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Postado em 05/12/2018 10:42

Por que Palocci não inventou alguma coisa envolvendo Dilma e a Odebrecht?

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por Fernando Soares Campos

Entenda por que Palocci tenta envolver Dilma em esquemas de propina citando apenas as seguintes empresas e empreendimentos: Sete Brasil, as obras da Usina de Belo Monte(**) a compra de blocos de exploração na África e a relação entre o grupo Schahin, o PT e o instituto de pesquisas Vox Populi. Mas ele nada diz sobre corrupção envolvendo a presidenta Dilma e a Odebrecht.

Por que Palocci não arriscou inventar algum ato de corrupção envolvendo Dilma e a Odebrecht?

Ora, porque o próprio delator Marcelo Odebrecht, presidente da empresa, negou envolvimento de Dilma e da presidente da Petrobras, durante seu governo, Graça Foster, em esquema de corrupção.

Acompanhe e tire suas conclusões.

Se Dilma é culpada por algum desvio na Petrobras, como querem, por que a presidente da estatal em seu governo, Graça Foster, nunca foi citada por delatores?

Nunca foi? Ah, desculpe, foi, sim! Mas foi citada como elemento que não estava envolvida com esquema de corrupção. Veja o que disse Marcelo Odebrecht:

Segundo o delator Marcelo Odebrecht, Graça Foster havia telefonado para a empresa sondando sobre suposto pagamento de propina para o PMDB. Ela e a então presidente da República, Dilma Roussef, queriam saber quem eram os destinatários.

“Quando eu coloquei o assunto do PT, eu desarmei tanto ela quanto Graça, do ponto de vista que… eu desarmei. Desarmei, apesar de que eu não acho que as duas estavam envolvidas, não sabiam, na hora que eu coloquei, eu desarmei a questão. Como é que elas iam conduzir esse assunto, se o partido delas tava envolvido?”, disse o delator.

Os diretores envolvidos pediam propina em nome do PMDB e, certamente, do PT. Marcelo Odebrecht disse que 4% ia para o PMDB e 1% para o PT, mas, na verdade, eram arrecadações pessoais, enriquecimento ilícito, os arrecadadores ficaram podres de rico, pois eram poderes de imoralidade.

Por sugestão de Graça Foster, Dilma mandou exonerar três diretores da empresa. Renato Duque, Diretor de Engenharia e Jorge Zelada, da área internacional, saíram por deliberação do Conselho. Paulo Roberto Costa, Diretor de Abastecimento, foi demitido diretamente por Graça Foster. Ele disse que não compreendeu o motivo de sua demissão, mas Dilma e Graça sabiam por que estavam dispensando esses aí.

Dilma mandou abrir inquérito para apurar responsabilidades.

Mais adiante, a Lava Jato pegou Paulo Roberto Costa e o sujeito abriu o bico. Mas ele já estava respondendo por seus supostos crimes. Isso por iniciativa do governo Dilma.

Pela Lava Jato, rapidamente Costa foi para casa, prisão domiciliar, desfrutando de sua fortuna, e o esqueceram.

Na CPI da Petrobras, Paulo Roberto Costa reafirmou o que havia dito em sua delação para a Lava Jato, como a declaração de que, na campanha de 2010, o doleiro Alberto Youssef, outro investigado na Lava Jato, o procurou com um pedido de R$ 2 milhões para a campanha da então candidata Dilma Rousseff. O doleiro Youssef teria dito que o pedido tinha partido do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, um dos ex-coordenadores da campanha da presidente naquele ano. Quer dizer: Palocci pedia propina, embolsava, ficava cada vez mais rico. Dilma nada tem a ver com aquilo, mas hoje o sujeito, para se livrar da cadeia, inventa que a ex-presidenta estava envolvida em suas podres transações.

(*) Fernando Soares Campos é escritor, autor de “Fronteiras da Realidade – contos para meditar e rir… ou chorar” – Chiado Editora – Portugal – 2018.

(**) As empresas Odebrecht e Camargo Corrêa desistiram de participar de um consórcio para a construção da Usina de Belo Monte por temerem não lucrar com a empreitada da obra.

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