Brasília, 21 de outubro de 2017 às 00:14
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Em Defesa da Petrobras

Postado em 04/02/2017 9:34

Justificação de Voto do Acionista Minoritário AEPET

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Justificação de Voto do Acionista Minoritário AEPET –Associação dos Engenheiros da Petrobrás, na AGE daPetróleo Brasileiro S.A – PETROBRÁS, realizada em 31/01/2017,

Senhor Presidente, senhoras e senhores acionistas,
No exercício do direito de fiscalizar, sabidamente uma das prerrogativas essenciais do acionista, consoante o art. 109, III, da Lei 6.404/76, o acionista minoritário, AEPET – ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DA PETROBRÁS – AEPET e outros que quiserem acompanhá-la – justificam nesta AGO o voto às matérias da Ordem do Dia. Com base no art. 130 daquela lei solicitam sua transcrição integral na Ata desta Assembleia.
A Associação dos Engenheiros da Petrobrás – Aepet, tem como objetivos estatutários defender o MONOPÓLIO ESTATAL DO PETRÓLEO, a PETROBRÁS, o seu CORPO TÉCNICO e a SOBERANIA NACIONAL. Participa, como acionista, dessa AGE, para se posicionar de forma veemente, contra a venda de 100% da LIQUIGÁS para a Ultragaz, subsidiária da Ultrapar e a venda da Participação na Petroquímica Suape e Citepe para o Grupo Alpek e dar suas razões. Não é hora de vender ativos desvalorizados pela queda, temporária, dos preços internacionais do petróleo.
Fica, cada vez mais evidente, para a Sociedade Brasileira, a retomada do processo de desmonte da Petrobras, para desnacionalizá-la e entregar as reservas de petróleo do pré-sal para as empresas do cartel internacional. Processo iniciado no período 1999/2003, quando  V.Sa. integrava/presidia o Conselho de Administração da Petrobrás.
Da mesma forma, fica claro que o direcionamento dado à Companhia, com cortes nos investimentos em exploração, acentuados no PNG 2017-2021, reduziu o volume das reservas provadas da Petrobras, pelo segundo ano seguido, para os níveis mais baixos desde 2001. Esta falta de investimentos, combinada com a produção crescente, e não obstante as novas descobertas, foram insuficientes para manter nosso índice de reposição de reservas (IRR) acima de 100%, como vinha sendo, por 24 anos consecutivos. De acordo com os dados divulgados pela própria Petrobrás, o IRR em 2016 foi de 34% (ou 25% pelo critério SEC).
Sobre este PLANO DE DESINVESTIMENTOS o Tribunal de Contas da União – TCU se manifestou e decidiu, em 07.12.2016, no Processo TC-013.056/2016-6, da seguinte forma:
            – há vício de legalidade formal na Sistemática adotada pela  PETROBRÁS;
            – há vício de legalidade material no chamado “processo competitivo” para alienação de empresas;
            – inovação indevida na forma de conduzir o processo, em violação ao princípio da legalidade;
            – falta de transparência do “processo competitivo”;
            – possibilidade de escolha de assessor financeiro, sem consulta ao mercado;
            – possibilidade de escolha de eventuais compradores, em processo sigiloso;
            – permissão para alterar o objeto alienado, a qualquer momento, dentre outras irregularidades.
            São características inaceitáveis deste processo de desmonte da PETROBRÁS:
            – inobservância e desrespeito aos princípios constitucionais e legais, como os da legalidade, impessoalidade, publicidade, dentre outros;
            – quebra da integridade da Companhia, com entrega de seu patrimônio – ativos rentáveis, valiosos, sem dívidas – a concorrentes;
            – a estranha ligeireza na sua condução;
            – a conjuntura totalmente desfavorável em que é realizado, marcada pela recessão, preços do petróleo e valores dos ativos fortemente deprimidos;
            – abandono de projetos importantes para o meio ambiente, desenvolvimento social e combate às desigualdades regionais;
            – perdas de receitas operacionais que podem ser avaliadas em bilhões de dólares;
            – desemprego de trabalhadores;
            – concentração do poder econômico em grupos adquirentes, inclusive com a formação de cartéis e monopólios privados estrangeiros;
            – além do impacto da conjuntura, ativos fortemente depreciados, de forma suspeita, pelas empresas de auditoria que promoveram, em sucessivos exercícios, “impairment” em valores que superam os R$ 100,00 bilhões (cem bilhões de reais);
            – fortes suspeitas de conflitos de interesse;
            – absurdo equívoco estratégico, resultante do afastamento da Companhia da indústria petroquímica e da produção de biocombustíveis (biodiesel e etanol) e também diminuição das atividades vinculadas ao gás natural.
            Os inconvenientes, os prejuízos, os desacertos são muitos e não podem ser todos aqui explicitados devido à limitação de tempo disponível para nossa manifestação.
            Devemos registrar aqui, de FORMA CLARA E CONTUNDENTE, que, além de todas as falhas mencionadas, este processo ruinoso é DESNECESSÁRIO. Sim, repetimos, DESNECESSÁRIO, porque a PETROBRÁS pode equacionar e reduzir sua dívida, sem alienar o seu patrimônio em processo lesivo, insidioso, que ameaça o seu futuro e prejudica o país e seus acionistas.
            O Corpo Técnico da Companhia, representado pela AEPET, entidade com 56 anos de atuação em defesa da Empresa e da SOBERANIA NACIONAL, já enviou, reiteradas vezes, documentos, que anexamos à presente manifestação, evidenciando aquela possibilidade “ver anexos”.
            Em entrevista coletiva com jornalistas, em 11.01.2017, o presidente e o diretor financeiro anunciaram o aumento dos investimentos, recursos em caixa da ordem de US$ 22,00 bilhões, suficientes para honrar todos os compromissos da PETROBRÁS, nos próximos 30 meses! E não se diga que esta posição de caixa é mérito dos atuais administradores ou resultado da venda de ativos … O Sr. BENDINE ao afastar-se da presidência da PETROBRÁS registrou, na ocasião, a existência de saldo de caixa superior a R$ 100,00 bilhões ou US$ 27,00 bilhões ao câmbio da época.
            Destacamos aqui palavras do presidente e do diretor financeiro:
            Monteiro observou que a intenção era captar só  US$ 2 bilhões, mas  a reação positiva à operação possibilitou o aumento para US$ 4 bilhões.
“Nossa posição de caixa é maior que todos os vencimentos (dividas) de 2017 e 2018. Isso antes das operações (emissão de bônus) e antes do recebimento dos (recursos) desinvestimentos feitos em 2016, que entrarão no caixa ao longo deste ano, fora os ativos que ainda serão vendidos. Se a Petrobras não fizer nada nestes dois anos e meio, ela já tem recursos suficientes para cumprir com seu serviço da dívida”
No mesmo encontro, o atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, também falou ressaltando que as margens nos preços dos combustíveis tem fortalecido o caixa da empresa. Disse que mesmo não tendo havido aumento no preço da gasolina na última semana, a Petrobras tem mantido as margens “num patamar adequado”.
