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Postado em 01/09/2017 10:37

Ser abusada e ficar desabrigada: destino das militares dos EUA

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© AP Photo/ Robert Ray

Entre as mulheres que serviram nas Forças Armadas dos EUA observa-se um número crescente das que se encontram sem teto e que foram diagnosticadas com sérias perturbações mentais. A Sputnik Internacional falou com Elena M. Giordano, veterana da Marinha dos EUA, que foi demitida depois de ter relatado ataques sexuais.

O número de mulheres veteranas sem teto aumentou para mais de 3 mil em 2010, comparando com 2 mil em 2006, informou o relatório da Coalizão Nacional dos Veteranos Desabrigados (NCHV, na sigla em inglês).

Cerca de oitenta por cento das mulheres veteranas sem-teto são diagnosticadas com sérias perturbações mentais, especialmente com transtorno de stress pós-traumático.  A doença mental dificulta a reintegração das ex-militares na sociedade, aumentando o risco de ficar sem-abrigo. Mais do que isso, uma em cada cinco mulheres relatou que tinha sofrido abuso sexual durante seu serviço nas forças armadas.

Sputnik Internacional falou com Elena M. Giordano, veterana da Marinha dos EUA, que falou sobre sua experiência nas forças armadas.

Ela disse que serviu no Exército apenas um ano, mas durante esse período teve quatro incidentes de abuso sexual. O último foi com um militar com quem ela servia, por isso ela não teve possibilidade de escapar.

Giordano foi advertida para não relatar o assunto ao seu comandante. Ela enfrentou retaliação, acabou sendo punida pelo que aconteceu e foi finalmente demitida.

Citando o recente relatório do Pentágono, a NCHV revelou que a taxa de ataques sexuais contra as mulheres entre os militares aumentou 64 por cento desde 2006. A maioria das mulheres opta por não reportar o abuso com medo de ser ostracizada pelos colegas.

“É muito difícil porque a maioria dos autores dos abusos são pessoas com quem você trabalha. Eles são pessoas às quais você, como foi dito, poderia confiar a sua vida. Então, isso dificulta a situação. Claro que você pode fazer o seu melhor para tentar evitá-la [a violência sexual ], mas é quase impossível”, explicou ela.

Giordano disse que, nos EUA, há um procedimento que deve ser seguido, mas o problema é que, mesmo que uma mulher militar siga esse procedimento, cabe ao seu comandante dar seguimento ao processo e aceitar o relato como sério.

“Estes casos devem ser retirados da cadeia de comando. Você deve informar a sua cadeia de comando, seu supervisor imediato. Em algum momento durante este processo, seu comandante pode dizer que está mentindo e você acaba sendo julgada em vez do seu agressor”, disse ela.

De acordo com o relatório do Pentágono, publicado no início de 2017, o número de incidentes de agressão sexual reportados pelos militares atingiu um recorde em 2016. Os militares relataram 6.172 casos de agressão sexual em comparação com 6.082 em 2015, disse o Departamento de Defesa dos EUA no relatório anual. Registra-se um grande aumento a partir de 2012, quando foram registrados 3.604 casos.

Uma pesquisa anônima, no entanto, revelou que 14.900 militares experimentaram algum tipo de agressão sexual em 2016, em comparação com 20.300 em 2014.

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