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Postado em 03/01/2018 11:10

Quer guerra com a Coreia do Norte? Peça-a ao Congresso

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por Daniel L. Davis [*]

Numa entrevista em meados de Outubro, um responsável não identificado do governo norte-coreano disse à CNN : “Antes que possamos iniciar conversações diplomáticas com a administração Trump queremos enviar uma mensagem clara de que a RDPC tem uma capacidade defensiva e ofensiva confiável para deter qualquer agressão dos Estados Unidos”. Esta mensagem clara, disse o responsável, incluía dois passos. Primeiro a demonstração com êxito que possa alcançar a Costa Leste dos Estados Unidos. O segundo é uma detonação acima do solo.

O primeiro passo da “mensagem” da Coreia do Norte a Trump aparentemente foi cumprido com o teste de 29 de Novembro de um ICBM (o Hwasong-15 ). Aquele lançamento levou o conselheiro de segurança nacional H. R. McMaster a advertir que o risco de guerra estava “a aumentar dia a dia”. O senador Lindsey Grahamdisse: “Estamos a aproximar-nos de um conflito militar” e que “estamos a esgotar o tempo” antes de uma guerra poder começar. (Uma semana antes, o senador explicara aquilo que pensava que dispararia uma guerra.)

Se o limiar para a guerra é a confirmação de que a Coreia do Norte tem meramente a capacidade de atacar os Estados Unidos com uma arma nuclear – em oposição a um lançamento real ou iminente de uma tal arma – então um teste acima do solo poderia disparar a guerra. Kim Jong-un, entretanto, pode calcular que é necessário demonstrar esta capacidade para a sua sobrevivência.

Responsáveis norte-coreanos acreditam que a fraqueza fatal de Saddam Hussein em 1991 e em 2003 foi não ter um dissuasor para impedir a invasão de forças dos EUA. Tivesse Saddam Hussein disposto de uma arma nuclear naquele tempo, ambos os ataques poderiam ter sido impedidos pela ameaça de ataques a forças estado-unidense ou da própria América. Kim pode raciocinar, assim, que deve demonstrar conclusivamente que tem tanto um míssil confiável como uma ogiva nuclear em funcionamento para impedir qualquer ataque dos EUA.

Entretanto, se Trump ouvisse conselheiros falcões e ordenasse um ataque militar preventivo, ele pode incitar Pyongyang a utilizar uma das suas armas nucleares de alcance curto ou intermediário sobre o território dos EUA ou pessoal no exterior.

É instrutivo recordar que em 1962, a maior parte dos líderes militares sénior da América aconselharam o presidente Kennedy a lançar um ataque militar preventivo antes de os mísseis soviéticos de longo alcance se tornarem operacionais – mas o que eles não sabiam naquele tempo era que a URSS já tinha mísseis nucleares plenamente operacionais que podiam ter devastado qualquer cidade no sul dos Estados Unidos.

Se Kennedy tivesse então ouvido os falcões e aprovado o ataque preventivo, isto podia ter incitado Moscovo a trazer a guerra nuclear aos Estados Unidos continental, destruindo algumas cidades americanas como retaliação. Hoje, as agências de inteligência dos EUA não sabem quantos mísseis nucleares operacionais a Coreia do Norte já pode ter. Se o presidente Trump fosse ouvir os falcões e lançar ataques preventivos, a catástrofe nuclear evitada por Kennedy poderia agora ser lançada sobre cidadãos dos EUA. As apostas não poderiam ser mais altas – e uma guerra que pudesse impor perdas catastróficas à nação não pode ser deixada à decisão de uma única pessoa.

O Congresso é o único corpo com poderes para declarar guerra. Portanto, é de suprema importância que o Congresso comece imediatamente a debater o assunto agora, enquanto ainda há tempo para considerar cuidadosamente qual o curso de acção a apoiar.

O Congresso deve decidir o activador (trigger) para iniciar acção militar contra a Coreia do Norte. Será a mera posse de armas, ou deveríamos nós atacar apenas para evitar um ataque iminente? Qualquer análise custo-benefício mostra que a dissuasão funciona, de modo que deveríamos utilizar força militar só como um último recurso.

O senador Graham e seus aliados acreditam que o custo de uma guerra preventiva é um preço que vale a pena pagar. Como explicado por Barry Posen no New York Times:

“A detonação de mesmo um pequeno número de armas nucleares na Coreia do Norte produziria resultados infernais. … Os Estados Unidos fariam de si próprios um pária internacional durante décadas, senão séculos. É inteiramente possível que o pessoal militar americano resistisse mesmo à ordem para executar um tal ataque. Por razões estratégicas, humanitárias e constitucionais, uma opção de primeiro ataque nuclear não deveria mesmo estar sobre a mesa (além da de evitar um ataque nuclear iminente da Coreia do Norte)”.

A possibilidade uma guerra contra a Coreia do Norte que pudesse transformar-se em nuclear é de tantas consequências que o Congresso não se atreve a abdicar da decisão para uma única pessoa. A América deve debater as duas opções políticas disponíveis. Por um lado, há a dissuasão e a diplomacia, baseada na nossa esmagadora superioridade convencional e nuclear. Por outro lado, a guerra preventiva, que seria catastrófica, custaria centenas de milhares de vidas humanas, prejudicaria seriamente a economia global e a nossa própria prosperidade, e mudaria a geopolítica para sempre – simplesmente para remover uma capacidade que de modo crível não será utilizada contra a Coreia do Sul, muito menos os Estados Unidos.

O povo deste país merece ouvir o presidente expor o seu caso publicamente e a seguir ter os seus representantes a debaterem abertamente a sabedoria de um tal curso de acção. Os americanos devem estar conscientes dos riscos que se lhes pede que assumam. Os custos potenciais da guerra nuclear são demasiado terríficos para serem impostos sobre um povo sem o seu consentimento.

[*] Perito em Prioridades da Defesa e tenente-coronel do Exército dos EUA reformado em 2015 após 21 anos de serviço incluindo quatro deslocações em combate.

O original encontra-se em nationalinterest.org/…

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

 

30/Dez/17

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