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Turismo

Postado em 11/09/2016 1:47

Museu Nacional de História Militar em Angola

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Abriu ao público no passado mês de Abril de 2013 o Museu Nacional de História Militar de Angola, instalado na antiga Fortaleza de São Miguel de Luanda. Um local a visitar por quem passe pela capital angolana, direccionado que está não só para estrangeiros interessados na História de Angola como para os nacionais que ali vêm exaltados os seus heróis nacionais, cumprindo assim uma função educativa no sentido do aprofundamento do sentimento de pertença à nação angolana.

Entrada principal do renovado Museu Nacional de História Militar, onde se destaca uma estátua da "Rainha Nzinga" ou Ana de Sousa, soberana dos reinos de Ndongo e Matamba, que no século XVII lutou contra os portugueses. Em 1659, assinou um tratado de paz, que durou até à sua morte em 1663. Resistente durante 40 anos. Nzinga tornou-se um símbolo  passando, a fazer parte do imaginário histórico e cultural de Angola. Conhecida por vários nomes, um dos quais Ngola (em língua quimbundo), de onde derivou o nome Angola.

Esta reportagem fotográfica mostra as áreas exteriores do museu e os elementos museológicos de grandes dimensões. Recuperamos ainda as principais datas históricas desde magnífico edifício e recordamos o estado da fortaleza numa visita anterior, em 1997.

A baía de Luanda, certamente uma das imagens mais conhecidas de Angola, é hoje símbolo evidente das mudanças por que passa este grande país africano, não só pela valorização em curso na “marginal” (avenida 4 de Fevereiro) como pela construção em altura que vai crescendo na baixa da capital angolana, dando-lhe o ar de cidade moderna e cosmopolita. No cimo do “morro da fortaleza”, antes conhecido por monte de São Paulo – santo que também já deu nome a esta construção militar, assim como “Forte Aardenburgh” durante a ocupação holandesa da cidade (1641 a 1648) – unindo a cidade à “ilha” distingue-se hoje uma bandeira de Angola de enormes dimensões e a renovada fortificação. Esta “Bandeira-Monumento” com 18 metros de comprimento e 12 de largura, inaugurado na mesma data que o Museu, a 4 de Abril –Dia da Paz e Reconciliação Nacional – e também pelo Presidente da República, é dedicada “…aos heróis da Pátria e a todos os que contribuíram para a independência nacional, a paz e o progresso de Angola.

O Dia da Paz que é feriado em Angola, foi estabelecido em 2002, representando o fim do conflito armado e a reconciliação nacional, na sequência da morte de Jonas Savimbi em Fevereiro desse ano.

Localização da fortaleza junto à Baía de Luanda. Construída em várias épocas, terá ficado terminada no século XVII com a forma actual.

O Museu Nacional de História Militar de Angola, sucede ao “Museu Central das Forças Armadas” que ali estava instalado desde 1978, em condições precárias e com muitos dos seus elementos museológicos degradados. Hoje, do que vimos, o Museu tem excelentes condições, o seu acervo está recuperado e a Fortaleza foi sujeita a trabalhos que a deixaram como se vê pelas imagens, impecável!

O Museu é muito mais do que esta reportagem ilustra, os espaços interiores foram recuperados e adaptados à finalidade actual, havendo ainda algumas novas construções. Esperamos numa próxima oportunidade abordar esta outra parte do museu.

Na área exterior fronteira à fortaleza, na praça onde em 10 de Novembro de 1975 uma força militar portuguesa dos três ramos das Forças Armadas, prestou as honras militares no último arrear da Bandeira Portuguesa na então Província Ultramarina de Angola, estão hoje expostas, viaturas militares de várias origens utilizadas nos conflitos entre as forças dos três partidos políticos angolanos que dispunham de forças militares (MPLA, FNLA e UNITA) e ainda a República da África do Sul, peças de artilharia (muitas portuguesas) e 2 aviões “T-6” da Força Aérea Portuguesa. Tudo muito bem recuperado e mantido. Aqui, bem assim como em relação a algum armamento exposto no interior da fortaleza, apenas um aspecto a melhorar: a identificação das armas, uma vez que muitas estão apenas referenciadas com a sua origem (nacionalidade) e não pelo nome/modelo o que é pena.

