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Pedro Augusto Pinho

Postado em 14/05/2017 7:43

O mundo que nos aguarda chegou nos anos 1980

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Pedro Augusto Pinho*
Há um esforço da nova potência imperial para que não a desvendemos. Os impérios sempre foram cruéis, arbitrários e destruidores dos povos. Onde estão os lígures, os filisteus, os etruscos, os fenícios? Destruídos pelos impérios persa, romano, muçulmano. Onde está o poderoso Reino Bantu, o aguerrido império ashanti, destruídos por colonizadores europeus.
Na época dos estados nacionais, que nos ensinaram nos bancos escolares, os impérios não eram mais identificados pelas etnias, religiões mas pelas nacionalidades.
Tínhamos o enorme Império Britânico, onde o sol nunca se punha, o Império Francês, o Holandês, o Japonês que se espalhavam destruindo economias, populações e línguas e culturas.
Kim Il Sung, que libertou a Península da Coreia da dominação japonesa e venceu o Império Estadunidense em 1953, escreve no seu livro de memórias que os japoneses obrigavam os coreanos a trocar seus nomes próprios por nomes japoneses. O máximo em despersonalização do colonizado.
Mas a condição imperial de hoje é diferente. Os netos de meus netos, se ainda houver Brasil e o ensino de História – breve parênteses: os golpistas de 2016 já procuram eliminar esta perigosa disciplina dos currículos estudantis – talvez aprendam que, no século XX, os então denominados estados nacionais foram substituídos por Departamentos do Império da Banca que domina quase todo o planeta. Mas sempre haverá, como no “1984”, de George Orwell, ou no “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, uma Eurásia, em luta com a Oceania, ou os recitadores de William Shakespeare.
A banca é como denomino o sistema financeiro internacional, as famílias que dominam as finanças do mundo. Seu número é incerto, não só pela estratégia da invisibilidade que elas adotam, como pelo objetivo permanente da concentração de renda.
O título deste artigo foi parcialmente tirado de um romance de ficção científica, pois o que nos está acontecendo é tão incompreensível para muitos que parece ser um mundo ficcional. E aproveito então, como na criação de Isaac Azimov, para enunciar não as leis da robótica, mas da banca.
A primeira é dominar toda atividade econômica para transferir seus ganhos para o sistema financeiro. A segunda é promover sempre e sistematicamente a concentração da renda.
Vamos a um exemplo. Qual seria o interesse dos que nasceram e moram nos Estados Unidos da América (EUA) em promover uma guerra na Ucrânia, que, provavelmente, tenha até sua existência desconhecida pela maioria absoluta da população?
Mas sendo o Departamento de Ações Bélicas e Insuflador de Revoltas da banca, os EUA estavam cumprindo as determinações superiores (sic).
Do debate para a eleição de Presidente da França, no segundo turno, o jornalista Marcos de Oliveira, do Monitor Mercantil, extraiu uma frase reveladora proferida por Marine Le Pen: “seja como for, a França vai ser dirigida por uma mulher: ou sou eu ou é a senhora Merkel”, a premier alemã. Além da ironia com que agrediu seu adversário, a candidata francesa mostrou a Departamentalização da Gestão da Banca. Cabe ao Departamento chefiado pela “senhora Merkel” a condução dos negócios da banca na parte continental do ocidente europeu. Tanto é verdade que, não faz muito tempo, o Governo Português, após a aprovação do orçamento pelo Congresso Nacional e antes de colocá-lo em vigor, foi submetê-lo à Premier germânica. O mesmo foi feito, contrariando a votação popular, por Aléxis Tsípras, Primeiro-Ministro da Grécia. E continuaria com outros exemplos.
Aqui, no Brasil, a banca, que havia lançado tantos papéis pelo mundo cujo resgate é verdadeiramente impossível, que corretamente chamaríamos de mico, incumbiu o Departamento EUA de promover um golpe para se apossar da riqueza única do pré-sal, uma Arábia Saudita submersa de petróleo de alta qualidade, pronta para a produção pela capacidade técnica da Petrobrás. E com o melhor aproveitamento do golpe (lembrem-se da primeira lei da banca), retirar direitos trabalhistas e previdenciários dos brasileiros para aumentar seus ganhos financeiros. O que está sendo destruído tanto no trabalho como na vida de todos nós, os nacionais, é a consequência da ação imperial, como em todos os tempos.
Recentemente li de pessoas cultas que a ameaça do Departamento EUA à República Popular Democrática da Coreia (RPDC) era para a banca negociar com a República Popular da China (RPC). Talvez seja a farsa que a banca pretende difundir. Quem conhece a História da Coreia, que por toda existência conviveu com dois grandes impérios fronteriços, o Russo e o Chinês, e, por meio século, sofreu a ocupação do japonês, sabe que prevalece na RPDC um sistema autárquico, que objetiva a independência em relação a qualquer império, ainda que, em determinados momentos históricos, se apresente como aliado.
Temos então a configuração do mundo atual: o Império do Sistema Financeiro Internacional, com seus departamentos operacionais, quer no critério funcional quer no geográfico, ou seja, área de atuação, e de outro lado os remanescentes dos Estados Nacionais, como o Estado Plurinacional da Bolívia, a RPDC, a República de Cuba, a Federação Russa e todos aqueles que a “grande” imprensa, os órgãos de defesa e propaganda da banca, permanentemente, agridem, divulgam mentiras, acusam seus dirigentes e tentam nos convencer que são eles o “reino do mal”.
Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado
“MAS ESSE MUNDO É FEITO DE MALDADE E ILUSÃO”
Em “Saudade da Bahia”, Antonio Carlos Jobim, o gênio da música brasileira, parece descrever o mundo neoliberal em que hoje vivemos. Nem digo só no Brasil, que tem a mais cruel elite no poder e onde o deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT), impunemente, esquecido de viver no século XXI, propõe a “remuneração em espécie” do trabalhador rural. Casa e comida pelo trabalho de 12 horas; não faltou nem a senzala, não é senhor deputado? Mas já houve deputado brasileiro cassado por insinuar que o violento, covarde e corrupto chileno, Augusto Pinochet, era ditador!!!
A pergunta que nos colocamos, a nós mesmos, é: qual a razão desta venda que cobre os olhos de todo povo, das academias e das esquerdas? Como pode manter uma situação tão agressiva à população, ao redor do mundo, sem que este entre em convulsão.
Sim, porque o que vemos não são explosões populares. São guerras e terrorismos plantados pelo sistema financeiro internacional, a banca, para atingir seus dois propósitos maiores: a transferência de todos os ganhos para o setor financeiro e a permanente concentração de renda.
Vejamos uma gota d’água neste oceano: o Itaú Unibanco teve seu lucro, no primeiro trimestre de 2017, 19,6% superior ao de igual período do ano anterior. E também ficamos sabendo, pela imprensa, que este banco eliminou, entre 2014 e 2016, 340.544 empregos em suas agências no Brasil.
Não por acaso, Roberto Egydio Setúbal, da família co-proprietária do citado Banco, aparece entre os três únicos sulamericanos participantes da Comissão Trilateral (Adrián Salbuchi, El cerebro del mundo. La cara oculta de la globalización, Ediciones del Copista, Córdoba, Argentina, 1996).
Recordando, a Comissão Trilateral (Estados Unidos da América, Europa e Japão), com cerca de 300 membros, constitui um braço do sistema financeiro internacional para implantar os objetivos da banca, que já enunciamos, em todo mundo. Um dos idealizadores da Trilateral foi o banqueiro, recém falecido (20/03/2017), David Rockefeller. Talvez como homenagem póstuma, os golpistas no governo brasileiro, acionando o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), do Ministério da Fazenda, resolveram perdoar R$ 25 bilhões da dívida, por sonegação fiscal, do banco Itaú, cujo dono colaborava para os propósitos da família Rockefeller.
Para o rol das maldades, os golpistas no governo, pois esta classe jamais deixou o poder no Brasil, propõe o retorno à política trabalhista pré-1930. Diga-se que vários governantes, entre eles Fernando Henrique Cardoso, explicitamente, se candidataram a “acabar com a Era Vargas”. Mas, políticos com ambições de poder, sabiam perfeitamente que era um suicídio eleitoral retroceder as conquistas sociais à República Velha. Aparentemente estes atuais ocupantes não tem mais estes sonhos; sabem que serão pessoas odiadas e só lhes resta limpar os cofres da Nação e receber as percentagens das alienações, em regime de saldos, que fazem das riquezas insubstituíveis do Brasil.
E a ilusão? Esta está todo dia, toda hora, nas redes de televisão, nos rádios e nos jornais e revistas da “grande imprensa”. Também não temos qualquer particularidade na farsa das comunicações. Isto se faz amplamente em todo mundo. Veja como a candidata nacionalista de direita, Marine Le Pen, é tratada pela imprensa de seu país. Não me surpreenderia vê-la numa caricatura com bigodes à Hitler.Seria nazista, fascista? Até onde pude ouvi-la e ler suas próprias palavras, a resposta é negativa. Mas ser nacionalista é quanto basta para despertar o ataque sem pudor dos neoliberais. E seu opositor, o ex inspetor de finanças francês,  vem da fina flor deste regime de exclusões: saiu dos escritórios da banca, da mais tradicional e atuante: o Rotschild & Cie. Banque.
Se o prezado dispuser de algum tempo, verifique que, em todos os continentes, os governantes eleitos pelo povo, que mostraram não atender inteiramente à banca, tem sido acusados de corrupção. Embora nenhuma prova tenha sido apresentada para justificar esta agressão a suas honras. Nem haja qualquer sinal exterior de riqueza que pudesse ser apontado como ilícito. Isto ocorreu na Ucrânia, na Argentina, na Coreia do Sul, no Brasil, na África do Sul, mas não está ocorrendo em países onde a banca assumiu o poder e seus governantes são reconhecidamente corruptos, como nos países do Oriente Médio, ironizados com porta-aviões estadunidenses. Para mais exemplos faça sua própria pesquisa.
Ao criar esta ilusão de mágico de circo, a banca usa a mídia, que lhe serve, para insistir de tal modo que você chega a duvidar de si mesmo. Como na conhecida frase de Pierre Augustin de Beaumarchais: caluniai, caluniai, sempre sobra alguma coisa.
E usa também as academias, comprando, sob várias formas, o talento, e mesmo a falta de talento lá existentes, para dar respaldo meritocrático a suas falácias. Realmente é uma luta desigual, onde as centenas de trilhões de dólares de 40 famílias são colocados para lhe iludir. E lhe roubar.
Grande Tom: vivemos num mundo de maldades e ilusões. Até quando?
*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

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