            A PETROBRÁS segue batendo recordes de produção, o que atesta sua indiscutível competência operacional. Lançou US$ 2,0 bilhões em títulos, vendeu US$ 4,0 bilhões e teve demanda para US$ 20,0 bilhões. Ou seja, continua merecendo a confiança do mercado financeiro, no Brasil e no Exterior.
            Esta AGE foi convocada para aprovar a venda da LIQUIGÁS DISTRIBUIDORA S.A., da PETROQUÍMICA SUAPE e da CITEPE – COMPANHIA INTEGRADA TEXTIL DE PERNAMBUCO.
            A AEPET registra o seu mais veemente protesto contra estas operações lesivas ao patrimônio da PETROBRÁS, prejudicial aos acionistas, além de diversos outros inconvenientes.
A ABSURDA VENDA DA LIQUIGÁS
            A LIQUIGÁS DISTRIBUIDORA S.A. abastece cerca de 22,6% do mercado brasileiro de GLP, a granel e em botijões.
            Subsidiária integral da PETROBRÁS, a LIQUIGÁS é empresa lucrativa, praticamente sem passivo. Segunda maior distribuidora de GLP no Brasil. O mercado de GLP, que movimentou, em 2015, cerca de 7,31 milhões de toneladas, faturamento de R$ 32,00 bilhões é fortemente concentrado. As quatro maiores empresas (ULTRAGAZ, LIQUIGÁS, SUPERGASBRÁS e NACIONAL) têm 85,4% do mesmo. As cinco maiores ultrapassam 95%.
            A LIQUIGÁS tem excepcionais índices operacionais e financeiros. É líder no mercado do P13, o botijão de 13 quilos. Atua praticamente em todos os estados brasileiros. Sua venda para a ULTRAGAZ concentrará, ainda mais, o mercado. A operação põe em risco a sobrevivência de cerca 3700 revendedores de GLP que operam com a bandeira da LIQUIGÁS. Ameaça, também, o emprego de milhares de trabalhadores e milhões de consumidores, com aumento nos preços.
            Registre-se, aqui, que a margem de distribuição (27%) é superior à margem da PETROBRÁS, no refino (25%).
            A operação vem sendo contestada no CADE, no Ministério Público do Trabalho de São Paulo, no Tribunal de Contas da União – TCU, dentre outras entidades pela ASMIRG-BR – Associação Brasileira dos Revendedores de GLP.
            Atividade econômica concentrada em poucos agentes, tende à cartelização com sensíveis prejuízos para os consumidores.
Venda de 100% da LIQUIGÁS para a Ultragaz, subsidiária da Ultrapar: R$ 2,8 bilhões. A nosso ver há conflitos de interesse nessa operação. O diretor financeiro, Ivan Monteiro, veio direto do Conselho de Administração do grupo Ultrapar, que está comprando a LIQUIGÁS. O diretor comandou um processo de desvalorização de ativos da Petrobrás (impairment) que, em três anos, reduziu os ativos em R$ 113 bilhões: 48 em 2014, 49 em 2015 e 16 em 2016. Em 2015, a Companhia teve um lucro bruto de R$ 98,5 bilhões e o líquido de R$ 15 bilhões. A desvalorização transformou o lucro em um prejuízo de 34 bilhões. Com isto pretende-se justificar essa venda absurda de ativos estratégicos da Petrobrás. A preço de banana, com os ativos desvalorizados.
Em 09/11/2015 o banco Itaú, responsável pela seleção das ofertas para aquisição de 100% da LIQUIGÁS, tornou-se sócio do Grupo Ultra. A sociedade refere-se à compra de 50% da ConectCar (facilitadora de pagamentos eletrônicos em pedágios, postos de gasolina e estacionamentos) pelo Itaú. Apesar de não haver relação direta com o negócio do GLP, não deveria haver quaisquer ligações entre o banco e a empresa vencedora do processo de venda. Outro conflito de interesses.
AEPET considera um erro estratégico vender a LIQUIGÁS, subsidiária que atua na distribuição de GLP, pelas seguintes razões:
1) A LIQUIGÁS é uma empresa lucrativa: em 2015 teve um LUCRO LÍQUIDO de R$ 114 milhões, 116% superior ao lucro de 2014 (R$ 53 milhões);
2) A LIQUIGÁS é uma empresa saudável que vem crescendo em todos seus indicadores econômico-financeiros desde 2012. Por exemplo, a Dívida Bruta/EBIDTA fechou em 1,5 no final de 2015;
3) A LIQUIGÁS é uma empresa em expansão. O segmento de mercado de GLP em que a LIQUIGÁS é líder (botijões P13) é crescente, mesmo durante períodos de crise econômica, dado que boa parte do consumo (80,0% em 2015) se refere ao GLP envasado, o qual se destina à cocção de alimentos e aquecimento de água domiciliar, atividades essenciais para a população. Segundo o PNG 2016-2020 da LIQUIGÁS previa-se um forte investimento de R$ 520 milhões para ampliar o volume de vendas à razão de 1,5 % ao ano. Com um EBIDTA de R$ 214 milhões no exercício de 2015, as necessidades de financiamento externo são mínimas;
4) A LIQUIGÁS é uma empresa com excelente imagem no mercado: em 2016, na edição “As 1000 maiores empresas” da Revista Isto É Dinheiro, a LIQUIGÁS apareceu na 2ª colocação entre as melhores empresas, no ranking Responsabilidade Social, no quesito Inovação e Qualidade e em Recursos Humanos, conquistando ainda o 3º lugar em Sustentabilidade Financeira e a 1º posição em Governança Corporativa. Em 2014 recebeu o prêmio GLP de Inovação e Tecnologia e a Certificação de Saúde e Segurança Ocupacional (SMETA). Dentre mais outras premiações e reconhecimentos, recebeu o Prêmio Top Consumidor por sete anos consecutivos.
