses povos orgulhosos (…)

O verdadeiro inimigo do mundo árabe é a pobreza, a miséria (…). Nossa intervenção a favor dos investimentos britânicos no petróleo do Irã, dirigida mais para preservar interesses externos ao Irã que para promover o desenvolvimento do Irã, nossa confessada disposição para assumirmos uma responsabilidade militar quase imperial para a ‘segurança’ de Suez, nosso fracasso ao não enfrentar com eficácia, nem depois de três anos, a terrível tragédia de mais de 700 mil refugiados árabes, tudo isso jamais andou a favor dos desejos dos árabes, e tornam ocas todas as promessas que os árabes ouçam pela Voz da América (…)

Na Indochina [Vietnã] nos aliamos ao esforço desesperado de um governo francês de manter-se pendurado ao que resta do império (…) Faz sentido nos opormos ao movimento do sul na direção do Comunismo, mas não apostando tudo, exclusivamente, na força das armas (…).

Veem-se muitos dos nossos representantes empurrando da direção dos objetivos menores de outros países ocidentais, sem nenhuma disposição para compreender as reais esperanças e desejos dos povos aos quais são enviados e acreditados como representantes, na maioria das vezes alinhados, eles mesmos e excessivamente dedicados aos “que tudo têm” e tomando as ações dos “que nada têm” não como esforço para curar injustiças, mas como algo de sinistro e subversivo.

O Ocidente hoje já não é o Ocidente de Palmerston e Disraeli e Cromer…. Queremos, talvez mesmo precisemos, de aliados em ideias, em recursos, até em armas, mas se queremos aliados, temos, antes de tudo, de nos reunir aos nossos amigos.” [24]

Kennedy foi eleito senador em 1953. Enquanto isso, o presidente Eisenhower trouxe John Foster Dulles para o governo, como secretário de Estado, e Allen Dulles como Diretor da Inteligência Central, e começou a promover para comandos cada vez mais altos, o general Lemnitzer, da coorte dos Dulles-britânicos na Operação Alvorada.

Assim, apesar de intenções melhores do presidente Eisenhower reveladas em políticas como Átomos para a Paz, iniciativa dele na ONU, em dezembro de 1953, ali estava em curso uma tétrica continuação do controle imperial britânico sobre funções cruciais do governo dos EUA, que vinha desde a era Truman até a presidência de Eisenhower. Estava personificada nos irmãos Dulles. Os efeitos voaram, por todo o planeta.

O governo do Irã foi derrubado em 1953 pela Inteligência britânica e a CIA dos Dulles. Uma macabra ditadura pôs em cela solitária o primeiro-ministro Mossadegh, que morreu adiante, já em prisão domiciliar. A gigante do petróleo recuperada pelos ingleses trocou de nome para British Petroleum. A fúria antiocidente levaria, em 1979, à Revolução Islâmica do Irã.

Em 1954, a CIA derrubou o presidente da Guatemala Jacobo Arbenz, para reverter a nacionalização feita por ele, da United Fruit Company, cujas imensas plantations mantivera a população em situação de atraso medieval. Dentre as acusações então feitas contra o governo dizia-se que propusera desviar um rio usado por uma plantation para construir uma estação hidrelétrica. A escritório de advocacia dos Dulles representou os interesses da United Fruit, e o próprio Allen Dulles fora membro do conselho de diretores da empresa. O golpe ajudou a travar toda a América Central em situação de miséria extrema, contexto no qual prosperaram o tráfico de drogas, as insurreições violentas e migração de massas de humanos desesperados para o norte, rumo aos EUA.

Os franceses, apesar do apoio dos EUA, foram expulsos do Vietnã em 1954. Durante a batalha crucial em Dien Bien Phu, o secretário de Estado John Foster Dulles propôs-se a fazer desaparecer o campo de batalha com uma bomba atômica, mas o presidente Eisenhower decidiu contra o plano. Um novo regime apoiado pelos EUA foi instalado na metade sul do Vietnã; a guerra ainda se arrastou por anos.

Em 1955 (dois anos depois do fim da Guerra da Coreia), Lyman Lemnitzer tornou-se Comandante das forças do Exército dos EUA no Extremo Oriente. Fez de tudo para levar armas nucleares estratégicas para a Coreia.[25]

Mísseis nucleares de combate apareceram em 1957; e só foram retiradas da Coreia nos anos 1990s. O regime da República Popular Democrática da Coreia (“Coreia do Norte”), comunista, cada vez mais paranoico, começou a desenvolver arsenal nuclear próprio.

Em 1956, o presidente Eisenhower agiu para reduzir o envolvimento dos EUA em operações coloniais no além-mar, exigindo o fim da invasão imperial do Egito pela Grã-Bretanha. Atuou diplomaticamente com a União Soviética e mediante pressão econômica, para forçar Grã-Bretanha, França e Israel a retirarem as tropas que invadiram o Egito para tomar o Canal de Suez e tentar derrubar o presidente Nasser. Eisenh

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