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Papo do Dia

Postado em 22/02/2016 8:40

O QUE É ISSO DILMA? (ESSAS PROPOSTAS NÃO SÃO NOSSAS!)

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 Em política, a cegueira fatal é daquele que não quer enxergar por covardia. Priorizar a pauta da austeridade é atirar contra sua própria base.
Lindbergh Farias e João Sicsú

Fizemos o Brasil mudar. O presidente Lula transformou a história do Brasil. Aqui foi estabelecido um modelo de crescimento, com inclusão social e distribuição de renda. Elegemos a presidente Dilma para dar continuidade ao projeto de desenvolvimento iniciado pelo presidente Lula. Reconhecemos as dificuldades que a presidente Dilma tem enfrentado: o conservadorismo do Congresso, a campanha oposicionista da grande mídia e os movimentos golpistas pelo impeachment.

Sempre estivemos, e estaremos, ao lado da presidente na defesa do seu mandato e dos valores democráticos. Reconhecemos também os problemas da economia mundial, suas crises e desaceleração generalizada. Contudo, a presidente errou, em 2015, ao convidar Joaquim Levy para dirigir a pasta da Fazenda. Suas políticas somente aprofundaram os problemas fiscais e aumentaram o desemprego. Sua substituição era uma necessidade. Agora seria a hora de mudar a política econômica. E retomar o projeto do presidente Lula. Mas fomos surpreendidos com as novas intenções do Governo.

Na última sexta-feira (19/02), o Ministério da Fazenda lançou o documento Reforma Fiscal de Longo Prazo. A proposta do Governo é repetir em 2016 a mesma política de austeridade fiscal de 2015. Mas é mais que uma política para mais um ano. É uma reforma que estabelece regras permanentes. Para o ano corrente, o documento afirma: “o governo realizou um grande esforço de contenção de gastos em 2015 e continuará na mesma direção em 2016”.  O Governo considera que o corte de gastos “…não foi suficiente para gerar superávits primários…”. Superávit primário é o nome da poupança que o governo faz para pagar juros aos rentistas e banqueiros. Portanto, mais cortes de gastos correntes ocorrerão. O primeiro corte de R$ 23,4 bilhões já foi anunciado também na última sexta-feira.

O Governo indica como causa do problema fiscal a redução do crescimento e a elevada rigidez do gasto público (contudo, deveria dizer que desonerações aos empresários e despesas públicas com juros são as verdadeiras causas do problema). Para recuperar o crescimento não é sugerida nenhuma medida, mas para “flexibilizar os gastos públicos” (isto é, reduzir despesas obrigatórias) sugere inúmeras possibilidades – até mesmo a suspensão da política de valorização real do salário mínimo que impõe gastos à Previdência. O Governo abandona a afirmação de que é a redução da atividade econômica uma das causas do problema fiscal e nada fala sobre a recuperação do emprego e da renda. E o documento ratifica: “a recuperação da estabilidade fiscal depende do controle do crescimento do gasto público”.
E propõe explicitamente “para controlar o gasto obrigatório é necessário reformar a Previdência, controlar o gasto com pessoal e adotar um limite global para o gasto público da União”. Nenhuma palavra é dada sobre os gastos absurdos com o pagamento de juros (em 2015, foram mais de R$ 500 bilhões). Essa rubrica estaria protegida pela proposta do Governo, para esse gasto não há limites, porque obviamente não é gasto primário nem é gasto com pessoal.

Além disso, o Governo assume o discurso conservador de que é preciso “evitar pressão recorrente por aumento da carga tributária”. Todos sabemos que há uma enorme injustiça tributária no país. Quem paga imposto no Brasil são os pobres, a classe média e os funcionários públicos. Sabemos também que se fosse feita justiça fiscal, a carga tributária tenderia a subir na medida em que ricos, milionários, bilionários, banqueiros, bancos e multinacionais pagam uma carga de impostos desprezível, inadequada ao poder econômico que possuem. Mas sobre essa injustiça nada é dito, é apenas garantido para o “andar de cima” que o governo não está disposto a aumentar a sua carga tributária.

Por fim, o documento estabelece regras que limitariam os níveis de gastos públicos e caso haja ameaça de descumprimento dos limites apresenta uma lista de medidas que serão adotadas. E aí o documento apresenta a lista, um tanto quanto óbvia para os ouvidos conservadores: corte de gastos de custeio (ou seja, programas e gastos sociais), suspensão de concursos públicos, corte de salários dos funcionários públicos, corte de benefícios a servidores públicos e suspensão do aumento real do salário mínimo.