5) A LIQUIGÁS é uma empresa comprometida com seu quadro de funcionários: enquanto a Petrobras (HOLDING) manipulava seus resultados para não pagar PLR aos seus empregados, a LIQUIGÁS distribuiu R$ 25 milhões entre seus 3188 funcionários (média de 7900 reais). Neste quadro enxuto de empregados, apenas 5% do total ocupam funções gerenciais ;
6) A LIQUIGÁS é uma empresa estratégica para o negócio principal da Companhia (produção de destilados em refinarias e processamento de gás natural): em 2015, a LIQUIGÁS comprou GLP da Petrobras por R$ 2,2 bilhões, totalizando 1,65 milhões de toneladas. Por exemplo, estoques elevados de GLP podem inviabilizar o funcionamento das UPGNs e, por conseguinte, a produção de petróleo do Pré-Sal. Os concorrentes do segmento de distribuição sabem disso e podem se aproveitar do fato para negociar preços convenientes aos seus anseios de lucro. Um braço próprio de distribuição de GLP é uma forma de limitar o assédio das concorrentes;
7) A LIQUIGÁS é uma empresa comercialmente inovadora, um exemplo disso é o caso do produto PUROGÁS, primeiro gás propelente com elevado grau de pureza comercializado no país, adequado para uso como propelente em aerossóis. A empresa investiu em uma planta de purificação em Capuava, agregando valor ao produto distribuído para grandes grupos da área de cosméticos;
Ainda em relação aos investimentos da subsidiária, a empresa investiu na compra de botijões de 8 kg (P-8), para atender ao público de baixa renda ou com menor necessidade de consumo.
[https://www.liquigas.com.br/wps/wcm/connect/ae68d0804c658e70bf6ebf1dae36f0e9/Jornal+Liquigas_Edicao-5.pdf?MOD=AJPERES].
Em junho de 2016, na iminência de ser vendida, a LIQUIGÁS anuncia que promoveu a troca da frota de veículos para reduzir a emissão de poluentes. Por que assumir este ônus uma vez ciente do plano de privatizações da Petrobras?
[http://www.sindigas.org.br/novosite/?p=4065]
8) A LIQUIGÁS tem o potencial de frear a formação de cartéis no setor de distribuição de GLP em benefício da população: apenas 23% do preço do botijão pago pelo consumidor é apropriado pela Petrobras (holding) na produção de GLP. Entre revenda e distribuição são alocados 58% do preço final. Uma vez que a LIQUIGÁS está presente em 23 estados brasileiros (exceto Amazonas, Acre e Roraima), cobrindo 83% dos municípios do país, sob o controle da Petrobras e sendo líder no segmento de venda de botijões, a empresa tem importante papel no atendimento da população das periferias das capitais onde a rede canalizada estadual não chega, protegendo os consumidores da formação de cartéis de outras distribuidoras. O Grupo Ultrapar, ofertante na operação de aquisição, já possui 23% do mercado, além de contar com uma rede própria de 5100 revendedores da Ultragaz/Brasilgás. Para os consumidores não é uma boa notícia a formação de uma megadistribuidora/revendedora controlando quase metade da oferta de GLP. Em alguns municípios Brasil adentro ocorrerá um monopólio no estrito sentido da palavra. Neste contexto é compreensível a crítica da Associação Brasileira de Revendedores de GLP (ASMIRG-BR) à fusão da LIQUIGÁS com a Ultragaz.
9) O valor a ser pago pelo Grupo Ultrapar na transação (R$ 2,67 bilhões) é insignificante diante do montante da dívida da Petrobras, facilmente absorvível numa variação de câmbio de uns poucos centavos por dólar. Não pode ser ignorado o fato do atual Diretor Financeiro da Petrobras (Ivan Monteiro, forte promotor da política de venda de ativos) ter integrado o Conselho de Administração do Grupo Ultrapar até 15/02/2015, imediatamente antes de assumir seu cargo na Petrobras.
10) Pela Resolução 15/2005 da ANP, art.21, cada distribuidora só pode envasar em recipientes com a sua marca estampada em relevo. Existem 24,9 milhões de botijões P-13 com a marca de LIQUIGÁS em mãos de consumidores brasileiros, o que constitui de fato uma reserva de mercado, pois não é  possível usá-los por outras distribuidoras sem consentimento da LIQUIGÁS. O Grupo Ultrapar terá acesso a esse mercado sem investir em novos vasilhames. Considerando que cada vasilhame novo custa R$ 107, a economia da Ultragaz será de R$ 2,66 bilhões para atingir esses consumidores, quase o valor ofertado pelo restante da empresa (instalações, marca, etc.). Isto é, estão levando a empresa de graça.
Em síntese, a participação do controle do segmento de distribuição agrega valor à cadeia produtiva da Petrobras ao tempo que protege a empresa e os consumidores das distorções do mercado provocadas pela concentração em poucas empresas.
Quanto à venda da Participação na Petroquímica Suape e Citepe para o Grupo Alpek
Toda grande empresa de petróleo possui o seu braço petroquímico visando a uma saudável diversificação para equilibrar as variações dos preços das áreas de produção (upstream) e refino e comercialização (downstream). A Petroquímica ajuda a equilibrar essas atividades. Sair da petroquímica significa perder uma condição de equilíbrio das atividades. É também perder um mercado em constante expansão.
A venda da participação da Petrobras na Companhia Petroquímica de Pernambuco e na Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), as quais formam o Complexo Petroquímica Suape (PQS), está sendo realizada para o grupo Petromex e para a Dak Americas Exterior, subsidiárias da mexicana Alpek, por U$ 385 milhões. O jornal Valor Econômico publicou  que o valor da venda surpreendeu o conglomerado financeiro JP Morgan, o qual, segundo publicação do próprio Valor (29/12/2016), estimava uma alienação em torno de U$ 582 e U$ 640 milhões. De acordo com a imprensa e conforme demonstrações financeiras dessas empresas os investimentos feitos superam R$ 9,00 bilhões ou cerca de US$ 3,00 bilhões. O preço proposto para venda é cerca de um décimo do que foi aplicado nas Companhias. Análise dos resultados negativos alcançados pelas duas empresas e alardeados pelos administradores da PETROBRÁS como justificativa para vende-las por valor absurdamente irrisório, não pode deixar de considerar os seguintes aspectos:
            – as empresas têm apenas 3 anos de operação. A Petroquímica SUAPE, no exercício de 2015, teve melhora substancial dos indicadores do balanço, quando comparados com os de 2014. Aumento no Caixa. A receita aumentou de R$ 856,61 milhões para R$ 1005,32 milhões. Redução no custo dos produtos vendidos. O prejuízo bruto quase zerou. Redução nas despesas de vendas. As despesas administrativas cairam a menos da metade.
            – os prejuízos devem-se, em grande parte, aos astronômicos e suspeitos valores do “impairment”, feito em sucessivos exercícios, da ordem de bilhões de reiais, que aviltaram de forma dramática o patrimônio das duas empresas. A Petroquímica SUAPE sofreu violento “impairment” nos anos de 2014 e 2015, valores respectivamente de R$ 677,307 milhões e R$ 411,67 milhões. Oitenta e cinco por cento dos prejuízos foram causados pelo “impairment”. Ainda assim, houve uma redução de R$ 1.250 milhões para R$ 807 milhões. Perdas em 2014 e 2015 seriam de R$ 5,6 bilhões.
