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Postado em 02/01/2019 9:42

Peru: promotores do caso Odebrecht são afastados e presidente pede ‘emergência’ no MP

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© AFP 2018 / Cris Bouroncle

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, anunciou nesta quarta-feira (2) que pretende apresentar um projeto de lei ao Congresso para decretar “emergência” no Ministério Público após o procurador-geral Pedro Chávarry destituir dois promotores da equipe especial que investiga corrupção estatal no caso Odebrecht.

O mandatário peruano estava na posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), mas antecipou seu retorno afirmando que voltaria para casa para lutar contra a “corrupção e impunidade”.

Após reunião ministerial, Vizcarra afirmou que irá nesta quarta-feira ao Parlamento e apresentará pessoalmente o projeto de lei “como gesto claro que meu governo aponta na luta contra a corrupção”. Segundo ele, a ação do procurador-geral “apenas consegue prejudicar os interesses do Peru”. O presidente pediu que o Congresso trate com urgência da iniciativa, para que não se chegue a “uma questão de confiança” nas instituições. Vizcarra não mostrou detalhes do projeto, mas segundo especialistas uma “emergência” do Ministério Público implicaria a destituição do procurador-geral.

“Vamos usar todas as ferramentas que nossa Constituição contempla para derrubar essa decisão, e pedimos que todos os ramos do governo façam o mesmo”, disse Vizcarra.

O Congresso é dominado pelo partido oposicionista da líder Keiko Fujimori e apoiado pelo partido do ex-presidente Alan García, ambos investigados no caso Odebrecht.Os promotores destituídos foram o coordenador da equipe, Rafael Vela, e o promotor provincial José Domingo Pérez. Ambos afirmaram que nesta quarta-feira buscarão impugnar o afastamento diante de uma junta de cinco promotores supremos do Ministério Público.

Houve protesto em Lima com cerca de 500 pessoas pedindo a saída do procurador-geral, que é apoiado no Parlamento pelos partidos de Keiko e García. Chávarry já foi denunciado por supostas decisões em troca de favores ou dinheiro, mas os processos não avançam no Legislativo.

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