Brasília, 18 de dezembro de 2017 às 05:39
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Postado em 18/03/2017 10:05

Mais uma história (real) de pirataria em estado privatizado: Depois da privatização, a piratização

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Entreouvido na Vila Vudu:

Essa matéria não interessa pelo que informa sobre a Rússia-2017. Mas interessa muito pelo que diz sobre TODAS as chamadas ‘privatizações’ de grandes empresas públicas, no mundo do capital.

O que é entregar a presidência da Petrobrás a um ou outro tucano corrupto e pervertido, um desses Pedros Parentes sempre a postos? É SEMPRE entregar uma empresa estatal a um sociopata (quase sempre sociopata & corrupto) comprometido com $$ privado, para que ele/ela detone uma empresa pública, não a favor de algum ‘mercado’ que tudo ‘corrige(ria)’, mas a favor de um determinado grupo econômico que àquela altura do processo  já plantou as próprias patas dentro do governo suposto democrático, e lá está para DESTROÇAR patrimônio público a favor de alguns poucos.

Diferente do que se lê abaixo, o ‘processo’ russo NADA TEM A VER com “sovietização de empresas, só que com menos controle” – ‘comentário’ que se repete como espécie de tique-tique-nervoso do ‘jornalismo’ ‘ocidental’ [e haja aspas de ironia!].

O processo é EXATAMENTE o mesmo também no assalto que o governo Temer está praticando contra o Brasil, aqui, do outro lado do mundo. Ninguém cogitaria de apresentar TemerPadilhaAluysioAngorá &  Serras como ‘agentes de sovietização’ do mundo.

Mas seja na Rússia seja no Brasil, o processo é idêntico.

E nos dois casos não passa de “assalto ao patrimônio público por golpes de privatagem CAPITALISTA”.

Para ser bem-sucedida, além de um bom senso de oportunidade – indispensável a qualquer batedor de carteira –, a privatagem CAPITALISTA só precisa do aval ‘legalizante’ de ‘judiciários’, eles (e elas!) também dedicados a assaltar patrimônio público para dele extrair vantagem privada.

Assim, lá estão hoje o STF-BR e demais ‘instâncias’ do Judiciário-BR, todas igualmente já ‘privatizadas’ e pirateadas e postas no poder para legalizar outras supostas ‘privatizações’, que NUNCA PASSAM de vergonhosas variações da piratização de patrimônio dos muitos, em benefícios de uns poucos. É ISSO.