            – a Petroquímica SUAPE, única produtora de PTA na América do Sul, com capacidade para 640 mil toneladas/ano está sendo muito prejudicada por acordo comercial celebrado com o México que permite importações do produto com isenção de impostos. Resolvida esta questão e considerado apenas o mercado sulamericano a Petroquímica SUAPE atingirá, rapidamente, sua plena capacidade de produção. Certamente com resultados bastantes positivos. Ela já atingiu 60% de sua capacidade nominal, inclusive exportando mais de 70 mil toneladas/ano principalmente para a Argentina. Registre-se que o consumo brasileiro de PTA é de 560 mil toneladas/ano, capaz de absorver quase a totalidade da produção da Petroquímica SUAPE. Ela conta, portanto, com um MERCADO CATIVO. A Petroquímica SUAPE está entre as 10 empresas de maior faturamento em Pernambuco em 2015. Vendas superiores a R$ 1,00 bilhão.
Denunciamos, ainda, que esta AGE se realiza no momento em que são desconhecidos os resultados do exercício de 2016.
Registramos aqui, como mais um aspecto negativo desta operação lesiva, o destino incerto que será dado aos mais de 400 trabalhadores concursados do SISTEMA PETROBRÁS, que hoje desenvolvem suas atividades na Petroquímica SUAPE e na CITEPE, conforme denúncias do companheiro RODRIGO RAFAEL DOS SANTOS – presidente do SINDTEXTIL – Ipojuca.
A Companhia Petroquímica de Pernambuco produz o ácido tereftálico purificado, PTA, matéria prima para produção de filamentos de poliéster, polímeros e resina PET por parte da Citepe. Para ser competitiva, a Citepe deveria também produzir filamento POY (Partially Oriented Yarn), matéria prima para os filamentos texturizados DTY (usados na fabricação de tecidos, malhas e outros). No entanto, o atraso na produção (prevista para se iniciar em 2018) obriga a Citepe a importar o POY de países como a Índia, acarretando grande aumento nos custos da empresa, especialmente com a alta do dólar e a contração do mercado interno reduzindo a demanda. Assim, o problema da PQS não é algo a ser corrigido com privatização; a questão principal se refere aos erros da estratégia adotada: sem operar de forma verticalizada, a indústria não produz sua própria matéria prima e vive à mercê de importações. Denúncias foram feitas afirmando que as máquinas necessárias para a instalação da planta geradora de matéria prima (POY) estão encaixotadas, esperando a devida destinação. Não será surpresa se, após a privatização, a PQS começar a registrar lucro; certamente os mexicanos instalarão o maquinário ocioso e já adquirido pela Petrobras.
Fernando Leite Siqueira
Vice-Presidente da AEPET
ANEXO I
Alternativas para lidar com o endividamento da Petrobrás, preservar sua integridade corporativa e capacidade de investir para garantir a segurança energética do Brasil
AEPET
A exemplo das demais empresas petrolíferas em todo o mundo, afetadas pela acentuada queda dos preços do petróleo a partir de agosto de 2014, a Petrobrás vem promovendo a redução de seus custos operacionais e efetuando cortes em seus investimentos e na projeção da produção de petróleo em 2020. A direção da Petrobrás informou, ainda, a necessidade da venda de ativos, para lidar com o endividamento, no atual cenário de preços e da cotação cambial. Foi estabelecida uma meta para essa alienação de ativos, no valor estimado de 57 bilhões de dólares, sendo 13,7 bilhões a serem alienados até o final de 2017. Esse desinvestimento total, que representa cerca de 35% do patrimônio da Companha, teria por objetivo obter os recursos de caixa necessários para equacionar a dívida da Empresa, reduzindo-a a valores mais gerenciáveis.
O investimento de 20 bilhões de dólares previsto para 2016 deve ser avaliado ponderada e relativamente. Em relação à média anual de 5,9 bilhões do período 1985-2003, é alto, já em relação aos 33,3 bilhões investidos, em média, entre 2004 e 2014, é baixo. No entanto, o mais importante é garantir nossa segurança energética e os investimentos necessários para atender ao mercado interno. Apenas para compensar a queda da produção dos campos maduros são necessários investimentos vultosos, estimados entre 13 e 18 bilhões de dólares anuais. O baixo preço do petróleo no mercado internacional sugere a análise da alternativa de alguma importação do produto no curto prazo, ao custo atual estimado de US$1,5 bilhão/100 mil bpd/ano (US$40/barril). Com essa estratégia, talvez seja possível reduzir uma parte relevante dos dispêndios previstos para compensar a queda da produção.
A AEPET vem realizando estudos sobre as possibilidades de equacionamento da dívida contraída pela Petrobrás, de forma que a Empresa possa operar com maior tranquilidade financeira e retomar os seus investimentos, no menor prazo possível. As premissas adotadas foram (i) garantir os investimentos requeridos para o desenvolvimento e a segurança energética nacional, (ii) lidar com o endividamento na condição macroeconômica atual e (iii) preservar o patrimônio, a integração corporativa e o mercado da Petrobrás.
Este documento relaciona algumas linhas de ação que foram selecionadas a partir da análise feita pela Associação.  Pretende-se que esse conjunto de ideias, não exaustivo, possa servir de pauta inicial para um trabalho conjunto com representantes da Companhia, visando definir as ações que se mostrem mais viáveis e mais vantajosas para a Petrobrás.
Ações para Reduzir o Endividamento
  1. Alienação de Ativos
Na avaliação da AEPET, a alienação de ativos deve ser seletiva e feita com a máxima cautela, para não comprometer o fluxo de caixa futuro e não afetar o grau de integração da Companhia e, também, para evitar riscos desnecessários decorrentes da variação dos preços relativos do petróleo e dos seus derivados. A conveniência, do ponto de vista estratégico, da entrega de parcelas do mercado interno aos seus competidores também deve ser avaliada, assim como a oportunidade da venda de certos ativos específicos, em face da queda dos preços do petróleo e dos ativos da indústria.
  1. Conversão das dívidas com bancos públicos em capital na Petrobrás
São dívidas da ordem de 87 bilhões de reais entre a Petrobrás e bancos públicos. A conversão da dívida representa injeção de capital na estatal em troca de ações a serem transferidas aos bancos públicos. Os investidores minoritários poderiam participar da capitalização para evitar a diluição do seu capital. A redução da dívida em termos absolutos e em relação à geração de caixa seria significativa.
  1. Empréstimo no Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS
O banco foi criado para atender aos interesses estratégicos do desenvolvimento dos países emergentes, em oposição às tradicionais instituições de crédito. O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e as agências de risco são subordinados aos interesses de grandes bancos e corporações sediados nos EUA e na Europa. No Banco dos BRICS a Petrobrás pode obter recursos com menor custo e substituir dívida cara e de curto prazo por mais barata com prazos mais longos.
  1. Capitalização com recursos do Tesouro Nacional por meio do BNDES
O governo federal poderia utilizar parte de suas reservas, ou emitir novas dívidas, para favorecer o BNDES. Assim o banco poderia contribuir para a solução das demandas financeiras da Petrobrás. Os objetivos são melhorar o perfil da dívida, a redução da exposição ao dólar e garantir a capacidade de investimento. Está em discussão no Senado o projeto de lei 560 de 2015, que detalha as operações entre o Tesouro, o BNDES e a Petrobrás.