Em política, a cegueira fatal é daquele que não quer enxergar por covardia. Priorizar uma pauta dessa como centro da ação estratégica é atirar contra sua própria base em um momento que travamos uma guerra contra o impeachment, que tivemos uma vitória parcial nas ruas ano passado, mas cujos ataques especulativos da forças conservadoras –  caso baixemos a guarda – podem retornar antes que se possa respirar. Se algum estrategista do governo pensa que vai conseguir neutralizar as elites adeptas do neoliberalismo com essa pauta, desconhece a história. Esse pessoal está em guerra sem retorno nem acordo contra nosso projeto político.

O que pode acontecer com esse movimento arriscadissimo de cedência permanente de espaço ao adversário – visando erroneamente cativá-lo – resulta em Dilma imobilizar ou perder aqueles que ainda estavam dispostos a ir para as ruas em sua defesa. Em 1938, nas ensaios da Segunda Guerra Mundial, o primeiro ministro inglês, Neville Chamberlain, por medo e em nome de um “paz” dos cemitérios, entregou os territórios da Checoslováquia à Hitler sem disparar um tiro. Da tribuna do parlamento, a voz de estadista de Churchill advertiu: “entre a guerra e a desonra, você escolheu a desonra e terá a guerra”. Assim aconteceu na história. Ainda é tempo de não acontecer assim no Brasil, contudo, advirto: o tempo urge e estamos prestes a esgotar os últimos minutos.

Créditos da foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Comentários:

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5 ideias sobre “O QUE É ISSO DILMA? (ESSAS PROPOSTAS NÃO SÃO NOSSAS!)”

  1. Dilma é uma decepção atrás da outra. Parece que tem, recorrentemente, compulsão em trair suas bases. Ou então padece da Síndrome de Estocolmo, o que não é de duvidar.

  2. Lula tampouco cumpriu pautas nossas, do PT original, que propunha rumar para o socialismo por vias pacíficas (manifesto original, de 1980).
    Lula, e cúpulas do PCdoB e PDT fizeram por gosto ou covardia, acertos com FHC de não tocar nas reformas de base, não fazer reforma agrária, e aceitar as privatizações criminosas do governo do professor.
    Dilma entrou na metade da missa. Descobriu a ingerência dos agentes gringos dentro do próprio governo… Foi à ONU, estrilou. Nada aconteceu, porque o Brasil é país ocupado desde o regime militar, que chegou a entregar de graça a estrangeiros vastas porções da Amazônia – projeto que o presidente colombiano quer retomar com seu tal corredor transcontinental, que fatiará o Brasil e países limítrofes para a felicidade dos gringos.
    Esta é a verdade, Lula e Dilma estão impedidos de falar, porque nos ameaçam insurreições programadas como as do Oriente Médio (as primaveras árabes) e o frio e cínico terrorismo que sabemos.
    Deveriam falar. As acusações orçamentárias são ridículas e sem fundamento, quando se sabe do saque ao patrimônio brasileiro feito pelo regime militar e pelo FHC.
    Lula e Dilma, botem a boca no trombone. Se houver represália, são os ossos do ofício. Os gringos já estão mandando na Argentina e querem mandar em todo o continente. Se não informarmos e mobilizar nossa gente que só assiste Jornal Nacional e novela das 8, não temos saída.
    Algumas sugestões: não pagar dívida externa alguma. Expulsar uma porção de corporações estranhas que nos infestam, a partir das ladras de água que são Coca-Cola e Nestlé.
    Controlar as empreiteiras, boa parte dela consorciada com os gringos.
    Fazer a reforma agrária,e construir uma política agrícola que nos garanta segurança alimentar e auto-suficiência. Recompor o salário mínimo constitucional. Coibir as terceirizações, etc., etc.
    Tania Jamardo Faillace – jornalista e escritora de Porto Alegre, RS – terceira idade – fundadora nacional do PT – a dinossaura vermelha.