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John Helmer, Dance with Bears
Alrosa, a maior mineradora de diamantes do mundo, e empresa pública de capital aberto listada na Bolsa de Valores de Moscou, trocou seu principal executivo Andrei Zharkov (imagem de abertura, à esquerda), 12 meses antes do fim de seu contrato de trabalho. Na 2ª-feira, a empresa recusou-se a anunciar a mudança, ou explicar a causa. Recusou-se até a informar que o contrato de Zharkov, iniciado dia 23/4/2015, estendia-se por três anos, até 2018. A empresa sequer confirmou que o substituto de Zharkov é Sergei Ivanov Junior (1º, direita), filho de 37 anos do ex-chefe de Gabinete do Kremlin Sergei Ivanov (3º, direita).
O anúncio oficial da troca foi feito pelo primeiro-ministro Dmitry Medvedev, quando chamou Ivanov Junior ao seu gabinete na tarde da 2ª-feira. Medvedev disse a Ivanov “a empresa Alrosa é a maior do mundo [na mineração de diamantes] e tem valor de coluna dorsal para nosso país, sobretudo com vistas ao desenvolvimento do Extremo Oriente da Rússia. Assim sendo, peço-lhe que se concentre nisso. É preciso trabalhar ativamente conforme todos os programas econômicos e de produção com o governo [federal], com o Ministério das Finanças, para construir relacionamento plenamente organizado e produtivo com as autoridades regionais, porque a empresa tem valor inestimável para a República Sakha-Yakutia. Você deve pôr todos esses fatores no quadro de suas prioridades, como principal executivo da empresa.”
Mesmo depois da cerimônia com o primeiro-ministro, quando a indicação de Ivanov já estava assinada e sacramentada, a administração da Alrosa permanecia em surto de negação. No dia seguinte, o nome de Zharkov continuava a aparecer no website da empresa, como principal executivo; nem uma palavra sobre Ivanov. Para o porta-voz da Alrosa Andrei Ryabinnikov, que falou na tarde da 2ª-feira: “não comentamos detalhes do acordo de trabalho do Sr. Zharkov. Relatamos todas as novas contratações na companhia em press-releases específicos.”
Fontes próximas da Alrosa em Moscou e nos centros de comércio de diamantes no exterior acreditam que a repentina demissão de Zharkov foi resultado de um jogo de poder entre o ex-ministro das Finanças Alexei Kudrin, conselheiro econômico do Kremlin, e Yury Trutnev, vice-primeiro-ministro encarregado do Extremo Oriente do território russo. Dominante por muitos anos como mais alto funcionário público no board da Alrosa, Kudrin afinal foi derrotado. Trutnev, vitorioso, vazou a notícia de que Ivanov assumiria o posto de Zharkov, dia 27 de fevereiro.[1]
As fontes também revelam que Zharkov, há muito tempo protegido de Kudrin e subordinado ao atual ministro das Finanças Anton Siluanov (imagem no alto da coluna; no centro, à direita) foi removido por promover com excessivo empenho os esquemas de liquidação de ações e coleta de dinheiro do Ministério das Finanças, também comandado por Kudrin. A República Sakha, onde estão a maioria das minas da Alrosa, e que detém 25% das ações da empresa, passou a fazer oposição a Zharkov, e conseguiu a adesão de Trutnev. Autoridades no Kremlin* então decidiram que o homem no qual podiam confiar para atender os interesses locais, mas mesmo assim permanecer sob controle do governo, era Ivanov Junior.
“Trata-se de privatização feita pelo Estado” – explica uma fonte em Londres. – “Ignora completamente a privatização das ações da Alrosa, os 34% free float,[2] as regras de administração da empresa. São simplesmente empresas estatais que voltam à forma anterior – que tiveram no tempo dos soviéticos, mas com menos controle do que naqueles dias. Hoje, é uma gangue de homens fardados em uniformes do Estado, que forram, cada um, o próprio ninho”.
Essa “privatização estatal” é assunto tão sensível que ninguém dentro da mineradora Alrosa jamais admitirá que esteja sendo feita desse modo; e quase ninguém, tampouco, na indústria russa da extração de diamantes.
A resposta de Ivanov ao aceno de Medvedev foi declarar como suas as prioridades que lhe foram repassadas, para executar: “Com certeza vejo como tarefas construir as reservas e a capacidade de produção da companhia, a venda de ativos não essenciais e, claro, a modernização da produção pela a cadeia de oferta.” A última parte da frase é interpretada por fontes da indústria de diamantes russa como referência ao esquema que durante anos foi a menina-dos-olhos de Trutnev, mas que ele não conseguiu impor ao predecessor de Zharkov como principal executivo, Fyodor Andreyev.
Andreyev sobreviveu ao ataque de Trutnev, mas não ao câncer. Morreu dia 30/1/2015. Seu currículo na Alrosa pode ser acompanhado aqui.