  1. Renegociação com os bancos credores para alongamento, redução do custo e “desdolarização” das dívidas
A renegociação de dívidas é prática comum e frequente no mundo dos negócios. A Petrobrás, com o apoio do governo federal, pode tentar melhorar o perfil da sua dívida junto aos credores privados nacionais e estrangeiros.
  1. “Desdolarização” da dívida em articulação com os bancos públicos
É necessário reduzir a exposição ao dólar e assim diminuir o risco a variação cambial. A Petrobrás pode, em articulação com os bancos públicos, trocar dívidas em dólares por outras em reais, reduzindo a sua exposição à variação do câmbio.
  1. Renegociar contratos de fornecimento de bens e serviços
Com a queda dos preços do petróleo, é natural que os contratos firmados em outra conjuntura macroeconômica sejam renegociados. A prática é comum na indústria e a Petrobrás deve perseverar no sentido de acordar condições contratuais condizentes com a nova realidade da indústria mundial.
  1. Alongar investimentos não estratégicos ou menos rentáveis
Diante da nova conjuntura do preço do petróleo e da cotação do dólar é necessário rever a taxa de investimentos, preservando os projetos estratégicos para garantir a integração corporativa, a segurança energética e o abastecimento nacional. Empreendimentos menos rentáveis podem ter seus prazos alongados e assim diminuir a pressão sobre o fluxo de caixa no curto prazo.
  1. Renegociação dos prazos para exploração junto a Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP)
Diante da conjuntura do preço do petróleo e da cotação cambial depreciados, além da necessidade de reduzir seu nível de endividamento, a Petrobrás deve perseverar em gestões junto a ANP para a extensão dos prazos para conclusão de etapas exploratórias. A postergação dos prazos para a declaração de comercialidade de determinados projetos é estratégica para a Petrobrás alongar seus investimentos, e está em harmonia com o interesse nacional que conta com sua segurança energética garantida e precisa da recuperação da maior e mais estratégica companhia brasileira.
  1. Capitalização, pelo Governo Federal, utilizando o mecanismo da facilitação monetária pelo Banco Central
Cabe ao Estado Nacional soberano o dever de regular a quantidade de moeda em circulação. Durante o agravamento da crise econômica de 2008 os EUA adotaram o mecanismo da “facilidade quantitativa”, injetou trilhões de dólares no sistema financeiro e estatizou corporações privadas como a General Motors. O Brasil pode adotar o mesmo mecanismo para, através da criação de moeda pelo Banco Central, capitalizar a Petrobrás para que o perfil da dívida seja ajustado, seu patrimônio e sua capacidade de investir preservados. A Petrobrás é uma empresa estatal e estratégica para o Brasil, não há razão para recorrer aos bancos privados, e pagar juros elevados, quando pode contar com o apoio do Banco Central, desde que soberano e independente do mercado.
ANEXO II
Existe alternativa para reduzir a dívida da Petrobrás sem vender ativos
 Felipe Coutinho*
  1. Carlos de Assis**
A Petrobrás não precisa vender ativos para reduzir seu nível de endividamento. Ao contrário, na medida em que vende ativos ela reduz sua capacidade de pagamento da dívida no médio prazo e desestrutura sua cadeia produtiva, em prejuízo à geração futura de caixa, além de assumir riscos empresariais desnecessários. A avaliação resumida abaixo (tabela), mostra o equívoco dessa escolha política e empresarial de alienação de ativos, e revela que ela é desnecessária. A alternativa proposta preserva a integridade corporativa e sua capacidade de investir na medida do desenvolvimento nacional e em suporte a ele. Enquanto garante a sustentação financeira, tanto pela redução da dívida, quanto pela preservação da geração de caixa a médio prazo.
O desinvestimento – ou seja, a venda de ativos operacionais, muitos deles altamente lucrativos – prevê acumular 19,5 bilhões de US$ no biênio 2017/18. Resultaria numa redução antecipada da dívida, com a alavancagem – relação dívida líquida/geração de caixa após dividendos – caindo de 4,5 para 2,5 até 2018. A meta de redução da alavancagem e seu prazo são arbitrários, embora possam ser apresentados de forma dogmática. Trata-se de uma decisão de natureza política e empresarial que é frequentemente elevada à condição de verdade científica ou algo similar a uma revelação divina.
Na alternativa estudada a partir de parâmetros públicos da Petrobrás, sem vender um único ativo, a alavancagem poderia cair de 4,5 para 3,1 em 2018, indicador inteiramente razoável. A amortização anual da dívida, com recursos de parte da geração de caixa, resultaria na redução da alavancagem para 2,5 em meados de 2021. O estudo é conservador na medida em que não contabiliza a geração de caixa adicional pela preservação dos ativos rentáveis que se pretende vender até 2018.
A Petrobrás tem pujante receita operacional, proporcional ao porte de uma empresa que é a maior do Brasil e da América Latina. Apenas usando parte da geração de caixa, na mesma proporção alocada em seu plano atual, a companhia pode ir amortizando sua dívida e trazê-la para um nível razoável, sem afetar a distribuição de dividendos e os investimentos previstos. A venda de ativos produz exatamente o oposto, no médio prazo. Reduziria a capacidade futura de geração de caixa da empresa, pois os ativos que se pretende privatizar como BR Distribuidora, Liquigás, Termoelétricas e Transpetro são altamente lucrativos.
O plano da Petrobrás tem viés de curtíssimo prazo e obtusamente financeiro. Ignora a essência de uma empresa integrada de energia que usa a verticalização em cadeia para equilibrar suas receitas, compensando a inevitável variação do preço do petróleo, de seus derivados e da energia elétrica, característica essencial para minimizar os riscos empresariais. Na medida em que a Petrobrás seja fatiada, o agente privado tende a buscar o lucro máximo por negócio, majorando os custos ao consumidor, o que restringe o crescimento do mercado interno cujo dinamismo é muito importante para a geração de valor pela Petrobrás.
A alternativa apresentada evita a saída integral das áreas de produção de biocombustíveis e fertilizantes, distribuição de GLP e petroquímica. Além de preservar as reservas de petróleo e os ativos do refino que são alvos das parcerias mediante desinvestimento. Basta alterar a alavancagem projetada para 2018 de 2,5 para 3,1 e ajustar o prazo da meta de 2,5 na alavancagem, de 2018 para meados de 2021.
Dispomos de alternativa técnica viável que encontra barreiras de natureza ideológica cuja influência na política empresarial da Petrobrás não é recente. A gestão Dilma-Bendine apresentou um Plano de Negócios similar ao atual. Previa vendas de ativos da ordem de 57 bilhões de US$ até 2020, cerca de um terço do patrimônio da Petrobrás. A atual gestão Temer-Parente planeja privatizar 34,6 bilhões de US$ até 2021, sendo 15,1 bi até 2016 e 19,5 bi até 2018.