    1. PRECISA-SE UM LÍDER

      No modesto entender deste escriba, o Brasil precisa urgentemente de uma liderança capaz de enfrentar o capital financeiro internacional, a Banca, como o chamarei doravante.
      Não importa a esta altura buscar origens e culpas. Basta saber que a Banca atua com um propósito, que chamaremos Objetivo Permanente: o da apropriação dos ganhos de todos os demais segmentos econômicos, públicos ou privados e, internamente, reduzindo o número de parceiros (!), numa contínua concentração de renda. Há também outro objetivo, não conflitante com o Permanente: destruir toda política nacionalista, que a afaste da governança das nações.
      Como a Banca é formada de capitais de todas as origens: drogas, corrupção, caixa 2, suborno, tráfico de pessoas, cujo montante ela lava e coloca para render, não se lhe pode cobrar atitudes éticas. Veja, nesta última eleição na Argentina, o volume de dinheiro gasto para eleger Mauricio Macri, opositor daquela que enfrentou os Fundos Abutres. Não constituiu surpresa alguma que a primeira medida do novo presidente fosse deslocar seu ministro das finanças para “negociar” com estes fundos.
      O Brasil tem dimensões maiores em tudo que se escolha para comparar. Poucos países – os Estados Unidos da América (EUA), a Federação Russa, a República Popular da China e a Índia – tem dimensões, população e recursos naturais comparáveis. Também o Brasil se coloca como detentor de vários êxitos científicos e de tecnologias de ponta, como da exploração de petróleo, que faz da Petrobrás uma presa cobiçada.
      Mas tem uma elite, que governa o País desde as capitanias hereditárias, a qual cabe a irônica avaliação que o Presidente João Baptista Figueiredo aplicou aos criadores gaúchos: cafetão. No caso de todos nós, brasileiros, esta elite é a cafetina de nosso suor e de nossas riquezas naturais que entrega aos estrangeiros por variadas comissões e pela sua manutenção no Poder. A denominada grande imprensa é a caricatura desta realidade.
      Hoje parece ser travada uma luta, que envolve os mesmos interesses, com sutilíssimas variações, além da permanente sede de poder. Governo e oposição são unânimes na submissão à Banca. Vejamos o vocabulário usado e sua real significação.
      Fala-se em “ajuste fiscal”, “medidas duras ou impopulares, mas necessárias”, “confiança dos investidores”, “manter avaliação de grau investimento pelas agências de avaliação de risco (sic)” e muitas outras que o inteligente leitor logo associará. Todas só tem um único significado: tirar salário e rendas dos pobres e da classe média para manter sempre em elevado crescimento o lucro da Banca. Infelizmente a classe média custa muito a entender esta linguagem, mais do que os pobres, e ainda se alia aos interesses da elite como riqueza e poder passassem de um para outro por contágio viral.
      A mais recente prova desta igualdade de propósito, entre Governo e oposição, deu-se na aprovação pelo Senado da exclusão da Petrobrás de obrigatória participação na apropriação da maior riqueza descoberta neste País e no mundo, nos últimos 30 anos.
      Está vaga a liderança nacionalista. A um só tempo é curioso e triste verificar que os grandes avanços por um Brasil Soberano se deram em Governos Autoritários: Vargas e Militares, a partir de Costa e Silva.
      São daquelas épocas a legislação trabalhista, a Companhia Siderúrgica Nacional, a inclusão do trabalhador rural na Previdência Social, a Telebrás, a Embratel, a Cobra, a Nuclebrás e a própria Petrobrás, orgulho de qualquer Nação, criada por Vargas, Presidente eleito, às véspera de seu suicídio/assassinato, por coincidência (?) pela mesma força vitoriosa, agora, no Senado.
      Claro que não se deixa espaço vago no Poder. Já se candidatam a esta liderança o ex-Ministro e ex-Governador Ciro Gomes, no partido fundado por Leonel Brizola, muito conveniente, sem dúvida, e o Senador e ex-Governador Roberto Requião, que já teve uma experiência no Paraná, de enfrentamento do Judiciário, onde está enquistada boa parte da elite e dos interesses alienígenas. Não fosse assim, os processos de casos como Satiagraha, Banestado (também chamado LavaJato 1), Castelo de Areia, Lista de Furnas e tantos outros não teriam conhecido o arquivamento e as gavetas sonolentas.
      E as Forças Armadas? Enfraquecidas, desinformadas, acreditando que ainda vivemos num mundo bipolar de democratas e comunistas, teriam uma liderança para enfrentar a Banca?
      Esta é uma realidade que talvez chegue às eleições onde as pessoas jurídicas, pela primeira vez, não poderão oficialmente eleger seus representantes.
      Pedro Augusto Pinho, avô, aposentado

  3. O que aconteceu da presidenta quem alertou ao G-20 no Rio de Janeiro em 2012 que uma programa de austeridade iria faz mais dano de ajudo prao crise economico do mundo??

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