A título de curiosidade refira-se que o T-6, número de cauda 1668 foi originalmente construído no Canadá (designava-se Harvard MK III), serviu na Fleet Air Arm da britânica Royal Navy, chegou a Portugal em 1956 integrado num lote de 15 destas aeronaves. O 1685 foi fornecido a Portugal por França em 1961, integrado num lote de 46 “North-American T-6G”. Ambos terão servido nos Aeródromos Base n.º3 (Negage) n.º 4 (Henrique de Carvalho/Saurimo), tudo isto de acordo com Adelino Cardoso no livro “Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX”.

Este renovado pólo de turismo cultural de Angola, situado na Rua 17 de Setembro, Bairro dos Coqueiros, Distrito de Ingombota, Município de Luanda, é sem dúvida um local a visitar, direccionado que está não só para estrangeiros interessados na História de Angola como para os nacionais que ali vêm exaltados os seus heróis nacionais, cumprindo assim – e a Bandeira Monumento é disso mais um exemplo – uma função educativa no sentido da criação e aprofundamento do sentimento de pertença à nação angolana.

Cronologia*

1575 – Paulo Dias de Novais desembarca em Luanda na qualidade de governador, e manda construir de imediato uma fortaleza para protecção da baía;

1625 – O rei D. Filipe III manda constituir uma comissão para estudar a fortificação da cidade;

1634 – Construção de uma nova fortificação;

1641 – Ataque à fortificação pelos holandeses, que a ocuparam, passando a designar-se Forte Amesterdão, ou segundo outras fontes, Forte Aardenburgh;

1650 – O governador Salvador Correia de Sá e Benevides apresentou ao Conselho Ultramarino os novos planos de fortificação de Luanda, a cargo do engenheiro francês Pedro Pelique. O forte, que até à invasão holandesa se chamara de São Paulo, teve o seu nome trocado por São Miguel, Santo de devoção de Salvador Correia de Sá.

1669 / 1676 – Reconstrução da fortaleza em alvenaria, durante o governo de Francisco de Távora, deixando concluídos um baluarte e duas cortinas;

1697 / 1701 – Construção da casa da pólvora no interior da fortaleza, durante a governação de César Meneses;

Em 1771, procedeu-se à fundição de canhões no forte, sendo este o único forte africano onde se fundiram canhões para a sua defesa.

1876, 15 Setembro – Portaria de criação do Depósito de Degredados de Angola que se estabeleceu na fortaleza em 1881;

1930 / 1938 – Extinção do Depósito de Degredados e abandono da fortificação;

1938 – Instalação do Museu de Angola pelo governo português; colocação de painéis de azulejo numa casamata com cenas da história de Angola e exemplares da fauna e flora;

1938, 8 Setembro – classificada como Monumento Nacional, por Portaria do então Ministro das Colónias, Francisco José Vieira Machado;

1961 – Remoção total do acervo do museu, voltando a fortaleza a assumir funções militares; instalação do Destacamento Avançado de Combate do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas de Tancos que havia rumado a Angola em Março de 1961, e depois ali permaneceu a 1.ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 21, até à criação da nova unidade, em Belas (em 1964); instalação de uma Companhia de Policia Militar; instalação do Comando-Chefe das Forças Armadas de Angola.

1975 – 10 de Novembro, última cerimónia do arrear da Bandeira Portuguesa em Angola, realizado na Fortaleza de S. Miguel, perante força dos três ramos das Forças Armadas Portuguesas (Pára-quedistas da Força Aérea; Fuzileiros da Marinha; Cavalaria do Exército).

1975-1978 – Estado-Maior General das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA);

1978 – 31 de Julho, inaugurado o Museu Central das Forças Armadas;

1995 – Intervenções pontuais de recuperação do edifício

1996 – Incluído na Lista Indicativa a Património Mundial da UNESCO.

2001/2005 (?) – O forte volta a ter uma utilização militar (parcial) sendo integrado no sistema de defesa área de pontos sensíveis da capital angolana.

2013 – 4 de Abril, inaugurado o Museu Nacional de História Militar.