É exemplar o que ocorre na infraestrutura de gasodutos. Atividade tipicamente monopolista, as redes de gasodutos do Sudeste e do Nordeste, incorporam um enorme investimento histórico da Petrobrás, estão integradas à empresa pela própria natureza do serviço que prestam. Não obstante, a rede Sudeste, a mais lucrativa, foi vendida a um fundo canadense que atuará como intermediário privado monopolista. Isso sem a constituição prévia da ordem reguladora, condição essencial para a operação de monopólios privados considerados criminosos em qualquer economia capitalista.
Entretanto, nada é mais simbólico do que a desintegração do Cenpes, o Centro de Pesquisas da Petrobrás. O Cenpes é fundamental para os avanços tecnológicos da companhia, responsável por resultados reconhecidos internacionalmente. Na recente reestruturação da Petrobrás o Cenpes foi desmembrado, com o fim do reconhecido modelo de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia básica (PD&E) que vigorava há 40 anos. O modelo articulava a relação entre a pesquisa nas universidades, a experiência operacional da companhia e os fornecedores de bens e serviços. A Engenharia Básica do Cenpes foi extinta e seus profissionais transferidos à área de projeto e empreendimento. A reestruturação revela que o imperativo do curto prazo permeia toda a corporação e não se limita à estratégia financeira.
A mídia oligopolista repete “não há alternativas, é necessário privatizar para lidar com o endividamento da Petrobrás”. Assim se constrói o senso comum que não corresponde à realidade, mas serve aos interesses de poucos. Além de alertar para as consequências deletérias da privatização para a Petrobras e para a maioria dos brasileiros, apresentamos alternativa viável para a sustentação financeira, preservando a integridade corporativa, sua capacidade de gerar valor, investir e garantir a segurança energética brasileira.
* Engenheiro químico, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)
** Economista e professor
ANEXO III
VEJAMOS UM BALANÇO DO QUE JÁ FOI RETIRADO DO PATRIMÔNIO DA COMPANHIA E ENTREGUE  POR PREÇOS IRRISÓRIOS:
Transações concluídas ou em andamento:
Até o momento, os maiores negócios anunciados foram:
1) a venda de 90% da malha de gasodutos Nova Transportadora Sudeste – NTS, de 2,5 mil km – por US$ 5,19 bilhões;para consórcio liderado pela Brookfield, antiga Brascan – canadense
Consideramos a operação de venda da NTS para um grupo de fundos de investimentos, liderados pela canadense Brookfield, lesiva ao País, à PETROBRÁS e a milhares de trabalhadores e também aos consumidores. Na realidade está sendo vendido um monopólio natural, que é a malha de gás, ao grupo estrangeiro que irá suprir a região mais industrializada e rica do país concentrando cerca de 60% do consumo brasileiro. Decisão equivocada, anti-estratégica, que pode comprometer a segurança energética e a nossa Soberania. Ela aprofunda a já avassaladora desnacionalização de nossa economia, agravando o déficit das transações correntes com o mercado internacional. A Brookfield é o antigo grupo canadense BRASCAN, que deu um golpe no país ao vender a light por US$ 1,5 bilhão no último ano da concessão. Essa venda afronta o princípio constitucional da Ordem Econômica (artigo 173, § 4º): “A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros”.
– os movimentos feitos e as ações já anunciadas deixam claro o objetivo da atual administração de alijar a Companhia do mercado de gás natural. Política absurda quando se sabe que o gás é produto estratégico, não renovável, segmento fundamental, de importância crescente na indústria do petróleo para a redução dos impactos ambientais. Além disso, deve-se considerar o expressivo aumento da produção brasileira de gás, originado do pré-sal, cujas jazidas têm elevada razão gás / óleo. Como a maioria do gás é associado ao petróleo, esse movimento é mais uma abertura para a entrada de companhias estrangeiras nas reservas da Petrobras no Pré-Sal.
A venda de 90% das ações da Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para a Brookfield põe também em risco a saúde financeira e o futuro da Petrobras e da Transpetro simultaneamente. No caso da Petrobras, como a proporção de gás associado nos reservatórios do Pré-Sal é elevada, a produção deste gás é crescente e assim continuará. Sem o controle da NTS, a empresa terá que pagar à canadense Brookfield para transportar nosso próprio gás e concorrer com a produção de outras operadoras. A NTS tem apresentado lucro líquido positivo e crescente ao longo dos anos, porque a contratação da malha é do tipo ship-or-pay, ou seja, paga-se pelo uso da malha transportando à plena capacidade ou não. Uma malha de dutos é projetada para uma capacidade crescente, com pelo menos 10 anos à frente. Assim, em 2015, a Petrobrás utilizou 57,1 % da capacidade contratada e o custo da capacidade não-utilizada foi estimado em R$ 2,22 bilhões. Quando a NTS estava sob o controle da Companhia não havia problema, agora serão bilhões sendo gastos de uma forma ou de outra. Não estávamos buscando reduzir a dívida?
A Brookfield possui participação na maior transportadora de gás dos EUA e, por razões óbvias, muito certamente não requisitará os serviços da Transpetro após a vigência do atual contrato de Operação & Manutenção. Lembrando que 78% do faturamento da Transpetro vem da operação de dutos e terminais, o que se pode esperar para o futuro dela?
Salienta-se que a maioria dos gasodutos da Companhia são anteriores à Lei do Gás (Lei nº11.909/2009), consequentemente submetidos ao regime de autorização e poderiam permanecer assim até 2039. A desapropriação pela União no referido ano ocorreria mediante pagamento de indenização, sendo que, até lá, estaríamos ganhando para transportar em nossa malha o gás de outras concessionárias. Pelo exposto, nada há que justifique a venda da NTS, transferindo um monopólio natural da Petrobras para um monopólio privado que não trará quaisquer benefícios à empresa e tampouco à população brasileira.
2) Venda da participação de 66%, em campo do pré-sal – Carcará –para a Statoil Brasil Óleo e Gás
A Statoil anunciou em seu sítio que o campo deve conter um volume de óleo equivalente recuperável (VOER) de até 1,3 bilhão de barris. Isto significa que foram vendidos cerca de barris 900 milhões de barris por um preço irrisório. A maior incerteza está no volume que realmente pode e deverá ser muito maior, pois o campo ocupa uma área equivalente a distância entre a Barra da tijuca até a Baía da Guanabara, e a coluna de óleo em um dos poços é maior em 75 metros do que a altitude do Pão de Açúcar, que é de 396m. Somente 3 poços foram perfurados nesta acumulação. Apenas para exemplificar, em Búzios o maior supergigante do Pré-Sal, de 2014 para 2015 o volume de petróleo inicialmente in place (VOIIP) variou em cerca de 3,2 bilhões de barris, conforme os Boletins Anuais de Reservas (BAR) dos respectivos anos emitidos pela ANP. Variando o volume in place, varia também o volume de óleo recuperável. Assim com a perfuração de mais poços a reserva de Carcará poderá aumentar consideravelmente.
