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Postado em 03/10/2018 11:15

‘Já não é apenas guerra comercial’, adverte especialista sobre relações sino-americanas

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© AP Photo / Ng Han Guan

Um especialista em problemas da região Ásia-Pacífico, Vladimir Terekhov, comentou à Sputnik as recentes acusações dos estadunidenses em relação a Pequim, por a China “minar” a base industrial da defesa norte-americana.

Em uma publicação lançada pela revista Foreign Policy, se referindo a fontes anônimas na administração, se afirma que a China usa o monopólio de certos recursos naturais com o objetivo de “minar a base industrial da defesa dos EUA”, o que foi indicado em recente investigação realizada pelo Pentágono a pedido de Donald Trump.

Em opinião do analista Vladimir Terekhov, expressa ao serviço russo da Rádio Sputnik, a investigação encomendada pela presidência norte-americana faz parte de uma confrontação crescente entre os EUA e a China.

“Já não é apenas uma guerra comercial — a confrontação ganha caráter global. Recentemente, houve relatos sobre o voo de um bombardeiro norte-americano no espaço aéreo do mar do Sul da China, enquanto um destroier americano e um chinês quase colidiram no mar. Portanto, a situação está se agudizando, infelizmente, para todos”, afirmou.Outro fator de agravamento e elemento dessa “guerra”, relembra Terekhov, é o fato de os EUA, junto com a UE e o Japão, tentarem reformar a OMC do jeito que lhes convém.

“Assim, se trava uma guerra complexa com relativos sucessos, e a China, evidentemente, usa os recursos de que dispõe para oferecer resistência à pressão estadunidense. Guerra é guerra”, concluiu.

As relações entre os EUA e a China deterioraram-se acentuadamente este ano, quando eclodiu uma guerra comercial entre os dois países. Desde o início de abril, Washington introduziu novas tarifas de importação, às quais a China respondeu proporcionalmente, apesar dos acordos firmados em maio.

A insatisfação dos EUA é causada pelo desequilíbrio da balança comercial entre os dois países, que, segundo as autoridades norte-americanas, é de US$ 500 bilhões (R$ 1,9 trilhão) a favor da China.

Além disso, Washington impôs sanções ao departamento de treinamento de tropas e suprimentos da Comissão Militar Central da China e ao chefe do departamento, Li Shufu. A Casa Branca explicou que as medidas restritivas estão sendo introduzidas por causa da cooperação com a estatal russa Rosoboronexport, especificamente devido à aquisição de aviões Su-35 e sistemas de defesa antiaérea S-400.

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