Trutnev não foi o único funcionário que tramava a derrubada de Zharkov; um insider na Alrosa disse a um jornal em Moscou que Zharkov “não administrava para encontrar linguagem comum com qualquer dos demais funcionários importantes do governo federal ou de Yakutsk [capital da República Sakha], além de Yury Trutnev. Além do mais, no final do ano passado votou contra a redução do orçamento da companhia para 2017, apesar da posição de representantes do Ministério das Finanças no Conselho Fiscal.”
Outro diamanteiro [ing. diamantaire] (como são conhecidos na Rússia os produtores e corretores de diamantes) explica que Zharkov se pusera em oposição a membros do board da Alrosa e aos governos em Moscou e em Yakutsk, em três questões – o capital de giro da companhia, que ele tentou preservar para objetivos corporativos; a parte do capital da companhia que estava disposto a vender; e os diamantes, que Trutnev quer escoar pelo Porto Livre de Vladivostok.
O esquema de Trutnev foi construir novas oficinas de corte e lapidação de diamantes em Vladivostok, com privilégios fiscais e de exportação que permitiam que os diamantes saíssem da Alrosa através de Vladivostok para mercados offshore, uma margem dos lucros sempre distribuídos para variados bolsos, ou no caminho de saída ou devolvidos à origem.
Em teoria, o esquema é meio para gerar mais empregos locais no extremo leste do país, no beneficiamento ou processamento dos diamantes brutos, do corte e polimento das pedras. Na prática, é método para o desvio ilegal da matéria bruta que sai da Alrosa para canais preferenciais, de preço mais baixo, operação cujos lucros são acumulados fora do país. (Para conhecer detalhes do esforço de Trutnev para a “modernização da produção pela a cadeia de oferta”, segundo o roteiro de Medvedev, veja esse relatório de abril de 2014).
Segundo Sergei Goryainov, um dos principais analistas de Rough & Polished, a bíblia da indústria diamanteira russa, as oficinas da região de Sakha (Yakutia) foram criadas, não para cortar e polir diamantes, mas para operar como conduítes para fazer chegar material bruto a baixo preço, até exportadores e compradores em bases offshore. A ideia de Trutnev – disse Goryainov – “é ideia viciada, porque já foi tentada várias vezes antes, e sempre acabou do mesmo modo. Cortadores locais estavam tendo a preferência da Alrosa. Atuavam como intermediários no mercado de pedras brutas, e, como resultado, em vez de cortar os diamantes, estavam praticando dumping, e vários deles acabaram falidos. Nos últimos tempos, dúzias de oficinas de corte de diamante foram à falência em Yakutia deixando multimilionários prejuízos em dólares que pesam sobre os orçamentos da Federação Russa, da República de Sakha e da mineradora Alrosa.
Há um mês, segundo anunciou a agência estatal de notícias Tass, Zharkov acatou as instruções do Ministério [federal] das Finanças para privatizar mais uma parte das ações da Alrosa, reduzindo dramaticamente a parte do Estado e praticamente alijando a República de Sakha do controle da empresa.
“O plano [para a privatização em 2017-2019] planeja reduzir a participação da Rússia no capital da Alrosa a 29% +1 ações e coordenar a venda de ações pertencentes à República de Sakha (Yakutia) e na propriedade municipal “. A empresa estatal de polimento de diamantes, Kristall, com sede em Smolensk, também foi designada para privatização. Zharkov foi presidente do board da Kristall por vários anos. (Para mais informação sobre o lugar que a empresa Kristall ocupa na indústria russa de diamantes leiam aqui.)
Há seis semanas, uma apresentação distribuída pela Alrosa indicava que a atual formação acionária da companhia compreendia 66% de ações que pertencem ao Estado, divididas entre governo federal (33%); governo da República Sakha (25%); e administrações distritais de Sakha (chamadas uluses, 8%). Se Zharkov tivesse permanecido no cargo, e Siluanov e Kudrin conseguissem o que planejavam, essas entidades estatais logo acabariam com apenas 29% +1 ações; seria corte total de 35%. Ao mesmo tempo, o plano era que o free float subisse de 34% para 71%.
De fato, o controle acionário passaria, segundo insiders na Alrosa e fontes na indústria diamanteira em Moscou, para um acionista proponente escolhido pelo Kremlin. Entre os ‘candidatos’ no passado já estiveram Vladimir Potanin, que detém o controle acionário da Norilsk [de níquel], onde Zharkov trabalhou como engenheiro; e Suleiman Kerimov, que detém o controle acionário da Polyus [de ouro]. (Para saber mais sobre a tentativa feita por Kerimov, com a ajuda do primeiro vice-primeiro-ministro Igor Shuvalov, leia aqui.  Shuvalov não se saiu muito melhor com Kerimov, que Kudrin e Siluanov com Zharkov.)