Os poços perfurados em Carcará confirmaram a presença de petróleo de excelente qualidade de 31 graus API e sem contaminantes (CO2 e S) e rochas reservatório também de excelente qualidade. Testes de formação realizados em um dos poços perfurados em 2015 confirmaram a continuidade do reservatório, ou seja, que o reservatório atravessado nos 3 poços é o mesmo, e que a produtividade é elevada (médias de 20 mil a 30 mil barris por dia são comuns a alguns campos do pré-sal).
Em 2012, a agência Reuters registrava em nota:
A expressiva coluna de Carcará tem potencial para colocar o prospecto no mesmo patamar das maiores descobertas do Brasil, ao lado de campos como Lula e Guará (Nota do Tijolaço: Guará é hoje denominado Sapinhoá e onde estão os mais produtivos poços, na faixa de 40 mil barris/dia, cada), localizados na mesma região.
3) Venda de 49% da subsidiária Gaspetro para a Mitsui Gás e Energia do Brasil: US$ 540 milhões, valor estimado US$ 2 bilhões. A Mitsui, segundo relatos de Cerveró e outros na lava-jato, pagou propinas a diversos dirigentes da Petrobras. No entanto, nada foi considerado e a venda foi feita sem licitação.Esseprocesso se tornou polêmico e sujeito à contestação na Justiça, inclusive por conflito de interesses, uma vez que o presidente do CA da Petrobras na época, Murilo Ferreira, era diretor presidente da Vale, que mantinha negócios com o grupo Mitsui.Usando-se os mesmos critérios usados contra as empresas nacionais de engenharia, a Mitsui teria que ser impedida de negociar com a Petrobrás.
Apresentando um lucro médio entre os anos de 2012 a 2014 de R$ 1,77 bilhão, a perda de metade do capital da subsidiária da Petrobras enfraquecerá o seu caixa em pelo menos R$ 880 milhões ao ano. Lembrando que a Gaspetro reúne participações em 19 empresas estaduais de distribuição de gás natural canalizado, a venda também implica em problemas de concentração de mercado por parte da Mitsui.Assim, este foi mais um péssimo negócio para a Petrobrás.
4) Venda de 51% das ações da Petrobrás Distribuidora (BR) – Outra venda absurda pois, a BR é uma empresa lucrativa e altamente estratégica para o País e para a Petrobrás, a qual permite que a Companhia conheça e regule toda a cadeia de valor, com domínio sobre a estrutura de custos, garantindo que o mercado seja competitivo. Porém, com a alienação do controle da BR, aumenta-se o risco de formação de cartel, trazendo prejuízo aos consumidores. A BR é a única que leva combustível aos confins do Brasil, suprindo as populações nos lugares mais difíceis.As outras empresas não o fazem porque o lucro é muito pequeno. A BR, Além de ser uma grande geradora de fluxo de caixa para a Petrobras é também altamente estratégica para a compra de combustíveis no País quando o preço no exterior for menor do que o nacional. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, o volume refinado em 2016 chegou a 670.068 milhões de barris, uma queda de 7,5% em relação a 2015. “Boa parte do recuo do refino está atrelado ao aumento da importação de combustíveis pelas concorrentes da Petrobrás, pois a estatal manteve os preços dos combustíveis acima dos preços internacionais” (O globo 26/01/2017 – pag.17). As empresas privadas irão certamente comprar no exterior, sempre que ocorrer essa condição, deixando as refinarias ociosas e gerando desemprego no País. Elas só visam lucro.
A marca BR representa todo Sistema Petrobrás, sendo conhecida e valorizada no Brasil e no exterior. O controle da Distribuidora por um sócio privado descaracteriza a marca, gerando perda de valor no decorrer do tempo.
Não se pode esquecer que a empresa é credora da Eletrobrás e um sócio privado não teria tolerância no abastecimento da estatal nesta condições, comprometendo a qualidade de vida da população brasileira. Um controlador privado pode ainda adotar práticas de engenharia financeira que mininizem o pagamento de impostos federais e estaduais (evasão fiscal), rever as condições de pagamento pelo fornecimento de combustível para entes públicos como hospitais, Corpo de Bombeiros e Polícias, com prejuízos para toda a população, precarizar as condições de trabalho e terceirização de seus colaboradores e cortar programas de patrocínios sociais, ambientais e culturais. Destaca-se também o papel fundamental da BR no fornecimento de combustível para as Forças Armadas, atuando como um dos elos fundamentais do Sistema de Segurança Nacional.
5) Venda de fatias nos campos Iara e Lapa do pré-sal em alegado “Acordo Geral de Colaboração (Master Agreement) com a francesa Total” por US$ 2,2 bilhões. Dentre outras, celebrou-se a cessão de direitos de 35% do campo de Lapa, com a transferência da operação para Total, ficando a Petrobras com 10% de participação nesta concessão. Só que investimos na exploração da área (sísmica e geologia), na instalação das facilidades e quando colocamos os sistemas para produzir, ficamos com os míseros 10%. Além disso, a venda foi por aproximadamente US$ 2,00/barril, sendo que o custo internacional médio é de US$ 8/barril. Iara tem uma reserva de 4 bilhões de barris e foram vendidos 22,5% dele. Logo, foram vendidos cerca de 900 milhões de barris. Lapa tem uma reserva provável de 500 milhões de barris, logo 35% corresponde a 175 milhões de barris. Reserva total vendida: 1,075 bilhão de barris, tendo a Petrobrás recebido US$ 1,6 bilhão mais a participação facultativa de 20% de um campo no Golfo do México. O restante será pago com o lucro dos campos. A Total será a operadora. A Total era uma estatal francesa, que se juntou com a Elf e com a Fina – Belga. Foram compradas pelo grupo Rotschild, sócio majoritário do cartel internacional do petróleo.
  1. Sa, presidente Parente, também afirmou que a parceria não entra em conflito com a medida cautelar aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que proíbe a Petrobras de assinar novos contratos de venda de ativos e de iniciar novos processos de vendas até que a corte analise os procedimentos dos desinvestimentos da estatal: V. Sa. Declarou: “Existe uma claríssima diferença entre parceria estratégica e um desinvestimento. Este não é um desinvestimento. Entra na meta porque tem uma entrada de caixa e irá nos ajudar a pagar dívidas importantes. As preocupações do TCU é em relação a assinaturas de contratos, mas nós estamos fazendo um master agrement. Nós tivemos o cuidado de procurar a área técnica do TCU”. V.Sa. mudou o nome da transação: “não é venda, é um acordo conjunto de desenvolvimento”. Chegaria a ser cômico se não fosse tão trágico. Privatização virou venda de ativos, que virou desinvestimento, que agora virou parceria estratégica, ou “master agreement”.
