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Postado em 18/04/2017 6:40

Vídeo da Lava Jato contra Genoino dura 3 minutos e não cita caixa 2 nem propina mas Janot quer punição

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Jornal GGN – Com base em uma delação que, gravada em vídeo, durou 3 minutos e 35 segundos, a Procuradoria Geral da República, comandada por Rodrigo Janot, pediu a abertura de um inquérito contra José Genoíno.
A petição 6698 sinaliza que o petista aceitou doação eleitoral da Odebrecht, em 2010, no valor de R$ 30 mil e, além disso, teria recebido mais R$ 15 mil das mãos de Alexandrino Alencar, como parte de uma ação “piedosa” do delator e do “próprio Emílio Odebrecht”, que ficaram sensibilizados com a situação de Genoino após o Mensalão. Nos dois casos, porém, delatores negaram “contrapartidas”.
delator Carlos Armando Paschoal – que aparece no vídeo acima contando a história da doação eleitoral feita em duas parcelas de R$ 15 mil – os procuradores da Lava Jato simplesmente esqueceram de pedir para especificar se os pagamentos foram feitos via caixa 2, e se Genoino estaria ciente disso.
Pachoal contou que conheceu Genoino na sala de Alexandrino Alencar, em uma reunião em que teria acertado o valor da doação eleitoral.
“Aqui teve uma particularidade que, se não me engano, ele não se elegeu. Mas me marcou muito porque foi o único candidato que, depois das eleições, nos procurou para agradecer o apoio. Me marcou tanto que me lembro desse detalhe”, comentou. A frase foi objeto de manchete dos jornais da grande mídia, nesta segunda (17).
Por outro lado, uma procuradora da Lava Jato sentiu curiosidade em saber e trazer para a delação algum temor da Odebrecht em manter contato com Genoíno, já que ele, àquela época, já havia sido atingido pelo Mensalão. “Não, não me ocorreu”, disse Paschoal, sem desenvolver o tema.
“Quanto à doação de 2010, o senhor tem mais alguma informação, nome do representante? O que marcou foi que ele voltou para agradecer, foi isso?”, questionou um procurador. O delator respondeu que não tinha mais detalhes.
Paschoal também disse que não sabia quem recolheu a doação em nome de Genoíno e destacou que a doação foi apenas para o então candidato.
Petição 6698
AJUDA FINANCEIRA
 O depoimento de Paschoal vai de encontro com a delação de Alexandrino Alencar no que tange o encontro com Genoíno para acertar doação eleitoral.
Em 12 de dezembro de 2012, Alexandrino Alencar também gravou um vídeo com trechos de sua delação premiada, citando Genoino. Ele começou contanto que conheceu o petista no início dos anos 1990, através de Lula. Depois, que a Odebrecht deve ter feito doações ao petista nas eleições de 2002 e 2006, mas que ele não saberia precisar essas informações
 “Quando ele saiu do mensalão, eu o procurei em sua casa por duas vezes, a pedido do próprio Emílio [Odebrecht], que queria saber como ele estava”, comentou. “Criei uma relação muito mais institucional do que uma relação mais espefícica, com objetos claros.”
Alencar, contrariando Paschoal, disse que não se recorda de ter recebido pessoalmente pedidos de doação de Genoino, embora tenha ciência de que o Grupo Odebrecht deve ter contribuído para algumas campanhas dele.
Na metade do depoimento, Alencar é confrontado com uma planilha onde estão registrados pagamentos a “Natal”. Ele contou, nesse momento, da ajuda financeira a Genoino e também sinalizou que os dados em posse da Lava Jato estariam errados.
“Em uma das vezes que eu o procurei, na casa dele, eu vi que ele estava com bastante dificuldades financeiras. Ele não me pediu nada, mas você sente quando a pessoa está com dificuldades. Isso realmente me impactou, até pela relação que tinha e pelo conceito que ele tinha junto ao grupo e junto ao próprio Emílio Odebrecht.”
Alencar disse que recebeu aval de Emílio para ajudar Genoino. “Eu fiz isso pessoalmente, fiz em espécie, pessoalmente, são os recursos que estão na planilha, em anexo.” Segundo o Estadão, a planilha apresenta “quatro operações no valor de R$ 15 mil”. Alencar contestou, dizendo que, em sua memória, foram três operações.
Um procurador, em seguida, perguntou a Alencar se na Odebrecht o repasse teria sido tratado como “propina” ou “caixa 2”, ao que o delator negou, dizendo que “o volume era tão pequeno que sabia-se que era uma pequena contribuição.” “Teve contrapartida?”, indagou o procurador. “Nenhuma”, disse Alencar. “Foi mais uma ação piedosa”, acrescentou.
 O delator disse também que não sabia que “Natal”, na planilha, era Genoíno, e tampouco qual funcionário da empresa era destacado para levar ao executivo os recursos que seriam entregues ao petista.
OUTRO LADO
 Ao Estadão, Genoíno disse que não ia comentar as delações, porque são “mentirosas”.
 O ministro Luiz Edson Fachin enviou o pedido de abertura de inquérito assinado por Janot para a Justiça de São Paulo.
O video está disponível aqui.

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