A atual diretoria da Alrosa inclui uma figura com relações de negócios com o oligarca do alumínio, Oleg Deripaska; Zharkov também trabalhou para ele por algum tempo. Deripaska, também pode ser um dos interessados num sell off promovido por Kudrin. Por enquanto, Trutnev persuadiu o Kremlin a bloquear a tomada da empresa pelos oligarcas, e a pôr Ivanov em recesso, enquanto o próprio Trutnev e seus aliados em Moscou e em Yakutsk limpam os cofres e as minas da Alrosa.
Desde a graduação, no Moscow State Institute for International Relations (MGIMO), Ivanov só faz transferir-se de uma entidade estatal para outra – Gazprom, Gazprombank, Sogaz (o braço de Seguros da Gazprom), e Sberbank. Nenhuma fonte na indústria diamanteira diz tê-lo encontrado em qualquer ponto da cadeia de produção de diamantes.
Um gestor da indústria diamanteira oferece seu parecer, de que Ivanov tenha sido posto lá pelo Kremlin. Diz que lamenta que Zharkov tenha sido derrubado. “É uma pena. Na Kristall, Zharkov mostrou que é bom administrador. Também estava fazendo bom trabalho na Alrosa. Tentou convencer o governo de que a indústria diamanteira não é só mineração, mas também manufatura, e o Estado não deve esquecer esse outro setor. Acho que a saída dele foi decisão política do governo.”
Fonte próxima da Alrosa nega que a saída de Zharkov tenha sido decidida depois de discussões com o Ministério da Finança e a diretoria da companhia em torno de quanto a Alrosa ficaria obrigada a repassar para o orçamento do Estado na forma de dividendos. “Quanto a Zharkov ter-se recusado a pagar a parte do lucro que entra no orçamento – a razão da saída dele não foi essa. Ele nem tinha competência para tomar esse tipo de decisão. Zharkov foi demitido, em primeiro lugar, porque não obedeceu as condições que lhe foram repassadas por pessoal muito conhecido no Ministério das Finanças que lhe deram a presidência da estatal. A segunda razão é que não era adequado àquela posição e jamais entendeu a indústria de diamante. Compôs uma nova equipe de gente que, como ele, também nada compreendeu e compreende dos mecanismos do mercado de diamantes, mas nem por isso foram menos ambiciosos. Por exemplo, o programa de investimentos em diamantes, que foi amplamente ‘marketado’ e recebeu caríssima publicidade, acabou por revelar-se péssimo negócio, gerados de perdas para a companhia e para os investidores.”
De modo geral, a companhia está indo bem. O mapa das suas operações de mineração de diamantes revela o quanto estão concentradas no extremo leste do território russo.
Na apresentação de 20/1/2017, a companhia reportou substancial aumento no retorno, ganhos e livre fluxo de caixa nas vendas. Há um ano, Zharkov também concordara com um corte em gastos de capital, de um pico de 39 bilhões de rublos em 2016, para os projetados 32 bilhões de rublos esse ano, e apenas 21 bilhões em 2018.
Mês passado, a Alrosa divulgou o primeiro relatório de vendas do ano. Em janeiro de 2017, diz a companhia: “vendas totais de diamantes (…) alcançaram EUA-D 365,4 milhões, 60% acima do mesmo período no ano passado. O primeiro mês do ano demonstrou, como se esperava, demanda efetiva por diamantes brutos em quase todos os segmentos do mercado. O setor de corte de diamantes na Índia obviamente está conseguindo, mais rapidamente do que se esperava, lidar com os problemas causados pela reforma da moeda naquele país. Permanecemos cautelosamente otimistas sobre a atividade no segmento menor e de baixo custo, de diamantes brutos.”
A boa notícia foi puxada também pelo aumento no preço da ação da Alrosa, em trajetória ascendente que tem sido muito melhor que a do índice MICEX, da Bolsa de Valores de Moscou, e a do níquel, cobre e metais preciosos, Norilsk Nickel.
Gráfico: Trajetória do preço da ação da Alrosa (5 anos) comparada ao Micex Index, Norilsk Nickel e Polyus Gold
Com essa trajetória, críticos de Zharkov e do Ministério das Finanças os acusam de ter privatizado 10,9% das ações do governo federal em julho passado, a preço excessivamente baixo. A venda foi fixada em 65 rublos/ação. Naquele momento, foi pouco abaixo do preço de mercado, mas o preço estava às vésperas de subir, como se vê no gráfico. Entre o preço fixado para a privatização de 65 rublos em julho, e o preço no pico, no final de janeiro passado, de 108 rublos, o valor da ação da Alrosa aumentou 59%. O valor da empresa, no pico, era de 800 bilhões de rublos ($13,3 bilhões).