6) Doação dos direitos do campo de Xerelete e Xerelete Sul para a Total – sempre ela – Em resposta sobre a cessão gratuita à Total sobre a participação em dois campos, Xerelete (BC-2) e Xerelete Sul (BM-C-14), a direção da empresa afirmou que em sua avaliação de portfólio concluiu que não havia atratividade econômica na participação nestes campos. Uma vez que estes ativos foram incluídos no programa de desinvestimentos de 2013, sem que se conseguisse uma oferta de compra, a Companhia teria seguido a cláusula de retirada, presente no contrato entre as partes, entregando gratuitamente sua participação de 41,175% em Xerelete e 50% em Xerelete Sul para a Total.Entendemos que existe uma ilegalidade brutal nessa transferência de bens da União sem qualquer respeito às norma legais. Como o TCU proibiu a venda de ativos, o presidente vislumbrou uma saída magistral: doou, o campo para a Total. “Vender não pode? Então doamos e seguimos a Lei”.
7) Venda da Participação na Petroquímica Suape e Citepe para a Alpek. Todas as grandes petroleiras têm o seu braço petroquímico para diversificar e equilibrar as mudanças conjunturais. A Petrobrás está saindo novamente desse importante segmento. É o desmonte.
A Aepet fez carta a V.Sa. mostrando 10 alternativas à venda de ativos. Depois disto, o BNDES disse que vai devolver R$ 100 bilhões para o Governo “por falta de tomador”, pois a Petrobrás, que poderia usar esses recursos para normalizar suas dívidas de curto prazo, podendo retomar seus grandes projetos  não se interessa por eles. Outro exemplo de saída para a Companhia:  ela foi ao mercado internacional tomar empréstimo de US$ 2 bilhões e voltou com R$ 4 bilhões. Sendo R$ 2 bi a juros de 6,5% e prazo de cinco anos e R$ 2 bi com prazo de 10 anos e juros de 7.25%. Ambos abaixo das taxas de mercado. Portanto, a Petrobrás mantem o seu prestígio lá fora, inclusive junto ao mercado financeiro. Ela só perdeu prestígio no Brasil em face de uma campanha insidiosa da nossa mídia entreguista, o chamado PIG – Partido da Imprensa Golpista. Portanto, são mais provas incontestáveis de que a Petrobrás pode rolar sua dívida sem precisar vender seus ativos estratégicos.
Por essas e outras é que achamos que V.Sa. Senhor Pedro Parente está retomando o processo que, como Conselheiro de Administração, comandou em sua gestão de 1999 a 2003: era o processo de desnacionalização da Petrobrás, que chegou a mudar seu nome para Petrobrax. A estratégia foi fornecida pelo banco Credit Suisse First Boston que comandou a privatização da YPF argentina.
Outros ativos sendo vendidos:                                                          
Talvez valha dizer que o Tribunal Regional Federal da 5ª Região atendeu ontem (25/01/2017) ao recurso movido pela Petrobras contra a ação impetrada pelo Sindicato dos Petroleiros de Alagoas e Sergipe (Sindipetro-AL/SE), permitindo a continuidade do processo de venda de nove campos em águas rasas nos estados do Ceará e Sergipe. Dentre outras coisas, tais vendas trarão mais desemprego a estes estados no nordeste, inclusive pelo provável abandono de poços prematuramente devido à exploração predatória característica da iniciativa privada.
– Ativos na Argentina para a Companhia Geral de Combustíveis (CGC): US$ 101 milhões
– Ajuste de preço da petroquímica Innova, vendida à Videolar, e ativos na Colômbia: US$ 92 milhões
Transações aprovadas:
– 100% da refinaria NSS, localizada no Japão, por US$ 165 milhões – “A Petrobras informa que finalizou, nesta quarta-feira (28/12), a venda de 100% das ações da Nansei Sekiyu (“NSS”) para a Taiyo Oil Company (“Taiyo”).  A operação foi concluída com o pagamento de US$ 165 milhões pela Taiyo, realizado após o cumprimento de todas as condições precedentes previstas no contrato, assinado em 17 de outubro de 2016”.
– 49% na produtora de etanol Nova Fronteira, por US$ 133 milhões
– 67,19% na Petrobras Argentina (PESA), vendida para a Pampa Energía: US$ 897 milhões
– 100% da Petrobras Chile Distribuición (PCD), vendida para Souther Cross Group: US$ 464 milhões
Todas essas transações tem transparência zero. Não se fala em licitação, avaliação dos preços reais dos ativos por auditores independentes; agora sim, a Petrobrás virou uma caixa preta.
O que está em também em negociação:
– terminais de gás natural liquefeito (GNL) e termelétricas associadas
– participação na BR Distribuidora
– 100% do campo de Baúna (no pós-sal da Bacia de Santos) e 50% de Tartaruga Verde (no pós-sal da Bacia de Campos) para a Karoon Gas Australia- outras participações em campos de petróleo e gás em terra e em águas rasas
– fábricas de fertilizantes
– participações em outras petroquímicas (saída da Braskem depende de acordo de acionistas)
Vejamos abaixo os pontos do acordo entre a Petrobras e Total:
– cessão de direitos de 22,5% para a Total, na área da concessão de Iara (campos de Sururu, Berbigão e Oeste de Atapu) no Bloco BM-S-11. A Petrobras continuará como operadora e a deter a maior participação dessa área, com 42,5% do total;
– cessão de direitos de 35% do campo de Lapa no Bloco BM-S-9 com a transferência da operação para Total, ficando a Petrobras com 10% de participação nesta concessão;
– opção da Petrobras de assumir 20% de participação no bloco 2 da área de Perdido Foldbelt no setor mexicano do Golfo do México, adquiridos pela Total em parceria com a Exxon, na rodada de licenciamento promovida pelo governo do México, em 05/12/2016;
– compartilhamento do uso do terminal de regaseificação da Bahia, com capacidade de 14 milhões de m3/dia;
– parceria, com 50% de participação da Total, nas térmicas Rômulo de Almeida e Celso Furtado, localizadas na Bahia, com capacidade de geração de 322 MW de energia;
– estudos conjuntos nas áreas exploratórias da Margem Equatorial e na área sul da Bacia de Santos, aproveitando a sinergia existente entre as duas companhias, já que cada uma detém destacado conhecimento geológico nas bacias petrolíferas situadas nas duas margens do Atlântico;
– acordo de parceria tecnológica nas áreas de processamento geológico e sistemas de produção submarinos, onde as empresas detêm conhecimentos complementares e que podem potencializar os ganhos da aplicação de novas tecnologias nas áreas em parceria.

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