Brasília, 18 de agosto de 2017 às 03:52
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Postado em 15/04/2017 6:29

O testamento de Judas e o “Serra Velho”

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 José Ribamar Bessa Freire
Sábado de Aleluia. Tradicional malhação do Judas. No bairro de Aparecida, em Manaus, o boneco pendurado no poste trazia o testamento no bolso, escrito pelo Edilson, o gaguinho, com estrofes sem um só verso de pé-quebrado. O gênio da poesia popular, irreverente e atrevido, resumia intrigas políticas e fofocas do bairro. Não poupava ninguém, nem ele mesmo.
Depois da leitura pública do testamento e da queima de Judas, iniciava a cruel cerimônia do “Serra Velho”. Na madrugada, jovens com serrotes, pedaços de pau e latas faziam barulho infernal na frente da casa do morador mais idoso – só respeitavam aqueles doentes – quando então cantavam:
As caveiras do outro mundo / vieram lhe dizer-êêê / que agora neste ano / você vai morrer-êêê.
Depois gritavam em coro:
– Encomende a alma a Deus, porque seu corpo já não vale nada.
Alguns velhos entendiam como gozação e até apareciam na janela para um dedo de prosa. Outros se irritavam, como dona Maria Rosa, que jogava o conteúdo de um penico sobre as “aves agourentas”. Psicografado pelo Edilson, apresento-lhe aqui o testamento do Judas de 2017.
 01.Há dois mil anos me malham
      Muda o mundo, pra mim nada
      Chega o sábado de Aleluia
      E me enchem de porrada.
 03.Ao Trump bundão eu deixo
       O muro de Jericó
       E a espada de Herodes
       Pra enfiar no fiofó;
 05.Ao “Índio” Eunício deixo
       A Funai, só de pirraça.
       Que ela poupe os índios,
       Mas acabe com tua raça.
 07.Ao Rodrigo, o “Botafogo”,
       Vil sucessor do Cunha
       Deixo o dedão do Temer
       Pra rasgar o tu com a unha.
09. Aos da lista do Fachin
       Dou um penetrante créu
       Com delação premiada
       Lego o atestado de réu.
 11. Ao Eliseu Padilha, o “Primo”,
       Amigo de Temer, de FHC,
      Deixo-lhe balcão de negócios
     E da Odebrecht o guichê.
13. Ao Jucá que a falcatrua
       Fez sair da pindaíba
       Deixo a suruba com Cunha
       Na prisão de Curitiba
 15. As trinta moedas de prata
       E o caroço desse angu
       Deixo pro Sérgio Cabral
       Curtir no spa de Bangu.
 17. Ao Moro, o vaza a jato,
       pra Rede Globo vaza veloz
       Lego tua foto com Aécio
       Tão promíscua e tão atroz.
 19. Para Alexandre de Moraes
       O plagiador kinder-ovo
       Deixo o evangelho de Lucas
       Pra copiar tudo de novo.
  21. Que o pato da FIESP fique
       Com os seis milhões do Skaf
       Ele enganou os paneleiros?
       Que da prisão não  escape.
 23. Deixo a Arena Amazônia,
      Ao senador Braga, o Dudu
      Com a superfatura exposta
      Que ele vá tomar na rima.
25. À Vanessa e ao Eron
      Que estão na lista do Fachin
      Deixo um capital polpudo
      Em Moscou ou em Pequim.
27.Ola-lá, olha o boi que te dá?
     Eu tirei da algibeira
     A propina do Caixa 2
     É para o Cabo Pereira.
29. Ao prefeito Artur Neto
      Deixo um resto de decoro
      Vai aposentar o kimono
      Depois de se ver com o Moro.
31 Ih, já ia me esquecendo
     Do sócio do Cabral, o Pezão
     Pelo calote na UERJ
     Deixo-lhe sua cassação.
 33.Aos paneleiros que pouparam
      O Barrabás, contumaz ladrão.
      Deixo meu arrependimento
      Para que gritem: Fora Poltrão.
 02.Mas antes de me ferrarem
       E morrer mais uma vez
       Eis aqui o inventário
       Do que eu lego pra vocês.
  04.A ti, Temer, legar-te-ei
        Minha corda de enforcado
        Pendurar-te-ás na figueira
        Seu traíra desgraçado.
  06.O Renán  é quem herda
        Um implante de pentelho,
        Feito com verbas do Senado,
         Com ele eu me aconselho.
 08. O Cunha preso não está
       Só é usufrutuário da cela.
       Dou-lhe caixão de defunto
       Pra quando esticar a canela.
 10.Oh ministros e parlamentares!
      Deixo-lhes o meu Caixa Dois
      Com propina milionária
      Sois ladrões, ora pois pois.
 12. A Odebrecht atirou
       O pau no gato te-otó
       Acertou Moreira Franco
       O Angorá do quiproquó.
 14.  O Lula “amigo” herda,
        Um tríplex em Guarujá,
        Um sítio em Atibaia
        Até tu comeu o jabá?
 16. Ao outro Sérgio, o Cortes,
       Dançou em Paris no inverno.
       Deixo a Fatura Exposta
       Pra bailar lá no inferno.
 18. Ao “paladino da honradez”
       Ao Collor das Alterosas
       Ao Aécio, tucano e corvo,
       Deixo propinas fuderosas.
 20. Gilmar Mendes a ti deixo
       Exame de coproscopia
       Da tua diarreia verbal
       O Janot tem merdofobia.
   22. Anastasia, tu finges ser
       Um santinho do pau ôco
       Encheste a burra de grana
       Taquiprati o meu cotôco.
24. Lego ao senador Omar Aziz
       A ponte superfaturada, viu?
       Com a propina embolsada
       Vá pra ponte que se partiu.
  26. A ti José Melo Merenda,
        Estadista de igarapé
        Deixo as verbas desviadas
        Para ser cassado pelo TSE.
  28. Paguei, paguei, paguei
        Paguei torno a pagar.
        Ao Alfredo Nascimento
        Ao Dudu e ao Omar.
 30.Criticou o Artur na Lava Jato
      Marcelo Ramos, o velho novo
      Pra lembrar o amigo Buchada,
      Deixo-lhe  catuaba com ovo.
  32. Ao José Mayer assediador
       Que diz estar arrependido
       Deixo-lhe Maria Madalena,
       Para testar se é bandido.
 34 Lá onde perdi as botas
      Lego ao povo brasileiro
      A desconfiança nesses pulhas
      A esperança do testamenteiro.
P.S.Agradeço o Mauro Biba pelas dicas e a Uagogo pela foto do Judas.
OUTROS TESTAMENTOS
2010 – http://www.taquiprati.com.br/cronica/855-judas-no-brasil
2008 – http://www.taquiprati.com.br/cronica/93-o-testamento-do-judas
2004 – http://www.taquiprati.com.br/cronica/294-o-testamento-do-judas-versao-2004
2001 – http://www.taquiprati.com.br/cronica/323-o-testamento-de-judas
1987 – http://www.taquiprati.com.br/cronica/652-o-testamento-do-judas