Fontes:

Sistema de Informação para o Património Arquitectónico (www.monumentos.pt);

História do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 21;

ANGOP – Agência Angola Press (04ABR2013)

PNN Portuguese News Network (04ABR2013)

TPA – Televisão Pública de Angola (05ABR2013)

Praça fronteira à entrada principal do Museu, aqui formou o contingente dos três ramos das Forças Armadas Portuguesas para o derradeiro arrear da Bandeira portuguesa em Angola, a 10 de Novembro de 1975.

Entrada principal. Houve o cuidado de manter alguma simbologia colonial associada ao edifício, aqui a "coroa portuguesa" do tempo da monarquia.

O museu, bem assim como a Bandeira - Monumento, foram inaugurados pelo Presidente da República de Angola que é também o comandante e, chefe das Forças Armadas.

...e placas com frases significativas de alguns dos chefes militares angolanos.

Estátuas que aqui foram concentradas depois da independência estão agora preservadas e identificadas. Da esquerda: Diogo Cão (primeiro navegador português a pisar solo angolano); Paulo Dias de Novais (fundador de Luanda, em 1576); Salvador Correia de Sá (reconquistou Angola aos holandeses em 1647 e foi governador 1648-51); Pedro Alexandrino da Cunha (governador de Angola 1845-48); Henrique de Carvalho (explorador  da Muatiânvua na Lunda em  1884).

Viaturas que intervieram na história de Angola. Da direita: Renault 6 utilizado por Agostinho Neto (primeiro Presidente de Angola), quando se encontrava no Congo Brazzaville; viatura de transmissões usada pelo actual Presidente de Angola durante a guerra, viatura WAS usada pela presidência da república em cerimónias protocolares; BTR que transportou os restos mortais do primeiro presidente de Angola, do aeroporto para o Palácio do Povo.

Secções de padrões de origem portuguesa.

Mais estátuas de origem portugeusa, aqui as que não têm directamente a ver com Angola.Da direita. D. Afonso Henriques; Vasco da Gama, Luís Vaz de Camões.

Conjunto relativo aos combates contra as Forças Armadas da República da África do Sul, no período posterior à Independência.

Destroços de um caça Mirage, um helicóptero Puma e uma viatura de transporte de pessoal Buffel.

O museu tem uma rica colecção de peças de artilharia de vários calibres e épocas, a maioria de origem portuguesa.

Uma visita ao museu é também uma bela oportunidade para contemplar grande parte da cidade de Luanda, em diversos azimutes, aqui olhando para a Chicala em primeiro plano e vendo-se o muito que ainda há fazer nesta zona da capital. Ao fundo ao Mausoléu Agostinho Neto (120m de altura), aberto ao público desde Setembro de 2012.

Outra vista, aqui do acesso à Ilha de Luanda, uma das zonas de praias, bares e restaurantes, mais procuradas da capital.

O acesso ao exterior (que já havíamos mostrado mas no sentido inverso).

Os dois T-6 de origem portuguesa aos quais nos referimos no texto. Por enquanto as únicas aeronaves recuperadas em exposição.

Mais veículos de origem sul-africana capturados em combate pelas FAPLA

Da direita: Panhard MR 90, usado pelo Exército de Libertação Nacional de Angola (componente armada da Frente Nacional para a Libertação de Angola), capturado pelas FAPLA, em 1975; BRDM utilizado pelas FAPLA na batalha do Ebo em 23 de Novembro de 1975.

Diverso armamento colectivo capturado ao ELNA (lança-foguetes múltiplo e bitubo 30mm)

Peças de11,4 cm m/46 de origem portuguesa em primeiro plano. A última arma é um obus 10,5cm.

A "viatura" mais antiga exposta, um carro "boer"! Em segundo plano um obus K

Como se refere no texto o museu é rico em material de artilharia e aqui ficam alguns exemplos.

Quem passou por Luanda ao longo dos anos e viu a Fortaleza, sabe o estado em que estava, bem assim como o acervo museológico.

Estas imagens são de 1997 e mostram bem, por comparação, o trabalho agora executado. Em baixo à direita, em 2004, militar e arma que integrava a defesa aérea de Luanda a partir da fortaleza.

O Museu Nacional de História Militar em Luanda é um local a visitar. O trabalho de recuperação da fortaleza e de re-instalação do museu está concluído.

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