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Postado em 03/08/2018 11:02

Nicarágua e Venezuela sob igual assédio

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 Por Carmen Esquivel

Havana (PL) Masaya, Managua, Estelí e outras cidades da Nicarágua enfrentam desde meados de abril uma escalada de violência que tem muita similitude com esquemas desestabilizadores direcionados desde o exterior e aplicados já noutros países, como é o caso da Venezuela.

Golpe suave ou brando é o nome com o que se conhece esta estratégia para derrubar governos democráticos, não com as armas convencionais, senão com a guerra midiática, a criação do mal-estar social e a promoção do caos e a ingovernabilidade.

O que começou com protestos contra reformas do governo ao seguro social, posteriormente derrogadas, virou em distúrbios, ataque e incêndios contra prédios públicos, negociados, escolas e centros de saúde, bloqueios de estradas e outros atos vandálicos com um saldo de mais de 250 mortos.

Para o presidente da Bolívia, Evo Morales, trata-se de uma reedição do roteiro já usado pela direita de Estados Unidos na Venezuela.

‘Ambos os países são vítimas de um arremesso do império que patrocina e administra uma guerra de quarta geração em cumplicidade com as oligarquias locais’, escreveu Evo na sua conta da rede social Twitter.

Entre abril e julho de 2017 bandos armados, financiados por setores radicais da direita venezuelana, destruíram negócios, instalações públicas e assassinaram a dezenas de pessoas, algumas das quais foram queimadas vivas.

Conhecidas como as guarimbas, estes protestos violentos deixaram mais de 100 mortos, uns mil e 400 feridos e prejuízos milionários em bens públicos e privados.

De acordo com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, existe uma similitude entre o acontecido no seu país e a situação que hoje enfrenta a Nicarágua.

‘Eu estive em constante comunicação com o presidente Daniel Ortega. Eles enfrentaram uma emboscada como têm feito na Venezuela. Eles triunfarão’, disse Maduro.

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, alertou sobre as similitudes entre a linha editorial tendenciosa das agências e médios ocidentais sobre a violência na Nicarágua e a narrativa tergiversada aplicada na Venezuela em 2017.

Catalogam como ‘protesto cidadão’ a participação de grupos violentos na queima de instituições estatais, saques e ataques às forças da ordem pública, disse.

Na Nicarágua até junho os prejuízos aos bens públicos por atos vandálicos subiam a 182 milhões de dólares, segundo cifras do Ministério de Fazenda e Crédito Público.

No setor do turismo se perderam entre 40 mil e 50 mil empregos, o qual terá um impacto tremendo na economia, informou o titular do setor, Iván Acosta.

Se até o último lustro o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu à volta de cinco por cento, agora o Banco Central da Nicarágua (BCN) reduziu a projeção da alta do PIB ao um por cento.

O BCN estima perdas de 238 milhões de dólares em investimento estrangeiro, 440 milhões em exportações e 465 milhões em importações.

‘A destruição que causaram não se repõe facilmente e a perda de vidas humanas é irreparável’, declarou o secretário das Relações Internacionais da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), Jacinto Suárez.

Em opinião do também presidente da Comissão de Relações Internacionais e Integração da Assembléia Nacional da Nicarágua, as ações desestabilizadoras dos últimos três meses respondem a um ‘golpe suave’ orquestrado do exterior, similar ao aplicado na Venezuela, que busca a renúncia do presidente, Daniel Ortega, e a intervenção estrangeira.

Esta estratégia não é nova. Foi usada já na Bolívia em 2008 quando o golpe cívico prefectural na chamada Media Luna, quer dizer, na Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando. Violentos distúrbios estalaram nesses departamentos, com a ocupação e saque de escritórios públicos, a tomada de um aeroporto e a tentativa de ataque contra um gasoduto destinado às exportações com o Brasil.

O objetivo desse golpe ‘atípico’ era dividir ao país e atentar contra a vida do presidente Evo Morales, que dois anos antes tinha nacionalizado os hidrocarbonetos e outras importantes empresas.

Segundo documentos filtrados por Wikileaks, Estados Unidos financiou aos separatistas e, através da Agência Internacional para o Desenvolvimento (Usaid), entregou ao menos quatro milhões de dólares a esses grupos.

A situação que enfrentam os governos progressistas na região saiu a reluzir no XXIV Encontro Anual do Foro do São Paulo, celebrado de 15 a 17 de julho em Havana.

Um dia é a Venezuela, outro o Brasil e depois a Nicarágua, advertiu o primeiro-ministro de São Vicente e Granadina, Ralph Gonsalves, instando a apoiar a essas irmãs nações.

Vários oradores no foro respaldaram também aos ex-presidentes do Brasil, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva; da Argentina, Cristina Fernández; e do Equador, Rafael Correa, vítimas da perseguição política e da contra-ofensiva contra líderes e governos progressistas.

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