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Postado em 10/07/2017 3:04

A volta do Brasil colônia. Alvissaras!

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Pedro Augusto Pinho*
Doloroso ver, a cada dia, a Nação se afundando e o povo se esquivando de bombas e balas de borracha. Vem-me, de imediato, o soneto que inicia O Burgo, das sempre lidas obras de Gregório de Matos, organizadas por James Amado, para baiana editora Janaína, em 1968.
“A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha,
Não sabendo governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.”
O que iguala os golpistas de 2016 não é a corrupção. Esta, digamos, é a credencial, a carteirinha de acesso ao golpe. Eles se unem na mediocridade e no absoluto desdém pelo Brasil.
Seria, para qualquer pessoa com um mínimo de dignidade, sumamente vergonhoso transitar ignoto e desdenhado em reunião que, na verdade, não sabia o que ali estava fazendo. Mas isto “não vem ao caso” para parvos vaidosos; e lá está, novamente, Gregório de Matos nas metáforas de outro soneto:
“É a vaidade, Fábio, nesta vida,
Rosa, que da manhã lisonjeada,
Púrpuras mil, com ambição dourada,
Airosa rompe, arrasta presumida.”
Só mesmo a poesia de “O Boca do Inferno” para apaziguar esta entristecida alma brasileira.
E, como os males não cessam de correr, e, depois que chegam, duram muito mais, somos aturdidos com outra agressão: Rodrigo Mais para sucessão.
“É infâmia de mais! …
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares! “ clamo, como Castro Alves em 1868.
E encontramos o povo entorpecido. São décadas de doutrinação midiática diuturna: depreciando sua cidadania, estrangulando o orgulho nacional, submetendo sua força e saber a míseras gorjetas.
Temos, hoje, salários inferiores ao dos chineses que eram considerados, há pouco tempo pelo comércio internacional, análogos ao de escravos. E tomemos terceirizações, desregulamentações, constrangimentos no trabalho e nenhum direito, salvo deixar suor e sangue para enriquecimento estrangeiro.
E há direito? Ora meus caros, peço-lhes que não vejam apenas a ignomínia que se pratica, a cada dia, nos tribunais, mas o que é o próprio direito, nas considerações do sociólogo e pensador Norbert Elias (O Processo Civilizador, vol. 2, Zahar, RJ, 1993, original alemão de 1939):
“O direito é naturalmente ….. impermeável ao movimento e à mudança. A própria segurança legal, sempre desejada por parte considerável da sociedade, até certo ponto depende da resistência do direito à mudança. ……. Só quando sublevações e tensões na sociedade se tornam extraordinariamente grandes, quando o interesse na preservação do direito em vigor se tornou incerto em grandes segmentos da sociedade, só então, grupos na sociedade começam a submeter a testes, em lutas físicas, se o direito corresponde às reais relações de poder”.
Portanto caros leitores, nem Temer, nem Maia, nem golpes sobre golpes, queremos que os trabalhadores, aqueles que efetivamente constroem a Nação, possam livremente e fidedignamente informados escolher seus dirigentes e seu direito, sem superiores ou supremos tribunais.
*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

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