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Postado em 09/06/2018 10:30

Morte solitária: assim desaparecem antigas repúblicas soviéticas

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© REUTERS / Ints Kalnins

Países da Europa do Leste e algumas das antigas repúblicas soviéticas estão à beira da catástrofe: sua população continua diminuindo desde o colapso da URSS, alcançando os indicadores mínimos. O colunista da Sputnik, Igor Gashkov, discutiu com vários analistas as causas, consequências e as possíveis soluções deste problema.

Estatísticas devastadoras

Os dados não são nada animadores: a taxa de natalidade diminuiu em duas vezes nos últimos 30 anos. Especialistas em demografia predizem que até 2050 o número de habitantes na Letônia, Bulgária e Moldávia diminuirá uns 25%.

Segundo o autor do artigo, a Letônia está vivendo a situação mais crítica. Desde a independência em 1991, o país perdeu um quarto de sua população que agora constitui um milhão de pessoas.
A preocupação pela situação no país foi expressa pelo jornalista letão Otto Ozols. De acordo com ele, a Letônia está perdendo anualmente 1% da povoação.

“Em 50 anos vamos celebrar o 150º aniversário do país […] com redução de 50% da população”, lamentou o jornalista, duvidando que este processo se desacelere.

Até as antigas repúblicas soviéticas que lideravam os índices de natalidade, por exemplo a Moldávia e o Tajiquistão, agora vivem uma situação oposta, destaca Gashkov.

De acordo com o deputado moldavo Vlad Batryncha, aproximadamente um terço de seus compatriotas vivem no estrangeiro “e não pretendem voltar”.

“Até diria que é uma tragédia. Para ter futuro, o país precisa de recursos humanos”, disse o político.

Enquanto isso, a Bulgária, que não fazia parte da URSS, mas estava na área de sua influência, é o país do mundo que mais rapidamente perde população. Em 1989, o país tinha 9 milhões de habitantes que diminuíram para 7 milhões em 2017. Os demógrafos predizem que em 2015 restarão apenas 5,5 milhões de búlgaros.

As consequências da perda de população

A diminuição da população implica resultados prejudiciais tanto para economia como para o caráter social de um país. O mesmo deputado moldavo comentou que “a falta de recursos humanos é um sério obstáculo do ponto de vista econômico”. Segundo ele, faltam investimentos que são impossíveis se não há gente.

A Letônia, por sua vez, precisa de importar força de trabalho para impulsionar a economia, precisando no mínimo de 400 mil pessoas, segundo o eurodeputado letão Andrei Mamkin.

Além das perdas econômicas, os “países em extinção” arriscam sofrer danos irreparáveis na esfera social. Segundo Ozols, a diminuição de população “significa de fato o desaparecimento do idioma letão, sua cultura e tradições” e isso pode ocorrer já no futuro próximo, sem ser um exagero, sublinha o jornalista.

As razões da situação catastrófica

Na opinião de Gashkov, uma das principais causas da má situação demográfica em alguns países é a decadência da infraestrutura social.

O baixo nível de vida, junto com a falta de oportunidades de trabalho, faz com que os habitantes destes países optem por emigrar, afirma o colunista. Nomeadamente na Moldávia, de uma população de 3,5 milhões de pessoas mais de um milhão emigrou para melhorar sua qualidade de vida.

No entanto, a situação pode piorar ainda mais. Caso a Moldávia acabe fazendo parte da União Europeia e se abram as fronteiras, a emigração crescerá ainda mais e nenhuma taxa de natalidade a poderá neutralizar.

Outra razão para a população diminuir é a política migratória, acredita Gashkov. Os países da Europa do Leste não conseguem prevenir a saída de seus cidadãos, mas lutam com sucesso contra a entrada de estrangeiros no país.

O que se faz para salvar a situação?

Alguns dos países em questão se dão conta da catástrofe iminente e tentam tomar medidas correspondentes. Assim, a Bulgária tem desenvolvido certos programas para incentivar a natalidade.
Mas outros países parecem ter se conformado com a situação.”Na Letônia e na Estônia estão mais preocupados com a luta pelo poder […] e a confrontação com a Rússia e não com a recuperação da população”, disse o cientista político russo Aleksandr Nosovich.

Na Moldávia, indicam os analistas, nem há nem estão previstos nenhuns programas para recuperar a população e por isso ela continua sendo um país onde morre mais gente do que nasce.

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