 

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Uma ideia sobre “O testamento de Judas e o “Serra Velho””

  1. Começar culpando o Povo pela bandalheira política que se instalou no Brasil, é uma saída fácil para quem não quer perder tempo com maiores raciocínios, mas está longe da verdade porque a grande maioria do Povo é pobre e luta por uma sobrevivência, muitas vezes de modo errado, mas luta para continuar de pé.
    Jogar-lhe todos os defeitos do mundo, é covardia igual à dos parlamentares que se elegem com seus votos e depois só atuam em proveito próprio, servindo os exploradores da força imensa de trabalho do Povo.
    Quando aparece um cidadão com carisma popular que consegue infiltrar-se na teia de aranha da politicalha e sobrevive às primeiras armadilhas rústicas que lhe armam, fingem tolerá-lo, dão-lhe até apoio para lhe ganharem confiança, mas tão logo o consigam, começam o jogo de rasteiras que vão minando a concretização de medidas que o Povo tanto necessita. As rasteiras começaram com Lula que as soube driblar, mas deixou sua sucessora exposta às ações criminosas do bandidos que gozam de impunidade e dormem tranquilos num covil de burlas bilionárias, com muitas mordomias, um verdadeiro insulto ao Povo que dizem representar.
    Então chegou a hora do Povo acordar e cobrar dos estelionatários eleitorais todas as falsas promessas que fizeram para ganhar votos, mas como não podem pagar, vão para a cadeia meditar e agradecer aos espíritos mais humanos da Greve Geral não terem sido espancados pelos mais revoltados.

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