Matéria de Bloomberg de 28 de setembro, quando o preço da ação da Alrosa ainda estava acelerando, dizia que o preço da privatização estaria “tosquiando” [ing. “fleecing”] o orçamento do estado russo. A matéria acrescentava: “O ministro da Economia Alexei Ulyukaev foi provavelmente rápido demais ao declarar que a venda de uma participação na maior produtora de diamantes brutos do mundo ‘excedeu as expectativas’. Ao preço de 65 rublos por ação na oferta de julho, a Alrosa PJSC [Public joint stock company] fechou na 2ª-feira quase 38% acima disso, valendo 89,99 rublos, um recorde. Significa que o estado efetivamente perdeu quase 20 bilhões de rublos.” Em retrospecto, depois da prisão de Ulyukaev em meados de novembro, condenado em acusações de corrupção na venda de participação na Rosneft, há fortes motivos para suspeitar que a liquidação da participação na Alrosa possa também ter favorecido por via de corrupção, alguns seletos compradores.
Veterano financista em Moscou, comenta: “Os esquemas de privatização de Kudrin sempre foram manipulados por insiders, como se vê claramente no plano Sovcomflot [comentado nessa coluna semana passada]. Se Kudrin e Zharkov esperavam conseguir outra liquidação a preços baixíssimos, nesse caso talvez Trutnev estivesse do lado certo, e o governo Sakha local o apoiava.”
Ninguém acusa Zharkov de crime ou infração nos esquemas de privatização da Alrosa. Ao mesmo tempo, ninguém dirá abertamente que sua demissão tenha sido causada por dinheiro, nem quem se beneficia com a nomeação de Ivanov.
Borisov, presidente da República Sakha, foi consultado sobre se sua República opõe-se à privatização/queima de 29%. Naquele plano, quantas ações o governo de Sakha calcula que lhe sobrem, depois da privatização? Por fim, perguntaram-lhe se entendia que Zharkov favorecesse essa privatização e se isso teria feito dele inimigo da participação de Sakha na companhia?
Borisov recusou-se a responder. Seu porta-voz, Semyon Dyachkovskiy alegou que Borisov só se manifesta por press-releases. Essa semana, Borisov disse afinal à mídia local que se encontrara com Ivanov, e também com Siluanov, presidente do Conselho de Administração da Alrosa.
Segundo Borisov, ele “deu ênfase especial ao fato de que seu governo foi e continuará a ser acionista ativo [na Alrosa], influenciando a atividade do monopólio de diamantes. Conversamos também com Sergei Sergeyevich [Ivanov] por meia hora. De minha parte, reiterei que Alrosa é empresa de mineração de nível global, com posições de liderança. Conversamos sobre o importante papel das empresas na República Sakha; algumas nuances não muito claras de empresas por ações com vários grandes acionistas; as dificuldades; novos objetivos de produção e de exploração; [e] outras questões importantes.”
O que Borisov está dizendo é que ele e o governo da República Sakha opõem-se à privatização planejada para diminuir sua participação na Alrosa. Que melhor seria mais, não menos, capital da Alrosa aplicado na região; e que querem que aumente o fluxo de diamantes brutos saídos da Alrosa para novas empresas de corte e lapidação em Vladivostok e também na República Sakha.
Para Borisov, Ivanov é bom ouvinte, do tipo que faz o que o mandam fazer. “[Ivanov] deu-lhe a impressão de homem com suficiente experiência, de princípios, inteligente, com pensamento construtivo, bem versado em questões da economia global e doméstica.”*****
[1] Para começar compreender as disputas entre os dois grandes grupos em que se divide hoje o poder na Rússia, ver “O longo (20 anos!) pas de deux de Rússia e EUA está chegando ao fim?”, 12/10/2013, The Saker, Blog The Vineyard of the Saker, trad. em Redecastorphoto, Parte 1 e Parte 2, com especial atenção à caracterização dos “Soberanistas Eurasianos [e dos] Integracionistas Atlanticistas (…) “que podemos chamar de ‘turma de Putin’ e ‘turma de Medvedev’ respectivamente” [NTs].
* No orig. “Vladimir Putin e Medvedev (…)”. Como informa o Saker (ver nota n. 1, acima), essa ‘entidade’ bicéfala não existe: os dois grupos são inimigos figadais, unidos numa sempre precária composição para governar. Nada justifica converter a informação útil sobre privatarias, em informação inútil sobre o que o jornalista/colunista pensa sobre o poder no Kremlin. O Saker pensa diferente e o que o Saker pensa faz mais sentido. [NTs]
[2] Free float é a quantidade percentual de ações livres à negociação no mercado. São aquelas ações que não pertencem a acionistas estratégicos, como: controladores e diretores da companhia e acionistas que detenham mais de 5% do capital total da empresa (Investpedia. NTs).

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