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Postado em 17/10/2017 4:28

O ESBULHO É COM A ÁGUA

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Pedro Augusto Pinho*
 Um país colonizado está sempre sendo assaltado. Levaram o pau-brasil, o ouro das minas gerais, a produção agrícola, o ferro, o petróleo e chegou a vez da água.
Há trinta anos, analisando empresas estrangeiras, por segmento de negócios, observei uma que estava relacionada num conjunto de interesse da  “banca”, designação que dou às 40 famílias que dominam o sistema financeiro internacional. Tinha o nome de seu fundador, no estado de Washington, Estados Unidos da América (EUA), em 1900: Weyerhaeuser.
Era uma madeireira que havia se expandido para áreas correlatas e, depois, para muitas outras. Possuía  florestas nos EUA e no Canadá; hoje as tem na América do Sul, na Austrália e é considerada uma das maiores proprietárias, pela extensão territorial, do mundo.
Não foi apenas em seu negócio original que ela se desenvolveu. Para que se tenha uma ideia, seu conselho de administração tem, atualmente, representantes de petroleiras (Chevron), pesquisa e fabricação de componentes eletrônicos, finanças (maioria) e “ecologistas”. Sua mais recente investida está no setor de águas.
A Nestlé, proprietária das águas minerais de São Lourenço, em Minas Gerais, entre muitas outras reservas aquíferas, é a maior produtora de águas atualmente. Mas a Coca-Cola, a Danone, a PepsiCo são outras multinacionais que também atuam fortemente neste mercado.
Há algumas semelhanças do petróleo com a água. É um bem finito. O Brasil possui a maior reserva de água doce potável do planeta. Veja e reflita sobre o que aconteceu  nos países do Oriente Médio, que concentram a maior reserva de petróleo do planeta.
Mas se o mundo pode viver sem petróleo, o que ocorreu até o século XIX, não poderá viver sem água doce potável. Logo a guerra pela água é inevitável, mesmo sendo investidos recursos abundantes em processos de dessalinização da água dos oceanos e buscando sua extração no mundo vegetal.
O custo da água tende, portanto, a ser crescente.
O tratamento e fornecimento da água são, normalmente, incluídos no conjunto de ações do saneamento básico. O gerenciamento do saneamento básico é feito por estados ou municípios. Logo por entes federativos, que a política tributária e os interesses políticos que dominam a nação colocam, quase totalmente, sem recursos.
Não é difícil, com o açodamento e a ignorância que são os apanágios governamentais mais frequentes, vermos a água privatizada, no bloco do saneamento básico.
E, mais uma vez, um recurso natural privilegiado, que temos a felicidade de dispor, não será usado para o enriquecimento nacional, para a melhor qualidade de vida dos brasileiros, mas para engordar a conta de uma minoria de estrangeiros, detentores das ações daquelas companhias.
Como já afirmou o jornalista Milton Saldanha (Editor do Jornal Dance): “água é um negócio altamente rentável, com baixo custo de extração. Dá muito lucro, mesmo com preços controlados. Vide os balanços da Sabesp, em São Paulo, com grandes lucros. Ora, como água é essencial à vida humana, isso não pode virar negócio privado, para enriquecer alguns. Tem sim que ficar nas mãos do Estado”.
E há os bocós brasileiros, de mente colonizada, que vão às ruas bater panelas,  estultamente, na defesa de um ideologia que os escraviza no corpo e na mente, urrar pela privatização de tudo!
Temos, no Brasil de hoje, um governo, fruto do golpe de 2016, onde nenhum poder, nenhum estamento público, nem o povo, que tem a obrigação da defesa do interesse nacional, se manifesta. Vemos apenas a guerra de quadrilhas, procurando dominar setores da vida nacional, as riquezas e o trabalho dos brasileiros, para vender para o estrangeiro e receber as migalhas das comissões.
Povo brasileiro, em pouco tempo você terá sede, morrerá pela falta d’água, abundante em nosso Brasil. Saia do conforto desta ignorância. Vá a luta, por você, seus filhos, seus netos.
Ninguém virá defendê-lo, se você mesmo não for capaz.
*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

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